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Arrastão: Os suspeitos do costume.

O pior do novo-riquismo

Daniel Oliveira, 25.02.13

 

Álvaro Santos Pereira anunciou que o porto de contentores de Lisboa será transferido para a Trafaria. Esta transferência implica uma intervenção na margem sul do Tejo com um brutal impacto ambiental (podemos mesmo falar de um crime ambiental de enormes proporções) e urbanístico, que poderá mesmo ter repercussões nas praias da Costa da Caparica, um importantíssimo ativo para o turismo na região metropolitana de Lisboa. Não por acaso, parece existir um absoluto consenso no concelho de Almada contra este projeto. E não deixa de ser curioso que o governo que avança com este projeto megalómano seja o mesmo que pôs em banho maria a requalificação planeada para a Costa da Caparica, um dos mais desaproveitados potenciais turísticos do País.

 

Este projeto obrigará à construção de uma linha ferroviária para dar àquele porto o papel de entrada e saída da Europa, para o qual Sines tem muito melhores condições. O novo porto terá sempre limitações em comparação com o de Sines. O Canal do Panamá terá, em 2014, um calado de 18,3 metros, passando a ser navegável pelos post-Panamax. Uma navegabilidade impossível de conseguir na barra sul do Tejo sem um investimento exorbitante, tendo em conta as características do subsolo. Problema que não existe nem existirá para Sines.

 

O Porto de Lisboa, mais do que o de Sines (adequado para o transshipment), tem um papel fundamental nasexportações e importações. E a origem e destino nacionais das mercadorias (incluindo nos destinos as regiões autónomas) está concentrada a norte do Tejo. Ou seja, a passagem do porto para a margem Sul aumentará os custos de transporte para toda a região que vai de Lisboa a Leiria, aquela para a qual a sua atividade tem maior importância. Sem esquecer que os parques de segunda linha de apoio ao porto de Lisboa estão na Bobadela.

 

Tendo em conta a situação económica do País, é um mistério porque raio se vão gastar mil milhões de euros naquilo que muito provavelmente se transformará em mais um elefante branco. A prioridade deveria continuar a ser dar ao porto de Sines todas as capacidades para se tornar num porto competitivo no plano europeu e modernizar o porto de Lisboa para cumprir as suas atuais funções.

 

António Costa aplaudiu esta decisão. A lógica, tal a como a do ministro da Economia, é a de libertar toda a zona ribeirinha da cidade e assim potenciar o turismo. Permitem-me que discorde. Continuando a reabilitar a cidade e a apoiar as infraestruturas de apoio ao turismo, assim como reabilitando as imensas zonas ribeirinhas já libertas pela atividade portuária, Lisboa já tem tudo para ser um dos principais destinos turísticos da Europa. Mas nenhuma capital pode e ou deve ser apenas um cartão postal. Deve diversificar as suas atividades económicas. Deve ter cultura, turismo, serviços, comércio,indústria não poluente e, como qualquer grande cidade costeira, deve ter atividade portuária. Uma cidade não é um museu. Tem de gerar riqueza para além da que o turismo garante. Não pode pôr todos os ovos no mesmo cesto. A atividade portuária de Lisboa e as que dela dependem empregam cerca de 140 mil pessoas e representam 5% do PIB regional. Uma capital não se pode dar ao luxo de desprezar isto.

 

A substituição da atividade portuária atual por um novo terminal de cruzeiros faz pouco sentido. Os cruzeiros, apesar de potenciarem o turismo, trazem menos dinheiro em pagamentos de Taxa de Uso Portuário (TUP) do que qualquer outro utilizador e ainda menos dinheiro fazem entrar na cidade: são os turistas que, por já terem toda a oferta hoteleira garantida, menos dinheiro gastam nos seus destinos turísticos. Uns cafés, mas lembranças e pouco mais. Perder um porto para ganhar cruzeiros é um péssimo negócio.

 

Pelo contrário, a aposta na requalificação da Costa da Caparica e da zona ribeirinha sul do Tejo é fundamental para a diversificação da oferta turística na região. Não se pode pensar o turismo em Lisboa com cada um a olhar para a sua capelinha - e, já agora, não se pode continuar a massacrar as populações da margem sul com sucessivos atentados ao ambiente. O turismo é regional e Lisboa tem, desse ponto de vista, tudo para oferecer: lazer, cultura, património, zonas rurais, um estuário de rio de um valor ambiental inestimável e duas costas de praia extraordinárias. Não se pode destruir parte destas valência para transformar a zona ribeirinha de Lisboa numa enorme esplanada (a monofuncionalidade é a pior opção para qualquer intervenção urbanística). A ideia de transformar Lisboa num cartão postal sem outras atividades económicas e a margem sul numa zona ambientalmente desqualificada é irracional e promove o desequilíbrio na região metropolitana. Um desequilíbrio pelo qual todos, lisboetas e almadenses, pagaremos.

