Terça-feira, 27 de Dezembro de 2011
por Daniel Oliveira

 

 

Há uma enorme indignação com a greve dos maquinistas da CP. No caso, fizeram uma greve total para impedir os processos disciplinares contra alguns dos que aderiram à greve anterior. A CP não pode ficar refém dos maquinistas, diz-se. E os maquinistas podem ficar reféns do autoritarismo da administração da CP?

 

Confesso que não me deixo de espantar com a esquizofrenia argumentativa que se instalou no nosso País. Quando se fala de leis laborais, abandona-se o discurso moral e ético. As coisas são como são e nós temos de ser competitivos. Quando se fala da dívida também só há pragmatismo. Devemos a quem devemos e eles têm a faca e o queijo na mão. Quando se fala da Europa é a lei do mais forte que conta: eles mandam e nós obedecemos. Quando se fala dos mercados não vale a pena tentar negar a realidade. Quando se fala dos trabalhadores o discurso moral aparece como por milagre. E já interessa saber não apenas o que é mas o que devia ser.

 

Vou usar a mesma lógica que parece ser aceite como indiscutível: sem maquinistas os comboios não andam. Como é uma profissão que exige especialização, não podem ser substituídos de um dia para o outro por um qualquer avençado a recibos verdes. Tudo isto dá-lhes força. E eles usam esse poder em seu favor. Não é assim que as coisas funcionam?

 

Claro que sou dos que acham que os sindicatos não devem representar corporações profissionais dentro de uma empresa. Independentemente da razão que assiste aos maquinistas, defendo um sindicalismo de classe. Ou seja, em que a solidariedade faz com que os trabalhadores, com mais ou com menos peso negocial, lutem juntos por todos os grupos profissionais de uma mesma empresa ou sector. Até porque as lutas isoladas de trabalhadores com mais peso negocial tendem a criar injustiças e desigualdades dentro de cada empresa. Mas eu tenho autoridade para o escrever.Quem defende a inevitabilidade da lei do mais forte só tem de aguentar. Não gostam da luta dos maquinistas? Aprendam a conduzir comboios.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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75 comentários:
Silva
A falsidade do despedimento colectivo do CASINO ESTORIL, que mais tarde ou mais cedo se descobre quem está por detrás deste crime. A cobardia de se esconderem atrás de nomes importantes levou ao despedimento de 112 pessoas com ajuda dos organismos do estado que deviam salvaguardar o emprego, quando por motivos ilegais. 

deixado a 27/12/11 às 11:28
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MetroidSamus
Acho que sei o que os fedorentos do costume vão "argumentar" :)

deixado a 27/12/11 às 11:40
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Gentleman
Não sejas ingénuo, rapaz... Os sindicatos dos maquinistas e dos pilotos fizeram mais pela descredibilização do sindicalismo e do instrumento da greve do que qualquer campanha de Direita alguma vez conseguiu. 

Depois vê-se a Esquerda perdendo votos, vê-se os governos de toda a Europa sendo progressivamente tomados  por partidos de Direita e a Esquerda Fracturante não compreende porquê. Afinal, estamos numa crise do capitalismo e o povo devia pôr-se ao lado dos críticos do capitalismo. Era, não era? Pois...



Rui F
Gentleman

Eu não concordo com esta greve mas dizeres..."...e depois vê-se a Esquerda perdendo votos, vê-se os governos de toda a Europa sendo progressivamente tomados  por partidos de Direita..."
Foi no passado.

Embora com base em alianças (com a direita era igual), a esquerda social democrata - onde o PSD não cabe -  já está a regressar ao poder. São os ciclos políticos tal como os económicos ou meteorológicos.


Gentleman
Dinamarca e Bélgica? É isso?
Pois, mas ao mesmo tempo Portugal, Espanha e Reino Unido passam para a Direita...
A Europa pende muito mais para a Direita do que para a Esquerda neste momento (clica no botão Play do seguinte gráfico http://www.guardian.co.uk/world/interactive/2011/jul/28/europe-politics-interactive-map-left-right). Não é surpreendente que na maior crise do capitalismo desde os anos 30, a Esquerda não conquiste eleitorado?!


