Sexta-feira, 15 de Abril de 2011
por João Rodrigues

 

Não é ajuda externa a Portugal, mas sim um “Tony Soprano bailout”, diz Michael Burke, ou seja, uma violenta operação de salvamento da banca do centro europeu e, já agora, da banca nacional à custa das populações das economias periféricas, dos seus rendimentos e activos.

 

Multiplicam-se as declarações de governantes espanhóis que nos garantem que a Espanha não é Portugal. Outros dirigentes europeus, como a ministra das finanças francesa, afiançam que Portugal funcionou como um “corta-fogo” da crise. Declarações deste género têm funcionado como um indicador avançado de novos problemas. Tony Soprano poderá estar a chegar a Espanha.

 

Um ex-funcionário português do FMI alinha com o que andamos a defender há já algum tempo: “Reestruturação da dívida pode ser usada como arma negocial pelo governo”. Usada como arma negocial de uma aliança das periferias seria ainda mais eficaz. Indicando que não é em vão que se esteve no FMI, aponta para uma redução dos direitos laborais e é franco sobre os objectivos de tal medida: reduzir os salários. O ataque ao salário directo e indirecto é uma das marcas dos Sopranos do FMI-BCE-CE.


por João Rodrigues
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

por Daniel Oliveira

...os juros da dívida soberana grega a 3 anos estão acima de 19%. O risco de bancarrota do país está próximo de 61%.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

Quinta-feira, 14 de Abril de 2011
por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (9) | partilhar

por Daniel Oliveira

 

 

Hoje, a saúde das economias depende de um funcionamento transparente dos mercados financeiros. E, para isso, a regulação é indispensável. E a verdade é que as agências de rating têm jogado um papel central na crise das dívidas soberanas. E quando falamos destas agências, falamos apenas de três: Moody's, Fitch e Standard & Poor's. Sozinhas, controlam noventa por cento das participação no mercado das classificações creditícias.

 

É com base na avaliação que estas agências fazem que o mercado se comporta, com efeitos diretos e imediatos nas economias nacionais. Temos, por isso, antes de mais, de ter a certeza que não há nenhum jogador a fazer-se passar por árbitro. Sabemos que há. O Capital Group, através da Capital World Investors, é o maior acionista da Standard & Poor's e tem uma das maiores participações na Moody's. Em simultâneo, detém um investimento significativo em títulos de dívidas soberanas: entre eles, 370 milhões de euros em dívida da Irlanda, Portugal, Espanha e Grécia. Ou seja, o mesmo grupo que avalia o risco das dívidas beneficia das evoluções do mercado da dívida. Avalia e lucra. Arbitra e joga.

 

Depois, temos de ter a certeza que há o mínimo de rigor na avaliação que fazem. Não faltam exemplos que nos indicam o contrário, mas fico-me por os referidos neste documento : até o Mundo saber o que andava a fazer Bernard Madoff, a sua empresa financeira tinha uma das melhores classificações possíveis (AAA), simpaticamente garantida pela Standard & Poor's; as três agências davam, até à sua falência, a classificação máxima ao Lehman Brothers; a Enron só viu a sua classificação baixar a quatro dias da sua falência.

 

O Fórum de Estabilidade Financeira (FSF), numa informação de abril de 2008, registava deficiências dos modelos e metodologias de classificação destas agências, a inadequada diligência na verificação da qualidade do conjunto de ativos em que assentam os valores sobre que se emitiu uma classificação, a pouca transparência sobre pressupostos, critérios e metodologias utilizadas, a difusão insuficiente do significado e características do risco das classificações e a insuficiente atenção para o conflito de interesses subjacente ao processo de classificação.

 

Com estes dois dados - conflito de interesses e pouca fiabilidade - vale a pena recordar que as classificações e avisos destas três agências sobre a dívida portuguesa tiveram efeitos diretos e imediatos nas taxas de juro que o País teve de pagar pelo crédito que obteve. E quase sempre com argumentos contraditórios entre si. Fosse qual fosse o argumento, mesmo que uns se contrariassem aos outros, o resultado foi sempre o mesmo: a descida da cotação, sem que interessasse realmente a razão. Aliás, muitas das vezes os argumentos alimentaram-se a si próprios: se não há argumento para descer a cotação, ela desce-se na mesma, os juros aumentam, a situação piora e está criado o argumento.

 

E algumas classificações surgiram, não por acaso, em momentos cruciais na obtenção de crédito. Como no dia 15 de março de 2011, em que a Moody's cortou o rating das obrigações portuguesas de longo prazo de A1 para A3. Quando? Na noite anterior ao regresso de Portugal aos mercados financeiros. Algum novo dado que o justificasse? Nenhum. Apenas as debilidades do crescimento da economia, coisa velha de anos. A 22 de março, a Fitch anunciava que não iria alterar a classificação da dívida portuguesa por causa da crise política, dois dias depois alterava a classificação com esse mesmíssimo argumento. Sempre à vontade do freguês.

 

E quanto mais difícil se torna o acesso ao crédito, por causa destas classificações, mais as classificações baixam porque o acesso ao crédito é difícil. Trata-se de uma pescadinha de rabo na boca, onde as agências avaliam o cenário, criam o cenário, voltam a avaliar o cenário que criaram e no fim lucram com a coisa.

 

Os avisos para o papel criminoso que estas agências têm desempenhado na atual crise internacional vêm de todo o lado, incluindo do insuspeito FMI, que as acusou, o ano passado, de "usarem e abusarem do poder que têm" e pediu "uma supervisão mais estreita". No entanto, elas parecem continuar a poder manipular os mercados sem que ninguém faça coisa alguma.

Em alguns Estado, no entanto, a justiça (ou cidadãos através dela) começa a dar os primeiros passos para impor a lei. Há já processos penais no Tribunal Superior da Califórnia (contra a Moody's e a Fitch), no Tribunal Distrital de Ohio (contra a Standard & Poor's), no Tribunal Superior de Connecticut (contra as três agências); e em Espanha, com uma queixa apresentada pelo Observatório para o Cumprimento dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais.

 

Em Portugal, como o Estado parece ser incapaz de fazer mais do que correr atrás do prejuízo, foi um grupo de cidadãos (na sua maioria economistas) que se mexeu. Baseiam-se na lei para tentar pôr as agências de rating sentadas no banco dos réus: "Quem divulgue informações falsas, incompletas, exageradas ou tendenciosas, realize operações de natureza fictícia ou execute outras práticas fraudulentas que sejam idóneas para alterar o regular funcionamentos do mercado de valores mobiliários ou de outros instrumentos financeiros é punido com pena de prisão até 5 anos ou com pena de multa". Recorde-se que foi o próprio Presidente da República a afirmar que a última descida do rating português era "muito exagerada". E querem saber quem decidiu o quê, como e o que lucrou com isso.

 

É assim mesmo que se faz. Quando o Estado não defende os seus cidadãos, os cidadãos defendem-se a si próprios. E recorrem à lei, na esperança que ela ainda exista. Pode não dar em nada? É o mais provável, já que é se trata de um David contra um Golias. Mas ao menos mostra-se que não nos resignamos a ver o fruto do nosso trabalho a ir parar às mãos de especuladores.

