Quarta-feira, 27 de Abril de 2011
por Daniel Oliveira

 

Com a contenção cega (há outra, racional) da despesa pública, as empresas de transportes estão virtualmente falidas. Uma das medidas que pode vir aí é um acentuado aumento dos preços para os utentes.

 

Que fique claro que não acho que a gestão destas empresas esteja livre de críticas. Pelo contrário. A irracionalidade de muitos investimentos e a má gestão da coisa pública é evidente. Mas não valem comparações com o sector privado. Graças aos desastrosos contratos feitos a quando da privatização a retalho da Rodoviária Nacional e a absurdas concessões - em que o Estado garante que acaba sempre por ficar com prejuízo -, ele fica apenas com o filet mignon. Assim é fácil ter resultados. Ao Estado cabe mais do que isso, apesar de tantas vezes o ignorar. O problema não é o dinheiro que se gasta nas empresas públicas de transportes. Esse poderia ser traduzido em ganhos para a economia.  É pena esse dinheiro nem sempre ser gasto com eficácia.

 

O aumento dos preços dos transportes não é apenas socialmente insustentável. É economicamente irresponsável. Parece que vamos poupar, mas a decisão trará prejuízo. Cinco consequências óbvias:

 

1 - Desencoraja os cidadãos a usar os transportes públicos, daí resultando a continuação da utilização do transporte individual, que, para além de exigir a manutenção de infraestruturas mais caras, aumenta a nossa dependência energética. Consumir menos energia um imperativo económico (e ambiental). E transportes coletivos acessíveis são condição para esse objetivo nacional.

 

2 - Transportes coletivos mais caros aumentam os custos da distância, reduzem a competitividade de regiões mais isoladas, aumentam a pressão sobre os grandes centros urbanos e contribuem para o desordenamento do território. Os efeitos não se medem apenas em custos sociais - pobreza, segurança, saúde publica - que o Estado terá de pagar. Os efeitos económicos são profundos e duradouros.

 

3 - Mais carros nas ruas é mais engarrafamentos e mais tempo perdido. Mais tempo perdido tem efeitos na produtividade. Se o argumento da qualidade de vida dos cidadãos já não chega, que se tenha em conta este.

 

4 - Transportes mais caros aumentam os custos do trabalho. Ou ele se reflete nos salários - porque é mais caro ir trabalhar - ou, na ausência de poder negocial, esse custo é transferido para o trabalhador. Mas, seja quem for que pague, não deixa de ser um aumento do custo da mão de obra.

 

5 - Aumentando esta despesa - que para quem trabalha ou estuda não é dispensável -, reduz-se o dinheiro disponível para as famílias poderem poupar, agravando assim o nosso endividamento externo crónico.

 

Conclusão: o aumento dos preços dos transportes agrava todos os problemas que nos impediram de resistir a esta crise internacional. Tem efeitos negativos na competitividade, na produtividade, no crescimento e na poupança. Tem-se dito que temos governado sempre a pensar no curto-prazo e sem planear o futuro. Mas desse consenso nacional - talvez o único - não se tira nenhuma conclusão e repete-se o erro.

 

Diz-se muitas vezes que todos concordam no diagnóstico e que o problema são as soluções. Errado. O diagnóstico que tem sido feito é que Portugal tem um problema com as suas despesa e dívida públicas. E, dito isto, as medidas que se avançam destinam-se a resolver esse problema. Na realidade, como as contas públicas não vivem divorciadas da situação económica, que afeta as receitas, não o resolvem. Mas acontece que o principal problema do País não é de finanças publicas. A nossa dívida pública está, esteve quase sempre, na média europeia (ou abaixo dela). O nosso drama, aquilo em que nos distinguimos dos parceiros europeus, é a dívida externa, principalmente privada. Esse endividamento externo resulta de um modelo de desenvolvimento insustentável, de um crescimento anémico e de pouca poupança privada. E este é um bom exemplo de uma medida que agravará todos estes problemas estruturais.

 

O diagnóstico não está errado por ausência de conhecimento. Todos sabem dos números. É por teimosia ideológica de quem prefere ignorar a realidade e para alimentar um processo global de saque aos cofres públicos - os nossos sacrifícios ajudarão à recapitalização uma banca gerida com irresponsabilidade - que trabalhamos com base num diagnóstico enviesado do qual resultam medidas irracionais.

