Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

A catadupa de notícias do outro mundo não pára. Cada dia, parece que o país bate mais fundo. Hoje, é a história relatada no Correio da Manhã pelo subdirector Manuel Catarino: um mail dirigido a meia dúzia de jornalistas pelo porta-voz da PSP, Paulo Flor. Recorde-se, o mesmo que assegurou que o tal alemão anarquista era procurado pela Interpol (por falar nisso, por onde andará ele?). É preciso ler a notícia. Contado, é demasiado incrível para se acreditar.

 

" O porta-voz da Direcção Nacional da PSP, comissário Paulo Flor, enviou a meia dúzia de jornalistas amigos um amável e-mail com timbre oficial.

 

Dirige-se-lhes com a informalidade que um pingo de pudor aconselharia a evitar: "Caros amigos de jornada". Pede--lhes, em nome da PSP, o maior "destaque" à detenção de dois suspeitos do roubo e sequestro de um director da RTP, Fernando Alexandre, e do vice-presidente da Caixa, Norberto Rosa – casos tratados no CM. Não se ficou por tão pueril pedido.

 

Termina com um apelo aos "amigos de jornada". Fala-lhes ao coração: "O vosso contributo é essencial para que as medidas de coacção sejam o mais lesivas possíveis para os suspeitos". O comissário Flor, além de um atrevimento censurável, revela um entendimento canhestro sobre a função e os limites da PSP. Atreve-se, em nome da PSP, a sugerir aos "amigos de jornada" que pressionem os magistrados para prenderem os suspeitos – e desconhece que a prisão preventiva não é uma espécie de pena inicial. A PSP há-de dizer – imagino – que o porta-voz falou por sua conta e risco."

(Via Jugular)


por Sérgio Lavos
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17 comentários:
Alexandre Carvalho da Silveira
O Sergio Lavos podia aproveitar, uma vez que cita o Correio da Manhã, para fazer um post sobre aquela frase que vem hoje na 1ª pagina do jornal, proferida por esse farol da esquerda em geral e do PS em particular,  que se chama Armando Vara, e que reza assim e cito: "temos de controlar bem os gajos que escrevem" as noticias dos jornais. Um exemplo de coerencia democratica este Vara, que deve ter andado na Mocidade Portuguesa, e ainda não se viu livre destes tiques tipicos do Estado Novo.
Mas não, o Sergio Lavos preferiu denunciar aqui um mail que um policia enviou para jornalistas amigos, para darem enfase nos seus jornais à prisão de dois bandidos especialistas em carjacking. Oxalá que nunca lhe calhe a si encontrá-los por aí numa esquina qualquer. 

deixado a 22/12/11 às 15:24
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Por enquanto sou livre de escrever sobre o que quiser aqui no blogue. E o senhor é livre para não ler o que eu escrevo. É a vida.


Alexandre Carvalho da Silveira
Meu caro, a sua liberdade, ou a de quem quer que seja, para mim é sagrada. Eu limitei-me a fazer uma sugestão, nada mais do que isso.

deixado a 22/12/11 às 15:48
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O senhor Sérgio tem o direito de escrever sobre o que quiser e eu também, enquanto o senhor não for o primeiro ministro.
Acontece que o senhor defende sempre o malandro e eu como (cito de cor) a Rainha de Alice no País das Maravilhas acho que neste género de casos "condene-se e depois julgue-se".

 

deixado a 22/12/11 às 20:23
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Nightwish
Eu até acho que foram brandos, o modelo a seguir era o de Guantánamo!

deixado a 22/12/11 às 16:36
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Gentleman
É curioso observar como a Esquerda Radical se apressa a vir criticar a PSP por ousar, ainda que indiretamente, criticar a excessiva brandura dos magistrados. Porém, mantiveram-se totalmente silenciosos quando a nossa Lei e o nosso sistema judicial permitam que os seguintes chocantes casos tivessem o tratamento que tiveram:
  1. Ano de 2011. Turista italiana é raptada na cidade de Lisboa, mantida em cativeiro, agredida, e violada reiteradamente durante 3 dias. O agressor é detido pela Polícia. Verifica-se que, para além dos crimes de que é suspeito, encontra-se ilegal em Portugal. Presente ao tribunal, o juiz deixa-o sair em liberdade, ficando apenas obrigado a apresentar-se quinzenalmente na esquadra. Ao que consta, o Ministério Público não pediu prisão preventiva e um juiz não tem poder para decretar uma medida de coacção mais grave do que a pedida pelo Ministério Público. O suspeito nunca compareceu às apresentações periódicas e está em parte incerta.