 

Quem quiser assinar a petição que está a correr, em paralelo com esta queixa (e onde podem ler informação mais detalhada, basta ir aqui.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (71) | partilhar

Quarta-feira, 13 de Abril de 2011
por Andrea Peniche

A Revolução Tunisina não deixa de surpreender. Na noite de segunda para terça-feira tomou uma iniciativa sem precedentes no mundo muçulmano: a paridade entre homens e mulheres nas listas das primeiras eleições democráticas nos 55 anos de independência da Tunísia.


por Andrea Peniche
link do post | comentar | ver comentários (8) | partilhar

por Daniel Oliveira

 

 

Sofia Branco, jornalista da LUSA (e ex-jornalista do "Público") recusou-se a escrever uma notícia que atribuía a José Sócrates uma frase que ele só diria no dia seguinte. Achava, veja-se lá, que os jornalistas escrevem notícias, não fazem comunicados do gabinete do primeiro-ministro. E que um jornalista só atribui a pessoas frases que elas disseram, não frases que elas talvez venham a dizer.

 

Via Ponto Média


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (23) | partilhar

por Daniel Oliveira

 

Há coisas estranhas. Uma delas é a inexistência de notícias sobre um dos primeiros países sobre o qual se abateu esta crise. Vemos reportagens sobre a Irlanda e sobre a Grécia, mas nada, rigorosamente nada, nos contam sobre essa pequena e gelada ilha que decidiu seguir um caminho diferente: a Islândia. E assim se convence toda a gente que a austeridade, a recessão e a destruição do Estado Social são inevitáveis. Como uma lei da natureza que nem vale a pena discutir.

 

Em 2009, a esmagadora maioria dos islandeses disse, em referendo, que não queria a "ajuda" do FMI nas condições previstas para pagar as dívidas da sua banca. Irresponsáveis, disseram muitos. Entregavam-se ao suicidio. Foram para eleições e no dia 25 de Abril desse ano tinham um novo governo, dirigido por uma renovada Aliança Social Democrata aliada ao Movimento Verde de Esquerda. Saiam do poder os que foram responsáveis pela cedência dos recursos naturais islandeses a multinacionais e pela privatização dos três principais bancos. Os mesmos bancos que viriam a enfiar a Islândia numa aventura financeira com um fim catastrófico depois de, em 5 anos, emprestarem o correspondente a dez vezes o PIB nacional. Sairam do poder os que fizeram o que, há uns anos, os sábios que agora culpam o excesso de Estado pelo estado em que estamos diziam ser inevitável.

 

Os islandeses mudaram a Constituição, desvalorizaram a moeda, avançaram com uma reforma fiscal severa, cortaram na despesa sem destruir os serviços públicos de que se orgulham. Houve uma renegociação com o FMI, para garantirem o financiamento, mas, graças à posição firme que os islandeses demonstraram nas ruas e nas urnas, em condições bem diferentes das que aqui, na Irlanda e na Grécia foram aceites. Ou era isto ou a Islândia daria o exemplo ao Mundo de como mandar a dívida às malvas. Os islandeses fizeram sacrifícios. Mas fizeram todos eles e com o objetivo real de sair da crise. No terceiro trimestre de 2010 já tinham saído da recessão.

 

Esta semana, os islandeses voltaram a rejeitar o pagamento da dívida dos bancos ao Reino Unido e à Holanda. Acham, coisa estranha, que não têm de pagar pelos erros dos banqueiros e pela decisão daqueles países em usar dinheiros públicos para cobrir prejuízos privados.

 

Neste segundo referendo apenas sessenta por cento votou contra o pagamento, contrariando a posição do governo de esquerda e indo de encontro à posição do Presidente. No anterior, o "não" tinha recebido 93 por cento dos votos. Desta vez o que estava em causa era cobrir o mínimo de vinte mil euros por depositante e não o total pago aos investidores pelos governos britânico e holandês. Desta vez os juros eram entre 3,0 e 3,3 cento, a pagar entre 2016 e 2046, e não os mais de cinco por cento que antes lhes eram exigidos. Desta vez, só dez por cento dos pagamentos viriam dos impostos, sendo o resto conseguido através dos recursos obtidos com a venda de ativos do banco Landsbanki, casa-mãe do Icesave.

 

Graças ao isolamento financeiro de que são alvo e das ameaças judiciais, é provável que os islandeses acabem por ceder. Mas em condições bem diferentes das que foram aceites pela Irlanda. Porque em vez de comer e calar estão a fazer um braço de ferro. Porque estão a medir forças numa negociação, não estão a aceitar imposições de quem se está nas tintas para a sobrevivência da sua economia. Também eles estavam e estão em estado de necessidade. Mas não aceitaram ser liquidados sem luta.

 

Holanda e Reino Unido prometem processar a Islândia por tamanha ousadia. A Europa diz que o País só será aceite na União se pagar as suas dívidas. A banca está a fazer um cerco ao País. Mas a verdade é que os desobedientes islandeses estão bem melhor do que os irlandeses e do que os gregos. Orgulhosos por serem a pequena aldeia gaulesa que mostra ao mundo que é possível dizer "não" ao processo global de transferência de recursos públicos para cofres privados. No fim encontrarão uma solução. Os que não resistiram apenas apenas encontraram a rendição.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (47) | partilhar

por João Rodrigues

As almas liberais lusas, crentes de que os problemas de competitividade da economia portuguesa se resolvem com a facilitação dos despedimentos e, de forma geral, com a redução dos chamados ‘custos públicos de contexto’, exaltam perante a perspectiva de conseguir impor a sua agenda sem ter de a sujeitar às regras da democracia. Essas almas continuam a viver utopias perversas (...) A economia portuguesa tem um problema estrutural central – e não, não é a legislação laboral, a lentidão da justiça ou a burocracia – trata-se do seu perfil de especialização produtiva. A estrutura produtiva portuguesa é assente em sectores de baixa intensidade de conhecimento, de baixo valor acrescentado, com procuras internacionais pouco dinâmicas e/ou em que a concorrência internacional é muito intensa (...) Encontrem-se, pois, soluções que ajudem a relançar a competitividade da economia portuguesa de forma sustentável – criem-se fundos para investimento em sectores transaccionáveis (para fazer face à quase indisponibilidade de crédito ao investimento produtivo no presente), reforcem-se os fundos para I&D e formação, abram-se excepções temporárias às regras de auxílios de Estado da UE de forma a replicar uma desvalorização cambial. Promover uma desinflação competitiva através da redução forçada dos salários (via aumento do desemprego e liberalização dos despedimentos), como ditam as condições de quem nos vem 'socorrer', vai condenar-nos não apenas a uma recessão prolongada, mas a um modelo de crescimento que tem os dias contados há muitos anos.

 

Ricardo Paes Mamede. Ver também a sua entrevista ao Libération: "o FMI vai acentuar as desigualdades sociais em Portugal". 


por João Rodrigues
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

por Miguel Cardina

 

Um estudo da OCDE divulgado ontem notava que o trabalho não remunerado correspondia em Portugal a 53% do PIB. Os portugueses – ou melhor, as portuguesas – gastam perto de quatro horas diárias em tarefas não remuneradas mas indispensáveis à sociedade: cozinhar, lavar a roupa e passar a ferro, cuidar dos filhos. Entendo como um avanço civilizacional a saída da invisibilidade destas actividades, mas acho que os dados devem fazer-nos perseverar numa série de exigências políticas, que devem ir de campanhas pela conciliação entre vida familiar e vida profissional até à exigência de creches públicas e acessíveis a todos os extractos sociais, passando pela luta contra as inconstitucionais diferenças salariais em função do sexo e pela denúncia dos “telhados de vidro” que ainda existem na ascensão profissional das mulheres.

