Quarta-feira, 6 de Abril de 2011
por Andrea Peniche

 

Arrancou hoje o blogue do movimento Portugal Uncut, inspirado homónimo britânico, UK Uncut, o movimento anti-austeridade que surgiu no Reino Unido a 27 de Outubro de 2010.

 

E apresentam-se assim:

 

O Portugal Uncut pretende desenvolver acções contra os cortes brutais, desnecessários e cegos nos serviços públicos e transferências sociais em todo o país. O corte nos benefícios fiscais, nas prestações sociais, no investimento público e nos salários vai atingir todos os aspectos da nossa vida: desde os cuidados médicos à educação, passando pela habitação, pela protecção ambiental e pelos incentivos ao desporto e às artes.

 

Portugal Uncut é um movimento horizontal. Tal como nos restantes Uncut, queremos chegar a todos os grupos etários e de todas as origens sociais. Trata-se de um movimento independente e apartidário com o objectivo de desmantelar um sistema que favorece as finanças e não a comunidade. Não temos um modelo de protesto fixo, um discurso formatado, não saímos à rua a horas certas e não precisamos de sair todos ao mesmo tempo. Somos um movimento pacífico, as nossas armas são a imaginação, a informação e o poder que temos quando nos juntamos — na rua, nas redes sociais, por aí. (Ver mais aqui)

 

O movimento tem blogue, twitter e página no facebook.


por Andrea Peniche
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por Daniel Oliveira

Com o alto patrocínio do Banco de Portugal, os banqueiros apelaram à intervenção externa - recuso-me a usar eufemismos como "resgate" ou "ajuda". Compreende-se o interesse: sabe-se que parte desse dinheiro irá para os cofres dos bancos. Querem dinheiro? É natural. Mas não finjam que é com o País que estão preocupados.

 

Mais interessante: os bancos recordam que têm acudido o Estado português, fazendo a intermediação entre com o BCE. Importam-se de repetir? Têm recebido dinheiro barato do BCE para o vender caro ao Estado. De ajudas destas está o Inferno cheio. O que os bancos têm feito é aproveitar as absurdas regras do euro para fazer um excelente negócio.

 

Se bem me recordo, foi o Estado português que criou um fundo de garantia para segurar os bancos nacionais. E que se enterrou para salvar um deles e para com a nacionalização do BPN impedir, ao que se dizia, uma crise no setor. E que recebe, dessa mesma banca, a mais baixa contribuição fiscal de todas as empresas. Quem tem acudido quem? Se até a banca se faz de vitima do Estado quer dizer que a vergonha já vale menos do que a nossa divida soberana.

 

O que não deixa de ser extraordinário é que esta gente, que não produz nada, que vive há décadas pendurada nos negócios do Estado e que, graças aos bons contatos que mantém com o poder político (pagos com simpáticas nomeações para conselhos de administração), garante para si um tratamento de excepção fiscal ainda tenha a suprema lata de dar conselhos à Nação.

 

Exigem que o Estado aceite uma intervenção externa que lhes garantirá liquidez. A ideia é a mesma de sempre: enforcármo-nos por eles. Caso contrário não emprestam mais dinheiro ao Estado. Uma coisa é certa: o Estado não estaria tão precisado desse dinheiro se os bancos pagassem impostos como as restantes empresas. Que cumpram os seus deveres. Faz-nos mais falta do que os seus conselhos.

 

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 5 de Abril de 2011
por Sérgio Lavos

 