Rui F
Portugal e Espanha são PIGS e estão a ser comandados externamente. Não contam e é como se não existissem.Esta direita cá são apenas autómatos.
O Reino Unido já teve dias muitíssimo melhores.
A direita estar nestes países é absolutamente contingencial, pois eles não contam.
Conta sim a França e a Alemanha, especialmente a Alemanha que está a dar a guinada à esquerda sob o ponto de vista das regiões, para começar.

deixado a 29/12/11 às 08:27
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MetroidSamus
Moço, estou longe de ser ingénuo. Mas tb estou longe de ser maniqueísta (veja lá que até concordo que muito do nosso sindicalismo, enfim... e no caso do da educação, enfim elevado ao cubo). Mas pelos comentários que mal comecei a ler acertei no tipo de "argumentação" usada. Um exemplo- greves, sim, claro, q somos todos democratas, mas só se não prejudicarem ninguém. E, em todo o caso, a pergunta persiste: Não é a lei do mais forte? É sim, ou é um sim à portuguesa (i.e., sim, mas devagar, pois como consta no artigo xxx do código yyy nas  alineas a, b , c e d, trata-se de um rotundo não).

deixado a 27/12/11 às 19:35
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C. Serra
Nasci num tempo  em que o meu pai era sócio do Sindicato de Ferroviários. Depois, tal como na TAP com os pilotos, os ferroviários que "pilotavam" os comboios perceberam que, sozinhos, tinham um poder dentro da empresa que os outros camaradas não tinham. E criaram um Sindicato elitista, que tornou, quer a empresa, quer os passageiros, reféns dos seus (corporativos) interesses de classe.

E, até chegar esta administração, deram-se bem.

Com José Benoliel a presidir aos destinos da empresa, duvido que consigam levar a água ao seu moinho com a mesma facilidade com que o fizeram no passado. Desta vez, ou ele mudou muito, ou o sindicato encontrou um osso bem duro de roer.

deixado a 27/12/11 às 11:46
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A greve dos maquinistas que ganham muito bem e tem centenas de regalias que mais ninguém tem como ontem o seu colega de jornal Miguel Sousa Tavares explicou não foi feita contra a administração, foi feita contra a população nos dias mais críticos do ano.

Isto são factos.

 

E foi feita para passarem por cima de decisões dos Tribunais arvorando-se eles próprios em advogados de defesa e juízes.

Isto são factos.

 

Podiam muito bem fazer greve para pressionarem a Administração no sector da carga ou então não conduzirem comboios nos períodos fora das horas de ponta ou no horário nocturno.

Pois podiam mas não era a mesma coisa pois já não prejudicavam dezenas de milhares.

 

Tirando o senhor Daniel Oliveira, um Robin dos Bosques moderno, em todos os fóruns os maquinistas foram tratados como merecem, espero sinceramente que os processos disciplinares cheguem ao fim e acabem no olho da rua.

 

Não é assim tão difícil arranjar maquinistas e se os 1100 que ficarem trabalharem como trabalham na outra empresa que transporta passageiros, sim a Fertagus, até devem chegar metade.


deixado a 27/12/11 às 12:12
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Nightwish
É extraordinário como há gente que acha que as greves só devem ser feitas quando não chateiem ninguém, tal como os protestos. Mas agora como a história vai ser prioridade do Crato... Ai, espera, é a Geografia...


Já quanto aos privados serem melhores, deve ser a tal magia do privado... é como quando os portugueses saem de Portugal, ficam logo os trabalhadores mais  produtivos. Magias...


Albano
"é como quando os portugueses saem de Portugal, ficam logo os trabalhadores mais  produtivos."

Até no futebol !

deixado a 27/12/11 às 19:19
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Joe Strummer
As greves só são boas se não provocarem desconforto às pessoas e as medidas do governo só são boas se sacarem dinheiro às pessoas. É isto não é?


A greve era logicamente contra a administração da CP.

Viu algum administrador preocupado com ela?

Viu algum administrador prejudicado por ela?

Então procure saber quem foi prejudicada e terá a resposta às suas dúvidas.



Joe Strummer

O simplismo da sua argumentação levou-me atraves de um raciocinio simplista a considerar que
dada a ineficacia da greve em incomodar a administração (por pura incompetência desta), futuramente se considerem ameaças pessoais e selectivas. Um sniper p/cada membro da administração, o rapto dos seus familiares ou a escuta das suas conversas mais privadas. Serve?