 

Mas penso noutra coisa. E se de repente confrontássemos o nosso conceito de “trabalho” com uma série de actividades que desempenhamos, conhecemos ou usufruímos e nos questionássemos: será isso trabalho? E que ilações tiraríamos se respondêssemos positivamente? Cuidar de familiares, vizinhos ou amigos é trabalho? Redigir um artigo de opinião para um jornal é trabalho? Levar a bom termo uma gravidez é trabalho? Ensinar música, participar num grupo de teatro amador ou dinamizar um clube desportivo é trabalho? Ler o e-mail é trabalho? Estudar é trabalho? Estagiar sem remuneração é trabalho? Desenvolver uma actividade sexual remunerada é trabalho? Escrever num blogue é trabalho?


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (26) | partilhar

Terça-feira, 12 de Abril de 2011
por Miguel Cardina


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (21) | partilhar

por Andrea Peniche

Pode ler o texto completo e assinar aqui.

 

«A complexidade do sector em que se insere a actividade das Denunciadas, assim como a dimensão das consequências dela emergentes, requerem explicações prévias à exposição dos factos que indiciam comportamentos presumivelmente criminais e que são objecto da presente denúncia.


Estamos hoje confrontados com uma crise económica e financeira global, que afecta com particular incidência alguns países e os seus povos. Designadamente a Grécia, Irlanda, Espanha e Portugal têm sido submetidos a planos de austeridade no contexto da crise financeira e que importam custos sociais da perda ou redução de direitos fundamentais como o do trabalho, da habitação e até de recursos para a própria sobrevivência.


Ora, o desencadear destas crises decorre de uma responsabilidade concreta, imputável a pessoas e instituições determinadas, nomeadamente aquelas que têm contribuído e beneficiado com os excessos do mercado financeiro.
E, se há que admitir que há graus distintos de gravidade na actuação dos prevaricadores, é inaceitável que continue a prolongar-se a impunidade existente até aqui.


Neste momento, as três mais importantes agências de notação financeira, precisamente as aqui denunciadas, noticiam e divulgam, diariamente, classificações de rating que, com manifesto exagero e sem bases rigorosamente objectivas, penalizam os interesses portugueses, originando uma subida constante, dos juros da dívida soberana.


Esta situação já provocou reacções como a do Presidente da República de Portugal que, como foi amplamente noticiado no dia 1 de Abril último, se manifestou publicamente contra a classificação anunciada para Portugal, e declarou que a situação portuguesa não a justificava de maneira nenhuma, considerando-a um “exagero muito grande”».

 

 


por Andrea Peniche
link do post | comentar | ver comentários (51) | partilhar

por Pedro Vieira

a questão judaica, que é finkler, e um prémio saramago, que anda às voltas com a paternidade. até de terceiros. o segundo episódio da segunda temporada do Ah, a Literatura! já pode ser visto no sítio do costume.


por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

por Daniel Oliveira

No congresso deste fim-de-semana, José Sócrates disse que Passos Coelho se anda a esconder atrás dos arbustos. Que chumbou o PEC e se faz de desentendido quando chega a altura de negociar. Tem razão.

 

O momento mais hilariante foi aquele em que essa grande figura com tão promissor papel de bombo da festa dos programas de humor dos próximos anos (de seu nome Miguel Relvas) defendeu que poderíamos ter um acordo intercalar antes da intervenção externa a sério, quando viesse o próximo governo. Uma espécie de entrada, com a compra a fazer-se no Verão. Esta gente julga que a Europa é um congresso do PSD? Mais extraordinário: Cavaco Silva, que dizia conhecer tão bem o FMI e os mercados, alinhou na delirante ideia: pediu imaginação. A resposta veio rápida de Olli Rehn, comissário finlandês: já houve imaginação demais com Portugal.

 

Não deixa de surpreender o amadorismo do PSD, que com um rigor matemático pisa todas as cascas de banana que Sócrates lhe põe no caminho. O primeiro-ministro escreveu o guião e Passos Coelho desempenha o papel que lhe foi reservado na perfeição.

 

Primeiro, Sócrates colocou Passos num dilema: ou aprovava o PEC e ficava preso a ele ou chumbava o PEC e criava uma crise política e financeira que permitiria a devida vitimização do governo. Agora foi o segundo episódio: ou aceita já as condições da intervenção externa e terá de explicar como aprova um pacote pior do que aquele que reprovou antes e confirma todos os argumentos de Sócrates ou recusa estas medidas e terá de lidar, em plena campanha, com as consequências dessa decisão.

 

Há uma razão para o PSD, perante uma crise económica que naturalmente ajudaria a oposição, estar obrigado a seguir o guião escrito por Sócrates e ficar, em todas as jogadas, à defesa: pensa muito em tática mas não tem estratégia nenhuma. Se tivesse, teria aprovado um PEC com o qual concordava e em troca exigiria a demissão do governo. É que no jogo tático Passos é, quando comparado com Sócrates, um amador. Anda a jogar no tabuleiro errado.

 

A razão porque Passos Coelho chumbou o PEC IV nada teve a ver com as medidas, que se prepara para aplicar em pior. Foi a frase que Marco António terá dito ao líder do PSD: ou tens eleições no País ou terás eleições no partido.

 

Mas escusa Sócrates de fazer a festa. O seu guião é um rabo com todo o gato de fora. E é por isso que, mesmo com todos os tiros no pé do PSD, é quase impossível vencer as eleições. É que o guião, estando bem escrito, tem a assinatura do autor em letras garrafais. O País percebeu que Sócrates jogou as nossas vidas nesta brincadeira. Em frente da baliza, atirou-se ao chão para ganhar o penalti.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (18) | partilhar

por Andrea Peniche

 

O Ministério das Finanças não sabe ao certo quantos trabalhadores precários existem. Depois dos resultados dos Censos estará, provavelmente, em condições de afirmar que não existe nenhum. Mas, até lá, o que se sabe é que, devido às limitações na contratação no sector público impostas pelos vários PEC, o Estado se tornou um óptimo cliente das empresas de trabalho temporário (ETT). Quem o afirma são as próprias ETT, que estabelecem uma relação causal entre a proibição de contratação na Administração Pública e o aumento da sua actividade, nomeadamente no fornecimento de trabalhadores descartáveis ao Estado.

 

Em 2010, a precariedade custou às contas públicas cerca de 384 milhões de euros, gastos em contratos a prazo, recibos verdes e ETT. O suposto combate aos falsos recibos verdes na Administração Pública resultou no aprofundamento da precariedade destes trabalhadores, uma vez que o caminho seguido foi o da susbtituição do recibo verde por contratos de trabalho temporário, via ETT.

 

Esta forma de relacionamento do Estado com os seus trabalhadores não é consentânea com a propaganda da Juventude Socialista. A responsabilidade de combater a precariedade está nas mãos do Partido Socialista há tempo suficiente para que fosse possível apresentar resultados. Mas tudo o que há para apresentar são as diversas operações cosméticas, que ignoram e desrespeitam as dificuldades de quem trabalha.

 

O debate sobre os falsos recibos verdes foi o último da legislatura. Quem quis, teve oportunidade de se mostrar favorável ao combate aos recibos verdes e à possibilidade de intervenção da ACT (Autoridade para as Condições de Trabalho) no sector público e privado; à clarificação entre trabalho independente e falso recibo verde; à obrigatoriedade da integração dos falsos trabalhadores independentes nos quadros das empresas, na segurança social e nas finanças; à constituição de crime de desobediência qualificada quando o empregador não cumprir as ordens da ACT de regularização dos falsos recibos verdes (ou seja, se depois da notificação da ACT a empresa não regularizar a situação, é responsabilidade do Ministério Público processá-la). O que fez o PS e os seus jotinhas?... Votaram contra, juntamente com o PSD e o CDS.

