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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Fia-te na virgem e não corras

Sérgio Lavos, 25.02.12

 

"Ainda é Inverno, mas vários concelhos estão em risco alto de incêndio". Caramba, nem os deuses ajudam. 106 fogos já tinham deflagrado até às 14h00. O poder da oração enquanto técnica de prevenção da seca e dos fogos florestais parece não estar a resultar. Nada me move contra a fé alheia, mas será talvez altura da ministra Assunção Cristas pensar num plano B para combater os elementos. Quem sabe incomodar os senhores da União Europeia - sabemos que este Governo não gosta de incomodar os suseranos da terra lá em Bruxelas e Berlim, mas há ocasiões de aperto inadiáveis. Também eu rezo para que os cortes sofridos nas dotações para as corporações de bombeiros na prevenção de fogos florestais não transformem este ano da Graça de 2012 num Inferno terrestre. Os cenários dantescos aborrecem-me, e já que o Governo PSD/CDS não parece muito preocupado com estas questões de somenos importância, esperemos que o gestor de carreira designado por Nosso Senhor para o território português tenha piedade de nós e não mande para já uma das pragas do Apocalipse, o fogo. Sobre as nossas florestas.

 

Dei-me conta de que quando me ponho a escrever sobre estas questões metafísicas, acabo quase sempre por descobrir que a minha fé muitas vezes ultrapassa a das mais pias almas. Com tanto corte e incompetência governamental, a oração é bem capaz de ser a única salvação para o país. A ciência da fé reluzindo em todo o esplendor divino.

Ceder ao preconceito não está nos genes, é uma escolha de vida

Sérgio Lavos, 24.02.12

 

Estava pacificamente a ler este texto do Ricardo Alves quando me deparei com a palavra "tolinho". Mas depois vi melhor e era "todinho". Tolinho, no entanto, seria mais apropriado. Para classificar o voto contra do PCP na votação de hoje. Parece que até votou contra o projecto do seu own private Idaho, o PEV. Tolinho, sim, e contudo coerente. Não interessa que o casamento entre pessoas do mesmo sexo seja legal e que os membros de um casal de gays ou lésbicas possam adoptar individualmente. É absurdo? Direi mais, é de loucos. Mas o PCP, na senda de um passado de perseguição aos homossexuais, manteve-se fiel aos seus princípios e votou na hipocrisia. Prefere que gays e lésbicas possam casar, levar filhos de anteriores casamentos, engravidar - no caso das mulheres, - adoptar sozinhos, mas nunca, credo, nunca, que dois pais ou duas mães possam ter o mesmos direitos que um homem e uma mulher que vivam juntos ou até separados. Que o CDS-PP (menos um deputado, valha-me Deus, menos um) tenha votado contra os projectos do Bloco de Esquerda e do PEV, não admira. Também não surpreende que ao deputado Telmo Correia cause asco a clarificação do que é escondido; a direita cristã tem cunha metida junto de Nosso Senhor Deus Todo Poderoso para a precipitação em tempo de seca, para a resolução dos problemas de emprego e para homossexuais que não conseguem sair do armário. Mas nunca terá para quem abertamente assume a sua identidade sexual e deseje ter uma família tal qual como os cidadãos que escolhem não casar-se com uma pessoa do mesmo sexo. "Contraria o criador", tal "experimentalismo social" e não, não se ouviu isto num púlpito de uma qualquer seita protestante norte-americana, mas numa bancada do Parlamento português. Sinceramente, não sei e prefiro não saber em que estaria Telmo Correia a pensar quando fez tal afirmação. O líder do seu partido que trate do problema. Adiante. Que o CDS e o PSD se entricheirem neste moralismo hipócrita, é previsível. Não surpreende - e parabéns aos deputados dos dois partidos que votaram a favor dos projectos, demonstrando que ainda há liberdade no meio de tanta beatice. Que o PS vote de forma táctica, aceito - é difícil exigir mais ao partido da abstenção violenta. Mas que o PCP alinhe na farsa, enfim, é uma tristeza. Seria pedir muito esquecerem os tempos de perseguição a Júlio Fogaça? Deixarem de ser tolinhos está apenas nas vossas mãos. Ceder ao preconceito não está nos genes, é uma escolha de vida.