 

Percebo que muitos lisboetas tenham pouca simpatia estética por contentores. Mas uma cidade não é apenas as suas vistas (e, para quem não se lembre, a Trafaria é o que se vê da zona ociedental de Lisboa) nem acaba nos seus limites administrativos. É um centro de uma região económica. Os contentores estão longe de perturbar a extraordinária beleza da cidade, cumprem uma função que dificilmente será garantida pela Trafaria (que nunca poderá competir com Sines). Este projeto é digno do pior novo-riquismo que durante décadas ajudou a enterrar este país. Felizmente, a inconsequência é uma das características do ministro da Economia. Esperemos que assim continue.

 

Publicado no Expresso Online

Asco

Sérgio Lavos, 22.02.13

Cavaco Silva não teria nada a provar, mas voltou a mostrar a massa de que é feito e sobretudo a justificar a razão da sua existência: ser o último garante dos interesses do PSD. Encontrar uma gralha numa lei aprovada há oito anos, isto a seis meses das autárquicas, é um acto prenhe de uma revoltante repugnância, uma indecorosa facilitação dos interesses dos autarcas do PSD que se vão candidatar em outras autarquias. Este é o mesmo Cavaco que teve vários ministros que agora são arguidos no caso BPN - ainda hoje mais um foi constituído, Arlindo Carvalho; este é o mesmo Cavaco que inventou as escutas de Belém para atacar politicamente José Sócrates; este é o mesmo Cavaco que se esqueceu convenientemente do sítio onde guardou a escritura da sua casa da Coelha, uma oferta do gangue de Oliveira e Costa não enjeitada por quem alimentou esse gangue. Este Cavaco é uma das principais razões para neste momento eu sentir vergonha de ser português. Asco.

Jackpot simbólico

Daniel Oliveira, 22.02.13
Uma última nota ainda não referida sobre o ISCTE: Miguel Relvas numa faculdade a falar do futuro do jornalismo é uma espécie de jackpot simbólico. É como o Dias Loureiro ir a Porto Rico para participar numa conferência sobre ética empresarial.

A cultura de casta

Daniel Oliveira, 22.02.13

Já ontem aqui escrevi sobre a absurda conversa em torno de uma suposta violação da liberdade de expressão de um ministro que mandou despedir um cronista que na rádio pública o criticava e que tutela o administrador que mandou sair uma circular interna na RTP que impede os funcionários de fazerem declarações públicas sobre a empresa. Mas hoje queria falar de algumas reações de alguns políticos da área do PS a estes acontecimentos.

 

Não vou desenvolver sobre esta estranha característica nacional que leva a que, perante qualquer protesto que não se resuma ao mero desfile cerimonial na Avenida da Liberdade, se manifeste imediatamente o incómodo de muita gente. Espanhóis, gregos, italianos, franceses, ingleses... a generalidade dos povos ficaria de boca aberta ao saber que os protestos ruidosos mas pacíficos no ISCTE mereceram sequer este debate em torno dos direitos fundamentais de um ministro. Só pode estar tudo doido. A vice-presidente da Comissão Europeia resumiu bem o olhar externo sobre estas formas de protesto: "feliz é o país onde a oposição se manifesta através de uma canção e não pela violência".

 

Nós somos a bovina mansidão encarnada num povo. Ao mínimo sobressalto cívico, por mais pacífico que seja, incomodam-se os cavalheiros e as donzelas. E isso explica porque somos tão facilmente domesticáveis. A velha frase de um general romano, que dizia haver, na parte ocidental da Ibéria, um povo que não se governa nem se deixa governar, tão útil a qualquer ditador de algibeira, não podia ser menos apropriada aos portugueses. Há anos que nos deixamos governar mal sem qualquer sobressalto e bem temos pago a fatura da nossa passividade.

 

Francisco Assis e Augusto Santos Silva vieram em socorro de Miguel Relvas. Não se deram ao trabalho de procurar muitos argumentos e usaram o que estava já no mercado: a estapafúrdia ideia de que a liberdade de expressão do ministro estava em perigo. Vá lá, não chamaram "fascistas" aos que protestaram. Têm a vantagem de, ao contrário de outros, saberem o que isso foi.