Não posso, por isso, deixar de sorrir quando se pede unidade nacional em torno dos sacrifícios que nos vão ser exigidos, quando desses sacrifícios não só não resultará a solução para os nossos problemas como, ao que tudo indica, eles se agravarão. Perante o precipício, pede-se unidade para dar um passo em frente.

 

O aumento do preço dos transportes é uma boa metáfora do suicídio a que nos vamos entregar. Daqui a vinte anos estaremos a lamentar a cegueira que agora nos guia. Como fazemos hoje em relação a muitas das decisões que tomámos há vinte anos. E então, como agora, muitos dirão que é tarde para chorar sobre o leite derramado. E então, como agora, iremos remendar os erros do passado. E assim continuaremos, de inevitabilidade em inevitabilidade, até à inevitabilidade final.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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80 comentários:
Tem a conta feita Daniel? Ou é, basicamente, fezada? É que os seus argumentos não são qualitativamente inválidos mas também não é aí que estão os argumentos contrários.  O problema está no quantitativo, tem as contas?

deixado a 27/4/11 às 11:10
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Rui f

O meu amigo Brasileiro dizia-te já: "larga de bestêra Toni".

Há algum país desenvolvido - em todos os sentidos - no mundo  que não tenha uma rede de transportes públicos eficaz e frequentada diariamente por milhões de utentes?
Ou o fracasso dos transportes públicos é apenas nesta parolice de país?


Pois, nós também não temos. E depois?

deixado a 27/4/11 às 22:14
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"Pirralha...eu?"

Toni… faz de conta


Afinal de contas, bichinho de conta podia ser o teu novo nick, pá!


Fezada pode ser o conjunto de fezes, que são a grande característica dos teus “cumentários”.


Apresenta tu as contas que justifiquem o teu banqueirismo-anárquico-monárquico.


Inválido é o teu neurónio básico, pá!


Crstina



JORGE SILVA
"...Fezada pode ser o conjunto de fezes, que são a grande característica dos teus “cumentários”..."



Já cá faltava a grosseira de serviço.
Mas afinal tu és professora de quê? De matemática? De educação cívica? Ou educação para a cidadania? Deves ser daquelas que ouve os alunos a chamar-lhes nomes e ainda acha que é pedagógico... e justifica o contexto eduquês.
Ya minha, tudo fixe?
O mês passado tive conhecimento de mais um professor que foi agredido numa escola portuguesa.

O actual regime no seu melhor! Viva o 25 de Abril + a geração rasca!


"Pirralha...eu?"

JORGE SILVA


O papel de virgem ofendido fica-te mesmo a matar.


E o de esquecido também te assenta bem.


Tu não és o mesmo JORGE SILVA que comenta nos posts sobre o futebol pois não, ou precisas de ser recordado?


Sobre a minha vida profissional, o eduquês e outras questões, vai dar uma voltinha aos posts de Agosto de 2010, está bem?


Faz os trabalhinhos que te recomendei e deixa de ser cábula.

Cristina


JORGE SILVA
Resposta soft para disfarçar...claro.
E quanto aos trabalhinhos de casa tu é que os deves fazer em matéria de boa educação e casca grossa!

O Portugal abrilesco no seu melhor! Ya minha...fixe? E viva a educação cívica após 37 anos de amplas liberdades. Deves educar bem os teus alunos...deves...Talvez o Daniel Sampaio te compreenda.

deixado a 28/4/11 às 23:54
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Olha lá, não tens o arroz ao lume ou outra coisa qualquer para o qual tenhas melhor préstimo? Tipo vítima de violência doméstica ou passar a ferro...


"Pirralha...eu?"

Toni… duque das Caldas


Tipo vítima de violência doméstica?


Conheço alguns marialvas de paleio que são vítimas dela, mas disfarçam com as bocas para o exterior.


Já te têm dito que há horas em que não devias fazer comentários…


Vai lá fazer a cerâmica para que dizes ter jeito, está bem?


Cristina



OK, quem é o gajo que é marido disto? ...

Quem é o gajo que anda aí nos copos todo feliz da vida enquanto a mulher dele anda na internet a chatear os outros?

Ora, faz o favor de voltar para casa e por ordem na barraca! Já bem basta de borga, isto a vida não é só festa, agora tens que assumir a tuas responsabilidades, oh meu!


"Pirralha...eu?"

Toni…qualquer coisa


A tua tendência para chamares pelos maridos das gajas que te confrontam começa a ser patológica.