 

Os resultados e a prática desmentem a propaganda, por mais gira e modernaça que tenha sido a ideia do jotinha marketeer.


por Andrea Peniche
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

Segunda-feira, 11 de Abril de 2011
por Sérgio Lavos

A inabilidade e a falta de imaginação política de Pedro Passos Coelho começam a vir ao de cima, como azeite em água, à medida que as grandes decisões se vão aproximando. Desde o ziguezague que levou à queda do Governo, vagamente teleguiado por Cavaco, até à apresentação no dia a seguir ao congresso do PS do kamikaze Nobre - que, de resto, parece estar a preparar-se para fazer a mesma figura que Vital Moreira fez nas Europeias, com a dificuldade acrescida de concorrer contra o novo Messias do Largo do Rato, Ferro Rodrigues -, passando pela biografia cabritiana que inclui o edificante episódio dos caniches e heróicas referências ao Obama de Massamá, tudo parece encaminhar-se em direcção ao cenário ardentemente desejado por Pacheco Pereira: a derrota do PSD nas próximas legislativas. As sondagens são pouco mais do que uma maçada, e ainda não reflectem a imparável prestação do mago eleitoral Sócrates no congresso de Nurember..., perdão, Matosinhos. Ao estilo pausado e receoso de Passos Coelho, responde o engenheiro da rusticidade serrana com empolgamento e arregimentar de hostes; com vigor e com o tradicional fado do coitadinho; com um estrutural abrir de braços acolhendo neste calor a direita anti-ultraliberal e a esquerda radical. José Sócrates, o político plastidom, sabe que não precisa de apresentar resultados, mostrar competência, ou até, ideia peregrina, governar o país, para ganhar eleições. A lixeira política nacional precisa de um rei do lixo que esteja à altura do trabalho de manga-de-alpaca da UE que espera o próximo primeiro-ministro desta soberaníssima nação à beira-mar plantada. E Passos Coelho precisa de um curso de reciclagem - o ideal seria um programa de debate político com alguém da craveira de José Lello ou Tino de Rans, à moda das saudosas conversas entre Sócrates e Santana Lopes na SIC antes da ascensão deste belo par ao estrelato. Não sendo neste momento esta hipótese possível, só lhe resta uma solução: convencer o país de que a política é mais do que fogo-de-artifício retórico, espalhafato mediático, imagem no espelho. Bela empresa. O fracasso deverá ser a via provável. E o país que se lixe.

tags:

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (12) | partilhar

por Andrea Peniche


por Andrea Peniche
link do post | comentar | ver comentários (42) | partilhar

por Daniel Oliveira

A página de Fernando Nobre no Facebook acabou de ser encerrada devido às críticas feitas ao cabeça de lista do PSD por Lisboa.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (60) | partilhar

por Miguel Cardina


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

por Pedro Vieira

 

 

 

 

 

* este post contou com copy do bruno vieira amaral


por Pedro Vieira
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

por Daniel Oliveira

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

por Andrea Peniche

Para melhor leitura, consulte directamente a página da AMI.


por Andrea Peniche
link do post | comentar | ver comentários (59) | partilhar

por Daniel Oliveira

 

Fernando Nobre vai ser cabeça de lista do PSD no circulo de Lisboa. Contra um homem de convicções - mesmo que não sejam as minhas - como Ferro Rodrigues, o PSD aposta num ziguezagueante populista. O ex-candidato estava no mercado e Passos Coelho pagou o preço que lhe foi pedido: dar-lhe a presidência da Assembleia da República. As contas foram de merceeiro: Nobre vale 600 mil votos. Errado. Se os votos presidenciais nunca são transferíveis para legislativas, isso é ainda mais evidente neste caso. Todas as vantagens competitivas de Nobre desapareceram quando ele aceitou este lugar.

 

O PSD vai perder mais do que ganha. Porque este convite soa a puro oportunismo. Porque quando Fernando Nobre começar a falar o PSD vai ter de se virar do avesso para limitar os danos. Porque a esmagadora maioria dos eleitores de Nobre nem com um revólver apontado à cabeça votará em Passos Coelho. Porque ele afastará eleitorado que desconfia de gente com tanta ginástica política.

Quem também não fica bem na fotografia é Mário Soares, que, na última campanha, por ressentimento pessoal, alimentou esta candidatura. Fica claro a quem ela serviu. Agora veio o agradecimento.

 

Quanto a Fernando Nobre, é tudo muito banal e triste. Depois da campanha que fez, este é o desfecho lógico. Candidatos antipartidos, que tratam todos os eleitos como suspeitos de crimes contra a Pátria - ainda não me esqueci quando responsabilizou Francisco Lopes pelo atual estado de coisas, apenas porque é deputado - e que julgam que, por não terem nunca assumido responsabilidades políticas, têm uma qualquer superioridade moral sobre os restantes acabam sempre nisto. A chave que usam para abrir a porta da sala de estar do sistema é o discurso contra o sistema. Não querem "tachos", dizem eles, certos de que todos os eleitos apenas procuram proveitos próprios. Eles são diferentes. Depois entram no sistema para mudar o sistema, explicam. E depois ficam lá, até vir o próximo com o mesmo discurso apontar-lhes o dedo. É tudo tão antigo que só espanta como tanta gente vai caindo na mesma esparrela.

 

Quem tem um discurso sem programa, sem ideologia, sem posicionamento político claro e resume a sua intervenção ao elogio da sua inexperiência política tem sempre um problema: só é diferente até perder a virgindade. E quando a perde fica um enorme vazio. Porque não havia lá mais nada. Porque a política não se faz de bons sentimentos, faz-se de ideias, projetos e programas políticos. Ideias, projetos e programas que resultam do pensamento acumulado pela experiência de gerações, que se vai apurando no confronto e na tentativa e erro. A tudo isto chamamos ideologias. Quem despreza a ideologia despreza o pensamento. Quem despreza o pensamento despreza a política. Quem despreza a política dificilmente pode agir nela com coerência e dignidade.

 

Para além do discurso contra os políticos, este político teve outra bandeira: as suas preocupações sociais. Nada com conteúdo. Para ele bastava mostrar o seu currículo de ativista humanitário. E a quem aceita ele entregar a sua virginal e bondosa alma? Ao candidato a primeiro-ministro mais selvaticamente liberal que este País já conheceu. Não sou dos que acham que toda a gente tem um preço. Mas ficámos a saber qual é o de Fernando Nobre: um lugar com a dimensão da sua própria vaidade.

 

Tudo isto tem uma vantagem: é uma excelente lição de política para muita gente. Quem diz que não é de esquerda nem de direita, quem tem apenas a sua suposta superioridade moral como programa e quem entra no combate político desprezando quem há muito o faz nunca é de confiança. Um dia terão que se decidir. E Nobre decidiu-se: escolheu a direita ultraliberal em troca das honras de um lugar no Estado. Na hora da compra, os vaidosos têm uma vantagem: saem mais baratos. Não precisam de bons salários ou de negócios. Basta dar-lhes um trono e a sensação de que são importantes. Vendem a alma por isso.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (88) | partilhar

Domingo, 10 de Abril de 2011
por João Rodrigues

 

Desde o final da semana passada só há um apelo que conta: a declaração de sexta-feira do Eurogrupo e dos ministros das finanças da desunião europeia, que transformou a retórica do unanimista congresso do PS numa imensa farsa. A história é feita de farsas e de tragédias simultâneas.

