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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Notícias da frente vermelha - o regresso

Sérgio Lavos, 16.08.11

 

Parece que o sr. Jorge Jesus andou a praticar durante as férias. Personal coaching, outra dessas invenções da pós-modernidade, como a morte do autor ou a música pimba. Aprendeu a falar com os jornalistas. Confesso sentir saudade da boca cheia de pastilha; não sou imune aos encantos xunga da Amadora quando se trata de futebol - a relação entre as classas privilegiadas e a bola é tema de tese a concluir do outro lado da Segunda Circular. Prefiro o courato ao caviar, a mini à flute de champanhe. Adiante. O problema não é Jesus ter deixado de mascar pastilha de boca aberta em directo para a TV; é ainda não ter aprendido a mais básica das lições do futebol: como controlar o ritmo de uma partida.

 

Vamos lá ver; contratar meia dúzia de bons reforços para o banco: excelente ideia. Ir aos saldos do Barcelona e encontrar um Villa dos pequeninos: melhor ainda. Descobrir alguém que, na frente capilar, substituísse com distinção o malogrado Balboa: feito, com proveito para as coisas da bola e tudo. Axel Witsel é, desde já, o jogador mais inteligente do plantel do Benfica. Eu juro que hoje, ao ver tantos jogadores do Benfica na área e uma velocidade de passe entre eles bastante acima da média, paralisei durante meio segundo, temi pelo inevitável desfecho. E foi esse meio segundo o suficiente para a calma zen de Witsel encontrar do outro lado o número 9 da equipa, que estava no lugar onde deve estar o número 9: no coração da pequena área a empurrar bolas para a baliza (o Cardozo estava à linha a passar o esférico para trás, se é isso que querem saber, fazendo juz ao número 7 que usa nas costas). Villa teve Messi anteontem, Nolito teve o toque de Witsel. Podem salvaguardar as distâncias que quiserem, mas o segundo golo do Benfica é uma jogada de equipa rara. Belíssima.

 

Mas depois, o pesadelo. Questão: como manter um excelente resultado fora de portas, contra uma equipa cuja maior qualidade reside no ataque? Opção n.º1: tirar Aimar, regressado de uma lesão, e fazer entrar Matic, adiantando Witsel. Opção n.º2: tirar Aimar, regressado de uma lesão, e fazer entrar Ruben Amorim, adiantando Gaitan. Opção n.º3: tirar Cardozo, que "apenas" serve para marcar golos, e fazer entrar Saviola, repetindo a linha média/avançada que marcou dois golos em 45 minutos ao Arsenal, há menos de 1 mês. E o que fez Jorge Jesus? Cito: "Na segunda parte meti o Saviola pensando que com ele e o Cardozo pudéssemos fazer o 3-1. Não aconteceu e sofremos o golo do empate num lance em que há falta nítida sobre o Emerson. Aí tentei defender o resultado com a entrada do Matic." Resumindo: um resultado de 2-1 não deve ser defendido, antes deverá ser pensado como uma excelente oportunidade para "esmagar o adversário". Um empate, sim, é para defender. Ou Jesus, com a ajuda do seu personal coach, andou embrenhado nos ideogramas do I-Ching e vê além do comum dos mortais, ou, lá está, ainda não aprendeu a controlar o ritmo do jogo quando a equipa está em vantagem no resultado. Será difícil encontrar treinador que alie tanta capacidade de preparar o jogo atacante com tão pouco domínio do que está na base de qualquer equipa vitoriosa: a defesa.

 

Tirando estes, vá lá, pormenores, está tudo bem encaminhado para Nolito ser o melhor marcador da Liga - parece que Falcao quer voar para um clube de grande dimensão, como é o caso do gigante Atlético de Madrid - e Witsel tornar-se o jogador com mais classe a jogar no campeonato português desde que o director desportivo do Benfica pendurou as chuteiras. Vocês sabem do que eu estou falar.

7 comentários

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    Antonio Cunha 17.08.2011

    Convites, convites parece que teve 2 do mesmo clube...


    O fcp !!!!
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    joaquim azevedo 18.08.2011

    Andas mesmo a dormir, ó Cunha. És tu a dormir e o Jorge Silva a delirar com contratos de 40 milhões de transmissões. Deixai-vos andar, deixai. Depois quando esse pardieiro fechar, enterrado em dívidas, venham dizer que a culpa é do sistema ou pedir a benção do PSD como fizeram da outra vez. Um clube de futebol para ter sucesso tem de começar por jogar à bola em condições e, pelo que tenho visto, o 2º clube português tem jogado pouquito. A continuar assim ainda ides ter que pagar para que alguém transmita os vossos jogos.
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    Antonio Cunha 18.08.2011

    Um clube de futebol para ter sucesso tem de começar por :


    - Oferecer fruta e chocolate aos árbitros;
    - Ameaçar árbitros de morte ;
    - Ter uma Offshore para lavar dinheiro sujo;
    - Oferecer viagens na sua própria agência de viagens.
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    joaquim azevedo 18.08.2011

    Bem visto, sr dr Juiz. Espero vê-lo em breve na comarca de Cascais a reabrir o processo estorilgate cuja investigação deixou muito a desejar na época. Ou melhor, nem sequer existiu... A vergonha foi tal que até o Trappatoni se pôs a milhas.
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    Antonio Cunha 18.08.2011

    Qual estorilgate ?


    A vez em que o Porto jogou contra o Estoril em Torres Novas ?? E assim ganhou o campeonato, sendo que o Estoril até então ainda não tinha perdido qq jogo ?
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    joaquim azevedo 19.08.2011

    Pois. Disfarça agora, Cunha, faz de conta que não viste. Faz de conta que o segundo clube português é uma congregação de anjinhos impolutos. Faz de conta que percebeste o negócio do Roberto.
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