Experimenta consultar um médico dos patos e talvez resolvas esse velho problema da libido sáfica, ou os outros que vens revelando, desde o fabrico de pénis, até aos célebres camafeus.


Agora, vai tu para a casota e não acordes os vizinhos, está bem?


Cristina


deixado a 28/4/11 às 21:49
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Pão Metálico
O Tonibler é monárquico?

Mas que agradável surpresa.


Tino the Kid

Não é nada monárquico, ele é um grande burro....................


Pão Metálico
Não gostando de julgar o Tonibler apenas pelos comentários, não tenho outra alternativa e, na minha modesta opinião, e fazendo fé no aqui escrito, o saldo continua positivo.

A favor:
1- Não é de esquerda.
2- É monárquico.

Contra
1- É burro.

Um dúvida: não se manifestando como sendo da esquerda vigente ou proponente, o Toni não me parece tão burro quanto isso...

Quanto às considerações escatológicas, limito-me a lamentá-las, bem como a todos os comentários derivados.

Com o aproximar da campanha eleitoral, solicito aos responsáveis do Arrastão informações acerca das regras do jogo. É que apesar de eu ser um aristocrata de eleição, fui criado na rua e não desdenho conversas de merda e uns boas caralhadas como insulto. Só necessito de ser informado se vamos ter danças de salão ou esfrega-esfrega.

deixado a 28/4/11 às 16:19
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Tino, rapaz, traz-me lá um café, sff...

deixado a 29/4/11 às 17:48
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"Pirralha...eu?"

Pão Metálico


Ele, pelo menos, deu a entender que era, mas como entre outras coisas, também já afirmou que era o único partido de direita em Portugal…

Cristina


Pão Metálico
Boa noite Cristina.

Desconfio que afinal também sou burro. Não percebi o seu comentário.

Um abraço ao seu Pai.

Mário João


"Pirralha...eu?"

Pão Metálico


Isto já é uma novela antiga, mas que agora terminou, graças à sua intervenção.


Entendi a mensagem implícita no seu abraço ao meu Pai, incluindo a utilização da maiúscula.


Ele também envia aquele grande abraço ao amigo Mário, como costuma dizer.


Cumprimentos agradecidos


Cristina


PS: Por favor, não volte a chamar burro a um amigo do meu Pai…


deixado a 30/4/11 às 11:21
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Mais ou menos.

Acredito que a defesa dos direitos fundamentais não pode ter como penhor apenas um emprego do defensor, deveria ter a vida dele. E nesse aspecto devo concordar que a monarquia é muito mais de acordo com o que penso.
Por outro lado, este país já não existe, foi devorado pela república e pelos parasitas que o sugaram à conta da ideia de "estado investidor", por isso que se lixe, Bruxelas tem um rei...


Pão Metálico
Ainda que esta minha pergunta possa ser considerada off topic, aquele milhão de pessoas que esteve nas ruas de Londres ontem, manifestava-se contra o quê?

Não consegui pereceber. Do pouco que espreitei da manifestação, reparei que havia uma quantidade enorme de malta nova. Estavam à rasca com o quê?

Cumprimentos deste burro. Apesar de tudo, antes burro que hiena.

BTW (recuso-me a escrever as iniciais de post scriptum): Continuo à espera que a gerência me informe se a peixeirada durante a campanha eleitoral vai, ou não, ser permitida. É que se os serões do Arrastão vão ser enfadonhos e insossos como as reuniões cá em casa, quando vêm os primos mais as primas, mais o chato do tio que é duque, mais o raio que os parta a todos, que não me deixam praguejar durante o Bridge, se vai ser assim, vou soltar ofensas para outra freguesia. Eu sou como o sapo da anedota, eu quero é putas.

deixado a 30/4/11 às 02:13
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Conta? Falou em conta?
http://exiladonomundo.blogspot.com/2011/04/inexorabilidade-dos-numeros.html (http://exiladonomundo.blogspot.com/2011/04/inexorabilidade-dos-numeros.html)

deixado a 27/4/11 às 23:27
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Gentleman
Teria sido oportuno também referir a chantagem regular que os maquinistas/motoristas/pilotos dos transportes públicos estatais fazem, sob a forma de greves, sobre os utentes e sobre os contribuintes.
Com efeito, as greves não prejudicam as administrações dessas empresas (já que eles não são utentes), nem o Governo (já que as greves nos transportes nunca prejudicam a imagem dos governos). As greves, no imediato, prejudicam sobretudo quem ganha menos do que os maquinistas/motoristas/pilotos (a maioria dos utentes) e, posteriormente, prejudica todos os contribuintes. Num período de extrema dificuldade para o país, há que reconhecê-lo, os grevistas estão se a cagar para os utentes e para os contribuintes. Estão preocupados unica e exclusivamente com os seus interesses pessoais. Os respectivos sindicatos não são mais do que organizações corporativistas, representando o pior do corporativismo.


