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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A nova escola de hermenêutica anti-socrática

Sérgio Lavos, 12.12.11

Ao longo da última semana, temos vindo a assistir ao nascimento de uma nova espécie de comentador: o hermeneuta-telepata do pensamento de José Sócrates. Uma afirmação clara, claríssima, do antigo primeiro-ministro, e verdadeira para além de qualquer dúvida, deu azo à criação de páginas e páginas de pensamento que visa analisar as implicações, segundos sentidos, leituras esotéricas e discursos subliminares da coisa. Chega-se ao ponto de - Pedro Santos Guerreiro no Eixo do Mal é o exemplo desta corrente - concordar-se com a afirmação de Sócrates, acrescentando-se de seguida que ele não tem legitimidade para a proferir. O reino do maravilhoso onde vivemos é de assombrar: transforma-se o que vai além de qualquer subjectividade interpretativa, uma verdade, numa realidade subjectiva. O que é verdade na boca de Pedro Passos Coelho é mentira e uma afronta ao povo português por parte de Sócrates. Vivemos tempos difíceis: a alucinação colectiva vai substitituindo a razão. Na ânsia de encontrar um culpado interno para os nossos males, há quem deixe cair uma densa nuvem de poeira sobre o entendimento. Receio o que possa acontecer quando se chegar à conclusão de que a culpa da austeridade recessiva aplicada por este Governo não é do anterior primeiro-ministro. Quando chegar esse dia, onde estaremos nós?

2 comentários

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    jb 12.12.2011

    E ele por acaso disse se geriu ou não bem a divida?


    Contentem-se a pensar em que o problema esteve no Socrates... Quem me dera que assim fosse, seria tudo muito mais facil.
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