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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Dúvidas, dúvidas

Sérgio Lavos, 22.12.11

Aos indignados com as condolências do PCP na morte de Kim Jong-il: qual é a diferença entre a ditadura norte-coreana e a ditadura chinesa? Se agora viesse a empresa (estatal) de electricidade norte-coreana comprar a participação do Estado português na EDP, já se poderia dizer que é o normal funcionamento dos mercados e portanto o PCP estaria desculpado? Será que um partido não pode enviar uma saudação a um povo que perdeu o seu líder mas um Governo pode ceder o património do Estado a uma empresa pública de uma ditadura? E, já agora, como explicar esta venda a uma empresa com capitais 100% públicos no âmbito da política de privatizações - obrigatórias, de acordo com o credo neoliberal - deste Governo? Ah, a indignação selectiva dos nossos "liberais" - e alguns conservadores - de direita... um primor de hipocrisia. 

 

Adenda: No Blasfémias, alguém fica contentíssimo com a entrada da ditadura chinesa na economia europeia, sobretudo porque compra uma empresa em vez de financiar o diabo do "estado social". Ah, estes bravos defensores do capital são espectaculares. A democracia, a liberdade? Pormenores, grãos de areia na fantástica engrenagem neoliberal. Quem diria que o modelo chinês - um país, dois sistemas - seria o escolhido para o capitalismo do futuro?

 

Adenda 2: Os comunistas portugueses são obtusos. OK. E os chineses, serão o quê?

 

Adenda 3:  Vamos todos ignorar o "detalhe" da China "estar longe de ser uma democracia". Vamos! E a seguir, 'bora lá ignorar o "detalhe" da Coreia do Norte "estar longe de ser uma democracia" - deve haver com certeza alguma empresa pública nossa em que o Kim Jong-in esteja interessado.

6 comentários

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    Sérgio Lavos 22.12.2011

    Eu não sugiro nada, não sou um Estado. Mas portanto, deixe-me lá ver se eu entendo: pode-se negociar com ditaduras, mas não se pode mandar condolências a ditaduras? É isso?
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    JEM 23.12.2011

    Já vi que, apesar de tudo, prefere continuar a utilizar o seu teclado chinês  : )


    Podem-se mandar condolências aos povos de ditaduras, mas não pela morte do carcereiro-mor do gulag.


    Aconselho-lhe este livro para conhecer melhor pela morte de quem quer mandar condolências.


    http://www.wook.pt/ficha/os-aquarios-de-pyongyang/a/id/1995668 (http://www.wook.pt/ficha/os-aquarios-de-pyongyang/a/id/1995668)
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    Sérgio Lavos 23.12.2011

    Pois, aí é que está: eu não quero mandar condolências a Kim Jong-il. Os ditadores facínoras não são a minha chávena. Mas também fico aborrecido por ver empresas estratégicas portuguesas serem vendidas a empresas públicas de uma ditadura. E olhe, aquários há muitos. O actual regime chinês é o mesmo que matou milhões durante o "reinado" de Mao Tse-Tung e a seguir. E continua a matar. Se calhar mais do que o regime norte-coreano. Não, desculpe. De certeza que no presente, mais. Os "terroristas", como eles lhes chamam. Tibetanos. Cristãos. Muçulmanos. Dissidentes. Aborrece-me, que quer que lhe diga?
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    JEM 23.12.2011

    A China de hoje e a de Mao são muito diferentes. Mao foi o maior assassino de massas de sempre. A China era uma Coreia do Norte do tamanho de um continente. Com o pragmatismo de Deng Xiaoping muito mudou, e para melhor. 


    O regime tem-se aberto ao mundo. Não creio que ter uma postura antagónica e isolacionista com a China ajude um processo de maior abertura politica. Pelo contrário, iria fazer sofrer ainda mais a população (como acontece com o embargo dos EUA a Cuba). 


    Julgo que o melhor caminho será a progressiva integração comercial e a pressão diplomática inteligente (como o prémio nobel da paz para Liu Xiaobo).


    Por isso não me choca a venda de 21% da EDP às CTG. Para quem quisesse criticar, qualquer que fosse o comprador haveria sempre quem arranjasse um motivo (imagine o que se estaria a dizer se tivesse sido a E.On...).


    Acharei, sim, criticável se no futuro, por motivos comerciais, Portugal deixe de fazer pressão diplomática para que haja maior abertura política. 
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    Mike 24.12.2011

    O Mao o maior assassino?

    Foda-se pá... então não era o Estaline...

    Foda-se pá... andei estes anos todos enganado??

    Foda-se pá...
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