Kurt Cobain. Talvez o único ídolo a quem eu adorei. Foi há 17 anos.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Por enquanto, é apenas uma possibilidade, e não poderemos estar demasiado optimistas, mas a concretizar-se uma aproximação entre BE e PCP, será uma óptima notícia. Os dois únicos partidos de esquerda com representação parlamentar (não insistam, um PS em que 93% dos militantes elege José Sócrates como secretário-geral é um PS que desistiu da ideologia e apenas pensa em manter o poder e o círculo que dele se alimenta) têm uma oportunidade única. Este é verdadeiramente o tempo de esquecer rivalidades, calculismos eleitorais sectários e velhas fracturas. Sim, é uma questão de interesse nacional, mas a sério, não o que defende a tríade do poder (PS, PSD, CDS, não esquecer) e a política do austeritarismo. E mais interessante se torna, se analisarmos a votação dos dois partidos nas últimas legislativas à luz de uma eventual coligação: dos 31 assentos parlamentares actuais passaria para 39 (retirado do Margens de Erro, via 5 Dias). Se não quisermos mais do mesmo, este pode ser o caminho necessário.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Para quem estava acostumado a brincadeiras perigosas, provocações desnecessárias e má educação por parte da direcção do clube que se sagrou justamente campeão nacional, apenas pode ter ficado surpreendido com a infantilidade que foi apagar as luzes do Estádio da Luz e ligar o sistema de rega logo a seguir ao fim da partida. A atitude não dignifica o Benfica e muito menos os adeptos que se comportaram de modo relativamente disciplinado* antes, durante e depois do jogo, ao contrário do que muitas vezes acontece em estádios a norte do Mondego e como recentemente sucedeu ali do outro lado da Segunda Circular. Parabéns a eles, aos adeptos bem comportados, e o opróbrio para quem decidiu resignar-se desta maneira, sobretudo depois de um jogo que a equipa mereceu perder, por culpa própria. Os adeptos portistas andaram um ano a falar em túneis e mesmo na vitória lembram Ricardo Costa, o que me parece ser bastante apropriado por parte de quem tem por herói alguém como Pinto da Costa, um dos principais instigadores da permanente guerrilha no futebol português - dificilmente se poderia esperar outra coisa. Eu, como benfiquista, e repetindo certamente a ideia da maior parte dos adeptos, repudiarei direcções que agirem como agiram no jogo de domingo, critico o presidente quando tenho de criticar - a compra de Roberto, o mau planeamento da época, o modo de ser tantas vezes pacóvio -, e gostava que o Benfica ganhasse sempre de forma justa. O ónus da complacência perante actos criminosos da direcção e da arrogância de quem não sabe ganhar pode ficar lado dos adeptos portistas, eles fazem bom uso das duas qualidades. Não é uma questão de superioridade moral, mas de decência em todos os aspectos da vida, dos quais o futebol é certamente dos mais importantes. Não deveria haver excepções, e se não posso esperar que os adeptos dos outros clubes tenham a mesma moral do que eu, não deveremos, de modo algum, relativizar as atitudes do clube do nosso coração em relação aos desmandos e ilegalidades alheias. No fim de tudo, o FCP foi justo campeão, e nem os jogadores nem o treinador (apesar das desnecessárias provocações do puto Villas-Boas na hora da vitória) mereceriam todo o mal que nasce da rivalidade entre os dois clubes. Parabéns - que eu ainda estou à espera dos parabéns pelo campeonato do ano passado que os portistas que conheço nunca me deram.

 

*Alterado. É claro que há sempre gente do Benfica que não sabe comportar-se em público. Antes, durante e depois dos jogos. E ainda por cima, não são originais e decidiram, desta vez, levar bolas de golfe para o estádio. Lamentável. Já deveríamos saber que neste desporto elitista (o golfe, claro) a agremiação do Norte nos bate aos pontos. Muita prática. 

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por Sérgio Lavos
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por Daniel Oliveira

 

 

Depois das aventuras na bolha imobiliária e da crise do subprime, as empresas financeiras ficaram à beira do colapso. Para pagar as suas irresponsabilidades os Estados foram chamados a intervir. A primeira ajuda fez-se através da nacionalização do prejuízo. A Irlanda foi mesmo obrigada a aceitar ajuda externa e a consequente destruição da sua economia para impedir que a falência dos bancos nacionais espalhasse o pânico na city londrina. Em Portugal, a nacionalização do BPN fez-se de forma cirurgica. O Estado ficou com os buraco e, generoso, deixou o que valia alguma coisa - a SLN - nas mãos dos acionistas.

 

Quem esperava que, depois disto, os responsáveis fossem punidos rapidamente percebeu que não estavamos a reformar um sistema que põe as vidas de milhões de pessoas à mercê da ganância de jogadores. Estavamos a salvar esse sistema.

 

Salvo o que estava prestes a falir com os dinheiros dos contribuintes, ainda faltava ir buscar o resto ao pote público. Começou então o ataque às dívidas soberanas. Aproveitando os absurdos institucionais europeus e a certeza de que na Europa cada um trataria apenas de si, as economias mais frágeis do euro foram a vítima preferencial. O que não foi sacado através das ajudas públicas foi-se buscar através de juros usurários. Basicamente, as economias mais frágeis passaram a trabalhar para pagar uma mesada à banca, pedindo emprestado para pagar os juros. E quanto mais pedem mais os juros aumentam, numa espiral que só acabará quando todo o sangue for sugado.

