Quarta-feira, 20 de Abril de 2011
por Daniel Oliveira

 

 

Otelo Saraiva de Carvalho presenteou-nos com mais uma das suas frases de efeito: se soubesse o que sabe hoje não teria feito o 25 de Abril. Três coisas rápidas:

 

A primeira: o 25 de Abril não foi uma prenda de Otelo aos portugueses. Foi obra de muitos outros militares. E foi obra dos portugueses. A democracia não nasceu num dia. Foi construída. E foi construida e defendida por nós. Se ele não tivesse comandado as forças revolucionárias outros o fariam no lugar dele.

 

A segunda: isto não acabou assim. No meio, erguemos um serviço nacional de saúde que, com todos os seus defeitos, até está entre os melhores do mundo; alfabetizámos, construísmo a escola pública, democratizamos o ensino superior; garantimos uma segurança social universal; acabámos com a censura; deixámos de ter presos políticos; abrimos Portugal ao Mundo; e, para o mal ou para o bem, defendemos sempre a nossa democracia, com liberdade e pluralismo. Se Otelo faz um balanço negativo, ele lá saberá o que esperava da revolução.

 

A terceira: não me parece que se a revolução não tivesse acontecido estariamos melhor neste momento. Que tenha de haver gente a explicar isto a Otelo Saraiva de Carvalho só demonstra que o que lhe sobrou em coragem sempre lhe faltou em inteligência política, como se foi notando pelo seu percurso tão repleto de asneiras.

 

A ser verdade este súbito sentimento de Otelo, talvez seja altura de abandonar a parcimónia com que nos dirigimos a ele e dizermos de uma vez por todas o que muitos de nós sentimos demasiadas vezes: se soubéssemos que Otelo seria o que foi depois da revolução também teríamos preferido que tivesse sido outro a comandar as operações no dia 25 de Abril de 1974. Não precisávamos de ir longe. Bastava procurar entre alguns dos militares que o acompanharam naquele dia. De Salgueiro Maia a Melo Antunes, nunca faltou quem provasse ter muito mais sabedoria com muito menos fanfarronice

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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47 comentários:
José Dias
Há quem se ponha a jeito pelo silêncio. Otelo gosta de se por a jeito por falar. Subscrevo a tua posta e a carta da Manuela Cruzeiro no Entre as Brumas da Memória. Cidadão José Dias

deixado a 20/4/11 às 11:20
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"A terceira: não me parece que se a revolução não tivesse acontecido estariamos melhor neste momento."

A revolução trouxe-nos a liberdade, e esse é um bem inestimável. Só por isso, a revolução valeu a pena. Mas a verdade é que seriam expectáveis resultados bem melhores. Ganhamos a liberdade mas passamos a ser pior governados. Ficamos com a tralha socialista colada na constituição. A revolução de Abril é sobretudo uma oportunidade perdida, em vez de seguir o exemplo do mundo civilizado continuamos agrilhoados a ideologias do século passado, ou melhor, de dois séculos passados. O resultado está à vista.

deixado a 20/4/11 às 11:34
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SMD
"Ganhamos a liberdade mas passamos a ser pior governados..."
O problema é mesmo esse... deixamos de ter um paizinho mas queriam outro paizinho, de preferência um dos bons... isso não existe.... não é possível entregar o trabalho de todos para uns quantos... a democracia dá trabalho... e nós preferimos não trabalhar...

deixado a 20/4/11 às 14:54
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A revolução de Abril foi muito importante para eliminar "aqueles" fascistas mas, infelizmente, deixou o estado para ser pasto de comunistas, socialistas e outro tipo de traidores e ignorantes que não descansaram de roubar o dinheiro dos pobres até chegarmos a este estágio.

deixado a 20/4/11 às 19:24
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André
Concordo com tudo. Só acho que o seu texto fica ensombrado pelo erro de conjugação do verbo "presentear" logo na primeira frase. É "presenteou-nos" e não "presentiou-nos". Confira http://www.conjuga-me.net/verbo-presentear (http://www.conjuga-me.net/verbo-presentear)

deixado a 20/4/11 às 12:03
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Nuno
O Otelo é mais um que apenas olha aos interesses próprios e dos seus associados. Em pouco difere dos Mários Nogueiras ou Varas deste país.

Ele já nos presenteara com aquelas declarações dos "800" (que passaram em claro, não sei se pela irrelevância do senhor, ou outra razão), e de como a revolução foi feita, e poderá voltar a sê-lo, por militares...

deixado a 20/4/11 às 12:14
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José
Excelente.
Muitas vezes confunde-se quem lutou contra o antigo regime com quem lutou pela democracia. Muitas nem sempre há coincidência.
Não sei se é o caso do Otelo. Mas é o caso de muitas pessoas do PCP, por exemplo. Apesar da coragem ao lutarem contra o antigo regime, não ambicionavam a democracia, mas outro tipo de ditadura.

deixado a 20/4/11 às 12:15
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repita comigo Daniel:


25 de Novembro sempre, comunismo e fascismo nunca mais.

deixado a 20/4/11 às 12:18
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ppp

Caro sub-reaccionário mor (ainda está bastante abaixo do tonibler, mas empatado com o fado alexandrino), afirmar isso é como afirmar:

"11 de Setembro sempre, neoliberalismo nunca mais"

E eu não concordo com esta frase, porque apesar de ter sido um ataque aos budas mundiais dessa doutrina, no fundo só permitiu que pudessem vingar ainda mais as suas práticas, quer a nível militar, social, ou económico.

