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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Claro que Diogo Leite Campos não é aldrabão

Daniel Oliveira, 26.04.11

 

 

O senhor Diogo Leite Campos quer acabar com os subsídios - subsídio de renda ou abono de família - sem saber onde realmente gastam os beneficiários o dinheiro. Não deixa de ser um raciocínio económico estranho, já que a despesa - os filhos ou a casa - estão lá. Para resolver o problema, quer fazer como se faz com os mendigos: dá-se-lhes uma sandes em vez do dinheiro. Através de um cartão de débito e recorrendo a instituições de caridade, como "albergues" ou a "sopa dos pobres". A leitura de Oliver Twist, de Charles Dickens, pode ajudar a perceber o modelo social de Leite Campo.

Num excelente almoço organizado pela Câmara do Comércio e Indústria Luso Francesa, onde perorou sobre a pobreza, Leite Campos explicou que "quem recebe os benefícios sociais são os mais espertos e os aldrabões e não quem mais precisa".

 

Seria impensável eu dizer que o senhor Leite Campos é um "aldrabão". Longe de mim pôr em causa a honorabilidade de tão distinta figura. Os insultos, já se sabe, são coisa que deixamos para os miseráveis. O direito ao bom nome vem com o cartão de crédito e quem não o traz na carteira só pode deixar de ser suspeito se lhe derem um cartão de débito. Os pobres são, até prova em contrário, mentirosos. Como não insulto o senhor, fica apenas este facto: estando ainda a trabalhar, já recebe uma reforma do Banco de Portugal. Quando se retirar da Universidade de Coimbra, juntará o que recebe já hoje ao que receberá dali. Acumulará duas reformas vindas do Estado.

 

Seria um argumento "ad hominem" atacar o professor Leite Campos, competente fiscalista, por causa das suas duas reformas. Dizer que ele é "esperto" e que gasta recursos do Estado que podiam ir "para quem mais precisa". Espertos são os pobres que ficam com os trocos. Quem consegue acumular reformas por pouco trabalho é inteligente. Os pobres enganam o Estado, os outros têm direitos. Os pobres roubam o contribuinte, os outros têm carreiras. Fico-me por isso pelos factos: a reforma que o senhor Leite Campos recebe do Banco de Portugal resulta de apenas seis anos de trabalho naquela instituição.

 

Cheira-me que se a generalidade dos portugueses recebesse reformas, estando ainda no ativo, por seis anos de trabalho e as pudesse acumular com outras dispensaria bem o abono de família e até o cartão de débito para ir à sopa dos pobres.

Aquilo que realmente está esgotar o crédito da minha paciência é ver tanto "esperto" que vive pendurado nas mordomias do Estado a dar lições de ética aos "aldrabões" que recebem subsidios miseráveis. É mais ou menos como dizia o outro. Já chega. Não gosto de tanto cinismo. É uma coisa que me chateia, pá.

 

Sobre os subsídios, Leite Campos disse: "O dinheiro não é do Estado, é nosso. Quem paga somos nós. Nós, contribuintes, temos direito a ter a certeza que o nosso dinheiro é bem entregue. Eu estou disposto a pagar 95 por cento do que ganho para subvencionar os outros, mas quero ter a certeza que é bem empregue, e que não vai parar ao bolso de aldrabões". Sobre as escandalosas reformas do Banco de Portugal, faço minhas as palavras do vice-presidente do PSD.

 

Publicado no Expresso Online

4 comentários

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    Bolota 26.04.2011

    DO,

    Como é obvio incomodam-me este e outros Leites Campos que pululam por ai, mas incomoda-me muito mais deixar-mos que eles digam barbaridades destas sem que haja alguem que lhe tape a boca com uma palmada. 

    " Leite Campos explicou que "quem recebe os benefícios sociais são os mais espertos e os aldrabões e não quem mais precisa". "

    Peço-lhe que não censure, FILHO DA PUTA.

    Se ele soubesse o que era pagar a prestação da casa com um palmo de lingua de fora, pagasse a agua luz e gaz quase sempre com multas, aviar na farmacia uma receita e deixar a outra embora devessem os medicamentos ser tomados ao mesmo tempo, se calhar não falava assim.

    Estes Leites Campos no minimo deviam comçar a receber como os espertos e aldrabões.
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    Libertário 26.04.2011

    Eu por acaso até sei o que é não ter dinheiro para pagar a renda, a luz e a agua. Sei o que é não ter dinheiro para mudar os pneus carecas ao carro. Infelizmente também sei o que é ter vizinhos a viver à conta do RSI, com casa à borla e um carro à porta. Digamos que quando uma pessoa se esfola a trabalhar e vê os outros sem fazer corno e a viver na maior à conta dos impostos que pago me chateia um bocadinho. 
  • Sem imagem de perfil

    Bolota 27.04.2011

    Libertario,


    Se sabe o que é não ter dinheiro para pagar a renda, a luz e a agua, não parece...porque o seu comportamento é de burguês anafado. 


    Duas lhe garanto, se vizinho seu recebem o RSI é porque estão na merda. Como as coisas estão se não tivessem direito à muito que tinham deixado  do receber.


    Mas o libertario tem sempre a hipóteses de bufar do seu vizinho e assim resolver o problema. Não pode é reclamar do que stá a pagar para que os Leites Campos arrotem forte contra sim que ainda por cima
    sabe o que é não ter dinheiro para pagar a renda, a luz e a agua.


    Tenha é tino.


    Abraços 


    Uma coisa lhe garantosei o que é ter vizinhos a viver à conta do RSI


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