 

A posição destes dois dirigentes políticos em concreto não me espanta. Há quem, tendo sido e esperando voltar a ser governo, não queira ser incomodado pela populaça. E esta cultura de casta sobrepõe-se à sinceridade do confronto político. A política é um mero jogo retórico que acaba sempre e apenas na alternância no exercício da governação -Assis até já veio defender uma coligação governamental entre o PS, o PSD e o CDS, para que se dispense essa parte do jogo.

 

Tenho amigos de direita. Muitos. Com quem mantenho debates civilizados e troca de ideias. Não olho para os adversários políticos como inimigos. Mas conheço o País em que vivo. Vejo o desespero à minha volta, muito próximo.Conheço demasiada gente desempregada, endividada, desesperada. E vejo como observam, atónitas, entre a depressão e a raiva, a permanência de um sujeito como Miguel Relvas no governo. Um sujeito que ninguém quer a governar mas que, por mais e pior que seja o que se vai sabendo sobre ele, se mantém agarrado ao lugar.

 

A ver se alguns políticos burocratas, daqueles que acham que a sua carreira pode continuar a ser gerida como sempre foi - agora tu, agora eu, depois tu mais eu -, entendem isto de uma vez por todas: não estamos a viver tempos normais. E se me indigno com os que, na minha área política, acham que basta esperar pelos frutos eleitorais da indignação das pessoas sem fazer tudo para construir uma alternativa, não posso deixar de me indignar com os que querem, nas atuais e dramáticas circunstâncias, manter as pessoas caladas para que o poder lhes caia nos braços com o País em sono profundo. À espera que eles resolvam, entre golpes de teatro falhados no largo do Rato, constituir-se como uma alternativa credível a esta desgraça. Compreendo que a indignação dos cidadãos seja uma maçada. Que retira ao jogo político a sua prazenteira bonomia. Mas é bom que percebam que estão a brincar com o fogo. Porque é a sobrevivência das pessoas que está em causa.

 

Portugal é um País pequeno. Na elite política, económica e cultural toda a gente se conhece. Eu, pobre colunista, conheço Assis, Santos Silva e Relvas. Isto é um penico. E essa é uma das nossas tragédias. Somos todos uns para os outros. Ou amigos, ou amigos de amigos, ou conhecidos, ou conhecidos de conhecidos. Por isso, desde que bem colocado, ninguém com o mínimo de poder é realmente punido pelos seus atos. Por isso, não se irradia da política quem nunca nela devia entrado. Tudo se lava, tudo passa. E o espírito de casta que a nossa pequenez alimenta faz com que Assis e Santos Silva, pessoas de quem discordo mas a quem reconheço honestidade, olhem para uma figura como Relvas e o vejam como um par. Poderão vir a ser eles a estar naquele lugar, pensarão. E estar no lugar dele, entenda-se, não é ter a sua liberdade ou os seus direitos cívicos em perigo (se assim fosse, até eu vinha em defesa do inenarrável Relvas), mas apenas ouvir os protestos de uma plateia. Uma plateia, veja-se o descaramento, que não trata Relvas por "sua excelência".

 

Tenho várias vezes escrito aqui sobre o que acho da violência na política. A minha posição é, nesta matéria, radical. Oponho-me à violência da rua e à violência do Estado. Considero-as duas faces da mesma moeda. Mas sei uma coisa: que ou deixam as pessoas expressar a sua indignação de forma pacifica, ou as deixam participar na vida da comunidade manifestando o seu incómodo por serem governadas por gente como Relvas, e veem isso como sinal de um País que ainda reage e de um povo que ainda tem algum amor próprio, ou elas acabarão por o fazer de outra forma. E aí, caro Francisco Assis e Augusto Santos Silva, não será Miguel Relvas o alvo. Porque a violência e o caos têm a inteligência da multidão em fúria. E espalham-se sem critério nem alvo definido.

 

Como muitos portugueses, senti orgulho nos estudantes que protestaram no ISCTE. Que usaram, na sua faculdade, o único momento em que a sua liberdade de expressão poderia ser exercida em público, para, por uma vez, se fazerem ouvir. Sinal de um País que ainda respira. Que não aceita tudo. Que quer ser ouvido. E que, apesar de tudo, continua, em geral, a não ceder à violência. Que homens que se imaginam a governar na companhia dos relvas deste mundo se incomodem com o ruído da turba, não me espanta. Só pode ser porque ainda não perceberam o que realmente está a acontecer neste País. Felizmente, conheço muita gente no PS que não os acompanha. Porque não se sente colega de Miguel Relvas.

