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Arrastão: Os suspeitos do costume.

As contas dos três da troika

Daniel Oliveira, 01.06.11

 

O grande debate do último fim de semana foi o número de ministros que o próximo governo terá. Passos Coelho disse que só queria dez. Acabava com o da Cultura, claro está (a cultura nunca deu muitos votos, apesar de ser a que menos gasta), porque é uma pasta transversal. Imaginamos que a saúde, ou a segurança interna, ou a educação não o serão. Passos sabe que menos ministros podem resultar em mais secratarias de Estado. Passos sabe que acabar com ministérios custa dinheiro e tempo em reestruturações e no próximo ano não teremos nem uma coisa nem outra. Mas a coisa era para encher o olho ao eleitor e tudo o resto são pormenores.

 

Alguém em Belém fez saber que não era boa ideia. Depois Cavaco esclareceu que, como é costume quando vêm recados de Belém, ele não teve nada a ver com isso. O CDS já disse que quer o Ministério da Agricultura. Que quer defender a agricultura. E se Portas acha que para defender um setor é preciso que haja o ministério correspondente, ficamos a saber que todos os ministérios que ele aceitar suprimir é porque acha que esse setor é dispensável para o País. O da Cultura, por exemplo.

 

Com tantos recados, Passos Coelho baralhou-se outra vez e fez o que melhor faz: desdisse o que disse. Ou, em passos-coelhês, esclareceu o que tinha dito. Pode ser que não sejam dez ministérios. Talvez um pouco mais. Se houver coligação, claro. Porque com uma coligação o País precisa de mais ministérios? Porque com uma coligação há áreas que deixam de ser transversais? É mais simples do que isso: porque com uma coligação há mais lugares para distribuir e Paulo Portas tem propostas muito claras a fazer ao País sobre o número de ministérios que quer para os seus. Vão lá eles perder tempo a debater os seus programas quando há, antes disso, tantos ou tão pouco ministérios para escolher.

 

O último fim de semana passou-se como se tem passado o resto da campanha: em vez de debaterem os problemas do País, PS, PSD e CDS discutem coisas lá deles. Em vez de pensar como salvam o País, preparam-se para repartir o pouco que sobra do bolo, que do programa sabe a troika estrangeira que decide o que esta troika nacional deve fazer.

 

Para cortar na segurança social, na saúde, na educação, nas prestações sociais não é preciso fazer grandes contas. Assina-se de cruz o que a troika mandar. O esforço matemático faz-se para saber dos lugares que há para cada um. Quem coliga com quem e quantos ministerios há para os que se coligarem, sendo certo que em todas as combinações estará um barrete de Paulo Portas. A soma seguida da divisão, é tudo o que interessa para quem não pensa muito na subtração que está a ser feita aos direitos e aos rendimentos dos portugueses. É que quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é tolo ou não tem arte.

 

Publicado no Expresso Online

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