O abuso do direito à greve por parte dos maquinistas/motoristas/pilotos atingiu tais proporções que se justifica introduzir restrições na Lei. Não seria nada de inédito. As forças policiais e os militares também não têm direito à greve. E, por exemplo, no Estado de Nova Iorque os trabalhadores dos transportes públicos estão proibidos de fazerem greve. As sanções para os trabalhadores é descontarem no salário o dobro do tempo de greve, e para o sindicato uma multa de 1 milhão de dólares. 

deixado a 27/4/11 às 11:36
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Gentleman,

 

OBoçal sabes o que é??? È quereres sancionar um direito.

Tu como leite Campos só com uma palamda na boca de mão aberta.

 

 


Gentleman
Meu caro, boçal é aquele que não é capaz de articular qualquer argumento e não demonstra o domínio básico da língua materna. Ou seja, o que sucede contigo.


Gentleman,


Se calhar tens razão...mas Boçal é continuares teimar que um direito tem de ser retirado. Aliás isto não é ser boçal é ser parvo.


Em democracia meu amigo por muito que te custe há direitos que não podem ser retirados o direito á greve é um deles. Se retirares, deixa de ser democracia e passa a ser ditadura. Boçal é não perceber isto.


acho que já estou a articular de mais, digo eu.


Gentleman
Em democracia meu amigo por muito que te custe há direitos que não podem ser retirados o direito á greve é um deles. Se retirares, deixa de ser democracia e passa a ser ditadura. Boçal é não perceber isto.


Até 1919 a Lei Britânica não proibia a greve nas forças policiais. Mas depois dessa data passou a proibir, tal como aliás acontece na esmagadora maioria dos países. Terá o Reino Unido deixado, como tu parvamente afirmas, de ser uma democracia a partir de 1919? Como é óbvio, não. A não ser que o teu conceito de "democracia" seja invertido, na acepção República Democrática Alemã...


A greve não é um direito universal. Na maioria dos países democráticos polícia e forças armadas não estão autorizadas a fazer greve. Nos EUA, em particular, a greve é permitida com a excepção de sectores muito específicos considerados críticos e susceptíveis de criar um estado de emergência nacional (ou regional). Sectores como transporte aéreo e ferroviário estão incluídos nesse grupo, e com toda a razão.

deixado a 30/4/11 às 12:03
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CausasPerdidas
"E, por exemplo, no Estado de Nova Iorque os trabalhadores dos transportes públicos estão proibidos de fazerem greve. As sanções para os trabalhadores é descontarem no salário o dobro do tempo de greve, e para o sindicato uma multa de 1 milhão de dólares. "

Ainda há paraísos! Na URSS também não podiam fazer greve, era uma maravilha... qual era o vosso problema com eles? Ah! Não diga... "a democracia".

Não, não sou motorista da carris, nem maquinista, tampouco do Metro... mas não quero ser mais um idiota útil.
Os tipos fizeram greve porque o governo lhes fodeu parte do salário, qual é a parte que não quis saber?
Fale dos salários e prémios dos gestores! Diga algo contra os gajos que não pagam impostos - são "às paletes"! Fale do truque dos bancos para nos fazerem pagar a todos a sua falta de liquidez devido à sua gestão!
Deixe-se dessa mania merdosa de "tuga" de só olhar para o lado baixo e para baixo! Alevante-se homem, endireite a espinha que essa sua conversa mete nojo. Arre!


Gentleman
Se estão tão descontentes com o trabalho, alguém que lhes mostre o caminho da porta! Que mudem de trabalho. Há milhares de desempregados que adorariam ter as regalias que esses cabrões egoístas têm. Passa pela cabeça de algum trabalhador do sector privado fazer greve sistematicamente quando a sua empresa acumula prejuízos? É óbvio que não. Só se estivesse maluco. Isso só pode acontecer em empresas do Estado, ninho priveligiado para chantagistas que se estão literalmente a cagar para os utentes e para os contribuintes. O país pode estar a afundar-se que eles apenas se preocuparão com as horas extraordinárias que não foram contabilizadas! Faz algum sentido que a uma empresa de transportes que opera 24 horas por dia se aplique um tradicional horário 9-18h e que qualquer turno fora disso seja pago como horas extraordinárias?! Olhem que na Fertagus ou no Metro do Porto esses comportamentos corporativistas não pegam...