 

Tal como aconteceu com subprime, as agência de notação têm um papel central no assalto. Se antes sobrevalorizavam lixo, agora sobrevalorizam o risco. A pressão política para o pedido de "ajuda" externa não é mais do que o apelo para que campangas venham buscar o dinheiro à força. E a extorsão faz-se à custa do Estado Social. O dinheiro que os Estados gastam em saúde, educação, pensões e serviços públicos tem de ser transferido para pagar juros impossíveis. Trata-se de uma transferência de recursos públicos que ainda não acabou. Ela chegará ao fim com a destruição do Estado Social. A esse processo dá-se o pomposo nome de "reformas estruturais".

 

Portugal, Grécia, Irlanda e Espanha estão a ser abusados por um novo tipo de máfia que, na ausência de poderes públicos e de políticos corajosos, deixam um rasto de destruição por onde passam. Resta às vítimas três possibilidades: ou entregam tudo o que têm, ou pedem proteção aos mafiosos para que o roubo se faça de forma mais ou menos ordenada ou dão, em conjunto, um murro na mesa.

 

A solução começa com duas palavras: "não pagamos". Quando elas forem ditas, em conjunto, por estes quatro países, a Alemanha e a União Europeia mudam, em apenas um minuto, de atitude. É provável que os contribuintes alemães não estejam dispostos a pagar as dividas dos outros. O que eles não sabem é que, quando participam na "ajuda" aos países periféricos, estão a pagar o bailout da banca alemã. Ou seja, estão a pagar a salvação da sua própria economia.

 

Só no dia em que estes países disserem que, nestas condições, não dão nem mais um tostão para este peditório se começará a discutir a reestruturação da dívida. Não se trata de um favor. Trata-se de pagar o que se deve em condições aceitáveis. Trata-se de um ato de justiça. Pagar com juros decentes e num tempo praticável.

 

Quando quiseram obrigar a Irlanda a subir o seu IRC - bem abaixo da média europeia - ela fez esta ameaça. O recuo europeu foi imediato. Tivessem os governantes irlandeses tanta coragem para defender os direitos sociais como tiveram para defender o seu dumping fiscal e os seus concidadãos estariam hoje bem melhor.

 

A escolha que estes Estados têm de fazer é simples mas arriscada. Simples porque resulta de uma revolta legitima: não temos de pagar, com o nosso trabalho, através de juros impensáveis, as irresponsabilidades de quem andou a brincar com o fogo. Arriscada porque vão continuar, como qualquer Estado, a precisar de financiamento. Mas é a única opção: obrigar a Europa a defender os Estados que aceitaram entrar no euro. Nem que seja pela ameaça. Ou isto, ou a destuição por décadas de várias economias.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 4 de Abril de 2011
por Bruno Sena Martins

 

Publicado na Liga Aleixo

 

Apesar de todos os indícios, posso assegurar que o Estádio da Luz não foi construído sob o mesmo conceito arquitectónico da Avenida dos Aliados. Aliás, há diferenças óbvias entre a concepção de um arruamento de 250 metros e a edificação de um parque de festas para entretém periódico dos jogadores do FCP. Acompanhei os festejos a meio caminho, à saída da portagem de Taveiro hesitei entre seguir A1 para Norte ou para Sul. Acabei por ficar na berma a ouvir as conferências de imprensa enquanto me decidia, entretanto fui apitando em jeito de festa até acordar com aquele silêncio da "solfagem" que se segue è morte da bateria. Antes disso, antes mesmo de ser vandalizado por uma multa por estacionamento indevido e pelos honorários do reboque, isto às 9 da manhã, ouvi as palavras que melhor captam a insigne ode ao título ontem conquistado.