Parece considerar que os efeitos de uma greve não responsabiliza a administração, mas é precisamente o contrario, uma administração deve ser responsabilizada por tudo o que acontece numa empresa e o facto de não se incomodarem com a greve só quer dizer que não são dignos do lugar que ocupam.
Do que se trata é que o governo domina o meio mediatico (o problema não é a Popota) e rapidamente consegue manipular a opinião publica atraves do spin oficial lançando o odiento da questão sobre os trabalhadores. O seu problema é só e unicamente perceptivo e a ele subjuga todo e qualquer conceito de legalidade democratica.


uma administração deve ser responsabilizada por tudo o que acontece numa empresa
 
Estamos a falar de uma empresa pública onde acontecem duas coisas muito interessantes:
 
Primeiro as admnistrações nunca são responsáveis por nada.
Segundo os trabalhadores sabem que mesmo que os prejuízos sejam do tamanho dos extintos dinosauros os seus postos de trabalho nunca serão extintos.
 
Como é que isto se resolve?
Sei mas agora não vou dizer para permitir que outros dêem opiniões.
 
Um aparte; a opinião publicada foi daqueles que sentiram na pele a greve e foram bastos milhares.
Até eu que tive que usar o carro quando tinha o L12 no bolso.


Joe Strummer

Qual é a empresa privada de transportes ferroviarios que conhece em toda a Europa?

O seu silogismo é deslumbrante. Como uma administração não pode ser responsabilizada por nada (por ser publica) responsabilizem-se os trabalhadores que estão em luta com a administração. Democratico até ao tutano.

Os postos de trabalho não são extintos, porque os comboios precisam de maquinistas o que pode ser "extinto" é o trabalhador, não a função.

Quanto ao facto de ter o L12 e ter passado pelo incomodo de utilizar o carro, por favor preciso ajude-me, é que eu (felizmente) nunca tive dividas na minha vida e sacaram-me parte do susidio de natal. O que fazer? telefonar para que forum? para que jornal?
para que opinião publicada?


O post vai muito longo e com uma "idade" que já não se compadece com estes novos tempos de internet, e por isso agradeço-lhe o seu educado comentário e vou responder pela última vez.

Eu limitei-me a enunciar duas verdades muito duras e obscenas mas que não é por isso que deixam de o ser.
Comungo do seu desâmimo, também eu não tenho dívida nenhuma a ninguém e sacaram-me o que a si lhe roubaram e no fundo a quase todos nós.

Nunca fui a Cancun em pós-pago nem sequer ao AllGarb, também não tenho nada começado pelo famoso I (Pad, Pod, Puta que os pariu).

Eu presumo que sei quem foram os culpados e tenho quase a certeza que são inimputáveis.

Caro senhor aguentar e um feliz ano novo.


Joe Strummer

Fado, vou resistir e lutar, não tenho feitio para aguentar.
Um bom 2012 para si tambem.

deixado a 29/12/11 às 18:51
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Gentleman
E a legalidade democrática de cumprir os serviços mínimos? Já não importa para si?
Admiro o seu esforço em tentar encontrar alguma réstia de legitimidade moral nesta greve...

deixado a 28/12/11 às 14:43
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xupins
fogo.. tantos!!! era só declarações de quanto aquilo ia custar à empresa e patati patata... 
preocupados com o serviço não, mas com os bónus vi...

deixado a 28/12/11 às 09:55
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Rafael Ortega
" Não gostam da luta dos maquinistas? Aprendam a conduzir comboios."


Então e se a empresa arranjar pesoas capazes de conduzir comboios pode mandar estes tipos para o olho da rua? Não? Bem me parecia...


Estes gajos estão a fazer greve não por considerarem os resultados dos inquéritos em curso injustos, ou que tenha havido irregularidades na sua condução. Estão a fazer greve simplesmente por quererem o arquivamento. Assim mesmo sem se investigar nada. É ridículo.

deixado a 27/12/11 às 12:15
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Ana Luisa

Sou a favor da luta dos trabalhadores por melhores condições e contra a exploração a que muitos e muitos são sujeitos mas que atitude foi  esta que os maquinistas da CP tomaram num país no estado em que está , numa época em que as familias se reunem ( e nem todos tem carros para se deslocarem)prejudicando gravemente a vida das pessoas? Prejudicaram quem ?? Os mais desfavorecidos ,não os que se deslocam em carros de alta cilindrada e até com motorista!! Vão-se catar cambada de oportunistas. Que esquerda é esta que defende reivindicações deste calibre? É só para serem do contra..sempre, em todas as circunstâncias porque não há nenhum manual que diga que ser contra os mais desfavorecidos é ser de esquerda..isto tb se aplica a outras situações: não pagar dividas, ser a favor do aborto..enfim foi nisto que a esquerda se tornou!! Gosto da soberba com que escrevem estes posts..como se fossem donos da verdade..

deixado a 27/12/11 às 12:22
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Anónimo
Gosto da soberba com que escrevem estes posts..como se fossem donos da verdade..


