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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Está disposto a abdicar de parte do seu ordenado para financiar o seu futuro despedimento?

Sérgio Lavos, 15.12.10

 

 

Segundo a ministra do Trabalho, parece que o financiamento do tal fundo para pagar as indemnizações do trabalhadores despedidos (ou, em politiquês, "reestruturação empresarial") vem, pelo menos em parte, do salário dos próprios trabalhadores. Na conferência de imprensa, a jornalista não percebeu o que tinha acabado de ouvir, pois perguntou novamente se não seriam os patrões a pagar esse fundo - o que, diga-se, é sintomático da mentalidade de alguns jornalistas, mais preocupados com o bem-estar e a felicidade de quem "reestrutura" do que com a pobreza de quem é despedido. A ministra sorriu e lá reforçou que esses encargos não serão suportados pelos patrões nem pelo Estado. Sim, é verdade, quem sobra são os trabalhadores. Belíssima ideia. Pode-se mesmo afirmar: a autêntica quadratura do círculo. Ao ordenado dos trabalhadores é descontada uma parte para financiar uma futura - e hipotética - indemnização em caso de despedimento. Veremos o que sairá daqui, quando chegarmos às negociações com os outros parceiros sociais. Mas lá que começa bem, começa.

 

(Comunicado de imprensa aqui.)

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