Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Arrastão: Os suspeitos do costume.

Doc à 6ª: Guerra Fria (19) Freeze 1977-1981

Daniel Oliveira, 26.02.10
Depois da eleição de Jimmy Carter, as relações entre os EUA e a URSS mudaram de tom. Do esforço na redução do arsenal nuclear aos dissidentes dos países do bloco de Leste, com conflitos que tiveram o seu ponto alto na Polónia e na invasão do Afeganistão. No meio, a revolução islâmica no Irão e a chegada de um polaco ao Vaticano. É o 19º episódio do documentário Guerra Fria.



Episódios anteriores:
1: Camaradas 1917-1945 ; 2: o Cortina de Ferro 1945-1947; 3: Plano Marshall 1947-1952; 4: Berlim 1948-1949; 5: Coreia 1949-1953; 6: Reds 1947-1953; 7: Depois de Estaline 1953-1956; 8: Sputnik 1949-1961; 9: O Muro 1958-1963: 10: Cuba 1959-1962; 11: Vietname 1954-1968, 12: M.A.D. 1960-1972: 13: Make Love Not War 60's; 14: Red Spring 60's; 15: China 1949-1972; 16: Détente 1969-1975, 17: Good Guys, Bad Guys 1967-1978, 18: Backyard 1954-1990.

Fome

Sérgio Lavos, 26.02.10

A morte de Zapata Tamayo, ao fim de 85 dias de greve de fome, trouxe à colação o filme de Steve McQueen, Fome, retrato da greve que vitimou Bobby Sands, membro do IRA, em 1981. Ao contrário de outros filmes sobre o IRA (Jogo de Lágrimas, Em nome do Pai ou Michael Collins), não existe uma vontade clara de McQueen em tornar Sands um simples herói da resistência republicana. As suas preocupações são essencialmente de ordem estética. Cada plano tenta capturar a essência do sofrimento humano, mas o caminho que McQueen escolhe não é retórico e muito menos redutor; ele escolhe a via da beleza, citando pintores clássicos - Caravaggio, a pintura religiosa da Idade Média -, encenando quadros e procurando o ínfimo clarão que pode romper o domínio da violência e do horror. Os prisioneiros mergulhados na sombra da cela, no meio dos próprios dejectos, são mais do que um instrumento de uma denúncia política; transformam-se em arquétipo da submissão e ao mesmo tempo da revolta. Sands e o companheiro de cela são espancados pelos carcereiros, são submetidos às regras da prisão sem hipótese de resposta mas acabam por resistir da única forma que lhes resta: o martírio, a entrega do seu próprio corpo, como Cristo - os corpos esquálidos, as barbas longas, as chagas na carne. O que é extraordinário em Fome é o modo como subtilmente passamos da estética para a ética. Não há uma denúncia clara do estado inglês (apesar da  imediatamente reconhecível voz de Margareth Thatcher servir de pontuação nas cenas de maior brutalidade), seria demasiado evidente, mas ao espectador é oferecido um ponto de vista, uma escapatória para os seus preconceitos, na longa cena da conversa entre Sands e um padre irlandês, quando este tenta dissuadir o prisioneiro de avançar com a greve de fome. Absolutamente admirável, o diálogo, e marcante sobretudo porque é a excepção num filme de silêncio entrecortado de ruídos que indiciam a violência (urros, gritos, o matraquear dos cassetetes, os ossos quebrando-se contra as paredes). Na troca de argumentos contra e a favor, é difícil tomar partido, mas acabamos por compreender a posição do prisioneiro, a sua absoluta determinação e, em última análise, a intuição de que a derradeira liberdade - a de poder dispor do próprio corpo (como um body artist) - servirá para derrotar o carcereiro, neste caso o estado inglês. Os nove mortos que se seguiram a Sands - a resistência colectiva - acabaram por provar que o martírio terá sido em vão: nenhuma das exigências foi aceite de imediato. Mas o gesto acabou por fazer a diferença, eventualmente. Toda a Arte pode - e deve - ser política.

(Ver
aqui a cena da conversa entre Sands e o padre).

O obscuro objecto

Sérgio Lavos, 26.02.10

Não concordo contigo, Bruno, não concordo mesmo nada (e que isto não seja o início da primeira cisão no Arrastão). Estes dois textos da Shiznogud e da Inês Menezes no Jugular ajudam a explicar a minha discordância - e gostava de saber o que têm as mulheres que lêem o blogue a dizer sobre este assunto, já há demasiados homens a comentar o post do Bruno.