 

Villas-Boas (V-B), assumindo-se como treinador adepto, o último de uma linhagem que remonta a António Oliveira, lembrava de como já tinha sido feliz no Estádio sa Luz. Com 20 anos V-B estava em Lisboa num estágio que aparentemente consistiria em acompanhar os treinos do Sporting. Como o fastio das noites da Pensão Alegria o torturasse, lá se decidiu a ir sozinho a ver um jogo da Supertaça ao velho estádio da luz. Não pôde festejar os 5 golos do Porto porque lá se lembrou que era muito novo para ser selvaticamente linchado (há experiências que devem ser saboreadas com outra maturidade). A história de Villas-Boas e do seu encontro primordial com Bobby Robson repõe a mitologia do amor à camisola entre os profissionais da bola (refiro-me aos agentes desportivos que não pelo conceito de Ricardo Costa). Só por isso, não poderia agradecer o suficiente a Villas-Boas por este título. Com este campeonato, Villas-Boas reuniu o velho futebol da paixão de bairro com o labor cosmopolita de quem, das Ilhas Virgens à Mata-Real, sabe mais de bola que muitos anciãos dados à bazófia. 

 


por Bruno Sena Martins
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por Daniel Oliveira

Nesta campanha, o PS vai vitimizar-se: a direita oposição fez cair o governo. E foi a partir daí que tudo começou a correr mal. Mas sabemos que os juros não começaram a subir com o chumbo do o PEC. E que esta crise foi procurada por José Sócrates.

 

O PSD vai ziguezaguear. Diz que o governo recorre sempre à "solução da incompetência" - "se falta dinheiro aumentam-se os impostos" - para, um dia depois, propor o aumento do IVA. Para dentro é sensível - "os sacrifícios têm limites" - para fora é implacável - "votámos contra não porque se foi longe demais, mas porque não foram suficientemente longe".

 

O CDS vai dizer que tem propostas, sem que as propostas se vejam. Renega o bloco central, enquanto espera pelo bloco central.

 

O PCP e o BE vão gritar, julgando que basta ser o eco da irritação geral. Só que se é para acumular forças com a desgraça alheia, os desgraçados vão percebem que não é dali que virá a solução.

 

É urgente que cada um diga ao que vem.

 

Que o PS esclareça se, para além de adiar a intervenção do FMI e queixar-se da oposição, tem soluções a médio prazo, que passem por uma coordenação europeia para a inevitável e urgente renegociação da dívida. E se, entretanto, pretende começar a distribuir os sacrifícios com alguma decência.

 

Que o PSD explique, de uma vez por todas, o que quer fazer. O jogo duplo, em que se grita uma coisa em português e se escreve outra em inglês, começa a deixar bem evidente a massa socratista de que Passos Coelho é feito.

 

Que o CDS mostre qual será a sua função num bloco central alargado. Não basta existir para fazer falta.

 

Que o PCP e o Bloco digam as suas condições para participar numa alternativa ao bloco central.

 

As pessoas estão ansiosas, desempregadas, precárias, endividadas. Querem quem lhes apresente soluções e as mobilize para elas. Querem acreditar em alguém. Esta é a campanha em que cada um tem de clarificar o que quer fazer com os votos que receber. Temo que seja aquela em que todos exibem as vergonhas alheias para nada dizerem sobre si próprios.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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Domingo, 3 de Abril de 2011
por João Rodrigues

 

Tal como a sua tropa de economistas neoliberais, Cavaco há muito que anseia por uma formalização da intervenção externa, o culminar das recessivas e iníquas políticas de austeridade seguidas pelo governo com o seu apoio e do PSD. Talvez por isso tenha vindo a terreiro indicar que a sigla correcta para a intervenção não é FMI, mas sim FEEF. Cavaco tem um ponto formal, ou seja, a intervenção externa decorreria no quadro do chamado Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, embora o Fundo Monetário Internacional seja um conveniente parceiro deste. Devemos por isso falar nos dois fundos.

 

Seja como for, isto não altera uma vírgula no que importa, na substância das políticas de austeridade que se aprofundariam, como contrapartida de empréstimos a taxas de juro demasiado elevadas. Não é através desta habilidosa falta de seriedade, a que Cavaco sempre nos habituou, que se chega à verdade. Não é ocultando os mecanismos europeus, identificados mais uma vez pelo Jorge Bateira, que contribuíram para gerar os actuais desequilíbrios e que nunca foram contestados pelo bloco central, que se chega à verdade. A verdade é que este fundo é parte do drama de uma Zona Euro em processo de esfarelamento conduzido pelos mercados, com quem não se discute, diz o Presidente, e  por empresas de notação financeira pagas para justificar ondas especulativas. Aqui não se mexe.

