Domingo, 25 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Não será coincidência que, nesta época de solidariedade hipócrita e de caridadezinha cristã, quando os ricos aliviam a sua consciência pesada ofertando migalhas aos pobres, seja anunciado que a quebra na duração dos subsídios de desemprego, numa altura em que este cresce em flecha, poderá chegar aos 75%. A medida é burra e completamente errada em termos económicos. Mas é sobretudo uma afronta a quem andou anos, décadas, a contribuir para a Segurança Social, e se vê no desemprego. E é um crime, cometido em nome de uma ideologia neoliberal assassina. Não poderá haver desculpa. Espero que, mais cedo ou mais tarde, o povo demonstre a estes criminosos inspirados por ideias económicas extremistas que há limites para o delírio em que o país parece ter entrado. E seria melhor que fosse mais cedo. Antes que seja demasiado tarde.


por Sérgio Lavos
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19 comentários:
Rui F
Sérgio

Tu, eu e outros que tais sabíamos que estas coisas iriam acontecer.

Mas quando a esquerda à esquerda do PS se recusa liminarmente a qualquer tipo de conversação para construção de uma alternativa no campo do centro-esquerda (é a ÚNICA alternativa realista que pode aglomerar os Portugueses), é melhor preparar-nos para mais "molho". Sem alternativa de confiança centro-esquerda, Portugal continuará a eleger os que estão.
E o facto da CGTP sair das ultimas negociações com o governo, logo ao inicio da reunião (independentemente de estar cheia de razão), só veio dar razão aos cépticos. Certa esquerda não tem capacidade para ficar até ao fim de qualquer negociação, independentemente de declarar um retumbante não! Esta impaciência, impotência ou incapacidade, é a morte da alternativa possível.

Não te esqueças que foi o Povo que inventou a "máxima" (paradoxalmente era de esquerda): " Pra melhor está bem está bem. Pra pior já basta assim".

deixado a 25/12/11 às 13:15
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fernando f
É isso, mais social-democracia, mais partilha ideológica, mais lucidez.

deixado a 25/12/11 às 21:44
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"Pirralha...eu?"
Portugal presépio de lata da Europa.
http://www.youtube.com/watch?v=k1iURdc181A&feature=related (http://www.youtube.com/watch?v=k1iURdc181A&feature=related)
Cristina

 

deixado a 25/12/11 às 13:23
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Manolo Heredia
Vem aí a destruição da Sociedade de Consumo...
Vamos todos sobreviver a comer hortaliças produzidas nas hortas comunitárias das grandes cidades...
Há males que vêm por bem!

deixado a 25/12/11 às 14:12
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Com base em quê sustentas a afirmação "A medida é burra e completamente errada em termos económicos"? Dá-nos dois dados concretos para entender. Ou só um....

O povo votou de forma clara e esmagadora nesta política que, aliás, foi sublinhada pelos extremistas durante a campanha eleitoral e, ainda assim, apoiada pelo povo. A que povo te referes, aquele que despreza completamente as tuas ideias ou a outro especial de escolhidos por deus?

deixado a 25/12/11 às 16:46
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web/sniper
"O povo votou de forma clara e esmagadora nesta política ..."
Deve ser uma "rábula" natalícia. 

Aproveite a "quadra festiva" para ver, p. exº., o video http://www.youtube.com/watch?v=TZbfCbQounI (http://www.youtube.com/watch?v=TZbfCbQounI) e de segida leia o OE 2012.

Não coma muitas rabanadas, nem cometa outros excessos...

 


Pronto, e como não há deputados nem representantes do povo, o melhor é seguir a tua opinião...


web/sniper
Como dizia Jorge Luís Borges a democracia (representativa, entenda-se) não pode ser um abuso da estatística, nem uma crendice.
Quando se defende que as medidas que estão a ser tomadas pelo XIX Governo Constitucional foram sufragadas por 85% dos eleitores, estamos - exactamente - a cometer esse abuso (estatístico) ...e a viver de crenças (democráticas).