Da contra-hegemonia

João Rodrigues, 26.02.10

A Cultra, Cooperativa Cultura Trabalho e Socialismo, dirigida pelo historiador Fernando Rosas, promove este fim-de-semana, no Liceu Camões em Lisboa, um ciclo de debates subordinado à questão fundamental: O que fará um governo de esquerda socialista? De Manuel Carvalho da Silva a Francisco Louçã, passando por João Ferreira do Amaral. Não percam. Não estamos condenados ao mesmo de sempre...

Da hegemonia

João Rodrigues, 26.02.10
Alegremo-nos. Portugal, país socialmente fracturado, continua a convergir com as melhores práticas do capitalismo anglo-saxónico: os ricos ameaçam fugir se tiverem de pagar mais impostos, mas acabam sempre por ficar e até criam fundações dedicadas a todas as ideias. É uma generosidade gramsciana de centenas de milhões: a resolução política de uma brutal crise socioeconómica depende sempre das interpretações que são dominantes. A Fundação Francisco Manuel dos Santos, criada em 2009 por Alexandre Soares dos Santos, o do sítio do costume, é dirigida por António Barreto.

A fundação arrancou muito bem: uma útil base de dados sobre Portugal chamada pordata. Gosto daqueles números da despesa pública em saúde e em educação que não param de se mexer. Toda uma narrativa em construção. Lamento que a base não pareça ter muitos dados sobre pobreza ou sobre desigualdades. Escolhas a corrigir. No entanto, não se preocupem: já temos um excelente observatório público sobre o tema. Aliás, aguardo com impaciência mais um ataque de Barreto aos observatórios públicos.

Enfim, agradeço a generosidade. Começo a dar bom uso a esta bem organizada base de dados: corrigir uma aldrabice que circula entre a opinião confortável. Aquela que fala como se tivesse ocorrido um regabofe salarial em Portugal. É o que dá olhar para o umbigo. Na realidade, como já aqui defendi, o peso das remunerações do trabalho no PIB tem permanecido estável: 50,5% em 2005 e 50,2% em 2008. No entanto, as desigualdades salariais aumentaram...

Boy do PS? Como ousam, o homem é um dragão de ouro, carago

Pedro Sales, 26.02.10


Rui Pedro Soares foi ao Parlamento e, se é verdade que não esclareceu grande coisa sobre o interesse da PT na TVI, entreteve-se longos minutos a contar uma verdadeira história da carochinha. Confrontado pelos deputados sobre a natureza da sua relação com o primeiro-ministro, e para deixar claro que essa ligação nunca interferiu com as suas actividades como administrador da PT, Rui Pedro Soares conta como, apesar da longa e enternecedora história de amor da sua família pelo FC Porto, foi capaz de manter relações profissionais com o Benfica...

Rever Sócrates para combater a histeria

Daniel Oliveira, 26.02.10
O país divide-se entre os que acham que Sócrates cometeu todos os crimes e os que acreditam que vivemos no meio de uma conspiração tenebrosa. Porque os factos contam, uma revisão da matéria dada. Aqui vai um texto um pouco maior do que se aconselha neste meio. Quero falar aqui desse assunto tão raro nas colunas de opinião: José Sócrates. Disse Almeida Santos que já o tentaram tramar quatro vezes. E que das quatro vezes falharam. Como as coisas não são todas iguais, como o nem as pessoas nem os factos se dividem entre os que são a favor de Sócrates e os que são contra Sócrates, vale a pena voltar a lembrar do que estamos exactamente a falar.

Ler no Expresso Online

Petição: Zapata Tamayo e presos políticos em Cuba

Arrastão, 25.02.10
Petição dirigida à embaixada de Cuba em Portugal

"Nós, cidadãos de um país que conquistou a sua liberdade há 36 anos, solidários com a resistência a todas as formas de imperialismo, críticos do bloqueio injusto e injustificável a Cuba por parte dos Estados Unidos da América, vimos através deste abaixo-assinado protestar contra morte do activista Orlando Zapata Tamayo depois de uma pena de prisão absurda e de uma greve de fome pelos seus direitos civis. E, através deste protesto, manifestar a nossa solidariedade empenhada para com todos os presos políticos cubanos e para com todos aqueles que em Cuba lutam por valores que, para quem, como os portugueses, viveu meio século de ditadura, são bens preciosos: a democracia, a liberdade e o direito a autodeterminação dos povos e dos indivíduos. Não há verdadeira independência de um povo sem democracia. Não há revolução que valha a pena sem liberdade."

Assina aqui.

Através das redes sociais e dos vossos blogues divulguem a petição.