Qual é o problema de restringir o direito à greve num sector tão crítico com os transportes públicos? Os militares e a polícia também não têm. Quem opta por essa carreira já conhece as regras do jogo.

deixado a 28/4/11 às 10:36
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Albano
"Os tipos fizeram greve porque o governo lhes fodeu parte do salário"
Certamente já não ganhavam assim tão pouco.
E então toca a foder a vida aos que ganham 500, ou menos, e que têm o emprego por um fio, nunca com a reivindicação de baixar os prémios e salários dos gestores, mas sim para aumentar os privilégios da corporação.



deixado a 28/4/11 às 10:57
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DrStrangelove

Com efeito, historicamente a greve surgiu como instrumento de luta dos trabalhadores que, ao recusarem-se trabalhar, provocavam prejuízos ao patrão levando-o eventualmente a ceder às suas reivindicações. Ora o que acontece nas empresas de transporte do Estado é que o "patrão" não existe verdadeiramente. Uns poderão dizer que o patrão são os contribuintes mas, ao contrário de um patrão normal, os contribuintes não têm qualquer poder na gestão da empresa.
Outro problema é que as greves nos transportes mais do que afectarem a próprias empresas, afectam milhares de outras empresas e indivíduos.

É tendo em conta o carácter de serviço público crítico que concordo que se coloquem restrições à greve neste tipo de empresas. Nova Iorque é a cidade mais rica e economicamente activa do mundo. E os transportes públicos são absolutamente vitais ao funcionamento dessa cidade. Permitir o direito à greve nos transportes públicos seria colocar nas mãos de um punhado de pessoas o poder de paralisar uma cidade inteira, uma cidade que tem mais gente e gera mais riqueza que muitos países (Portugal incluído). 

deixado a 28/4/11 às 11:06
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A Fertagus é uma empresa privada onde um passe mensal pode custar mais do que 50€.


Quer comprar a CP com a Fertagus ? Quer comparar o nivel de serviço entre uma e outra empresa ?


Eu por mim prefiro continuar a pagar o que pago pelo passe da Fertagus.

deixado a 27/4/11 às 11:46
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xuxu
Usei muito a Fertagus no passado.

Uso muito a CP actualmente.

Ambas sao bons exemplos que este pais tem em termos de qualidade de servico.


Rafael Ortega
A CP? Está a brincar, só pode.
Os atrasos são tão frequentes que no sistema de som das estações já poucas vezes se dão ao trabalho de anunciar um atraso da CP se este for inferior a 5 minutos.

deixado a 28/4/11 às 20:14
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Esmeralda
Só se esqueceu de referir que a Fertagus é o exemplo de uma parceria do Estado com um privado, no qual este último tem uma bela "mama" por ano vinda do contribuinte.

Também se esqueceu de dizer que quem vem de Coina ou dos Foros de Amora, só o passe da Fertagus, sem mais nenhum outro transporte, custa mais de €60... Se não for €70!

Também se esqueceu de dizer que o serviço da Fertagus é tão "bom" que, à excepção das horas de ponta, o seu serviço de transportes deixa bastante a desejar na periodicidade de comboios. E não é só aos fins-de-semana!


Esmeralda, eu disse que o passe pode custar MAIS de 50€, certo ?


Eu como utente da Fertagus estou bastante satisfeito com o serviço, embora ache que possa melhorar em muitos aspectos.


Os comboios raramente se atrasam, e quando isso acontece as pessoas são informadas. 90% dos atrasos dos comboios da Fertagus são provocados pelos comboios da CP, que nunca passam a horas e provocam atrasos nos outros serviços.


Em relação aos horários não percebo o seu problema, pois fora das horas de ponta passa 1 comboio de 30 em 30 minutos, não lhe chega ?


Mas se está descontente, e preferir alternativas pode usar o automóvel particular, ou então pode fazer como antigamente se fazia, vai no "autocarro da carreira" até Cacilhas e depois apanha o barco da Transtejo. Que tal ?