A sua frase começa por pecar ao dar a entender que o comunismo existiu em portugal (pois, tá bem, mas para lá caminhava, claro, pois), e depois porque a função do 25 de novembro de dar fraternidade e prosperidade ao povo falhou redondamente, e naquilo que se sente, e que se pode resumir numa frase do Sérgio Godinho: "somos tantos a não ter quase nada, porque há uns poucos que têm quase tudo".

O 25 de Novembro não acabou com a vampiragem que o grande Zeca cantava, e isso deixa-o satisfeito - o que é nojento.

Eu trocava por:
"«data a anunciar» sempre, neoliberalismo socialista/comunista/social-democrata/fascista NUNCA MAIS!"


Vendido !!!!


Vamos acabar com os "ismos" !!!


Viva a liberdade ! Viva Portugal !


P.S-. - A data a anunciar fica ao seu cargo. Eu alinho  nesta demanda sem qq mas nem porquês.


ppp

Boa! Bora lá!

Isto vai ser bem complicado, por isso vai ter de ser em várias datas

- 1ª data: 5 de Junho de 2011, não votar PSD, PS, nem CDS

"5 de Junho sempre, neoliberalismo NUNCA MAIS!"

Nunca pensei fazer a luta consigo, estou mesmo muito entusiasmado

ps. alto lá António, espero que continue sem porquês, isto chegou a este estado pela mão destes 3 partidos, vamos acabar com os ismos ou não? o neoliberalismo é um ismo ou não é?

deixado a 21/4/11 às 01:08
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Esse Zeca não terá 75 mil milhões de euros para nos emprestar, não? Isso é que era cantar...


"Pirralha...eu?"

Toni…amiba ou ameba


As unhas que esse Zeca cortava e iam para o lixo tinham uma dignidade que te está interdita.


 Se lhe queres pedir 75 mil milhões de euros, suicida-te fisicamente e vai pedir-lhos.


Moralmente, talvez tenhas nascido, mas já morreste e se ninguém te deu a notícia, eu assumo a responsabilidade de o fazer.


Senhor, dai eterno descanso aos anti-neurónios do Toni…coiso, que descansem em paz, Ámen.


Cristina


deixado a 21/4/11 às 19:12
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Tino the Kid
Vai para as desertas e forma lá uma comunidade só de ti........


Quem será que está mais afastado da realidade ?


Eu ou tu ?

deixado a 20/4/11 às 18:04
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Quem pode confirmar seguramente que este Cunha não é  atrasado mental? Este gajo existe??:)

deixado a 21/4/11 às 00:34
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Como diz o Mick Jagger: quem não tem a sorte de morrer novo e belo, tem de envelhecer...

O decadente Otelo já nem merece que se perca um segundo a pensar nas baboseiras com que ainda teima em presentear-nos.


Demitiu-se definitivamente de herói nacional e Militar de Abril: o meu sincero muito obrigado.


Agora volte lá à sua vidinha e deixe-nos em paz para todo o sempre. Não terá nenhuma multidão no seu Funeral, é a única certeza com que pode morrer.

deixado a 20/4/11 às 12:21
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José Peralta
Totalmente de acordo, Daniel Oliveira !

deixado a 20/4/11 às 12:48
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da Maia
A lógica da extrema-esquerda no seu pior:
- a anulação do indivíduo pelo colectivo.


Vamos lá anular Otelo, porque Otelos há muitos, seus palermas. Aliás a prova disso é que tanto podia ter ocorrido a 16 de Março - quem era o comandante de operações nesse dia, sabe? - como se não fosse no 25-A era noutro dia qualquer.


E a operação correu bem, não houve banho de sangue, e ao fim de um dia estava tudo resolvido. Se não fossem aqueles, tinham sido outros, e até haveria melhores, não é?
Pois é, como se costuma dizer:
- Se a minha avó tivesse rodas, seria uma bicicleta?


Otelo poderia ter dito qualquer coisa de mais radical, do género: "se calhar o Campo Pequeno...". Porém, falou na sua contribuição pessoal, colocando-se no papel que lhe deram.
Constatou uma falha dos objectivos de Abril, com que certamente Salgueiro Maia estaria de acordo. Não é o único dos envolvidos a fazê-lo.


Mas não há nenhum problema democrático, pois não? É tudo muito limpinho... e tem o teste do algodão certificado pelo INE?


Estamos melhor do que em 1974... pois era melhor que não estivéssemos! 
Se continuar com esse "notável raciocínio", perceberá que em 1974 também estávamos muito melhor do que em 1944.


Costumava ser assim... com espaço de 30 anos as coisas melhoravam muito, o que agora arriscará a deixar de ser verdade.


Não interessa que Otelo tome sua a indignação de muitos? 
Já não interessava em 24 de Abril... o regime era outro, mas sempre houve quem escrevesse a favor do regime, e a quem não fosse dada a hipótese de escrever contra ele! 

deixado a 20/4/11 às 12:53
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Só nesse país é que se dá palavra a um terrorista como o Otelo.

deixado a 20/4/11 às 12:59
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