De Virgens ofendidas está o Inferno cheio

Sérgio Lavos, 24.02.12

Que exagero, caro Luís. Extrapolar sobre intenções não é racional. O tom do meu post é forte, e intolerável, se quiser, mas olhe que mesmo assim não se aproxima do nível do post do sr. Eurico de Barros. E ainda por cima o que ele faz é tiro ao morto, numa data que recorda o desaparecimento de um grande músico e poeta. E isso não pode ter desculpa.


E mais algumas coisas:

 

O post do sr. Eurico de Barros não tem dados factuais; tem interpretações de dados factuais e especulações sem fundamento. O que é completamente diferente. Eu explico:

 

- José Afonso era defensor da revolução armada? Onde, em que situação? Em Portugal, foi-o com certeza, mas julgo que todos aí no Forte defendem pelo menos uma revolução armada, o 25 de Abril. É a essa que o sr. Eurico se refere?

 

- José Afonso era defensor da ditadura do proletariado. Partindo do princípio que este é um dos fundamentos do comunismo, poder-se-á dizer isso, dado que ele foi apoiante do PCP. Mas era também o homem que se afastou do partido e dizia de si ser o "seu próprio Comité Central". As pessoas mudam ao longo da vida, como muitos antigos militantes do MRPP que agora se movimentam na esfera ideológica deste governo poderão explicar-lhe.

 

- Escrever "princípios perigosamente lunáticos da esquerda mais radical " é um facto em que sentido? Opinião, pura subjectividade. E ideologia.

 

- Gostaria de saber quais as acções violentas que ele glorificava nas suas canções. Aludir sem citar é fácil. Não é necessariamente certo. "Atirar aos fascistas de rajada" é o único exemplo. É censurável? É. Mas seria inqualificável se ele tivesse escrito, por exemplo, "atirar aos sociais-democratas de rajada".

 

- "Demenciais campanhas de dinamização cultural" é uma opinião, bastante simplista e parva, por sinal, não um facto. Nessas campanhas andaram centenas de pessoas, e eram sobretudo ingénuas e inofensivas. Não cresci nesse tempo mas conheço gente que cantou e tocou por todo o país. Recordam essa época com a nostalgia de quem olha para a inocência própria da juventude. E, para além do mais, foi um momento único, em que grandes artistas andaram a mostrar o que criavam a gente que apenas conhecia o nacional-canconetismo da rádio e da televisão a preto e branco. Demenciais porquê?

 

- Escrever que Zeca defendeu as arbitrariedades e ilegalidades da Reforma Agrária é uma opinião, não um facto. Se o sr. Eurico tivesse escrito "defendeu a Reforma Agrária", passaria a ser um facto.

 

- Do lado "errado" da barricada no 25 de Novembro esteve muita gente mais do que respeitável. E claro que é uma opinião achar que se esteve do lado errado ao apoiar Otelo e ter estado com os paraquedistas de Tancos no 25 de Novembro.

 

O meu texto ataca o homem? Sim, admito. Mas de um modo muito mais suave, "tolerável", do que o sr. Eurico o faz em relação a Zeca Afonso, um morto que não se pode defender.

 

Quanto ao resto, à caracterização que eu faço do Forte Apache, diga-me, a sério, está assim tão longe da realidade? Insultos, eu? Até acho que fui bastante brando, tendo em conta o despropósito da alarvidade escrita pelo sr. Eurico.

A espiral dos idiotas

Daniel Oliveira, 24.02.12

 

 

Só em Janeiro deste ano o Estado recolheu menos 222 milhões de euros em impostos. Quase menos 8% do que em Janeiro de 2011. Perdeu em IRS (4,5%) e em IRC (61,3%). A segunda perda deve-se, em parte, à antecipação da distribuição de dividendos. Se retirarmos estes casos, temos uma perda global de 4,8%. Isto quando houve umaumento generalizado da carga fiscal. As receitas do IVA (mais 5,7%) e dos impostos sobre bebidas, tabaco e circulação aumentaram. Não fossem elas e as perdas seriam ainda maiores. Mas quando a crise se fizer sentir ainda mais, é previsível que haja quedas no primeiro. Até porque a economia paralela tenderá a crescer. Em produtos mais dispensáveis, como a compra de carro, as receitas já caíram 43,8%.

