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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Uma democracia doente

Daniel Oliveira, 29.09.11

 

 

Na Madeira, a democracia está doente. Há três décadas que está neste estado. Quando um partido ocupa um jornal - mesmo tratando-se de um pasquim de propaganda descarada, distribuído gratuitamente e pago por todos os contribuintes -, e uma parte dos madeirenses acha isso normal, percebemos a gravidade do seu estado. Mas perante o sufoco da democracia, a permanente violação das regras democráticas, a impossibilidade de dar a volta a um jogo viciado, podemos tentar perceber. Tentar, apenas.

 

Na Madeira não há propriamente esquerda e direita. Há a maioria, que apoia o cacique local, e há o resto, que o odeia e que aplaude qualquer meio usado para o combater. Alberto João Jardim sabe disso e apela a esta hostilidade. E foi a esse espírito de guerra que apelou quando disse: "Temos de dar pancada a quem ofende os madeirenses". Não há qualquer debate político na Madeira. Há gritos e casos. Aliás, Jardim consegue a proeza de ir a eleições sem nunca participar em qualquer debate público com a oposição. É obra.

 

Perante isto, o que se passou ontem (e a que eu, por coincidência de agenda, assisti), sendo uma anormalidade e abrindo um perigoso precedente - onde chegaremos se os partidos políticos começam a ocupar jornais? -, só espanta quem não sabe o que é a vida política madeirense. Alberto João Jardim contaminou de alarvidade e arbitrariedade o confronto político na ilha. E só quando os madeirenses se livrarem dele terão uma democracia saudável e madura. Aí descubrirão: afinal, a democracia é isto.

 

Escrito no Funchal

Publicado no Expresso Online

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