 

Publicado no Expresso Online

Abalroar

Miguel Cardina, 21.02.13

 

O ministro preparava-se para fazer o discurso. Limpou a garganta, pensou as primeiras palavras, ergueu a cabeça. Mas desta vez o auditório não se ficou pelo habitual silêncio reverente. Interrompeu. E a interrupção deu lugar ao protesto e à saída apressada da comitiva governamental. Estávamos a 17 de Abril de 1969. Alguns meses depois, já no rescaldo da “crise” estudantil, José Hermano Saraiva seria demitido do lugar de Ministro da Educação. Mas Américo Tomás – presidente da República que também se sentira “vexado” na cerimónia em que os estudantes tomaram a palavra – manter-se-ia no cargo, sempre igual a si próprio. Ou seja, alimentando de tal forma o anedotário nacional que até os senhores da censura se sentiam compelidos a intervir. E tudo isto nos lembra, como é óbvio, os acontecimentos destes dias que envolveram o ministro Miguel Relvas.

 

Relvas é o Américo Tomás dos tempos modernos. A quantidade de piadas que se fazem sobre o ministro turbo-licenciado competem com o melhor humorista nacional. Ricardo Araújo Pereira disse um dia que o governo de Santana Lopes foi a melhor coisa que aconteceu aos trabalhadores do riso porque nessa altura as piadas escreviam-se sozinhas. Relvas dá um passo em frente e não só faz as piadas escreverem-se sozinhas como torna cada um de nós um humorista em potência. A mera descrição de Miguel Relvas a produzir reflexões no “clube dos pensadores” ou a presença num auditório universitário para controlar, desculpem, imaginar o jornalismo em 2033 pode dar origem a risos incontidos.

 

Sabemos que entre 1969 e 2013 existem muitas diferenças. Em 1969 existia ditadura, guerra colonial e emigração. Em 2013 existe democracia de baixa intensidade, austeridade e emigração. Em 1969, o governo agia impunemente e tinha uma Constituição antidemocrática que, no essencial, respeitava. Em 2013, o governo procura agir impunemente e tem uma Constituição democrática que, no essencial, desrespeita. Em 1969, os portugueses não tinham liberdade de expressão. Em 2013, quando a dirigem contra o governo este diz que está a ser vítima de um ataque à sua própria liberdade de expressão.

 

“É inaceitável que um ministro seja interrompido”, disse o cortês Santos Silva. Francisco Assis escreveu no Público que a interrupção a Relvas configura “uma violência incompatível com o primado da liberdade”, pintando um cenário feito de sangue, suor e galeras. O homem que, nesta mesma semana, defendeu que o PS deve num futuro próximo aliar-se à direita, seu encosto natural, mostrava-se assim preocupado com a ameaça feita pelas turbas ululantes à democracia liberal. Essas malditas turbas ululantes que não sabem respirar fundo e esperar pacientemente por 2015, altura em que poderão ser responsáveis e votar na alternância devida.

 

A JSD, por sua vez, condenou a “perseguição” aos pobres ministros que assim não têm meios para conseguir trabalhar. E a política deles é o trabalho, mesmo que ele por cá esteja em vias de extinção. O líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, lamentou que a democracia tenha sido “abalroada”, confundindo o cantar da Grândola com o empobrecimento induzido e os ataques sistemáticos aos direitos constitucionalmente consagrados. Mais confiante, o governo limitou-se a informar que nenhum ministro se encontra na clandestinidade. O povo que não pense que isto volta a 1969. Andar a grandolar os governantes é assim a modos que fascista.

 

Claro que ninguém impediu Relvas de falar – a não ser a senhora da TVI que o aconselhou a abandonar a sala ainda o canto não tinha chegado “à sombra da azinheira”. Claro que os estudantes não tentaram agredir Relvas – e tiveram-no encurralado. Claro que o governo continua a dispor do maior megafone de todos, e que portanto falar de ataque à liberdade de expressão de um ministro vaiado é não ter sequer consideração por quem sofreu e lutou para que ela fosse uma realidade. Claro que a democracia é o governo do povo para o povo e que a legitimação dos governantes deve ater-se àquele princípio. Há muito posto em causa, como sabemos.

