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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Notícias da frente vermelha

Sérgio Lavos, 09.02.11

 

De entre o conjunto de teorias que foi sendo debitado, desde o início da época, para o mau campeonato do Benfica, nenhuma fez tanto sentido como a que afirma que, muito simplesmente, o Porto começou melhor, mais preparado. É verdade; mas como em tudo, este começo apenas se evidenciou porque o mau começo de época do Benfica foi realmente mau, com três derrotas nos quatro primeiros jogos. Também pouco interessará saber qual a razão da derrapagem inicial: poderia afirmar que o peso das arbitragens medíocres foi demasiado grande nos jogos contra o Guimarães e Nacional - foi, sem dúvida que foi - mas não devemos esquecer que qualquer grande equipa deverá saber ultrapassar as dificuldades impostas pela mediania arbitral, mesmo no caso extremo da arbitragem portuguesa. Também não serei favorável a falarmos da passadeira estendida nestas primeiras jornadas ao FCP; cada qual com o seu mal, e tudo somado teremos ficado a perder mais com o desacerto gravitacional de Roberto e as flutuações do ego de David Luiz do que com as quedas dos adversários na grande área do FCP não sancionadas pela maravilhosa estirpe de juízes que coube em sorte ao pontapé na bola luso.

 

A verdade é que, chegados a Fevereiro, o Benfica, não precisando de jogar muito mais do que na época passada, é neste momento a melhor equipa do campeonato. A distância cavada será um seguro que o FCP terá enquanto durar, e seria preciso uma irreprimível tendência suicida para que os oito pontos não fossem suficientes para manter o rumo certo. Então, como se explicam as exibições desastrosas da equipa "maravilha" do primeiro terço do campeonato? Uma descida à terra? O nervoso miudinho do "miúdo"? Apenas a melhoria do Benfica? A explicação passa por estes factores, mas vamos lá ver as coisas como elas são: nos jogos do FCP que eu vi esta época, não assisti a nenhuma maravilha. Foi ganhando, claro, com eficácia e alguns fogachos de Hulk e Falcao, uma eficácia fundada na força do meio-campo, no esforço de João Moutinho e no ocasional rasgo de Bellushi. Mas brilho, nem vê-lo. A meio da época, e passado o hara kiri precoce do Benfica, a realidade começa a bater à porta do Porto. Neste momento, de nada valem as quinze vitórias internas do Benfica, apesar de tudo. Repousa o desfecho deste campeonato nas mãos do miúdo Villas-Boas e na almofada de confiança que resta: os oito pontos de distância. Quanto ao resto, foi quase tudo pelo cano: a Taça menor, a Taça maior, o impulso inicial.

 

Jorge Jesus, depois da lição peixotiana, provou que é um projecto a longo prazo. E enquanto a direcção continuar a acertar nas contratações - sim, Gaitán poderá valer muito, sim, Jara é um misto de Lisandro Lopéz e Tevez, sim, Salvio tem de ser comprado - temos equipa. Ao cuidado do sr. Pinto da Costa e sus muchachos.

 

*A fotografia fofinha de Peixoto deve-se ao respeito que ele me merece enquanto homem, sujeito à provação de jogar semana sim semana não ao som dos assobios vindos das bancadas do Estádio da Luz. Não é para todos.

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