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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A arma das periferias

João Rodrigues, 30.03.11

 

 

Renegociar dívida antes que seja inevitável pode ser solução. Vale a pena ler o oportuno trabalho de Ana Rita Faria, até pelo pluralismo da opinião económica auscultada, de “vários quadrantes ideológicos”, onde se incluem os economistas José Reis e José Castro Caldas. A reestruturação é uma ideia em que temos insistido e que vai fazendo o seu caminho devido à insustentabilidade da combinação de pressões de mercado e de políticas de austeridade recessivas, geradoras de quebras de rendimentos e de mais desemprego. Uma ideia que tem de fazer parte da agenda de uma aliança de países periféricos apostada em mudar os termos de uma integração europeia transformada num programa do FMI. No entanto, e como sublinhou o relatório do Research on Money and Finance, há uma diferença, que aliás separa os economistas dos vários quadrantes, entre uma reestruturação da dívida liderada pelos credores e uma reestruturação liderada pelos devedores. Uma coisa é certa: ou a periferia se une ou a periferia é destruída pelas regras definidas pelos credores. Realismo sem moralismos. Aliás, a ameaça da reestruturação por parte da periferia, mesmo quando feita por um país isolado, como a Irlanda, espevita sempre a imaginação de quem comanda a (des)união. O objectivo é mesmo esse. Não há inevitabilidades neste campo. O problema português, claro, é que o bloco central só pensa em agradar a Merkel…