Não deves ter espelhos em casa, pois não?

deixado a 27/12/11 às 15:59
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" ser a favor do aborto..enfim "

Ana Luisa,

Sabia que a natalidade aumentou em portugal desde que a lei sobre IVG foi implementada???

Afinal enfim o quê????


http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/saude/nasceram-mais-de-100-mil (http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/nacional/saude/nasceram-mais-de-100-mil) 



 

deixado a 27/12/11 às 21:38
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Falcão
Nem mais nem menos Daniel.

E para aqueles que só querem ver do caminho os primeiros centimetros, e que costumam vir com o argumento que os utentes dos comboios é que ficam prejudicados, então que pensem na imensidão de portugueses que ficam prejudicados, e não só por um dia ou dois, com as imposições e distorções dos fundamentos da lei laboral, da Europa e dos já famosos mercados. Quando há "guerra" usa-se as armas que ainda temos há mão. E não me venham com a treta argumentária dos radicalismos, pois, por exemplo, ser despedido por SMS é bem mais radical.

deixado a 27/12/11 às 12:27
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joão
A Lei da Greve é uma farsa, como farsa é quase tudo o que derivou do 25 de Abril. É uma farsa porque é um privilégio que só abrange para aí 1/5 ou menos dos trabalhadores portugueses. A esmagadora maioria dos portugueses não pode fazer greve, ponto final !

Depois quem é que faz greve ? Os protegidos do 25 de Abril, e a quem unicamente ele beneficiou: Empregados do Estado e Empregados das Empresas públicas. Curiosamente, empresas públicas e estado, entidades mais do que falidas e grandes responsáveis pelo buraco em que estamos metidos.

Os maquinistas, como os pilotos da tap por exemplo, têrm tido as administrações na mão com a conivência do poder politico da esquerdalhada. Usam os restantes trabalhadores como carne para canhão para os seus privilégios acumulados.

De facto os maquinistas da CP são gente com pouca dignidade, que merece pouco respeito. Conhecem a Lei da Greve mas não conhecem a Lei dos Serviços Minimos que desrespeitam com total desprezo pelos contribuintes que lhes pagam.

Como disse alguém ha dias, têrm todos os direitos, não têm práticamente obrigações nenhumas. Estão empregados numa empresa falida mas de uma coisa têm a certeza: nunca serão despedidos, ao contrário dos restantes trabalhadores, e para eles tem de haver sempre ordenados ao fim do mês mesmo que a empresa não tenha dinheiro, porque se não o tiver, entra o dinheiro dos contribuintes em jogo. Contribuintes que ganham na sua grande maioria muit menos que eles, que não usufruem dos direitos e dos privilégios desta gente e a quem eles chulam duplamente.

deixado a 27/12/11 às 12:33
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Esteves
Um comentário paradigmático do ressentimento social e da invejazinha que grassa pelas mentes subdesenvolvidas e subdemocráticas do português médio. Boa era a lei da greve da ditadura. Ou a justiça da ditadura. Ou o futebol da ditadura.

deixado a 27/12/11 às 22:54
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xico
Os processos foram contra os que fizeram greve? Ou contra os que não cumpriram os serviços mínimos?
E quanto a reféns: Os maquinistas podem recorrer ao tribunal se a administração agiu ilegalmente e a administração pode recorrer ao tribunal por causa dos prejuízos da greve?
São dúvidas que tenho. E sou a favor das greves, mas contra quem as queira usar como arma para defesa de corporativismos...Esses estão a destruir o direito à greve.

deixado a 27/12/11 às 12:36
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xico
Confesso que não estava à espera deste argumento vindo do Daniel:
"Não gostam da luta dos maquinistas? Aprendam a conduzir comboios."
É que podia merecer uma resposta deste tipo:
"Não gostam do que a administração lhes propõe? Aprendam a fazer outra coisa, porque estão despedidos!"

deixado a 27/12/11 às 12:40
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trabalhador
certo! paguem o que devem!

deixado a 27/12/11 às 15:14
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Rui F
Confesso que também não estava à espera.

Resumindo, o DO só legitima aqueles que defendem a revisão do código do trabalho.

Desta visão "olho por olho", à selvajaria e desconfiança entre classes e organizações é um passo muito curto.

Além disso os argumentos desta greve são mesquinhos e vingativos. Nem sobre melhoria salarial ou outro tipo de questões se trata.

deixado a 27/12/11 às 16:59
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