 

Numa intervenção externa desta natureza, como as experiências grega e irlandesa bem ilustram, trata-se sempre de defender os interesses de curto prazo de um sistema financeiro disfuncional e de todos os que estão interessados em comprar activos do país atingido a preços de saldo. Trata-se  sempre de impor o máximo de sofrimento sobre as classes populares, sobre o mundo do trabalho, em nome da expropriação financeira e de um esforço inglório para exportar custe o que custar, sem alterar padrões de especialização porque isso exigiria um maior controlo público do sistema financeiro e políticas laborais e industriais activas.

 

Trata-se apenas de imitar, no contexto europeu, o que se passou com os processos de ajustamento estrutural nas periferias da economia mundial. Lula, por exemplo, lembra-se. O resultado foi sempre bastante mau. Por comparação com anteriores intervenções do FMI em Portugal, o fundo europeu pode até ser pior porque não temos à nossa disposição, entre outros, o instrumento político da desvalorização cambial, que tanto jeito deu na década de oitenta. 

 

Que fazer? Recusar a intervenção externa e usar, finalmente, uma das armas à nossa disposição para impor uma solução mais favorável para um problema europeu: a ameaça pública de uma reestruturação da dívida, tal como começou a fazer a Irlanda, de preferência em aliança com os países periféricos na mesma situação para termos mais poder. Ou alguém pensa que é viável suportar mais uma década perdida, só que em moldes ainda mais funestos?  


por João Rodrigues
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por João Rodrigues

 

A crise, sempre a crise. Desemprego como nunca, perda de salários, aumento de impostos, uma dívida externa que arruína o país, FMI à porta, tudo temperado com vagos escândalos financeiros demasiado próximos do poder político. A economia era um mistério, agora é uma ameaça. Este livro afirma que esta crise não é uma inevitabilidade, é antes a consequência da corrupção da economia, da degradação da estrutura produtiva, da destruição do trabalho, da ganância financeira. E é uma escolha de governantes, apoiados na pretensão científica absolutista de muitos economistas, que aspiram a criar um século de precarização. O livro convida os leitores a discutirem a crise no tempo do FMI, a analisarem as teorias económicas, a conhecerem os problemas e a escolherem o que vai ser da nossa vida.

 

Francisco Louçã apresentará o seu livro na próxima quinta-feira, dia 7 de Abril, na FNAC do Chiado, em Lisboa. 


por João Rodrigues
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Sábado, 2 de Abril de 2011
por Miguel Cardina

Vivemos tempos conturbados. Ontem estávamos imersos numa crise financeira que abalava os alicerces do sistema económico e punha a nu a irracionalidade especulativa que lhe preside. Hoje o discurso centra-se nos défices dos Estados e nas dívidas públicas, fortalecendo uma nova lógica de acumulação que tem como alvos preferenciais os direitos de quem trabalha e as prestações sociais. Observámos como nos meios de comunicação o discurso austeritário se foi impondo, com pouco contraditório e muito apelo ao inevitável. Isso mesmo levou à redacção de uma Petição pelo Pluralismo de Opinião no Debate Político e Económico, que recebeu esta semana uma resposta da ERC, considerada insuficiente pelos promotores. Que por isso ripostaram.

 

Agora, apesar do período eleitoral que se avizinha e que dará espaço aos partidos para apresentarem as suas propostas, é muito provável que se aproxime um novo ciclo de condicionamento ideológico. É preciso "honrar os nossos compromissos", "ouvir os credores", apascentar a nervoseira dos mercados, “eliminar a gordura do Estado”, falar de "ajuda" e "resgate". É também preciso esquecer os caminhos que se trilharam e as opções de fundo subjacentes. Se as eleições são momentos em que os cidadãos são chamados a escolher, convém que saibam que a sua voz pode ser parte de uma alternativa. É isso que se propõe fazer o Portugal Uncut, um movimento inspirado no UK Uncut, e que promete contestar na rua e nas redes sociais a lógica injusta dos “cortes”: aquela que ataca os serviços públicos e penaliza a grande maioria da população ao mesmo tempo que iliba da carga os bancos, as grandes empresas e as classes mais altas. Em linha semelhante foi a acção do movimento «E o Povo, pá?» em sedes no BPN no passado dia 28. Esta é a hora de colocar em xeque o extremismo do centro.