 

Algumas palavras-chave da declaração de sexta-feira: “condicionalidade estrita” na linha dos sempre fracassados programas de ajustamento estrutural a leste e a sul, ou seja, condições draconianas para empréstimos destinados a evitar ou a minorar as perdas dos credores; “ajustamento orçamental ambicioso”, ou seja, aprofundamento da austeridade recessiva geradora de desemprego, de destruição da capacidade produtiva nacional, de quebra dos salários directos e indirectos; “remoção da rigidez no mercado de trabalho”, sendo a expressão rigidez uma das mais reveladoras, como temos insistido, da orientação ideológica neoliberal do plano de distribuição do rendimento das classes populares para os mais ricos; “medidas para manter a solvabilidade e liquidez do sector financeiro”, ou seja, todo o apoio à banca sem quaisquer contrapartidas; “ambicioso programa de privatizações”, ou seja, entrega, a preço de saldo, dos bens públicos do país; PEC IV como “ponto de partida”, ou seja, austeridade assimétrica permanente. Isto para já não falar do apelo ao esvaziamento da democracia, com exigências de entendimento entre os partidos em torno de um programa retintamente neoliberal. O bloco central vai ser formalizado ainda antes das eleições.

 

As esquerdas que não desistem devem responder à doutrina do choque e do pavor com o aprofundamento convergente de propostas clarificadoras que apontam para uma saudável rebelião económica do país e do resto das periferias (a Espanha é a peça seguinte do dominó) – da auditoria à dívida até à sua reestruturação. Só com propostas corajosas se quebrará o consenso dos grupos sociais dominantes no país e nesta desunião.

 

Entretanto, a Islândia é um exemplo de como a vitalidade democrática é o melhor antídoto contra a tragédia da expropriação financeira das periferias.  


por João Rodrigues
link do post | comentar | ver comentários (1) | partilhar

por Bruno Sena Martins

Fernando Nobre


por Bruno Sena Martins
link do post | comentar | ver comentários (57) | partilhar

por Miguel Cardina

José Sócrates pede aos militantes que gritem que estão com ele. A sua moção vence com mais de 97% dos votos. Duas ou três vozes dissonantes falam para uma sala vazia. Há comoção nos apelos à unidade. Quando hoje regressou ao palco, o líder salvador que não estava disponível para governar com o FMI, não encontrou bandeiras do PS mas apenas bandeiras nacionais. E muitas câmaras, telepontos, vídeos de ex-líderes a entronizá-lo e música grandiloquente. O autismo é uma arma?

tags: ,

por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

por Daniel Oliveira

Já a noite ia avançada na Exponor quando uma congressista subiu ao palco para fazer algumas criticas. Falou de uma Europa bloqueada, de uma banca gananciosa e, coisa estranha naquela redoma protegida do resto do Pais, das Parcerias Público-Privado e da privatização do BPN deixando o bife do lombo (a SLN) de fora. Claro que a congressista falou bem tarde. Quando uma multidão de cem delegados a podia ouvir. Não faz sentido incomodar a militância do PS com opiniões.

 

Ana Gomes passa às vezes por tresloucada. Porque tem o estranhíssimo hábito de dizer o que pensa. É coisa que não se aconselha num partido. E muito menos num comício à coreana, onde os congressistas se dirigem em todas as frases ao "nosso líder", ao "líder deste Pais", ao "nosso secretário-geral", sempre juntando todos adjetivos elogiosos que conheçam. Só há uma coisa mais deprimente do que ver alguém a prestar vassalagem a um chefe: é ver muita gente a prestar vassalagem a um chefe. Estive em alguns congressos do PCP. São um exemplo de pluralismo ao pé do que vi aqui em Matosinhos. E só mais tarde um outro militante foi claro com o líder, que não estava presente: deixou o Pais na bancarrota. Parece que ainda há algum País no PS. Mas só depois da meia-noite.

 

Daqui a uns meses a excitação com o líder, o grande líder, o maravilhoso líder, o querido líder, o inigualável líder, passará. Passa sempre quando o extraordinário líder deixa de ter vitórias para oferecer e lugares para distribuir. E a sua sucessão já está a acontecer. José Sócrates tratou de deixar claro quem quer que o suceda. Depois do discurso de Francisco Assis, Sócrates, lacrimejante, passou-lhe o bastão de chefe da tribo. Apesar do discurso ter sido vazio e sem chama. Cá fora, António José Seguro fazia o que sabe fazer: esperava. Falou à comunicação social mas decidiu não falar ao Congresso. O que lhes poderia dizer quando apenas os elogios rasgados ao atual chefe arrancariam da plateia aplausos dignos de um futuro secretário-geral?

 

Quando a celebração, lá dentro, era do chefe inchado de tantas qualidades, de um pretendente pronto para receber a bênção e de uma plateia de deslumbrados com tantos heróis incompreendidos por uma Nação ingrata, resta continuar a conspirar na sombra. Seguro é, e parece que continuará a ser, apenas um homem que quer alguma coisa. Pode acontecer-lhe o que acontece aos esperam demasiado tempo pela sua oportunidade. Quando chega o momento de mostrarem o que valem eles estão lá fora, à espera.

 

Publicado no Expresso. Daniel Oliveira está a acompanhar para o Expresso o Congresso do Partido Socialista, em Matosinhos.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (17) | partilhar

por Bruno Sena Martins

Como resposta às negociações entre o BE e o PCP, Manuel Alegre usou o palanque do congresso do PS para, qual oráculo, lembrar sonante:

 

"Não há soluções de esquerda sem o PS"

Para mim este singelo aviso sintetiza bem o erro que alguma esquerda cometeu ao apoiar Alegre nas presidenciais. Manuel Alegre serve a dois senhores: está comprometido com os valores de esquerda e está comprometido com o PS (uma relação de amor incondicional, está bom de ver). Esse compromisso dúplice tem obrigado Alegre a anos e anos de contorcionismos tão maçadores como previsíveis: ora faz aproximações estratégicas à esquerda contestatária, ora volta com a consciência pesada à casa mãe do PS (por muito que esta se afaste do que outrora jurou ser). A mim não me levou.

 

Manuel Alegre será sempre o filho pródigo do PS e o maior capital que representa é, no fundo, servir àquele partido como o símbolo esquerda pronto-a-servir. A esquerda que vai a eleições nas legislativas deve ter a inteligência de deixar Alegre entregue aos jogos narcísicos das suas dores de alma, à instrumentalização a que se sucessivamente se permite, e forjar um alternativa de governo que se imagine poder (e porque não uma coligação pré-eleitoral entre BE e PCP?). Se Alegre não imagina soluções de esquerda sem o PS, cabe à esquerda mostrar que pode sobreviver sem os movimentos pendulares tão bem interpretados por Manuel Alegre, o prodigioso filho do Partido Socialista. Não deve ser assim tão difícil.

 

Publicado no Aparelho de Estado.


por Bruno Sena Martins
link do post | comentar | ver comentários (19) | partilhar

Sábado, 9 de Abril de 2011
por Bruno Sena Martins

"Não há soluções de esquerda sem o PS" Manuel Alegre [Congresso do PS]


por Bruno Sena Martins
link do post | comentar | ver comentários (5) | partilhar

por Sérgio Lavos

 

 

 João Botelho sobre preconceito, realidade e ficção no cinema português. E política cultural em Portugal. Muito bom. 