 

Ao contrário do que crê o senso comum liberal, a minha liberdade acaba onde a do outro acaba também. E é precisamente por isso que este governo é tão perigoso. Porque ao assumir uma política em que o desemprego, a precariedade e os cortes nos rendimentos são uma escolha e um suposto remédio, destrói o eixo central da autodeterminação da grande maioria dos indivíduos, o seu salário. Porque ao atacar o Estado social corrói o mecanismo que, apesar das suas insuficiências, confere um patamar mínimo de dignidade e assistência às cidadãs e aos cidadãos. Porque ao rasgar a Constituição, ao desconsiderar a palavra dita de véspera e ao evocar a existência de um “estado de excepção” – que mais não é do que a imposição do programa revanchista e classista que a direita lusa sempre sonhara para o país – este governo é o maior inimigo da democracia. Ou seja, da palavra liberdade declinada no plural. Até serem abalroados, que nenhuma Grândola lhes fique por cantar.

 

Publicado inicialmente no esquerda.net

Os inspectores de Relvas

Daniel Oliveira, 21.02.13

"Aos incautos que não têm mais nada que fazer na vida e andam a espalhar que eu estive no ISCTE e sou assessora do PCP: não estive no iscte mas numa distribuição subversiva no cais do sodré (nem sabia sequer o que se estava a passar) e não sou assessora do PCP. Sou militante, e então? Mas também sou advogada e terei todo o gosto em responder à altura." Lúcia Gomes (https://www.facebook.com/gomes.p.lucia)

 

"Os diligentes assessores do governo e seus jornalistas andam a identificar quem esteve no ISCTE no dia em que Relvas ia falar sobre o futuro do jornalismo. Tentando identificar-me como assessora do Bloco de Esquerda. Tenho apenas três informações curtas a dar aos investigadores: Há meses que não sou assessora de coisa nenhuma e estive de facto no ISCTE. Porquê? Porque sou aluna do ISCTE. E tenho uma característica que o ministro Relvas terá dificuldade em compreender: frequento as instalações da faculdade onde estudo." Margarida Santos (https://www.facebook.com/margarida.santos.9421)

 

Esperemos que agência de comunicação de Relvas esteja agora satisfeita e abandone um estilo pidesco que, apesar de não espantar, não lhe fica bem.

Fábrica de plásticos procura Nobel da química. Salário mínimo garantido.

Daniel Oliveira, 21.02.13

 

 

O site do Instituto de Emprego e Formação Profissional para a procura de emprego é um cofre de pérolas. Que diz muito do delírio em que vivem alguns empregadores no tempo das vacas magras. Não fosse a sério, algumas das propostas dariam para rir. Veja-se esta (está difícil ir ao NetEmprego):

 

Uma empresa procura alguém para intérprete em negócios com outros países, sobretudo o Irão. Viagens periódicas, secretariado, desalfandegamento, tradução,  atualização de base de dados e páginas de web e tarefas contabilistas. Ou seja, uma espécie de faz tudo. Pede, como condições para aceder ao emprego de secretário-programador-contabilista-desalfandegador-gerente de página-tradutor-vendedor pouca coisa:  facilidade de trabalho em ambientes linux, redes de comunicação, bases de dados e web; que seja nativo persa/farsi, fluente em inglês e português; que tenha conhecimentos avançados em alemão, espanhol, italiano e mandarim; que tenha fácil acesso ao Irão, que tenha habitação em Teerão; que tenha contactos comprovados com empresas de peles, especiarias e material electrónico e informático; tem de ter conhecimentos de programação de aplicações (Java, C, C#, CB), conhecimentos de bases de dados (Oracle, MYSQL, H2, MONETDB, MONGO), conhecimentos de design web (HTML, CSS3, AJAX, JQUERY, PHP, PHOTOSHOP, AI, FW), conhecimentos de redes de comunicação (TCP/IP, UDP, VOIP, IPV4, IPV6), conhecimentos de normas ISO9000, ISO9001 e sua implementação dentro da organização e conhecimentos de contabilidade a nível internacional.

 

Pode ser difícil fundir numa só pessoa o Steve Jobs, o Américo Amorim, o Henry Kissinger, o chefe de gabinete da Casa Branca e papa João Paulo II. Mas quem conseguir tem a vida feita: um contrato de seis meses com o ordenado de 485 euros. E, não esquecer, um subsídio de refeição de cinco euros por dia. Não sei se este anúncio é uma brincadeira. Se é, está bem esgalhada. Mas não deixa de ser interessante que o IEFP dê publicidade a piadas de mau gosto.