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por Miguel Cardina
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011
por Bruno Sena Martins

“A questão da legitimidade é um entretém que está construído sobre a inevitabilidade de o FMI vir. O PSD e o Presidente da República querem obrigar o Governo a meter cá o FMI até ao dia 5 de Junho. Para que o odioso da entrada do FMI caia sobre o PS. O PS como é óbvio não o quer fazer e diz que não tem legitimidade para não ter que adoptar essa medida”. Fernando Rosas


por Bruno Sena Martins
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por João Rodrigues

 

Que Campos e Cunha, um dos que gosta de brincar com vida dos outros, esteja toldado pela ideologia liberal ainda se compreende, mas que uma jornalista económica séria como Helena Garrido decida também mencionar as medidas “keynesianas” expansionistas de combate à crise, a propósito do aumento do défice em 2009, é que já é muito mais difícil de explicar. Como nos indica o Nuno Teles, as tais medidas expansionistas deliberadas ascenderam a 0,5% do PIB, num défice que aumentou 6,5%, graças sobretudo à quebra das receitas. Já que estamos a falar de receitas e como Campos e Cunha é uma daquelas pessoas que nunca fala das causas da crise financeira ou das disfunções do euro e que também acha, no seu artigo no Público, que a carga fiscal é “insuportável”, remeto-o para alguns factos, que os jornais destacaram esta semana, sobre o chamado Estado fiscal de classe, o Estado que perpetua a desigualdade.

 

De facto, ficámos a saber que a crise mantém o engenho empresarial: em 2009, apenas 30% das empresas pagaram IRC, mas a surpresa das surpresas estava reservada para o jardim das empresas: “das quase três mil empresas instaladas na Zona Franca da Madeira, apenas 51 pagaram IRC em 2009”. Esta fuga ao fisco, institucionalmente facilitada, deteriora a actividade empresarial, prejudicando as empresas que cumprem as suas obrigações. A tendência para a redução da taxa de IRC não parece ter aumentado a predisposição empresarial para pagar impostos.

 

Indicando que o Público é capaz de Campos e Cunha e do melhor, João Ramos de Almeida assinala: “Os rendimentos dos profissionais liberais pagaram 1,3 por cento da receita global do IRS de 2009. Os empresários apenas 0,6 por cento. Os rendimentos prediais pouco mais de 0,5% (…) Uma realidade que retrata uma evasão fiscal impune em décadas”. A narrativa liberal da promoção da virtude através do relaxamento fiscal é parte da chamada fraude inocente que economistas como Campos e Cunha têm por função reproduzir.


por João Rodrigues
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por Andrea Peniche

Primeiro, foram os falsos recibos verdes; depois, os sem-abrigo; e, agora, a população reclusa. O branqueamento do retrato do País parece não ter limites e os Censos estão mesmo a ser usados para esse fim.

 

As ocupações desempenhadas pela população reclusa nos estabelecimentos prisionais (limpeza das instalações, lavandaria, cozinhas, jardins e actividades nas diversas oficinas - carpintaria, serralharia mecânica...) estão a ser consideradas trabalho efectivo, para efeitos censitários.

 

Apetece perguntar: se estas actividades são consideradas emprego, depois do cumprimento da pena (que passará a equivaler a um despedimento sem justa causa), a estas pessoas será atribuído o subsídio de desemprego? Mais, se a população reclusa aufere 2 euros por dia pelo desempenho destas actividades, é necessário denunciar a entidade empregadora: o salário pago viola a lei, uma vez que está abaixo dos 485 euros (a não ser que estas pessoas sejam consideradas trabalhadores independentes e passem o respectivo recibo verde).


por Andrea Peniche
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por Daniel Oliveira

 

Foi lançada a biografia de Pedro Passos Coelho. Sobre a autora, Felícia Cabrita, dispensam-se muitos comentários. Sabendo-se o papel que teve nos últimos anos podia pelo menos disfarçar um pouco. Mário Crespo apresentou o livro e, faça-se justiça, assumiu que este seu gesto era "eminentemente político". Nada contra jornalistas que assumem as posições. Desde que não o façam na hora de expediente. E que não confundam, como a justiceira e biógrafa oficial de Passos, campanha eleitoral com aquilo a que, no jornalismo, se dá o nome de "investigação".

