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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A nova escola de hermenêutica anti-socrática

Sérgio Lavos, 12.12.11

Ao longo da última semana, temos vindo a assistir ao nascimento de uma nova espécie de comentador: o hermeneuta-telepata do pensamento de José Sócrates. Uma afirmação clara, claríssima, do antigo primeiro-ministro, e verdadeira para além de qualquer dúvida, deu azo à criação de páginas e páginas de pensamento que visa analisar as implicações, segundos sentidos, leituras esotéricas e discursos subliminares da coisa. Chega-se ao ponto de - Pedro Santos Guerreiro no Eixo do Mal é o exemplo desta corrente - concordar-se com a afirmação de Sócrates, acrescentando-se de seguida que ele não tem legitimidade para a proferir. O reino do maravilhoso onde vivemos é de assombrar: transforma-se o que vai além de qualquer subjectividade interpretativa, uma verdade, numa realidade subjectiva. O que é verdade na boca de Pedro Passos Coelho é mentira e uma afronta ao povo português por parte de Sócrates. Vivemos tempos difíceis: a alucinação colectiva vai substitituindo a razão. Na ânsia de encontrar um culpado interno para os nossos males, há quem deixe cair uma densa nuvem de poeira sobre o entendimento. Receio o que possa acontecer quando se chegar à conclusão de que a culpa da austeridade recessiva aplicada por este Governo não é do anterior primeiro-ministro. Quando chegar esse dia, onde estaremos nós?

3 comentários

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    São precisos barbudos mais barbudos 12.12.2011

    Claro: há sempre um Daniel Oliveira ou um Pedro Marques Lopes para defender o Sócrates, com a agravante de começarem a defesa por dizer que longe deles defender o Sócrates - foi assim durante 6 anos e acabou na bancarrota do país.


    Eu vi o último Eixo do Mal e o Daniel Oliveira e o Pedro Marques Lopes tiveram de meter a viola no saco porque o Pedro Santos Guerreiro deu um argumento imbatível: um homem como Sócrates, que geriu a dívida até ao pedido de assistência externa, não tem moral para andar em Paris a dar lições de gestão da dívida.


    O que acha o Sérgio que faria um japonês ou, vá lá, uma pessoa de um país nórdico?


    Sérgio: tenha vergonha se faz favor de fazer certas defesas porque há muita gente já a passar muito mal enquanto outros continuam em almoços e jantares de 50 euros por pessoa todos os dias. 
  • Sem imagem de perfil

    Lavínia Libório 15.12.2011

    Correcção: Sócrates não geriu a dívida até ao pedido de assistência externa, mas tão só até ao chumbo do PEC IV. A partir daí, só geriu a passagem do testemunho aos autores da sábia proeza, o conhecido colectivo contra as gorduras.
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