O resto do programa pode ser visto aqui

 

(Via No vazio da onda).

tags:

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (3) | partilhar

por Sérgio Lavos

 

 Mais um grande americano desaparece. Redescobri-o há uns anos, com o fabuloso Antes que o Diabo Saiba que Morreste, mas Serpico, Um Dia de Cão e Doze Homens em Fúria são também excelentes, memórias de um tempo em que a indústria cinematográfica americana ainda se interessava por produzir filmes relevantes, política e socialmente. Uma pena que não nos possa voltar a surpreender.

tags:

por Sérgio Lavos
link do post | comentar | ver comentários (2) | partilhar

por Daniel Oliveira

No melhor discurso que fez em muito tempo, José Sócrates mostrou que tem muitas vidas, como deviam saber os que vezes sem conta lhe encomendaram a alma. Na primeira parte da intervenção que fez no comício do PS (há quem também lhe chame congresso) deixou claro o guião que vai usar na campanha.

 

A história é simples: estava o governo a tentar salvar o País e, quando finalmente a coisa se começava a compor, o PSD, com pressa para chegar ao governo, provocou uma crise política. Fez cair o governo e atirou o País para os braços do FMI. E para isso contou com a ajuda da oposição de esquerda - Sócrates chegou mesmo a dizer que PCP e BE "ofereceram ao FMI a oportunidade de entrar em Portugal". Agora, o PSD vai aprovar medidas bem piores do que aquelas que chumbou. Ou seja, prova que a única coisa que o moveu foi a fome de poder. E desde que se soube que as eleições vêm aí e que vai ter finalmente de dizer o que quer fazer, não parou de meter os pés pelas mãos. O País deve ao PSD a embrulhada em que está metido e se der a vitória à direita aventureira isto vai ser um caos. Com os tiros no pé que Passos vai dando, a intervenção passa melhor do que seria razoavel pensar.

 

Sócrates faz o que sabe fazer melhor: oposição. Quem não se lembra do debate que teve com Louçã, em que conseguiu concentrar todo a discussão no programa do Bloco de Esquerda? Em que conseguiu a proeza de estar no poder e fazer o papel de um político de oposição a um partido que então tinha seis por cento. Agora faz o mesmo com o PSD. Sócrates não será grande governante, mas é o melhor líder da oposição que Portugal já conheceu. No caso, faz oposição à oposição.

 

Mas a parte realmente bem estruturada do seu longo discurso veio depois. Sócrates definiu quais são as suas grandes de divergências com o PSD. Depois de fazer oposição usando o comportamento passado do PSD, faz oposição à governação futura do PSD. Só de passagem falou do que ele próprio fez e do que ele fará. E, no entanto, é ele o primeiro-ministro.

Escolheu quatro grandes assuntos, todos eles caros à esquerda: privatizações, leis de trabalho, saúde e educação. O PSD quer "privatizar, privatizar, privatizar", quer acabar com todos os direitos laborais, quer acabar com a saúde tendencialmente gratuita e quer transferir recursos da escola pública para a escola privada.

 

Quanto às privatizações, Sócrates esquece-se do passado e ignora o futuro. Esquece-se do passado, escondendo que é de sua autoria a proposta de uma das maiores listas de privatizações que o País já conheceu. Ignora o futuro, fingindo que o FMI e FEEF vão obrigar o próximo governo - seja de Sócrates, seja o de Passos - a privatizar tudo o que mexa. Isto quando as agências de rating garantiram que, com desvalorizações sucessivas, as empresas do Estado ficariam a preço de saldo. Sejamos justos: Sócrates sabe o que fez e o que fará se continuar no governo. Por isso, o combate contra as privatizações acaba por se ficar na oposição à entrada de capital provado na Caixa Geral de Depósitos. É tudo o que sobra ao PS na defesa de um setor empresarial público. Diz Sócrates que a CGD é fundamental, nesta fase da crise. Mau exemplo, não tivesse sido a CGD um dos bancos a encostar, há uma semana, o Estado português à parede. O problema é que a CGD se comporta como um banco privado.

 

Quanto às leis de trabalho, a última trincheira de Sócrates é a necessidade de "justa causa" para despedimento. E faz disto um combate civilizacional. Mais uma vez, esquece-se do passado e ignora o futuro. Esquece-se que ao embaratecer o despedimento o tornou muito mais fácil, com ou sem justa causa. Ignora que a intervenção externa obrigará o próximo governo a cumprir os sonhos do PSD. Sócrates fará o mesmo que Passos, mas contrariado? Talvez. Mas que diferença faz aos trabalhadores se o governo lhes tira direitos com convicção ou sem ela?

 

Quanto à saúde, a frente de batalha é a gratuitidade da prestação de serviços. E esta foi a parte mais longa e inflamada do seu discurso. Acontece que as recentes alterações na política de comparticipação nos medicamentos levou a um aumento brutal dos custos de saúde para todos os portugueses, e em especial para os mais pobres. E que as políticas de brutais cortes nas despesas públicas que o FMI e FEEF vão impor a Portugal tratarão de fazer na prática o que o PSD quer fazer na teoria. Mais uma vez, Sócrates esqueceu o passado e ignorou o futuro.

 

Quanto à educação, Sócrates concentrou-se no combate em torno do contratos de associação com os privados, no enorme investimento que terá feito nas escolas e nas propostas do PSD para dar ao ensino privado um papel não apenas complementar, mas de parte integrante do sistema público. E de, assim, criar um sistema que divide ricos e pobres por escolas diferentes. Sendo justo, este é o único exemplo de que Sócrates tem autoridade para falar. É verdade que, apesar dos enormes erros que cometeu na relação com os professores, investiu na rede escolar pública e tentou moralizar a mesada que o Estado dava a escolas privadas.

 

Na primeira parte do discurso, Sócrates virou-se para a direita e disse: posso não ser grande coisa mas eles são irresponsáveis e aventureiros. Na segunda parte, virou-se para a esquerda disse: posso não ser grande coisa mas eles são a selvajaria liberal. Onde falha? Na primeira parte falou do PSD e do FMI, como se ele próprio não tivesse existido. Na segunda parto falou de si e do PSD, como se o FMI não viesse aí.

 

Publicado no Expresso Online. Daniel Oliveira está a acompanhar, para o Expresso, o congresso do Partido Socialista em Matosinhos.


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (19) | partilhar

Sexta-feira, 8 de Abril de 2011
por Bruno Sena Martins

Boaventura de Sousa Santos, hoje no Público

 

Começo por descrever os próximos passos do aprofundamento da crise para de seguida propor uma estratégia de saída. O que neste momento se está a definir como solução para a crise que o país atravessa não fará mais que aprofundá-la. Eis o itinerário. A intervenção do FMI começará com declarações solenes de que a situação do país é muito mais grave do que se tem dito (o ventríloquo pode ser o líder do PSD, se ganhar as eleições). As medidas impostas serão a privatização do que resta do sector empresarial e financeiro do Estado, a máxima precarização do trabalho, o corte nos serviços e subsídios públicos, o que pode levar, por exemplo, a que o preço dos transportes ou do pão suba de um dia para o outro para o triplo, despedimentos na função pública, cortes nas pensões e nos salários (a começar pelos subsídios de férias e de Natal, um “privilégio” que os jovens do FMI não entendem) e a transformação do SNS num serviço residual.