Isso é conversa da treta para quem viu as suas ideias recusadas as poder reciclar no dia a seguir. Foram sufragadas! E as contrárias também! Não há a menor dúvida sobre as contrárias, quem era contra o acordo da troika teve votações residuais. O PCP e o BE não representam ninguém.

deixado a 27/12/11 às 14:41
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Kirk
não sou economista mas a parece-me que a  medida  tem um significado similar á redução salarial porque no fundo é disso mesmo que se trata, duma redução "salarial" dos  proventos dos desempregados. De que maneira esta medida afecta o crescimento da economia? Esse assunto tem sido falado até á exaustão; parece lógico que, sem dinheiro para se comprarem bens a economia não cresce e em consequencia o Estado encaixa menos impostos. A questão que se pode pôr é se essa contracção salarial  fomenta as exportaçoes por aparente diminuição dos preços de produção.  Em Portugal aposta-se no cortte salarial em vez de se apostar na melhoria da prdutividade; esta, já o ministro Alvarinho dizia em Março em entrevista ao Expresso, nao depende dos trabalhadores, depende mais dos patroes que daqueles; o que se passa é que os patroes portugueses têm falta de cultura empresarial; muitos deles apostaram e apostam na descapitalização das empresas o que as torna menos concorrenciais. No limite, baixar o subsidio s de desemprego, baixar o nº de dias de trabalho que entram no calculo dese subsidio é um prémio  e um incentivo para que o tecido empresarial português nao se modernize. A capacidade produtiva portuguesa no momento actual não passa dos 80%. Isto é, tem margem de manobra de crescimento sem ser preciso recorrer a cortes salarias. Mas faz-se aquilo para o qual não é preciso governo algum: cortam-se salarios, uma coisa que até eu o o Tonibler faziamos de borla.
2/ É certo que o povo votou. Mas durante a campanha  tanto o PC como o BE se esforçaram para trazer á discussão  as consequencias economicas e sociais do acordo com a troika, pretensão á qual a comunicação social nao deu cobertura, deixando-os praticamente a falar com a "foca"; para alem disso, os partidos da governação, PS incluido, não estiveram minimamente interessados em discutir essas questões. Por outro lado convém nao esquecer que PCoelho  está afazer exactamente o contrario do que prometeu; circula na net um video bem ilustrativo; aliás, PCoelho, já  sacou o lugar de maior mentiroso a Sócrates. Acresce ainda que o mesmorando  assinado com a troika tem dado para dar cobertura a medidas que nunca lá estiveram, nem sequer em espirito. Podemos assim dizer que o povo votou apenas em algumas das propostas que Coelho apresentou. No resto tem sido enganado. Mas talvez seja assim mesmo, cada povo tem os governantes que merece.
K


1. O salário cresce com a produtividade, não o contrário. Economia é troca de trabalho, as pessoas devem receber pelo trabalho que executam, não para o contrário. A redução dos tempos de subsídio não é uma mera questão de poupança. Destina-se a pôr as pessoas a trabalhar e que o trabalho destas gere o emprego de outras. Se há pessoas que ainda assim não conseguem encontrar emprego depois desse período, então são casos a tratar individualmente e não a despejar dinheiro em cima.

2.Não é verdade. A generalidade das forças anti-democráticas como o MRPP, o PCP, o BE  ou o PNR  foram muito claros na sua mensagem e a expressão "partidos da troika" foi usada à exaustão. E é claro para toda a gente que as ideias desses partidos foram completamente rejeitadas pelos eleitores. Podemos alegar tudo relativamente aos vencedores das eleições, agora relativamente aos derrotados não há qualquer dúvida: o povo português despreza de forma inequívoca as ideias do BE, do PCP ou do PNR. Ainda assim, há deputados eleitos que representam os votos expressos que decidem sobre as leis em concreto e sobre as medidas. Eles são os representantes do povo e se votaram favoravelmente foi o povo que se expressou. Alguma dúvida adicional relativamente à democracia?


chapeleirolouco
"O salário cresce com a produtividade"

se fosse assim não haviam montes de estudos a demonstrarem que o aumento da produtividade não se traduz num aumento salarial. nem é preciso ser um génio para perceber que essa afirmação é descabida. e não me venha com friedman e companhia que essa seita já fez estragos suficientes.

"Destina-se a pôr as pessoas a trabalhar e que o trabalho destas gere o emprego de outras."
 
sim e num clima recessivo...acho que nao preciso de dizer mais nada. por outro lado, só pensa assim quem: 1) acha que a maioria das pessoas tem gosto em estar desempregadas; 2)  que o subsídio de desemprego é um "atirar de dinheiro" e não resultado das contribuições de cada individuo; ou 3) ambas as hipóteses anteriores.
 
e a parte dos "casos a tratar individualmente" traduz-se em receber o rendimento mínimo, passado muito pouco tempo, e destruir tudo aquilo pelo que a pessoa trabalhou até então pondo em causa assim também o trabalho de outras, isto porque o estado decidiu tirar o tapete dos pés ao pegar no dinheiro que essa pessoa descontou e atirá-lo aos tubarões (sabem quem são os tubarões). ou então como diz o grande salvador da patria -  "emigrem, pá".

em relação ao último ponto, "foi o povo que se expressou" sobre um programa fantasma.
de resto, e para quem tem alguma memória, sabe que o poder precisa de mitos para sobreviver. afinal, temos casos muito recentes em portugal de reeleições vergonhosas. e ao contrário do que pensas a história ainda não acabou, e as pessoas tem a oportunidade de mudarem de ideias, porque isso também faz parte do processo democratico.


