Quarta-feira, 20 de Abril de 2011
por João Rodrigues

 

As declarações com laivos keynesianos de Strauss-Kahn e os alertas de alguma investigação do FMI, a que temos aludido, sobre as consequências económicas negativas da austeridade, sobre a responsabilidade da desigualdade elevada no desencadear da crise ou sobre a eventual necessidade de controlos de capitais para desencorajar a especulação nos países em desenvolvimento, não devem iludir, como sublinha Mark Weisbrot no The Guardian, a questão dos interesses que comandam as operações concretas do FMI, que têm acabado sempre por convergir com a máxima ortodoxia da CE-BCE por essa Europa fora: acima dos governos do centro só mesmo a Goldman Sachs, a "bancocracia" de que fala hoje Rui Tavares no Público, não sendo aliás por acaso que o inefável Borges foi colocado a chefiar a secção europeia da internacional monetária.

 

O economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, que agora até defende condições financeiras mais realistas nos empréstimos às periferias que vão para os credores, é há muito um dos mais entusiastas defensores de cortes, na ordem dos 20%, dos salários no nosso país. Assim se explica o relaxamento com o desemprego e a obsessão com as regras laborais. Uma prescrição para o desastre da interacção perversa entre deflação e dívida, com muita insolvência e fragilidade financeira à mistura. Entretanto, quem quiser sair deste quadro de terror socioeconómico e ter uma perspectiva mais realista sobre problemas de competitividade das periferias pode ler este artigo no voxeu, que revela o que se esconde por detrás dos custos do trabalho e sobretudo do capital…

 

Publicado no Ladrões de Bicicletas


por João Rodrigues
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6 comentários:
João,

Se juntarmos ao grande economista Antonio Borges, a grande economista Estela Barbot, podemos aferir da qualidade dos quadros do FMI que vão salvar Portugal???


 

deixado a 20/4/11 às 23:07
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JMG
Fui ler o paper - o que eu não faço para ser agradável - e aprendi que diminuindo os salários diminui a procura, facto que tem passado um tanto despercebido; e que, diminuindo a procura, diminui o produto, conclusão a que só a argúcia dos autores permitiu chegar. Sobre dívida externa não li nada: parece que se o produto crescer a dívida externa não interessa nada, porque entretanto basta conceber e fabricar Porsches. E isso sucede se a legislação for a adequada - o BE está a preparar um Projecto-Lei nesse sentido, já para a próxima Legislatura.

deixado a 21/4/11 às 00:26
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Joao
Mas o problema não se pode resumir apenas ao custo do trabalho ou capital, ou até, e bem visto, o tipo de item exportado.


O elevado peso do estado nas contas nacionais é, e será, sempre insustentável. Em portugal não há capital disponível para expandir para produtos mais adequados, porque o estado o consome todo, seja para iniciativas de investimento incorrectas, seja para fornecimento de serviços em excesso ou uma tentativa de se substituir por inteiro por um mercado de trabalho. Quando se tem um estado que paga, em média por trabalhador, melhor que o privado, as contas vão dar sempre mal... Ou pode-se continuar a defender um estado consumidor de metade dos recursos de um país (estado esse que não produz nada para exportar), só não dá é para continuar a ser realista ao mesmo tempo...

deixado a 21/4/11 às 00:33
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João Tomas
Embora  Estado pague acima das suas possibilidades (o PIB é um indicativo) não devemos perder de vista a divida privada que é muito maior.Serviços como o Ensino,e Saude não podem ser sacrificados para prejuizo dos portugueses e beneficio dos grupos financeiros... 

deixado a 21/4/11 às 12:41
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A.L.M.
Uma coisa é o Estado pagar acima das suas possibilidades, outra diferente é dizer-se que o Estado paga melhor do que o privado, porque não paga. Compare-se o nível de habilitações dos trabalhadores a trabalhar para o Estado, e o nível médio dos trabalhadores no privado. (isto sem sequer entrar aqui com o imenso número de tarefeiros a trabalhar para o Estado). O que se pode reclamar aí é, eventualmente, o número de trabalhadores que tem o Estado, e se isso pode ou não ser diminuído mas, sem uma iniciativa privada capaz de absorver trabalhadores, principalmente trabalhadores qualificados, nas mãos e gerida por uma classe empresarial maioritariamente pouco mais do que analfabeta, irá sempre ser muito difícil reverter a situação.

deixado a 21/4/11 às 23:55
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"não sendo aliás por acaso que o inefável Borges (http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2010/11/antonio-borges-ab-economista-neo.html) foi colocado a chefiar a secção europeia da internacional monetária"

Sim, para ser por acaso teriam ido a Coimbra e escolhiam o primeiro economista que pontapeassem na rua...

deixado a 21/4/11 às 12:05
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