 

Na segurança social passa-se o mesmo. Em Janeiro, menos 20,6 milhões (uma perda de 1,6%) de quotizações. Isto quando, apesar das reduções dos subsídios, aumentaram em 56,6 milhões as despesas em prestações sociais. O saldo caiu 26,2%.

 

É o b-á-bá da política orçamental. Ao contrário do que dizem as contas de merceeiro, o aumento de impostos associado a políticas de austeridade põe em causa o saneamento das contas públicas. Já aqui o tinha escrito e não fui, longe disso, o único. Mais fuga ao fisco, menos consumo, menos receitas, mais desemprego, mais despesas sociais. É uma espiral sem fim que, em nome da saúde das contas públicas, destrói a economia e as contas públicas. Quando é que óbvio vai entrar pelos olhos de quem governa?

 

Publicado no Expresso Online

Pois é, caramba, José Afonso era mesmo um perigoso revolucionário. Ainda bem que alguém se lembrou disso agora, que estas coisas não podem cair no esquecimento.

Sérgio Lavos, 24.02.12

Passei os olhos por este post - simplesmente cretino, querer pôr-se em bicos de pés no dia em que se lembra um homem que deu mais ao país e ao mundo do que mil Euricos dariam em mil anos, mas enfim - e lembrei-me de um texto que o crítico escrevera há uns anos sobre o filme Os Amantes Regulares, de Philipp Garrel. Congratulo-o a ele e ao mundo em geral por agora poder publicar num blogue as baboseiras com ideologia na ponta das unhas que em tempos transpiravam por entre textos sobre cinema escritos com os dois pés esquerdos; e ambos com gota. Não sei contudo se, por agora poder expressar livremente o seu arrazoado ideológico de direita, perorando sobre os "princípios perigosamente lunáticos da esquerda mais radical" no falhado blogue do passismo, terá deixado de o fazer nos textos de crítica cinematográfica que, julgo eu, ainda escreve para o Diário de Notícias. Também não me interessa. Confirmo que nada mudou, e agora pode Eurico regressar ao medíocre anonimato de onde assomou por momentos. Bom timing: no fim de contas, a efeméride do dia de ontem apenas acontece uma vez na vida. Zeca Afonso, no entanto, é eterno.

"2012 vai marcar um ponto de viragem" - Vítor Gaspar, há precisamente 34 dias

Sérgio Lavos, 23.02.12

Ufa, ainda bem que a troika avaliou positivamente os esforços do Governo PSD/CDS na execução do memorando. Caso contrário, seria preocupante esta notícia sobre o agravamento da recessão - 3,3%, de acordo com o conhecido antro de abutres comunas chamado Comissão Europeia - durante o ano do nosso ponto de viragem.

Zeca

Daniel Oliveira, 23.02.12

 

José Afonso não era apenas um músico que emprestava o seu talento a causas em que acreditava. Não era uma estrela que se promovesse em participações esporádicas em cerimónias de solidariedade ocas. Não era apenas um dos mais talentosos músicos portugueses. Tão genial que fazia o que nenhum fizera sem ter um saber técnico especialmente apurado. Zeca Afonso era um militante, palavra que é hoje usada para insulto. Na sua generosidade, no seu empenhamento e no compromisso com as suas convicções. Sempre livre das tutelas de quem se julgasse dono das lutas dos outros, sempre preso ao dever de nelas participar.

