Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Arrastão: Os suspeitos do costume.

EDP: mais uma empresa carente de mimos

Bruno Sena Martins, 28.09.10
"Alguém me explica para que é que uma empresa quase monopolista como a EDP precisa de uma campanha institucional destas? Mais: como é que uma empresa de capitais maioritariamente públicos se pode dar a tal luxo uma vez por ano? Qual o objectivo deste investimento mediático? Dissuadir os consumidores de comprarem electricidade à Iberdrola? Convencê-los a deixar as luzes ligadas a noite toda" Luis Rainha

O imposto "engana parvos"

Daniel Oliveira, 28.09.10
A OCDE propõe o aumento do IVA. Percebe-se a razão desta opção: ao não se sentir de forma tão evidente na carteira dos contribuintes, é o impostos menos impopular. Mas apenas por má percepção. O efeito é exactamente o mesmo do que o do aumento do IRS, apenas com uma diferença: é um imposto cego. Ao contrário do IRS, tanto o paga o pobre como o milionário. À mesma taxa, apenas proporcional ao que vai consumindo. Ou seja, não tem uma função redistributiva. Corresponde, na realidade, à taxa plana com que tantos sonham. Tem uma vantagem: é fácil de cobrar e o dinheiro entra logo nos cofres do Estado.

A opção recorrente pelo o aumento do IVA é um excelente retrato da forma como se governa hoje. Em vez de opções estratégicas consistentes, procura-se a solução que salve o barco nos próximos minutos. Mesmo que isso, no dia seguinte, ajude ao naufrágio. E escolhe-se a opção menos impopular, mesmo que ela seja a pior para os contribuintes. Por fim, as opções escolhidas, vá-se lá saber porquê, acabam sempre por ser as piores para os que, tendo menos poder económico, também têm menos capacidade para protestar.

Querem mexer no IVA? Podem começar por fazer uma coisa: retirar do escalão mínimo os produtos que não são realmente essenciais. Como, por exemplo, os famosos refrigerantes de que falava José Sócrates. Mas se aumentar o IRS seria penoso para o pais, aumentar ainda mais o IVA será trágico. É que estaríamos a aumentar um imposto que até o desempregado paga.

Publicado no Expresso Online

...

Sérgio Lavos, 27.09.10
Para quem achava que a expulsão de roms era apenas um pormenor da história, aqui está a continuação: a lei que irá ser discutida

Estados há muitos...

João Rodrigues, 27.09.10

As alternativas democráticas a partir de “baixo”, que Miguel Madeira tão bem defende em artigo no Le Monde diplomatique – edição portuguesa, precisam de alternativas vindas de “cima”. O Estado é um campo em disputa e pode, haja força politica e boas razões, estar ao serviço dos de baixo, sendo capaz de exercer muitas funções económicas com relativa eficácia, como apoiar o financiamento das suas iniciativas empreendedoras, e assim contrariar a discriminação no acesso ao crédito, que bloqueia tantos projectos cooperativos. Se queremos superar a separação entre baixo e cima podemos também apostar na defesa das políticas sociais universais. É que as políticas para pobres tendem muitas vezes a ser pobres políticas, para invocar o suspeito Milton Friedman, e por isso devem ser secundárias no quadro do Estado social. A experiência mostra que os serviços públicos e apoios sociais, financiados por impostos progressivos e acessíveis a todos os cidadãos sem barreiras de preço ou outras, são, paradoxalmente, mais redistributivos, estão politicamente mais protegidos porque todos deles tendem a beneficiar, exigem menos custos administrativos com fiscalizações intrusivas dos “pobres merecedores”, fazem menos exigências à administração em termos de conhecimento e ajudam a evitar armadilhas sociais à portuguesa; “equilíbrios baixos” em que a desigualdade e a desconfiança sociais se reforçam mutuamente. Coisas que tenho aprendido com estudos empíricos sobre os modelos de Estado. Precisamos do espírito da igualdade, a que o Daniel já aqui aludiu. Ao contrário do que pressupõe o deslocado e estranhamente a-histórico essencialismo de Rui Ramos no Expresso desta semana, o Estado é muito mais variado e plástico. Tem diversas naturezas, digamos. Tudo depende dos blocos sociais que definem as políticas. Aliás, o que Rui Ramos, sem se preocupar com a evidência sobre estes assuntos, diz sobre o Estado necessariamente punitivo e vigiador dos pobres aplica-se sobretudo ao tipo de Estado guarda-nocturno para o século XXI que Rui Ramos, ideólogo de Passos Coelho, anda por aí a defender.

...

Sérgio Lavos, 27.09.10
Não sei quantas vezes será preciso martelar na tecla - e o nosso João Rodrigues tem feito isso sistemática e pacientemente aqui no blogue - mas não há qua

Bingo

Sérgio Lavos, 27.09.10
Quando John Berryman soube que Robert Frost tinha morrido, perguntou: «Who's number one?». Agora que morreu o número 1, quem é o novo [poeta] número 1? [Berryman achava, e bem, que era Lowell].

Desde que Saramago morreu, também temos vivido essa lufa-lufa, «quem é o número 1», «quem é o número 1», «quem é». Uns sobem de escalão pela singela virtude de ainda estarem vivos. Outros tornam-se candidatos porque são «novidade». E no hipermercado do romance é urgente a reposição de stocks.

Pedro Mexia

Nirvana/Lithium

Sérgio Lavos, 27.09.10

Agora que já tenho idade, e portanto juízo, suficiente para julgar os Nirvana pela qualidade musical, e valorizar esse lado da banda mais do que a simbologia que lhe está associada, lembro-me de um tempo em que a música pouco tinha a ver com grandes músicos, refrões marcantes ou riffs de bateria irrepreensíveis. Quando gostava de música sem saber muito bem porquê, sem conhecer o suficiente nem ter lido uns quantos livros sobre a razão de gostar. Nirvana foi música em estado puro, sem racionalização absurda ou relativizações imbecis e redutoras. Tenho saudade disso. Da pureza e da descoberta, a sequência perfeita desse meio termo romântico entre o fim da adolescência e o princípio da idade adulta. Espero que os putos de agora ainda saibam sentir isso.  Acima de tudo, procurar.