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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Os três sportinguistas

Daniel Oliveira, 07.11.10
O confronto entre o Porto e o Benfica deixa sempre os adeptos do meu clube numa situação difícil. Há, perante isto, três tipos de sportinguistas: os tácticos, os automáticos e os éticos Os tácticos fazem contas. Estão contra o que estiver melhor na tabela ou mais ameaçar uma determinada posição do seu clube. Os automáticos estão sempre contra o Benfica. Os éticos, a não ser que razões pragmáticas ditem o contrário, estão contra o Porto.

O Benfica é seguramente o principal adversário do Sporting. O mais irritante dos adversários, na verdade. Fanfarrão por natureza. Vivendo à sombra das glórias passadas, sem que o presente pouco brilhante perturbe a sua injustificada autoconfiança. E estão, para os sportinguistas de Lisboa, demasiado próximos. São vizinhos, amigos, familiares. São eles que nos dizem, contra todas as evidências, que apoiam o maior clube do Mundo.

Mas, ainda assim, incluo-me seguramente na terceira corrente, muito minoritária entre os sportinguistas. Porque o Porto não é um adversário. É, com a bonomia e ausência de ódio que o futebol exige, o que de mais próximo há de um inimigo. Contra o Benfica move-nos o futebol. Contra o Porto move-nos a civilização contra a barbárie. Os portistas não são nem melhores nem piores do que os outros. Mas a sua direcção é de natureza diferente. Move-se pelo tráfico de influências, a batota e métodos inaceitáveis num Estado de Direito. Baseia a sua paixão num bairrismo provinciano, que se mistura facilmente com o ressentimento contra Lisboa.

Por isso, e sem sequer me dar ao trabalho de fazer contas, estarei pelo Benfica este fim-de-semana. Por mais que isso choque os que, sportinguistas como eu, ainda vivem de rivalidades antigas.

Publicado no Record

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