  2. Ano de 2011. O Tribunal de Évora deixou sair em liberdade um indivíduo que durante dois anos abusou sexualmente de um menor que em Agosto viria mesmo a vender a uns espanhóis para trabalhar no país vizinho e ser explorado para práticas sexuais. A vítima, que hoje tem 15 anos, logrou escapar e contar a sua história à PJ, que deteve o suspeito. Ficou com apresentações quinzenais, mas as autoridades admitem que o homem fuja para Espanha, onde tem “muitas ligações”, consequência da sua profissão de feirante.
Estes crimes não comovem a nossa Esquerda Radical. Será porque envolvem minorias étnicas? (o suspeito do primeiro crime é guineense)
O facto de recursos humanos da PSP terem agora que ser usados para procurar e recapturar estes suspeitos em vez de estarem a ser usados para fins mais úteis também não incomoda a nossa Esquerda Radical.

deixado a 22/12/11 às 15:28
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Não sei quem é essa "Esquerda Radical", até porque eu sou bastante sedentário e não pratico desportos de qualquer tipo. Se a vir, mande-lhe os meus cumprimentos. E se acha normal um porta-voz da PSP pressionar jornalistas no sentido de fazerem uma boa notía para pressionar magistrados, então julgo que não tenho nada a discutir consigo.


Gentleman
Sinceramente, essa ousadia da PSP não me choca. O que me choca -- e choca cada vez mais portugueses -- é ter sido instalado um ambiente de completa impunidade e de desrespeito pelas vítimas. A Polícia, compreensivelmente, sente-se desautorizada e indignada. Tem muito trabalho para deter criminosos que, depois, são alvo da complacência da nossa Justiça.


A Esquerda Fracturante (espero que a terminologia já seja do seu agrado) é muito pouco sensível às vítimas. A não ser, claro, que essas vítimas encaixem num determinado estereótipo: mulher vítima de violência doméstica, homossexual discriminado, membro de minoria étnica discriminado, etc. Porém, perante os dois chocantes casos que mencionei, a Esquerda Fracturante fica num dilema: por um lado tem uma mulher vítima de violação, por outro tem um imigrante ilegal; num lado uma criança vítima de abusos sexuais; por outro, um membro da discriminada minoria étnica cigana.
O esquerdista fracturante fica bloqueado. Estereótipos de vítimas entram em conflito e o seu cérebro entra em curto-circuito... Por isso, remete-se ao silêncio.


Querem mais casos de dois-pesos-duas-medidas?
Os casos mais chocantes de racismo ocorridos nos últimos 10 anos em Portugal são, sem dúvida alguma, o sequestro por ciganos de pessoas para serem usados como escravos em Espanha. Sequestro, agressão, escravatura e racismo. Sim, racismo. Porque esse crimes têm por alvo não-ciganos, e são praticados com a aprovação ou consentimento de inteiros clãs ciganos. Imaginam o alarido que a nossa Esquerda Fracturante faria se uma comunidade de portugueses brancos sequestrassem para escravização ciganos ou negros? Pois... mas, neste caso, as vítimas -- pese embora alvo de uma manifestação extrema de racismo -- tiveram a infelicidade de não encaixar no estereótipo de vítima que vem nos manuais da Esquerda Fracturante...

deixado a 23/12/11 às 10:01
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Mephistos
Se incomoda a esquerda radical não faço ideia. A mim incomoda-me e não percebo como é que o Ministério Público não pede prisão preventiva, para mais tratando-se de estrangeiros ou de pessoas com contactos no estrangeiro. Contudo, apesar do choque que certos casos individuais se poderão revelar, convém acima de tudo deixar a justiça aos magistrados e concentarmo-nos em reformular a justiça enquanto instituição, mais do que opinar sobre casos individuais.  Quanto ao que é relatado no post, é da mais alta importância, e pouco tem de facto a ver com a justiça: "O vosso contributo é essencial para que as medidas de coacção sejam o mais lesivas possíveis para os suspeitos" - uma frase destas, ainda para mais escrita, não pode ficar sem consequências. Uma pessoa que ocupa um cargo público, ainda por cima um polícia, que diz uma coisa destas, revela uma grande incompreensão do que são os atributos da justiça, das funções da polícia, do principio da separação de poderes... Ou então o Sr Flor, percebe isto tudo muito bem, mas está-se a marimbar: em qualquer dos casos, está demonstrado que não deve continuar a ocupar o lugar onde está.
Mais, se não está contente com a magistratura, que se demita, e que lance uma campanha de debate sobre o tema, agora enquanto chefe da polícia, cm dizia o outro: não dá, né?!?!?