 

Tudo se fará para obter o seal of approval do FMI que restabelece a confiança dos credores no país. O objectivo não é que pague as dívidas (sabe-se que nunca as pagará), mas antes que vá pagando os juros e se mantenha refém do colete de forças para mostrar ao mundo que o modelo funciona. Este itinerário não é difícil de prever porque tem sido esta a prática do FMI em todos os países onde tem intervindo. Rege-se pela ideia de que one size fits all, ou seja, que as receitas são sempre as mesmas, uma vez que as diferentes realidades sociais, culturais e políticas são irrelevantes ante a objectividade dos mercados financeiros. Feita a intervenção de emergência – que os portugueses serão induzidos a ver como uma necessidade e não como um certificado cado de óbito às suas justas aspirações de progresso e de dignidade –, entra o Banco Mundial para fornecer o crédito de longa duração que permitirá “reconstruir” o país, ou seja, para assegurar que serão os mercados e as agências de rating a ditar ao país o que pode e não pode ser feito. Serão ocultadas as seguintes irracionalidades: que o modelo imposto ao mundo está falido na sua sede, os EUA; que o FMI faz tudo para servir os interesses financeiros norte-americanos, até para se defender do movimento que houve no Congresso para o extinguir; que o maior credor dos EUA, a China, e segunda maior economia do mundo, tem o mesmo poder de voto no FMI que a Bélgica; que as agências de rating manipulam a realidade financeira para proporcionar aos seus clientes “rendas financeiras excessivas”. Claro que pode haver complicadores. Os portugueses podem revoltar-se.

 

 


por Bruno Sena Martins
link do post | comentar | ver comentários (30) | partilhar

por Daniel Oliveira

 

Aceite a intervenção externa, acabou finalmente a conversa de que o FMI vem pôr o País na ordem. Tirando uns talibã enlouquecidos, já toda a gente percebeu, olhando para a a Grécia e para a Irlanda, que não é esse o objetivo da intervenção. Trata-se de, em troca de mais dívida, impor políticas nacionais que garantam que os credores terão de se deparar com incumprimentos ou necessidades de renegociação o mais tarde possível. Ao adiar o inevitável, provavelmente até 2013 - ano em que algumas regras podem vir a mudar -, recapitalizar o mais depressa possível a banca alemã, a maior credora da Europa. Para ela estar preparada para o que vem depois, resultado da agonia económica dos países periféricos. E se a coisa se alastrar à Bélgica e a Espanha tudo pode acontecer ainda mais cedo.

 

Mas ainda há quem, em Portugal, fale em crescimento nos próximos anos. E quem olhe para esta intervenção como um começo de um novo ciclo de esperança. A propaganda tem uma capacidade extraordinária de resistir com indiferença aos factos. É olhar para os que viveram isto antes de nós. A verdade é esta: as medidas que virão associadas a esta intervenção são medidas recessivas. É crise em estado puro.

 

No que toca às contas públicas, não é preciso ser um génio para fazer contas: menos receita fiscal, mais despesa social (mesmo que se corte nos subsídios, o desemprego continuará a aumentar) e contração do PIB, que é a referência de todos os restantes indicadores.

 

Mas o nosso maior problema não é a dívida pública. Até ao aumento dos juros, em 2008, ela estava na média europeia. O nosso maior problema, que nos destaca dos restantes países mas que é sistematicamente ignorado em quase todos os discursos e comentários, é a dívida externa. E dessa dívida externa, três quartos (em 2009) são dívida privada. Os portugueses estão endividados e a banca, para lhes emprestar, está endividada no exterior. Esta intervenção terá também como destinatários os bancos. Seguramente sem as condições que o Estado será obrigado a cumprir, a banca terá liquidez. Por isso pressionou tanto para este "pedido" de "ajuda" externa. Só que o que vem a seguir não melhorará a nossa situação.

 

Só há duas formas de resolver o nosso endividamento externo: poupança e crescimento económico. Como a média salarial em Portugal mal dá para as despesas básicas não se imagina como vão poupar os portugueses. Junte-se a isto o aumento de impostos, o aumento do desemprego e o aumento do preço de bens públicos - como os transportes - e percebe-se que, pelo contrário, passará a haver menos condições para poupar. Quanto ao crescimento, alguém terá de explicar como se conseguirá esse milagre da multiplicação dos pães. Menos dinheiro disponível, menor capacidade de investimento, crise no mercado externo, crise aguda no mercado interno... Querem mais ingredientes para o desastre? Agora acrescentem a tudo isto vários anos de políticas recessivas...

 

Quem, por um fetish qualquer por soluções castigadoras ou por uma atração adolescente pelo abismo, vê na chegada do FMI o começo de uma nova era de bons hábitos vive noutro planeta. E quem decide políticas neste pressuposto só nos poderá enterrar ainda mais.

 

O que realmente assusta é ver a indisfarçável satisfação com que algumas pessoas receberam as notícias desta semana. Assim como os olhos do pirómano brilham quando o fogo consome a floresta, os seus brilharam perante o desastre. Os portugueses viverão agora "com menos angústia e com menos incerteza", disse um candidato a primeiro-ministro, parecendo ignorar que, pelo contrário, a crise se irá aprofundar e todos viveremos com mais angústia e mais incerteza. E este homem poderá vir a fazer o papel de bombeiro nos próximos anos. A um primeiro-ministro incompetente poderá suceder um primeiro-ministro inconsciente. Um deixou o fogo alastrar por incúria. O outro parece acreditar no poder purificador do fogo.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (39) | partilhar

Quinta-feira, 7 de Abril de 2011
por Miguel Cardina

Passos Coelho: «ninguém pede ajuda para ficar pior.»


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (16) | partilhar

por Miguel Cardina

 

Um calor infernal invade o país. Há quem fale de uma normal e passageira antecipação do Verão. A mim parece-me já o FMI a fritar-nos em lume brando. O FMI não, que isso lembra ditaduras militares na América Latina, canções a preto e branco e expressões como «carestia de vida». Não, o que virá é o FEEF, que sendo um fundo e europeu remete-nos mais para auto-estradas, estufas no Alentejo e oportunidades de negócio para escritórios de advogados e empresas de consultoria. Ou então tanto faz o nome desde que se accionem os eufemismos: resgate, ajuda, auxílio, estabilização, assistência financeira.

 

Espera-nos um plano de austeridade que será caucionado pelos partidos que nos governam há décadas e que terá tão poucos matizes essenciais quanto maior for o apelo à inevitabilidade. E vai ser grande. É preciso rasurar as possibilidades de um outro caminho e omitir a injustiça dos cortes que se preparam: ao mesmo tempo que a banca paga menos IRC que o Sr. Reis da mercearia, perspectivam-se reduções nos salários, subsídios e pensões; ao mesmo tempo que as Parcerias Público-Privadas continuarão a alimentar clientelas económicas teme-se que um machado venha a pairar sobre a saúde e a educação públicas; ao mesmo tempo que o discurso político-económico entrará numa modorra monolítica, o país entrará em recessão. Mas também podemos ser um nadinha optimistas: ao mesmo tempo que a política austeritária e o discurso das inevitabilidades formarão um bloco coeso, crescerá a necessidade de uma alternativa.

 

Hoje é dia 7 de Abril e um calor infernal invade o país. Uma inglesa com as costas cor de camarão confessa ao seu parceiro: «what a nice weather». E ainda não viram nada.