 

Zeca Afonso era de um tempo em que a participação política se fazia por um imperativo ético. Era um compromisso de vida. Ao contrário de tantos outros da sua geração, esse empenhamento não foi um momento de excitação juvenil. Acompanhou-o até ao fim. Quando o engajamento político ainda se pagava caro (e ele pagou-o) e quando começava a ficar fora de moda. Foi sempre a todas, sem precisar de grandes palcos ou de holofotes. Onde estivesse a sua gente ele estaria. E a sua gente não era toda a gente. Nunca é para quem corre o risco de fazer escolhas.

 

Quase tudo o que Zeca Afonso fazia já não se usa. E é por não se usar que nos faz tanta falta. 25 anos depois, a sua ausência sente-se por sabemos que não nos faltaria nestes tempo de vampiros. Nunca nos faltou em todos os outros. Sorte a dos que tiveram um dos mais geniais músicos portugueses do seu lado de cada combate.

 

Publicado no Expresso Online

Quem não chora, não mama

Ana Mafalda Nunes, 23.02.12

Numa espécie de sequela de mau gosto, do estímulo ao fim da produção, cujo protagonista foi o PSD - Cavaco, o executivo do PSD - Coelho, prepara-se para realizar o drama da caridadezinha para com o povo "piegas", num estímulo à mendicidade, com argumento da crise e realização do banco central e dos mercados, numa co-produção europeia, franco-alemã. O caridoso senhor ministro da solidariedade social e o conjunto governante anunciaram hoje que pretendem investir 50 milhões de euros do trabalho do povo, a sustentar a sua própria miséria. Não se destina esta maquia a desenvolver e fomentar criação de emprego, ou novas aptidões produtivas, ou reajustar das capacidades às necessidades actuais do país, de forma a aumentar a produção e diminuir a dependência, para quê? Se é possível calar a “pieguice” alimentando e mantendo a resignação pelo cinismo da ditadura da fome e da multiplicação dos pães, sem no entanto disponibilizar as redes para que o povo tenha peixe.

Enquanto andarem as gentes ocupadas a pensar nas necessidades mais básicas, como conseguir comer e em carimbos para manter o fundo de desemprego, não nos têm a pensar, a questionar o porquê de coisas como, entrar de lambreta e sair de carrão topo de gama e de preço, muito provavelmente com a roda dianteira em cima do primeiro emprego, fora da casca do partido, como administrador numa qualquer empresa pública/do povo.

 

O ronco da barriga não só não deixa escutar o pensamento, como estimula a gratidão pedinte a quem o cala. Este é o plano mais recente para salvar os portugueses da crise europeia.

 

Num guião ao estilo Oliveira, Passos & Companhia salvam o povo, da guerra dos capitais, distribuindo senhas para a mitra. A piedosa conquista do povo pela violência do estômago e do roubo da dignidade, atirando uma fatia dos portugueses para o ofício da arte de “chorar a senha para poder mamar na cantina”.

 

Qual será a próxima sequela desta saga? Investir na criação de oficinas de treino na arte de roubar? 

 

25 anos depois de Zeca...a mesma saga.

Eurocensura

Daniel Oliveira, 22.02.12

 

Não conheço nenhum jornalista sério, daqueles que defendem, como eu defendo, que o jornalismo tem limites e que os fins não justificam os meios, que critique a divulgação, por parte da TVI, da conversa entre Vítor Gaspar e Wolfgang Schauble. Diz o código deontológico dos jornalistas portugueses, que não difere muito dos que vigoram noutras democracias: "O jornalista deve respeitar a privacidade dos cidadãos excepto quando estiver em causa o interesse público ou a conduta do indivíduo contradiga, manifestamente, valores e princípios que publicamente defende. O jornalista obriga-se, antes de recolher declarações e imagens, a atender às condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas." O interesse público é indiscutível, assim como as condições de serenidade, liberdade e responsabilidade das pessoas envolvidas. O teor da conversa nada tinha de privado. O local era público. E aquelas pessoas estavam ali, não a título privado, mas em representação de Estados.

 

O acordo tácito com os jornalistas - de não recolherem som de conversas - não tem, não pode ter, mais valor do que a sua obrigação profissional. As regras afixadas, ao que parece numa folha escondida atrás de uma planta, não têm valor de lei. São a vontade de políticos. Até poderiam afixar um papel a dizer que os ministros só podem ser filmados no seu melhor perfil que nem assim os repórteres de imagem (são repórteres, não são fotógrafos de casamentos) deixariam de ter de cumprir a sua obrigação.