Eu no comboio da Fertagus demoro menos de 30 minutos a chegar a Lisboa, alem de que vou confortavelmente sentado a dormir.


Esmeralda
Fora da hora de ponta há um comboio a cada meia hora? Tem a certeza? Então e para aquelas pessoas, que não são nada poucas, que trabalham à tarde e saem à noite e regressam a casa às 23h ou meia-noite? Vá lá ao horário verificar a esporadicidade das composições.

Mesmo assim, nada disso justifica a atrocidade que é a política de preços da Fertagus que, recordo, já recebe uma bela "mama" do Estado pela concessão da exploração do eixo ferroviário Norte/Sul.

deixado a 29/4/11 às 01:42
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Pat
Caro Daniel,

Desde sempre fui de esquerda, por educação e por escolha, mas confesso que não me identifico com o discurso actuais líderes. 
 

Não passo dificuldades (ainda) e tenho emprego (até ver).  Tive sorte por ter ficado longe da medíocre média que assombra o nosso país a todos os níveis (educação, emprego, saúde, cultura, etc).


 


É evidente que as minhas escolhas também reflectem a situação privilegiada em que me vou encontrando mas estou assustada pela ausência de conteúdo das parcas ideias que os nossos políticos regurgitam.


 


Tudo isto para dizer que de tudo o que tenho lido e visto sobre a nossa realidade actual o seu discurso é aquele que tem feito mais sentido. Sei que fez parte do Bloco mas confesso que não consigo alinhar com as posições que este partido tem tomado. (é muito esquerda caviar…).


 


Diga-me lá onde encontrar outros que pensam como o Daniel para ver se encontro um partido onde votar no dia 5 de Junho, caso contrário lá terei de votar no Sócrates a contragosto.



deixado a 27/4/11 às 11:47
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Não sou militante de coisa nenhuma, mas de há uns tempos para cá tenho perdido um pouco a paciência com essa coisa da esquerda caviar. 
È essencialmente retórica de direita para tentar ganhar superioridade moral sobre quem, sendo de esquerda, não trabalha de fato de macaco, como se só o operariado pudesse ser de esquerda.


O resto é pessoal de esquerda com complexos de culpa de não trabalhar de fato de macaco, o que é um pouco absurdo. É possivel ser designer, médico ou surfista e ser de esquerda, querendo uma sociedade mais justa e melhor distribuição da riqueza.


Nuno
A melhor parte é mesmo a do caviar- gostava que comparassem carros, casas, rendimentos e hábitos dos deputados de esquerda (da real) e de direita para ver quem é que afinal tem massa para gastar em caviar.
A não ser que por esquerda caviar se estejam a referir ao Armando Vara, mas aí é o "esquerda" que está errado.


Albano
"A melhor parte é mesmo a do caviar- gostava que comparassem carros, casas, rendimentos e hábitos dos deputados de esquerda (da real) e de direita para ver quem é que afinal tem massa para gastar em caviar."

Já me ajudou a decidir, sendo assim vou tentar a minha carreira como politico de direita!

deixado a 28/4/11 às 11:07
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CausasPerdidas
Tem razão, é um desânimo ser de Esquerda nestas alturas em que está tudo inclinado para a Direita, é difícil um tipo equilibrar-se. Só nos mantém a convicção, essa espécie de coisa que nos diz que se nos inclinarmos para o mesmo lado da maioria, assim a modos de Maria-vai-c'as-outras", o barco vira-se mais depressa. Estar a bombordo, a fazer um esforço danado para equilibrar a nave e ainda ouvir assobios da geral que dizem que é por nossa culpa que o barco está virado para o lado onde não está... é pouca consolação para se ser de Esquerda, não é? Quase masoquismo.
A lutar, sempre a lutar, caraças... O centro deve ser bem melhor, mas assim desviadito para Esquerda, virado para o social. Sei lá, tipo consciência crítica, uma espécie de grilo falante, mas nada radical porque os comentadores televisivos atacavam a gente por sermos irresponsáveis. E a gente sabe como eles são implacáveis na altura de passar a linha geral...
Olhe, se calhar o melhor é mesmo ir pelo "Socas", não irá enganado porque ele já não pretende enganar ninguém, porque ele sabe que já não engana ninguém. Ele agora só quer mesmo meter medo à gente.
Eu por mim não voto no gajo porque não gosto de aldrabões (manias, que se há-de fazer?)  e quando me chantageiam, aí vou aos arames, até sou capaz de ir pelo Bloco de Esquerda. Talvez os convertesse à sardinha assada. 