deixado a 22/12/11 às 17:01
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Joe Strummer

Se alguem ainda tivesse duvidas...

deixado a 22/12/11 às 15:42
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Mr. Zorg
Se isto é verdade, é muitíssimo preocupante mas, infelizmente, nada surpreendente.
Os polícias e outros agentes (como os da ASAE, por exemplo), há muito que sonham com um estatuto de estrela pop, que aparece nas notícias dos jornais e da TV, como o herói do dia que nos salvou de mais um mauzão.
Fico com a impressão de que se adoram a eles próprios e precisam de um palco onde possam exibir as suas aventuras. São egos, e os polícias têm sempre quem bem os afague...
Há promiscuidade entre polícias e jornalismo tablóide. Onde está a novidade?
Pois se a comunicação social parece saber sempre onde, quando e como se realizam as acções-espectáculo que a polícia nos oferece...
A novidade é a revelação do mail enviado pelo agente aos seus "Caros amigos de jornada", leia-se "jornalistas justiceiros". A expressão é deliciosa e todo um programa. Oh, se é...
Outra novidade deliciosa: ser o rei dos tablóides a dar a notícia.
Enfim, é o que há, e é muito, mas mesmo muito preocupante.

deixado a 22/12/11 às 16:21
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Há dias em que acho que certas pessoas da dita esquerda radical têm qq coisa contra a policia, e defendem os bandidos em detrimento destes.

Nos outros dias, tenho a certeza.

deixado a 22/12/11 às 17:35
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Esteves
Num estado de direito fica mal, digo eu, qualquer confusão de competências entre polícia e tribunais. A direita não se escandaliza porque a sua política judicial é a do mata e esfola, ao estilo Klu klux klan, ou à boa maneira grunho-popular. No fundo, defendem o mesmo que qualquer peixeira. O problema é termos de defender a democracia contra os impulsos cavernícolas desta gentalha. E é então que nos perguntamos: para quê? Razão tem o PM, mais vale emigrar. De preferência para um país onde a democracia não seja só a fingir.

deixado a 22/12/11 às 23:07
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Gentleman
Sim, sim. Emigra para um desses países heróicos resistentes ao "imperialismo" e fica a conhecer a polícia e a justiça de lá. Vais ver o que é bom para a tosse.


Esteves
Um dos "argumentos" típicos da mente cavernícola é defender o mau a partir de comparações com o pior. É o mesmo que defender o nosso waterboarding com a alegação de que o inimigo usa o ferro em brasa. Moralmente, é uma opção digna duma criança de oito anos. E discutir com adultos retardados é tão inútil como tentar ensinar princípios de higiene aos porcos.


Gentleman
Em contraponto, temos a elevação dos seus argumentos:


«A direita não se escandaliza porque a sua política judicial é a do mata e esfola, ao estilo Klu klux klan, ou à boa maneira grunho-popular. No fundo, defendem o mesmo que qualquer peixeira.»


De uma profundidade impressionante...

deixado a 23/12/11 às 19:45
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Felipe

Não adianta aos senhores interlocutores versos comentadores deglidiarem-se. Todos sabemos que em Portugal não temos uma equidade de direitos e deveres. É um País de faz de conta e ponto final. Paulo Flores, errou. Um oficial da PSP não pode ter tal atitude andando a enviar mails pedindo a colaboração dos jornalistas. A PSP só tem que fazer o trabalho para o qual foi instrumentalizada. Enquanto a lei não for interpretada comunemente e como então à luz de cada instituição ou entidade juridica, não serve ao comum dos mortais, fazer da sua justiça, ou apregoar o que lhes vai nos seus sentimentos. Conhecendo bem os meandros da sociedade judicial portuguesa apraz dizer-lhes que os casos são resulvidos judicialmente mediante a mendicidade da lei pelos juizes e na oposição dos advogados e não na gravidade dos factos. Vejamos as guerras entre forças policias e as operações envolventes. PJ abate em Leiria um correio de droga, para evitar a fuga e consequente atropelamento de um segundo inspetor; GNR, abate ladrão de cobre para evitar que este fugisse e o atropelasse; filho de juiz mata e apanha 7 anos de prisão...

deixado a 29/12/11 às 09:51
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