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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Como de costume

Daniel Oliveira, 26.06.10
Vale a pena ler hoje, no Expresso, a história do senhor que trabalhava para o governo que decidiu os chips e depois para a empresa pública que gere o sistema de portagens nas auto-estradas e depois na empresa privada que o vai fornecer os aparelhos. Não que seja uma notícia. É a história da nossa vida. Mas é sempre bom saber que está tudo na mesma.

...

Daniel Oliveira, 26.06.10
Quem viu as peças dos jornalistas de televisão, que estavam no local, não pode ter ficado com qualquer dúvida sobre o abuso de violência no Parque das Nações. E quem tem estado atento não pode deixar de reparar que a PSP de Lisboa parece ter adoptado este uso de violência em acontecimentos públicos como uma coisa banal. Eu assisti aos episódios pós-manifestação da CGTP, há um mês. Vi, como mero espectador, o que aconteceu. Ouvi depois a versão da PSP, que era falsa da primeira à última palavra. Fiquei calado poque o protagonismo era para a manifestação, não para aqueles inidentes com um cliente de uma esplanada (foi disso que se tratou). Vi depois a história dos vários espancamentos, num mesmo dia, no Bairro Alto.

Agora isto. Reparam que não há nem uma imagem de um carro danificado? Neste caso parece nem haver sequer o cuidado de querer disfarçar a desproporção da violência. Afinal de contas são só brasileiros. Gostava de saber onde estava este empenho da polícia quando a claque do meu clube apedrejava espanhóis na saída do metro. Não estavam só a festejar com mais alegria. Estavam a agredir pessoas. Mas eram portugueses. Por isso, a coisa fez com calma de doçura.

O vencedor

Arrastão, 25.06.10

Depois dos vitoriosos dos grupos e dos jogos de Portugal, aqui fica o vencedor: CONTRA-CORRENTE. Acertou no resultado de 27 dos 48 jogos. E em oito resultados exactos. Conseguiu 1.130 pontos dos 1.920 possíveis. Mas a luta pelo primeiro lugar foi renhida. Aqui ficam as 10 primeiras posições (entre parentesis a posição no fim da jornada anterior). No link em baixo, as restantes dos 70 concorrentes.

1º (1) Contra-Corrente 1.130
2º (6) LAM 1.120
3º (5) Tiago 1.110
4º (2) Procrastinador 1.105
5º (14) Daniel Oliveira 1.090
6º (9) Diogo 1.070
7º (10) sam wise 1.050
8º (6) José Bastos 1.045
9º (3) João André 1.040
9º (11) Jorge Soares 1.040
9 (15) Bruno Sena Martins 1.040
9 (15) Marco Garcia 1.040

13 (29) Daniel 1035
14 (11) José Oliveira 1030
14 (20) João (2) 1030
16 (8) Portela menos 1 1025
16 (21) Alex 1025
18 (32) Von 1020
19 (4) Mauro Rebelo 1015
20 (13) Miguel F. Carvalho 1010
20 (32) LGF Lizard 1010
22 (18) Henrique Morais 1005
23 (27) Paulo Rui Ramalho 1000
23 (35) Gustavo B 1000
25 (21) Pedro Vieira 995
25 (48) José Figueira 995
27 (15) Eurico Ricardo 985
27 (29) Fábio Rocha 985
29 (23) Ricardo Vaz 980
29 (29) Branco 980
31 (35) Jamila 975
32 (18) Ramiro Morais 970
33 (35) Estúpido 965
34 (35) Andreu de Vallvidrera 960
34 (44) João Malainho 960
36 (27) Acid 950
36 (46) AMCD 950
38 (46) Pedro L 940
39 (23) RJ 935
40 (39) Hugo Dias 930
40 (41) Rui Sousa 930
40 (41) Pedro Lourenço 930
40 (44) Ramsés II 930
44 (25) bico de lacre 925
44 (53) José R. 925
46 (41) Fermelanidades Coelho de Matos 920
47 (53) GGL 910
47 (60) Loren 910
49 (51) André Carapinha 905
50 (32) João (1) 900
50 (51) GHT 900
50 (53) LFM 900
53 (25) Sérgio Lavos 895
53 (39) Sara Figueiredo Costa 895
55 (63) Pimpão 875
56 (49) JP Carvalho 870
56 (61) António Cunha 870
58 (57) LF 865
59 (59) Lisboeta 865
59 (63) Boy Job 865
59 (66) Economista 555 865
62 (61) victor 860
63 (49) Armando 830
64 (63) Kamone 825
65 (57) Esquerdino 815
66 (70) Maria dos Anzóis 815
67 (53) zé 810
68 (67) Luís Machado 805
69 (69) Radagast 800
70 (68) Diogo Martins 765

