Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011
por Ana Mafalda Nunes

 

 

O conceito ”boxing day” aparece em Inglaterra algures na Idade Média e das trevas . Ao 26º dia de Dezembro as classes altas encaixotavam as sobras da luxúria natalícia e doavam-nas aos criados e aos pobres. Enquanto a plebe se deleitava com a folga e os restos, os senhores celebravam o Santo dia do Estêvão e da abertura das caixas de esmolas, pavoneando-se em jogos, corridas de cavalos, caçadas, etc.

 

É certo que os tempos que mudam, fazem também mudar a aparência das tradições. Hoje nem a caridade é o que parece, nada se oferece, apenas se troca ou se vende. Nos nossos dias, é o povo quem engorda as caixas dos Senhores. A obscura origem das coisas permanece… sempre o capital, que como um polvo alastra e estende os tentáculos para fora das fronteiras de origem.

 

Na maior parte dos países anglófonos, Boxing day é sinónimo de folga, também conhecido como feriado dos bancos, o descanso da extenuante actividade de extorsão bancária. A tradição dos jogos mantém-se, é o ponto alto da liga Inglesa, do desporto milionário, que gera milhões batendo todos os recordes do ano em audiências televisivas. E é ainda o dia dos restos, que não se dão, as grandes cadeias comerciais promovem chorudos descontos, ou sob outro ponto de vista, margens de lucro menores, como chamariz para estimular o consumo e escoar os excedentes.

 

Ora, o nosso país que sofre de imunodeficiência consumista, não tardou a contrair a febre do “dia do caixote” que pode também ser “black Friday”, ainda que a data não coincida, ou como diria o papa na homilia da hipocrisia, consumerist delirium (delírio consumista). Esta tarde, a ver pelas filas para o estacionamento e pelo corrupio nas portas do castelhano corte inglês, cheguei, sarcasticamente, a questionar se teria havido uma tolerância de ponto de ultima hora, ou se teria soado a sirene do fim da crise e eu não teria escutado... afinal, tratava-se da celebração do júbilo do capital, o derradeiro culminar do consumismo barrigudo, de barbas brancas e barrete vermelho.  

 


por Ana Mafalda Nunes
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21 comentários:
Observatório Da Esquerda Fracturante
Da minha experiencia pessoal fui-me apercebendo que  entre os mais consumistas de todos contam-se os homens e mulheres da chamada esquerda de luxo ou esquerda caviar/fracturante... façam o que nós dizemos mas não façam o que nós fazemos, parece ser o lema desta super consumista esquerda!
Eu é que não posso dar-me ao luxo de fazer o que essa esquerda faz....não tenho o dinheiro que eles têm, que o meu pai era um operário e não um burguês!

deixado a 26/12/11 às 22:01
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Anónimo
Sim, sim, era vê-los! Filas deles com o cartão de filiação do partido colado na testa (porventura tatuado) para que só o Observatório e ninguém mais além do Observatório os vissem. Aos magotes deles! Tudo de esquerda porque tinham braço, perna, colhão/mama, olho e narina esquerdos.
E o Observatório no meio deles pois também é de esquerda já que tem braço, perna, colhão/mama, olho e narina esquerdos.

deixado a 27/12/11 às 02:03
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anonymous
Há cada acéfalo aqui a comentar..


A este só lhe falta dizer que o Cristiano Ronaldo é um intelectual marxista. (o real as vezes joga de vermelho!)

deixado a 27/12/11 às 02:06
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Antonio Eliseu
Foi a incoerência da esquerda fracturante que trouxe o desencanto a todos os que acreditaram e deram o corpo pelos ideais de esquerda. Sempre na 1ª linha a "defenderem os trabalhadores  contra o grande capital" mas depois na prática são fondues, caviares, bons restaurantes ,destratar  os empregados,papagueando extremismos sempre  bem instalados na vida..só conversa..aliás só foram coerentes apoiando Socrates que nunca fui nem será nem sabe o que é a esquerda. 
O Boxing day é uma tradição dos paises anglosaxonicos seguida tb nos que fazem parte da Commonwealth. A esquerda caviar quer destruir todas as tradições desde o Natal , à musica da festividade, à religião( então nem se fala..) e agora até mete o bedelho nas tradições de outros paises mas depois enchem os centros comerciais com as compras mais caras.
.

