Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010
por Sérgio Lavos

 

A chegada do novo Arrastão, mais populoso, airoso e diversificado, trouxe o caos a muitos leitores e a gente de passagem. Todas as questões, opiniões e críticas estão a ser apreciadas, e não se duvide de que analisaremos com mais cuidado as propostas dos comentadores. Aliás, ao contrário do Governo, não entramos em devaneios e não negamos as dificuldades: não está ainda tudo afinado, admitimos (mas o Governo certamente não deixará de afirmar que "o país viveu uma greve tranquila").

 

Quem entrou em delírio parece ter sido a direita blogosférica: de um momento para o outro, Sócrates tornou-se um indivíduo respeitável e esforçado que parece conduzir o país ao rumo certo. Será isso, ou então a momentânea loucura foi provocada pelo medo dos que assumiram o discurso da "responsabilidade" e pararam durante um dia para mostrar ao Governo que deve parar com a irresponsabilidade do PEC3 e dos que aí se avizinham. E por falar em Governo, parece que a outra cabeça da hidra, o angustiado Pedro Passos Coelho, ainda agora está a tentar perceber se o Orçamento tem dedo do PSD ou não - imagino que ninguém o terá avisado que houve um acordo entre os dois senhores de cabelo branco aqui há umas semanas. O que faz dele, no mínimo, aquilo que em linguagem jurídica se chama "cúmplice de um crime". Eu até posso "compreender" a angústia dele; é uma zona cinzenta, esta: será que o povo gosta de mim a aderir à greve ou preferem que eu fique em casa pesarosamente angustiado? E, no fim de contas, o "Orçamento é "do Governo". Em tempos, parece-me que Pilatos passou por um dilema semelhante, resolvido do mesmo modo, sem rebuço.

 

Amanhã, espera-se um regresso à normalidade: a direita voltará a achar que o primeiro-ministro é a Besta, o sinal dos fim dos tempos; que os mercados (apesar da chatice da Irlanda e do problema da Islândia) são a salvação para todos os males do mundo; e que Pedro Passos Coelho é aquilo que talvez poderia ser, acaso fosse ele diferente da maneira que pode ser, dando-se o caso de não ser aquilo que verdadeiramente é. Passos Coelho, esse, persistirá o seu caminho, aprovando a continuação dos grandes projectos de obras públicas num dia e criticando o "Orçamento" do Governo" no outro; Sócrates continuará a nadar ao largo, longe da vista, tentando convencer o país de que nada disto é culpa dele; e Cavaco, claro, não nos esqueçamos, irá certamente dedicar-se a aprimorar as únicas qualidades unanimemente reconhecidas: estar calado quando deve falar e falar quando deve manter o silêncio.

 

Quanto ao Arrastão, tudo será melhor, prometemos.

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Eduardo Mota
Série belíssima... Está lá tudo. Apesar de já ter 30 anos continua tão actual como se tivesse sido filmada ontem em Portugal ou em Inglaterra.

deixado a 25/11/10 às 01:10
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