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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Ou sim ou sopas

Daniel Oliveira, 23.11.10


Se um ministro fala demais os mercados ficam histéricos. Se se cala ficam ansiosos. Se os eleitores, na sua livre escolha, elegem um governo que resolva defender os direitos dos cidadãos, ficam revoltados. Se um governo decide que os especuladores vão pagar impostos, ficam aborrecidos. Os mercados, sempre hipertensos, transformaram-se num excelente álibi para todos os abusos e todas as injustiças.

E como aceitamos que o poder absoluto dessa entidade semi-religiosa e castigadora, estamos a transformar as nossas democracias numa bolsa de valores, onde os jogadores ocuparam o lugar dos cidadãos. Não, já não aceitamos apenas a economia de mercado. Vivemos numa sociedade de mercado, dominada por uma cultura de mercado e regulada por uma democracia de mercado.

Só que, lamentavelmente para os que acreditam que o homem nada pode quando o Deus Mercado acorda mal disposto, ainda é quem produz que faz o mundo rodar.

Amanhã, os que produzem vão recordar ao poder político que também existem. Que também ficam histéricos, ansiosos, revoltados e aborrecidos. Por um dia, mostrarão ao poder político e económico que também querem contar naquilo a que ainda chamamos, por facilidade, de democracia. Para muitos, fazer greve será uma decisão difícil, que pode pôr em perigo o seu emprego ou a promoção esperada. Para outros, um acto que pode parecer inútil. Mas de nada servirão os resmungos quotidianos contra os políticos que tão mal nos têm governado se não formos coerentes. Amanhã veremos se os portugueses falam a sério quando dizem que estão fartos de pagar as crises que não provocaram. Ou sim, ou sopas.

Publicado no Expresso Online

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