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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Mais esquerda

Miguel Cardina, 06.09.11

 

António Barreto defendeu há dias uma «profunda renovação» da Constituição, tão profunda que exigiria ser inconstitucionalmente referendada. Este fim-de-semana foi a vez de Passos Coelho tentar criar com pouca habilidade uma nuvem de fumo sobre as redes sociais e a perspectiva do país a arder. Hoje calhou a Paulo Portas vir falar das greves como causadoras de pobreza. A direita no poder mostra assim o seu programa real: a austeridade como oportunidade de refundar o regime; o recurso à ideologia da inevitabilidade para denunciar as movimentações sociais contra o plano de saque em curso; a conversão da solidariedade em caridade, de preferência voluntária e confessional; a demonização dos serviços públicos e a abertura de espaços para a iniciativa privada em enlace por vezes obsceno com interesses instalados na área do Estado. No fundo, quando Manuela Ferreira Leite falou da necessidade em «suspender a democracia por seis meses» não estava só a expressar um desejo. Desenhava sem saber o futuro do qual nos aproximamos. Precisamos, definitivamente, de mais esquerda.

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