A biografia merece ser lida. A história de "um homem invulgar" é de uma penosa vulgaridade. Para ser primeiro-ministro ou líder partidário não é necessário ter a biografia de um Mário Soares, de um Álvaro Cunhal ou até de um Sá Carneiro. São homens da fundação da nossa democracia. Carregavam a história consigo. Era um tempo em que o parlamento não estava povoado por gnomos políticos, em que representar o povo não era motivo de suspeita geral e em que governar era um pouco mais do que gerir decisões alheias.  Mas não vale a pena inventar personagens que não batem certo com os atores.

 

Não se trata de uma hagiografia, avisa a hagiógrafa depois de distinguir o presidente PSD de uma classe política que exerce o poder "como se fosse um bando de bandidos" e de dizer que espera, "no mínimo, que ele consiga manter o capital que conseguiu até hoje". Sabemos que teremos a liderar o País, se os desejos de Cabrita e Crespo se realizarem, um homem que vive num apartamento de Massamá, sem luxos, e que trata das obrigações domésticas antes da esposa chegar a casa. Que espalha pela mesa da sala de jantar os livros e os papéis que utiliza como objectos de meditação para a "volta a dar ao país se o vier a governar".

 

Temos assim garantido um olhar distanciado e sereno de uma jornalista de mão cheia. Promete que ao lermos o seu trabalho teremos direito a um momento "a que não estamos habituados em Portugal": "conhecer em quem é que votamos". De facto, não fosse Felícia Cabrita e nunca se lançaria uma biografia simpática sobre um político em véspera de eleições. Desde o "menino de ouro", de outra jornalista sobre outro político, que não se via tanta ousadia.

 

Para encher 184 páginas com uma vida que se conta relativamente depressa, Felícia Cabrita não deixou nada de fora. Com a elegância literária que lhe é reconhecida, oferece-nos pormenores sobre a relação, na adolescência, do possível futuro primeiro-ministro com a sua genitália. Podíamos lá nós viver sem este "escrutínio público".

 

No "estilo voyeurista da crónica social" (palavras de Mário Crespo), o livro oferece-nos pérolas que ficarão para a história do sempre tão desprezado género biográfico. O momento mais belo  é aquele que retrata a intensa relação intelectual que Passos Coelho mantém  com os seus caninos seguidores. Não, não me refiro a Miguel Relvas. "As caniches, companheiras de muitos anos, aconchegam-se-lhe mal se senta em frente à lareira ainda sem brasas e escutam-no como se nenhuma das suas palavras fosse desperdício". Hoje somos duas, amanhã seremos milhões, já rezava, mais coisa menos coisa, o velho slogan do PPD.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
As agências de notação financeira advertiram a Comissão Europeia de que poderão deixar de atribuir notações aos países de risco se Bruxelas prosseguir com a ideia de os responsabilizar juridicamente por erros de avaliação.</div> O clima de tensão entre o Executivo europeu e as três principais agências de “rating” – Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch - está assim a intensificar-se, segundo fontes do sector, citadas pela Reuters. Este agravamento deu-se depois de a S&P ter cortado as classificações de Portugal e da Grécia, tendo a notação portuguesa ficado a apenas um nível do chamado “lixo” e a grega abaixo do “rating” do Egipto – país que está a atravessar um momento político delicado depois da revolta social que levou ao derrube do regime de Hosni Mubarak. As agências estão preocupadas com estas propostas de Bruxelas, receando ficar expostas a pedidos de reembolso de crédito por parte de milhares de detentores de obrigações soberanas, realça a Reuters.</div> </div>

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira

Hoje é que José Sócrates devia ir ao Parlamento. Ou Teixeira dos Santos devia fazer previsões macroeconómicas. Ou Passos Coelho devia fazer promessas sobre impostos.


por Daniel Oliveira
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por Ana Mafalda Nunes

 

A ideia de não ter, este ano, de assistir à infame representação de hipocrisia politica, que é a habitual celebração do 25 de Abril na Assembleia da Republica,  remete-me para este tema do filósofo-cantor José Barata Moura.

Ainda assim, sorte infeliz a nossa, que não nos livrará do chorrilho de palavras vazias, ao estilo de eloquência António Silva em "O Pátio das Cantigas",  que o Sr. Aníbal terá de proferir para cumprir a agenda presidencial.


por Ana Mafalda Nunes
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