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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Tempos Interessantes

Miguel Cardina, 02.04.11

Vivemos tempos conturbados. Ontem estávamos imersos numa crise financeira que abalava os alicerces do sistema económico e punha a nu a irracionalidade especulativa que lhe preside. Hoje o discurso centra-se nos défices dos Estados e nas dívidas públicas, fortalecendo uma nova lógica de acumulação que tem como alvos preferenciais os direitos de quem trabalha e as prestações sociais. Observámos como nos meios de comunicação o discurso austeritário se foi impondo, com pouco contraditório e muito apelo ao inevitável. Isso mesmo levou à redacção de uma Petição pelo Pluralismo de Opinião no Debate Político e Económico, que recebeu esta semana uma resposta da ERC, considerada insuficiente pelos promotores. Que por isso ripostaram.

 

Agora, apesar do período eleitoral que se avizinha e que dará espaço aos partidos para apresentarem as suas propostas, é muito provável que se aproxime um novo ciclo de condicionamento ideológico. É preciso "honrar os nossos compromissos", "ouvir os credores", apascentar a nervoseira dos mercados, “eliminar a gordura do Estado”, falar de "ajuda" e "resgate". É também preciso esquecer os caminhos que se trilharam e as opções de fundo subjacentes. Se as eleições são momentos em que os cidadãos são chamados a escolher, convém que saibam que a sua voz pode ser parte de uma alternativa. É isso que se propõe fazer o Portugal Uncut, um movimento inspirado no UK Uncut, e que promete contestar na rua e nas redes sociais a lógica injusta dos “cortes”: aquela que ataca os serviços públicos e penaliza a grande maioria da população ao mesmo tempo que iliba da carga os bancos, as grandes empresas e as classes mais altas. Em linha semelhante foi a acção do movimento «E o Povo, pá?» em sedes no BPN no passado dia 28. Esta é a hora de colocar em xeque o extremismo do centro.

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