deixado a 27/12/11 às 11:52
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web/sniper
A verdade é que todos - a esquerda, o centro e a direita - vivemos nessa limousine liberal. Quem se apear (desta limousine proteiforme) torna-se, nestes tempos de globalização, imediatamente, um excluído.
Sendo assim, poderemos concluir que, afinal, o consumismo não será (per si) um mal maior, caso não seja "sutentado" por um acesso descontrolado ao crédito. O busílis não estará "aqui"?

deixado a 27/12/11 às 12:39
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Observatório Da Esquerda Fracturante
Era interessante o Arrastão publicar a provavelmente super chiquérrima lista de compras de Natal dos seus bloggers....palpita-me que essa lista não destoava em nada das listas de compras dos bloggers "queques da Lapa" de alguns blogs de direita. 

deixado a 26/12/11 às 22:14
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JJ
Os ricos apenas o são por explorarem os pobres. Não há caridade.


Alguém esqueceu-se de tomar os comprimidos antes de escrever este post...

deixado a 26/12/11 às 22:28
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JEM
Ouvi dizer que na Coreia do Norte não há boxing day. O socialismo matou o polvo capitalista. Em especial nos campos de concentração.

deixado a 26/12/11 às 22:39
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José Peralta
Pois ! E em Vila Nova do Caraimo...também não !

(A Coreia do Norte, vem aqui muito a propósito !!!!)

deixado a 27/12/11 às 02:39
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Excelente vista panorâmica sobre este dia!

deixado a 26/12/11 às 22:44
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É para dinamizar a economia!

deixado a 26/12/11 às 22:54
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José
Porra. Os capitalistas e os ateus são os culpados de todo os males do mundo. E os judeus. E os imigrantes. E os pretos. E os.... Basta mudar a crença e há sempre alguém culpado de todos os males do mundo. Viva o preconceito.

deixado a 26/12/11 às 23:47
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Esteves
Ou então: dos males do mundo ninguém é culpado, as coisas são assim mesmo e não há nada a fazer, a desigualdade é tão natural como a chuva, é perfeitamente normal haver quem durma na rua, não vale a pena tentar mudar absolutamente nada porque vivemos no melhor dos mundos possíveis, etc., etc.

Com esta mentalidade nunca a escravatura teria sido abolida, os horários de trabalho continuariam a ser de 16 horas/dia (mas para lá caminhamos), seria perfeitamente legal e natural que crianças de 8 anos trabalhassem em minas, a pena de morte nunca teria sido abolida e poderíamos assistir a autos-de-fé todos os domingos, etc., etc.

deixado a 27/12/11 às 23:03
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Aquifolivm
Nem de propósito, e na sequência do "post" do Daniel, passou a notícia das ditas bichas no centro comercial no Telejornal. Serviço público no seu melhor. 

deixado a 27/12/11 às 00:15
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José Maria Dostoievky
Sem compra há desemprego.

é que isto é tipo gorda que não come o gelado nem deixa comer.

Não gosta do boxing day, não compra no boxing day.

Prefere comprar Carlos Zaflon? que vai dizer a gorda: compra maionese?

 

deixado a 27/12/11 às 00:54
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Que saudades que você tem das filas para o pão, não é ?!!!!

A Mafalda lembra-se nos anos 80 quando se racionava o leite em Portugal ?

Ah quando éramos todos pobres e miseráveis !!!!! Que saudades ....

deixado a 27/12/11 às 10:15
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Slint
Agora somos pobres à mesma, mas andamos com iphones e ipads e todas essas coisas com "i" atrás. É altamente necessário para a sobrevivência da especie humana possuir tal aparelhemetro.
É a ideia com que fico a julgar pela quantidade de tweets de adolescentes desse país de labregos mais conhecido como EUA a insultarem os seus pais por não lhes ter sido oferecido um iphone pelo natal.

deixado a 27/12/11 às 18:41
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Anónimo
Pobres, miseráveis e digo mais, indigentes, desvalidos e miserandos. Terríveis anos 80. Ainda me lembro, a maior parte das crianças só tinha um braço, porque o outro tinha sido comido pelos irmãos. E muita gente - é incrível! - andava a pé. Ou de bicicleta! Quem queria estupidificar-se só dispunha de dois canais televisivos, e à meia-noite todos para a caminha. Abominação. O pão era feito com farelo de ortiga. Eu vi, eu vi os cadáveres empilhados nas ruas. E a primeira vez que ouvi alguém a rir foi em 87, quando Cavaco alcançou a primeira maioria absoluta. Foi horrível horrível.

deixado a 27/12/11 às 23:12
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