Grupo H

Daniel Oliveira, 25.06.10
Com o fim dos jogos do grupo H, aqui ficam as pontuações dos três primeiros nas apostas neste grupo.
Vencedor: Bruno Sena Martins, com 195 pontos. Acertou em cinco resultados (todos). Quatro resultados exactos.
Segundo ex aequo: João Malainho, com 185 pontos. Acertou em cinco resultados. Três resultado exacto.
Segundo ex aequo: Acid, com 185 pontos. Acertou em cinco resultados. Dois resultados exactos.
A pontuação máxima possível seria de 240 pontos. Passaram a Espanha e o Chile.

Na recta da meta

Arrastão, 25.06.10
Já só estão 80 pontos em disputa no consurso de apostas do Arrastão. Depois dos dois jogos de hoje ficaremos a saber quem são os vencedores. Os que matematicamente ainda podem ganhar são os seguintes:
Tiago (1065), Contra-Corrente (1050), Procrastinador (1050), Daniel Oliveira (1050), LAM (1045), Diogo (1025), sam wise (1010), José Bastos (1000), Portela menos 1 (1000), Jorge Soares (995), João André (990), Marco Garcia (990), Mauro Rebelo (985), João 2 (985) e Daniel (985)

Portugal

Arrastão, 25.06.10
Com o fim dos jogos de Portugal, aqui ficam as pontuações dos três primeiros nas apostas.
Vencedor: Von, com 100 pontos. Acertou em três resultados (todos). Um resultado exacto (com a Costa do Marfim).
Segundo: Contra-Corrente, com 90 pontos. Acertou em três resultados (todos). Nenhum resultado exacto.
Terceiro ex aequo: Paulo Rui Ramalho, com 80 pontos. Acertou em dois resultados. Um resultado exacto (com o Brasil).
Terceiro ex aequo: Branco, com 80 pontos. Acertou em três resultados. Nenhum resultado exacto.
Terceiro ex aequo: Alex, com 80 pontos. Acertou em três resultados. Um resultado exacto (com o Brasil).
Terceiro ex aequo: Jamila, com 80 pontos. Acertou em três resultados. Nenhum resultado exacto.
A pontuação máxima é de 120 pontos

Grupo G

Arrastão, 25.06.10
Com o fim dos jogos do grupo G, aqui ficam as pontuações dos três primeiros nas apostas neste grupo.
Vencedor: Contra-Corrente, com 195 pontos. Acertou em seis resultados (todos). Nenhum resultado exacto.
Segundo: Branco, com 180 pontos. Acertou em seis resultados (todos). Nenhum resultado exacto.
Terceiro ex aequo: Mauro Rebelo, com 175 pontos. Acertou em cinco resultados. Um resultado exacto.
Terceiro ex aequo: Pedro L, com 175 pontos. Acertou em cinco resultados. Um resultado exacto.
A pontuação máxima possível seria de 240 pontos. Passaram o Brasil e Portugal.

Encalhados no silêncio

Daniel Oliveira, 25.06.10


Queria falar-vos de um filme. Chama-se "O segredo dos seus olhos" (Juan Jose Campanella), é argentino e ganhou o Oscar para melhor filme estrangeiro. A sua suavidade pode ser confundida com facilidade. Um erro.

Um funcionário judicial e uma magistrada vivem durante anos uma paixão platónica nunca consumada. Habituam-se a viver assim, com palavras por dizer, apenas denunciando-se pelos olhares. Sendo uma paixão que não se confronta consigo mesma nunca chega a consumir-se. Está ali parada, encalhada. Parece-me que nem chega a perturbá-los. Acompanha-os apenas.

Um colega do protagonista, Pablo Sandoval (Gullermo Francella), é alcoólico. Vive, também ele, uma paixão que o degrada. Não a enfrenta. Está apenas encalhado nela. Vive-a e pronto.

Um dia, Bejamin Espósito (Ricardo Darín) tropeça num crime. Violação seguida de homicídio. Talvez pela brutalidade do que vê, talvez pela beleza da vítima, talvez pela paixão que ela vivia com o seu marido recente, aquele caso torna-se numa obsessão. Acabará por encontrar o culpado - mais uma vez é o olhar que denuncia - e por conseguir a sua condenação. Graças a uma paixão do criminoso, que o leva a ser imprudente: o futebol. Aliás, essa imprudência oferecerá ao filme uma sequência para a antologia do cinema.