 

Um jornalista que, tendo acesso a uma informação de tal relevância política e económica, que envolve o futuro e a vida de dez milhões de cidadãos, não garantisse o acesso desses mesmos cidadãos a essa informação seria um mau jornalista. Se alguém violou as suas obrigações foram os dois ministros que, na presença de jornalistas e num lugar público, tiveram uma conversa de interesse público achando que aquelas pessoas que ali estavam com câmaras eram meros turistas. Quem quer reserva nas suas conversas, quando essas conversas são sobre assuntos de Estado, escolhe a ocasião e o lugar para as ter. Não conta com a falta de brio profissional dos outros.

 

Ao contrário do que disse o furioso ministro das finanças alemão, não houve qualquer recolha secreta. A câmara, bem grande, estava à frente dos dois ministros. Não se trata de uma escuta telefónica, de uma violação de correspondência, de uma câmara oculta. Se os ministros são displicentes, perante jornalistas, talvez seja porque se habituaram, citando o nosso Presidente da República, ao "jornalismo suave" que se pratica nos corredores de Bruxelas. A burocracia não afecta apenas funcionários e políticos. Há, nas instituições da União Europeia, demasiados profissionais de informação complacentes com a opacidade de quase todas as decisões.

 

A suspensão do jornalista da TVI, quando estamos a falar de uma instituição que nos pertence a todos, é um ataque à liberdade de imprensa e um ato de censura. A instituições políticas não têm nem o direito nem a autoridade para suspender jornalistas. Se ainda existisse alguma solidariedade entre jornalistas nenhuma imagem seria recolhida destas reuniões até que o respeito pela liberdade de imprensa fosse reposto (ainda por cima sabendo-se que, apesar deste não ser o primeiro episódio do género, esta é a primeira suspensão de um jornalista). Os políticos não escolhem os jornalistas que podem ter acesso às sedes das instituições públicas. Se o fizerem, passaremos a ter meros propagandistas e noticiar atos políticos. No caso, os mesmos políticos que já tiveram, nas mesmas circunstâncias, conversas em frente a jornalistas para que elas fossem divulgadas. Irritam-se quando a divulgação das suas inconfidências não lhes é útil, apenas isso.

 

A representante portuguesa na Representações Permanentes (REPER) considerou a decisão "infantil". Porquê? "A TVI devia ser banida para sempre do tour de table", disse Maria Rui Fonseca. Pois eu acho que uma funcionária que, representando Portugal, julga que pode banir órgãos de comunicação social, para sempre, de espaços públicos que são pagos, como ela própria, pelos contribuintes, é que devia ser banida das suas funções. Talvez esteja em Bruxelas há demasiado tempo e julgue que aquele espaço é a sua casa. Não é. É nossa. E ninguém lhe deu qualquer poder para decidir quem são os órgãos de informação que podem e que não podem trabalhar juntos das instituições públicas europeias.

 

A representante portuguesa defendeu ainda que "a recolha de imagens pelas televisões devia acabar e passar a ser feita pelos serviços do Conselho, que posteriormente as distribuíam". Acho bem. Desde que a sua transmissão seja feita no espaço dedicado à publicidade e que o Conselho pague a sua divulgação. Já a recolha de imagens para noticiários é feita por jornalistas, com carteira profissional e sujeitos a um código deontológico. E eles recolhem as boas e as más imagens, e não apenas aquelas que os políticos querem que os seus eleitores vejam.

 

Um representante alemão disse que se os jornalistas não passarem a respeitar as regras impostas pelos ministros duvida "que o ministro Schäuble entre na sala enquanto decorrer o tour de table". Parece-me excelente. Se o senhor Schäuble é incapaz de ficar calado deve mesmo precaver-se. A função de um jornalista é que não passa a ser diferente por causa dos amuos de um incontinente verbal.

 

Publicado no Expresso Online