Queres um estudo que prova exactamente o contrário e contra o qual não há argumentos????? Chama-se

PORTUGAL: MEMORANDUM OF UNDERSTANDING ON
SPECIFIC ECONOMIC POLICY CONDITIONALITY 3 May 2011


Abre os olhos!


chapeleirolouco
ora aí está uma coisa que nunca tinha visto... e que não tem sido martelada dia sim dia sim. esse documento devia ser denominado "chapa 5", já que é sempre a mesma solução para tudo. basta conhecer o historial do fmi.

agora, eu estava apenas a contrapôr a afirmação de que o salário cresce com a produtividade. basta  olhar para os estados unidos para perceber que isso não é assim.

deixado a 29/12/11 às 15:22
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JEM
Quando uma ideia não se consegue justificar num plano racional ou lógico, passa-se para um emocional. É um vício comum a quem não consegue justificar as suas ideias.


Por exemplo, o Sérgio Lavos poderia demonstrar com base em teorias económicas ou em análises empíricas os efeitos destas medidas. Mas sujeitar-se-ia a que os seus argumentos fossem desmontados.


Se se limitar a fazer ataques ad hominem e a pôr em causa a moralidade ou as intenções de quem tomou essas medidas, aparenta estar num patamar ético superior, sem se expor à desconstrução dos seus argumentos, pois não têm qualquer fundamento em termos de lógica.


É uma posição eticamente e intelectualmente inferior, mas mais cómoda em termos argumentativos. 


PS Não me refiro apenas a este post...

deixado a 25/12/11 às 23:05
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monseigneur
"O povo votou de forma clara e esmagadora nesta política"

hhmm, tens a certeza?

deixado a 26/12/11 às 17:07
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Kirk
Eu tb gostava de ver o Povo sair da zona de conforto em que se acoita para responder ao bando dos 12. Mas parece haver um grande fatalismo, uma aceitação sem luta da degradação social e economica deste povo. Talvez as pessoas que mantêm os empregos ainda não tenham batido mesmo no fundo. E quanto aos desempregados tenho dúvidas. Para mim era de supor que a manifestação de 24/11/11 tivesse muita mais gente que a que teve se os desempregados ali acorressem;  mas a ideia com que fiquei é que há entre o o Povo muitos comodistas á espera que a solução lhes caia do céu Talvez estejam á espera dum milagre que  inverta o sentido da situação.
Quando falo de Povo não me refiro apenas aos grandes centros urbanos onde parece que a resposta pelo menos em sectores especificos é mais fácil. Mas se estamos á espera doo povo do País dá-me a ideia que podemos esperar sentados. Pelo menos para já.

deixado a 25/12/11 às 17:18
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Observatório Da Esquerda Fracturante
"Espero que, mais cedo ou mais tarde, o povo demonstre a estes criminosos inspirados por ideias económicas extremistas que há limites para o delírio em que o país parece ter entrado. E seria melhor que fosse mais cedo. Antes que seja demasiado tarde."

Parte do povo simplesmente espera que surja um novo Oliveira Salazar, vindo ninguem sabe muito bem de onde. Outra parte está-se a preparar para abandonar definitivamente o país, por considerar que a situação está de tal modo degradada que nem vinte Salazares conseguiam já resolver, ainda que apenas parcialmente, os problemas de Portugal.
E depois há tambem um sector acima do povo, o sector da esquerda  do eixo Bica do Sapato/Lux, que não compreendendo nada da psicologia do povo português, com quem pouco contacto pessoal tem, vai coçando a cabeça sem perceber porque motivo as suas teorias revolucionárias, segundo as quais as sujas e mal cheirosas massas populares deviam reconhecer nos homens e mulheres da esquerda Gucci os seus lideres naturais, não parecem funcionar na realidade portuguesa.

deixado a 25/12/11 às 22:41
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"... o povo demonstre a estes criminosos inspirados por ideias económicas extremistas que há limites para o delírio em que o país parece ter entrado"


Mas isso foi feito em Junho, nas eleições !!!!!

deixado a 26/12/11 às 17:37
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