Só que o violador homicida será solto para trabalhar para a "tripla A", a Aliança Anticomunista Argentina, grupo paramilitar que recuperava criminosos para os usar na repressão a activistas de esquerda. Isto passa-se durante a Presidência da Isabelita Perón, última mulher de Juan Domingo Perón e sua sucessora no poder entre 1974 e 1976. O governo de Isabel tinha forte presença da extrema-direita. A mesma que viria a apoiar o golpe da Junta Militar de Videla. Voltando ao filme: Espósito e a magistrada terão de fugir para não sofrerem as consequências de investigarem um operacional da "Triplo A". O amigo alcoólico será quem se sacrifica por eles.

Revoltados mas resignados, magistrada e funcionário refazem as suas vidas durante aquela que foi uma das mais violentas das ditaduras latino-americanas. Cada um a sua. Durante 25 anos passam por ela, numa "vida cheia de nada". O viúvo da mulher assassinada também parece conformado. Mas não esquecem nem o crime, nem as suas paixões por resolver. Não esquecem a injustiça.

Até que, 25 anos depois, já em democracia e no começo do ocaso das suas vidas, tudo regressa: a injustiça do crime por punir e o seu amor sereno. O oficial de justiça revista o passado para escrever um livro. E acaba por descobrir que houve quem tivesse tratando de fazer, pelas suas próprias mãos, a justiça que o Estado não fez. E descobre que ele próprio não se conformou.

Não vos conto o fim do filme que ainda está em exibição. Para além da sua simplicidade comovente, para além das interpretações magníficas de Ricardo Darín e Soledad Villamil, vale a pena prestar atenção a esta história sobre a memória e o silêncio. Para responder à pergunta: e se tivéssemos feito alguma coisa para ser diferente? E o que podemos fazer agora para seguir em frente?

O filme não é sobre política. Não é sequer sobre o amor (talvez mais sobre paixões), apesar de ser por aí que é promovido. É sobre a memória, o esquecimento e o silêncio. Mas também pode ser visto, se quisermos (os bons filmes têm a capacidade de nos deixar espaço para o que queremos), como uma metáfora da história da Argentina. Não por acaso, começa nas vésperas da ditadura militar e acaba no período democrático em que os argentinos tentam reparar os crimes do seu passado.

Espósito representa uma geração marcada pelo medo e pela repressão. E desse ponto de vista, podia ser em Portugal, em Espanha, na América Latina ou na Europa de Leste. Como nos relacionamos com os nossos silêncios, com a justiça por fazer, com as suas vítimas esquecidas?

Há dez anos que muitos espanhóis fazem o mesmo que Espósito: revistam o seu passado para o poder ultrapassar. Graças à lei da memória histórica de Zapatero ou a homens como Baltazar Garzón, confrontam o silêncios e a indiferença. Já aqui escrevi sobre isso .

O assunto é pouco popular. Porque a maioria prefere sempre o consenso do esquecimento. Mas quando esquecemos só o fazemos na aparência. "Quem vive fixado na sua memória vive com muitos passados e nenhum futuro", diz (cito de cor), sem acreditar, uma das personagens. É falso. Quem não leva a sério a memória vive apenas a ilusão de ter futuro. Porque os confrontos sobre o passado são sempre confrontos de hoje. São sobre nós em qualquer tempo.

A Argentina fez o seu, e com que dor. O Chile deixou-o por fazer e continua encalhado em muitos equívocos. A Espanha está a tentar fazê-lo. Portugal nunca o fez. E por isso confundem-se com tanta facilidade vítimas e carrascos, como se fossem todos feitos da mesma massa.

Parece que meio século de ditadura é coisa do passado. Não é. É constitutivo do que somos enquanto povo. Parece que a democracia e a liberdade são irreversíveis? Parece. Mas ainda estamos encalhados nessas memórias nunca resolvidas. Meio século de ditadura ainda se sente em muitos cantos da nossa identidade. Porque não o revisitamos para o resolver.

Publicado no Expresso Online.

Grupo E

Daniel Oliveira, 24.06.10
Com o fim dos jogos do grupo E, aqui ficam as pontuações dos três primeiros nas apostas neste grupo.
Vencedor: Procrastinador, com 200 pontos. Acertou em cinco resultados. Quatro resultados exactos.
Segundo: Miguel F. Carvalho, com 190 pontos. Acertou em cinco resultados. Quatro resultados exactos.
Terceiro: Pedro Vieira, com 185 pontos. Acertou em cinco resultados. Um resultado exacto.
A pontuação máxima possível seria de 240 pontos. Passaram a Holanda e o Japão.