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Arrastão: Os suspeitos do costume.

2009, o ano dos politólogos

Pedro Sales, 30.12.09

Cavaco Silva emite um comunicado? Sócrates desmarca um encontro com o Presidente da República? Confusão com o Estatuto dos Açores, ou a suspensão do código contributivo? A imprensa tem uma solução. Ouvir um politólogo. Quem diz um, diz dois ou três. Os politólogos são a última moda da estação. Estão em todo o lado, a propósito de tudo.O que faz espécie não é o que dizem, nem a sua pertinência, mas a forma definitiva como os seus argumentos são apresentados e encaixados: uma espécie de gurus científicos com a capacidade de prescrever o futuro sem lhe mexer nas entranhas.

Se reparamos bem, a explicação definitiva que a imprensa procura junto dos politólogos – e a sua definição já é, em si, bastante discutível - não é muito distinta da forma como são apresentadas as sondagens. O que deveria ser um instrumento de trabalho para conhecer as flutuações circunstanciais do sentido de voto face a determinados acontecimentos, tem vindo a ser apresentada como se fosse a verdade definitiva sobre o sentido de voto dos portugueses. Como sabemos, o confronto com a realidade, depois, não tem sido famoso.

Quem é que imaginava, há dois meses, que mal ganhasse as eleições o PS iria começar este número de vitimização permanente, tudo fazendo para reduzir a política a uma versão ainda mais infantil do Calimero? Os jornais querem antecipar o que poderá a vir a ser o ano politico de 2010 e fazer peças de jornalismo prospectivo? Tudo bem. Ser um politólogo ou não a fazê-lo é que não me parece acrescentar o argumento de autoridade, e o carimbo de verdade insofismável, que a imprensa teima em procurar.

Vimeo 2009

Pedro Sales, 29.12.09
Listagem com os 25 filmes preferidos do Vimeo em 2009. A ver, especialmente para os fãs de Tarantino, um remix com os temas, obsessões e sons dos seus filmes.



Também digno de nota é Nocturne. Filmado à noite, apenas com a luz “natural” da cidade, é um espantoso exercício técnico que merece ser visto em verdadeira alta definição.


Behind the scenes, neste site. A explicação do autor, neste post.

Bem que os meus amigos me diziam que tinha de aprender a jogar bridge

Pedro Sales, 29.12.09

O Expresso desta semana dedica uma página inteira, e todos sabemos como elas têm o seu tamanho, à questão que move meio país nesta época da concórdia e da família. “Como queimar as calorias da ceia”? São os conselhos normais. Beber muita água, uma sopita ao início da refeição, fruta à sobremesa. Daí até ao exercício físico é um passo, apresentando uma grelha com as calorias que podem ser “queimadas” com os mais variados tipos de actividade. Correr, nadar, andar de bicicleta. O trivial, mais uma vez.

A listagem só começa a ser surpreendente quando se vê que ir à missa do Galo, ou estar sentado, são algumas das formas recomendadas pelo jornal para desmoer a orgia de filhoses e rabanadas do Natal passado. Deve ser a isso que se chama esperar sentado, mas é pouco crível que a barriguinha, acostumada que está ao conforto do sofá que a viu crescer, se sinta inibida com tamanha demonstração de disciplina e força de vontade.

Ainda sentado, o Expresso indica-nos uma forma imbatível de perder peso. Continuar na mesa onde se passou a última semana, desta vez para jogar às cartas. São 210 calorias em duas horas, no caso dos homens, 165 no das mulheres. Ainda longe dos valores alcançados em cima de uma bicicleta ou na piscina, mas sempre é mais intenso, segundo os números deste semanário, que ter relações sexuais. Isso mesmo. Esse exercício, de aparente baixa intensidade, fica por umas pálidas 23 ou 21 calorias, consoante o género, a cada 15 minutos. Não faço ideia como é que o jornal chegou a estes números, mas ou esta gente é toda estrangeira ou, depois da presença do Ricardo Araújo Pereira na capa da Playboy, isto é bem capaz de desferir o último golpe no mito da “coutada do macho latino” que, afinal, se parece contentar com a bisca lambida.

Bem sei que o leitor-tipo do Expresso já está mais na idade em que ir à missa do galo ou permanecer no sofá já parece uma esforçada ideia para emagrecer, mas, sejamos justos, deve haver aí gente com muito mau perder para consumir mais calorias a jogar às cartas do que no chavascal. E lá voltamos nós à guerra dos sexos. De acordo com as contas do Expresso, apenas os homens torram mais energia a jogar às cartas. A coisa anda ela por ela, mas as mulheres, essas tontas azaradas, parecem não se envolver seriamente nos secretos prazeres que se podem ter num memorável jogo de bridge ou numa saudável partida de sueca.

Aqui chegados, confesso que o único sentimento que me move é o da inveja. Que grandes jogatanas de cartas anda para aí muito boa gente a ter sem que ninguém me tenha dito nada. Não fosse o Expresso e continuava sem saber estas coisas.

Como na adolescência, arranjar programa fora quando a casa tem de ser arrumada

Daniel Oliveira, 29.12.09

Nos próximos sete dias não andarei por aqui. Irei para Maputo e, pela primeira vez em alguns anos, poderei viajar sem computador. Ou seja, ficarei mesmo longe daqui. O Vieira e o Sales cá estarão para tomar conta da casa até ao reforço, para a arrumar para os novos inquilinos e, por fim, para os receber com uma fanfarra. Quando voltar, a casa vais estar diferente. Dou por isso antecipadamente as boas vindas a quem vem por bem. E agora vou para o quentinho. Até já.

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Daniel Oliveira, 29.12.09
Durante uma semana não me vão ver por aqui. Andarei por Maputo e, pela primeira vez em muitos anos, posso dispensar o computador. O Sales e o Vieira