 

Publicado também no blogue do Portugal Uncut


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (7) | partilhar

por João Rodrigues

 

António Nogueira Leite, coleccionador de lugares nos conselhos de administração dos grupos económicos rentistas, afirmou ontem à noite na TVI24 que é preciso mudar as “preferências” dos portugueses. Já Thatcher dizia que a economia era só um método para alcançar o objectivo final que seria “mudar a alma”. Exemplos daquilo a que os portugueses têm de se desabituar, segundo Nogueira Leite: polidesportivos e bibliotecas, “por esse país fora, vazias e com livros que ninguém lê” (cito de memória, mas a ideia era essa). A intervenção externa, que na novilíngua ainda em vigor passa por ajuda externa, tal como a expropriação financeira efectuada pelos bancos passou por ajuda ao Estado, é uma aliança entre o poder sem legitimidade democrática, via FEEF/FMI, e a selvajaria destas elites nacionais que não escondem o desprezo por serviços públicos que não usam. Preconceito de classe e ignorância andam sempre de braço dado. Um certo conhecimento é posto ao serviço do poder financeiro. A ideia é destruir o que tem sobretudo valor de uso e favorecer a apropriação privada, a preço de saldo, do que tem valor de uso e muito valor de troca. O resto da radicalização da economia política da austeridade é o que se sabe: baixar ainda mais salários directos e indirectos, o que também é ajudado pelo desemprego de massas. Já agora: a petição pelo pluralismo no debate económico-político ganha uma infeliz actualidade sempre que a coisa aperta.

 

A imagem é da Gui Castro Felga. Economia política por outros meios.    


por João Rodrigues
link do post | comentar | ver comentários (39) | partilhar

por João Rodrigues

É hoje consensual que o capitalismo necessita de adversários credíveis que actuem como correctivos da sua tendência para a irracionalidade e para a auto-destruição, a qual lhe advém da pulsão para funcionalizar ou destruir tudo o que pode interpor-se no seu inexorável caminho para a acumulação infinita de riqueza, por mais anti-sociais e injustas que sejam as consequências.

(…)

É possível imaginar duas vias por onde pode surgir um tal adversário. A primeira é a via institucional: líderes democraticamente eleitos reúnem o consenso das classes populares (contra os media conservadores e os economistas encartados) para praticar um acto de desobediência civil contra os credores e o FMI, aguentam a turbulência criada e relançam a economia do país com maior inclusão social. Foi isto que fez Nestor Kirchner, Presidente da Argentina, em 2003.

 (…)

A segunda via é extra-institucional e consiste na rebelião dos cidadãos inconformados com o sequestro da democracia por parte dos mercados financeiros e com a queda na miséria de quem já é pobre e na pobreza de quem era remediado. A rebelião ocorre na rua mas visa pressionar as instituições a devolver a democracia aos cidadãos. É isto que está a ocorrer na Islândia.

 

Boaventura de Sousa Santos


por João Rodrigues
link do post | comentar | ver comentários (11) | partilhar

por Daniel Oliveira

Comentário meu e de Sarsfield Cabral sobre a intervenção externa, mais de acordo do que se poderia esperar.

por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (32) | partilhar

Quarta-feira, 6 de Abril de 2011
por Bruno Sena Martins

Um dos aspectos mais interessantes no processo que levou portugal a pedir ajuda ao FEEF/FMI é a bizarra ausência de uma estratégia concertada por parte dos governantes dos economias periféricas da Europa. Os PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) foram caindo na esparrela segundo a cadência imposta pelas agências de rating: cada vez que um país caía o próximo e previsível alvo puxava pelos galões, demarcando-se. À medida que foram falando com Merkel, os líderes dos PIGs jamais perceberam que estão no mesmo barco, jamais perceberam que teriam a ganhar em falar juntos para contestar a complacência da UE com a banca e com os usuários internacionais. Agora, pelo menos para a Grécia Irlanda e portugal, é demasiado tarde. A mesma reverência aos líderes da Europa que fez de Durão Barroso Presidente da Comissão Europeia inibe os governantes dos países vulneráveis de se fazerem ouvir na democracia europeia, estão mais preocupados em garantir cartas de recomendação para a próxima candidatura de emprego. No fundo, foram educados a ter da construção europeia uma visão de pobre agradecido, e ficam gratos por serem reconhecidos alunos com a qualidade da reverência. Em portugal o cordeirinho que se segue chama-se Passos Coelho, depois de PSD ter chumbado o PEC IV vem dizer que já se devia ter pedido ajuda há mais tempo. Chega.

 

Exigem-se coligações de urgência.

 

Em Portugal: gostava de ver o BE, PCP, sindicatos, geração à rasca, reformados miseráveis, desempregados de longa a lutar contra o Centrão dos Interesses que governa e depaupera Portugal há tempo de mais.

 

Na arena internacional: os cidadãos dos países que mais sofrem com os desmandos da especulação e com as chantagens da banca terão que lutar para mudar os governos para que estes tenham a coragem de lutar contra os mecanismos que consentem que no império da finança desregulada. Curioso: a mesma finança que destruiu as economias nacionais em 2008 chega agora para impor os seus modelos aos Estados que a salvaram.


por Bruno Sena Martins
link do post | comentar | ver comentários (23) | partilhar

por Daniel Oliveira

As agências de rating conseguiram o que queriam. Depois de darem muito dinheiro a ganhar em juros aos nossos credores, fizeram tudo para que Portugal aceitasse a vinda do cobrador de fraque. Feito o serviço que tornava os juros impraticáveis, a comissão liquidatária pode finalmente vir desmantelar o País.

 

A banca conseguiu o que queria. A chantagem resultou. A intervenção externa a permite que os bancos tenham dinheiro fresco e liquidez. Não é no País que estão a pensar. E na sua própria situação. E, mais uma vez, à custa do poder político e dos sacrifícios de todos nós. Já tinha sido assim com o BPN. Sempre foi assim com as vantagens fiscais. Assim continuará a ser.

 

PSD, Presidente da República e o exército de comentadores e economistas de serviço conseguiram o que queriam. Foram cúmplices do cerco ao país. Espero que nas décadas mais próxima não saia das suas bocas a palavra "patriotismo". O objetivo é claro: garantir que o odioso desta capitulação fica com o atual governo. O próximo primeiro-ministro terá apenas de aplicar o caderno de encargos que herdar. De caminho, asseguram-se os que temem qualquer tipo de imprevisto que, na próxima campanha, apenas de discutirá as responsabilidades passadas pelo estado em que estamos. Se foi a má governação ou o precipitar da crise política que nos trouxe até aqui. O futuro, esse, estará decidido mesmo antes dos votos.

 

A credibilidade das agências de rating não vale um cêntimo furado. A preocupação da banca com a situação do país é, sempre foi, nula. A guerra entre o PS e o PSD não tem a situação dos cidadãos deste país como centro do debate. Estamos sozinhos.

 

Nem sempre as gerações que se seguem são justas com os seus antepassados. Se forem, dirão que vivemos tempos em que dependemos de gente pequena e gananciosa. Mesquinhos demais para a grandeza das escolhas que tinhamos de fazer . Ambiciosos demais para a missão que deveriam ter como sua. Temos das elite políticas e económicas mais estúpidas e incapazes da Europa. Sempre foi esse o nosso drama. Não mudou nada.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
link do post | comentar | ver comentários (34) | partilhar

pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador