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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A sensatez do "mínimo" é mais do que a sensatez do "mínimo"

Miguel Cardina, 28.12.10

Afina-se o ouvido nesta estação do ano e descobrimos que existem muitos Vascos Pulidos Valentes em potência. Com menos talento literário mas com o mesmo discurso entre o "estou farto da piolheira" e "a culpa é dos políticos". Isto faz-nos lembrar que a função da esquerda nestes tempos também tem de ser pedagógica. Ou "sensata" e "defensiva", como escreveu Tony Judt no seu último livro. Porque, não obstante alguns pressupostos distintos, entre a social-democracia e o socialismo existe sobretudo uma diferença de intensidade. Na demissão dos social-democratas (que em Portugal estariam num partido dito "socialista") compete à restante esquerda defender as conquistas materiais trazidas pela social-democracia histórica. Pode não parecer, mas elas são um pozinho de socialismo numa sociedade cada vez menos solidária. O resto - fazer com que o socialismo não seja apenas um remake da social-democracia histórica - é importante e é preciso ir reinventando a cada momento, a cada proposta. A par da defesa dos serviços públicos é preciso coragem para elaborar desenhos fiscais que não deixem de fora sectores que acumulam lucros avultados (como os bancos, que pagam em média 5% de IRC). A par da defesa das políticas de solidariedade (subsídio de desemprego, rendimento social de inserção, pensões) é preciso clamar por uma mais justa repartição da riqueza. A par da defesa da legitimidade da democracia representativa é necessário pugnar pelo alargamento das esferas de participação. A questão dos tempos é que o retrocesso a que assistimos (e que tem condições para crescer) faz com que tenhamos de fazer as coisas exactamente assim: "a par". É que perder a batalha ideológica sobre a sensatez do "mínimo" trará tudo menos vitórias.

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