deixado a 28/4/11 às 01:44
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Jorge
Exactamente a minha situação! (Substituia a questão da esquerda caviar por uma luta infantil com o PC a ver que é mais do contra)

deixado a 28/4/11 às 11:20
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Manolo Heredia
Não há solução: uns querem ir ao pote pela escada da gestão privada, outros pela escada da gestão pública. O que faz falta é honestidade e sentido de missão, a todos...
Ir de comboio da Algés ao Cais do Sodré custa 1,25 euros, de electrico custa 0,75 euros. Faz sentido?
Neste precurso, uma pessoa num carro gasta menos de 0,70 euros em combustível.

deixado a 27/4/11 às 12:08
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Tem que acrescentar ao combustível, o preço do carro, a manutenção e os impostos e ainda a maçada de ter que ir com atenção à estrada.
As contas às vezes são um bocadinho mais complexas.


Manolo Heredia
O preço do carro particular não conta para nada nesta discussão. Mesmo com transportes públicos bons e baratos à disposição, as pessoas compram carro. Por isso não se deve contabilizar a amortização do investimento na compra, nem o preço do seguro. Na hora de avaliar economicamente se devem ir de transportes ou de carro, as pessoas só fazem contas ao combustível e à manutenção.
Quanto mais se investir em acessibilidades aos grandes centros e em parques de estacionamento dentro das cidades menor será o custo dessas duas componentes comparado com o custo de viajar em transporte colectivo.


Obrigado.
Não vou manter o diálogo só para lhe dizer que os preços que menciona no transporte público não são aqueles.
Se não sabe há passes que tornam os trajectos mais baratos.
Se lhe apetece tirar um dos factores das contas, pois faça favor.

 


Manolo Heredia
Nos anos 80 Bordéus implementou o programa Gertrudes para controlo de tráfego , que obrigava os carros a entrarem a conta-gotas na cidade. Ao mesmo tempo melhorou a rede de transportes públicos com autocarros dotados de de bancos confortáveis e ar condicionado. O resultado foi nulo, as pessoas continuaram a ir e vir de carro para o emprego...
O pior erro que se comete quando se analisam os fenómenos sociais é o de tomar os nossos desejos por realidades...

deixado a 28/4/11 às 10:19
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Gentleman
Quanto mais se investir em acessibilidades aos grandes centros e em parques de estacionamento dentro das cidades menor será o custo dessas duas componentes comparado com o custo de viajar em transporte colectivo.


É quando se contabiliza o custo do estacionamento que o transporte público se torna claramente vantajoso.
Quanto menos carros entrarem na cidade, melhor é o ar que nela se respirará, e menor será o ruído.
Por isso, não deve haver tolerância para o estacionamento irregular dentro da cidade.

deixado a 27/4/11 às 23:27
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Ana
Falar do aumento dos preços para o utente, no mundo dos transporte, é pura demagogia, perante o total fracasso que tem sido as polticas públicas de mobilidade e transportes nacionais.
A falta duma estrategica no sector, o desconhecimento técnico das matérias e uma gestão feita por boys levam a duas redes de transportes, uma que projecta TGV e possui autoestradas sem tráfego e outra de terceiro mundo, onde se perdem horas e milhões de euros da nossa economia. Nem uma nem outra garante ganhos de competitividade que alavanque crescimento para o país.

O custo para os utentes tem que traduzir os ganhos para a nossa economia de uma politica sustentavél dos transportes e não os custos de gestão ruinosa e de más politicas executadas ao longo destes anos.

deixado a 27/4/11 às 12:31
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JPT
Estou perfeitamente de acordo com o DO. O aumento do preço dos transportes públicos é um erro terrível e uma profunda injustiça. Todas as consequências desse aumento que o DO aponta estão correctas. Apenas assinalo que, das 829 palavras que o DO utilizou para falar de transportes públicos, nenhuma foi "greve" e que, provavelmente, pela mesma razão, não lhe ocorrerá que uma excelente alternativa ao aumento do preço dos transportes é a redução desse preço. Claro que isso jamais acontecerá enquanto os transportes públicos se encontrarem na órbita do Estado, e enquanto a nossa Constituição e leis laborais permitirem a existência de contratos colectivos de trabalho como os dos pilotos da TAP, dos maquinistas da CP e do Metro e dos mestres da Soflusa e da Transtejo, bem como o direito irrestrito à greve na área dos serviços públicos essenciais (e, sim, enquanto as administrações dessas empresas servirem para colocar aparatchiks do PS e do PSD ). Por isso, DO, se quer reduzir os preços dos transportes públicos, não tem nada que saber: apresente as empresas (que estão todas tecnicamente falidas) à insolvência (como é, aliás, obrigação legal dos falidos); proceda ao despedimento colectivo dos seus trabalhadores (que têm tantos direitos como os das restantes empresas falidas); venda os activos a investidores (que não faltarão, pois, nas redes suburbanas e intercidades, o material fixo e circulante é bom e moderno e a clientela abundante, e o resto, como está, também não serve ninguém), e rapidamente terá transportes públicos mais eficazes e mais baratos para os utentes, e a custo zero para o Estado. Entretanto, se possível, mude as leis laborais e a Constituição, para que não sejam os trabalhadores que não podem (na prática) fazer greve a pagar a boa vida dos que podem.

deixado a 27/4/11 às 12:56
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O que tem de assustador isto tudo é o facto de ser verdade.

Assusta-me muito olhar para o futuro e pensar que não vou ter reforma, não vou viver bem, provavelmente não vou puder ter filhos por questões económicas.

Por vezes dizem que sou uma pessoa negativa mas, sinceramente, acho que a geração que, como eu, nasceu nos anos 70/80 ainda não percebeu que o nosso futuro vai ser muito complicado.

deixado a 27/4/11 às 13:16
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Dazulpintado
Resumindo, o que o Daniel defende é que os contribuintes subsidiem os transportes de alguns trabalhadores para que os custos de trabalho das suas empresas seja baixo e assim lhes possam pagar pouco. A simples ideia de que uma empresa que não é rentável no sítio onde se instalou deve mudar de lugar ,nem lhe passa pela cabeça, claro. O mesmo para os seus trabalhadores que, ganhando pouco , devem esperar que os contribuintes lhes paguem uma parte do ordenado, via subsidio ao transporte. Já pensar em mudar de vida, isso é que não.
Daniel, para manter a cabecinha dos seus seguidores em banho-maria, ou ocupar a coluna do Expresso, até serve. Se a ideia é fazer opinião séria, então faltam números que sustentem a sua tese. E fala você de ideologia!

deixado a 27/4/11 às 13:41
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António Carlos
"O nosso drama, aquilo em que nos distinguimos dos parceiros europeus, é a dívida externa, principalmente privada."
O nosso drama é que continuamos a afirmar que a nossa dívida externa é essencialmente privada.
O investimento no TGV, se fosse construído e segundo o Ministro Teixeira dos Santos, seria apenas comparticipado pela UE e por fundos privados. Assumamos que sim e concentremo-nos na parte "privada". O financiamento privado será com certeza obtido junto da banca (privada) em Portugal ou directamente no estrangeiro. Será portanto contabilizado como dívida externa privada. Mas vejamos:
- Essa dívida só existe (existirá) se o Estado decidir fazer o TGV, ou seja, esse aumento da dívida externa privada é uma consequência directa de uma opção pública;
- O próprio Estado garante ao consórcio construtor o rendimento do seu investimento, garantia sem a qual aliás o consórcio não investiria. Indirectamente, portanto, essa dívida só é contraída porque tem o "aval" do Estado. Na prática, ainda para mais tratando-se da construção de uma infra-estrutura pública, o que aconteceria se o consórcio não conseguisse cumprir as suas obrigações de pagamento da dívida depois de construído o TGV? A linha era penhorada ou o Estado assumiria a dívida para manter a infra-estrutura?

Se considerarmos que o Estado optou, a partir de certo momento, por realizar investimentos (transportes, hospitais, escolas, ...) através de empresas públicas (SEL e SEE) e PPPs, e que mantém dívidas gigantescas junto do sector privado (medicamentos, obras, ...), como é que se pode dizer que "A nossa dívida pública está, esteve quase sempre, na média europeia (ou abaixo dela)" ignorando a realidade?

deixado a 27/4/11 às 13:49
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Ana
Concordo consigo António Carlos, não percebo este branqueamento da reengenharia financeira que o Bloco Central faz e que os denominados de Esquerda de Confiança deveriam questionar e exigir auditoria.
O investimento em PPP situa-se perto dos 50 mil milhões de euros, para o DO está contabilizado aonde??????

deixado a 27/4/11 às 17:45
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