Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011
por Bruno Sena Martins
A ode ao empreendedorismo sob a mistificação da 'crise como oportunidade' labora no vício neoliberal da competição individualista, do 'salve-se quem puder'. A crise é uma oportunidade, isso sim, para acabar com a lógica predatória cumprida e incitada pelo empreendimento capitalista. Uma oportunidade para a revolução. Empreendedorismo o caralho.

por Bruno Sena Martins
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59 comentários:
JPT
"Empreendedorismo o caralho! Viver do empreededorismo dos outros, sempre!" Não rima, e a métrica não é perfeita, mas não está mal como lema, não senhor. E, para mais, enquanto se grita não se passa fome (não viu o funeral do Kim, ontem?)

deixado a 29/12/11 às 15:23
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Bruno Sena Martins
Caríssimo, JPT, por tentador e conveniente que seja tirar a  'punch line' do seu contexto, ela ... tem um contexto. No caso umas quantas (poucas) linhas antes. Não é o empreendedorismo em abstracto que se critica, mas dois tipos de lógicas empreendedoras: 1) a lógica capitalista global no que tem de competitiva e predatório; 2) A ladainha escapista  de que a crise é uma oportunidade para a iniciativa individual florescer. 


Com ou sem palavrões (no caso, o meu), seria bom que nos ativéssemos aos argumentos. 


Cumprimentos


JgMenos
Onde há empreendedorismo há competição - é indiferente ser em capitalismo ou em qualquer utopia.
Se o ser capitalismo o torna necessáriamente predatório é matéria de discussão.
Mas é em capitalismo que vivemos e viveremos!
E capitalismo sem condições que estimulem o empreendedorismo é miséria; e essa miséria não nos trará o socialismo...

deixado a 30/12/11 às 11:29
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Gentleman
É graças ao empreendedorismo capitalista que o Bruno pode comprar um computador potente, fiável e a um preço acessível. É graças a esse mesmo empreendedorismo capitalista que o Bruno pode ter em sua casa todo um conjunto de electrodomésticos que lhe poupam tempo e esforço. Esse empreendedorismo colocou ao seu alcance automóveis fiáveis e confortáveis. É graças a esse mesmo empreendedorismo capitalista que o Bruno, quando vai a um hospital ou farmácia, beneficia de máquinas e fármacos que lhe podem salvar a vida.

Essas benesses todas que a maioria de nós nem valoriza devidamente foram possíveis devido ao capitalismo, não devido ao socialismo.  São fruto do empreendedorismo. E o empreendedorismo é a mistura de engenho e da capacidade de correr riscos. O empreendedorismo é arriscado. Não é para pessoas que só buscam estabilidade na vida. Por isso é que há pouco empreendedores.

deixado a 29/12/11 às 15:42
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Bruno Sena Martins
Gentleman, como terá o gentileza de conceder eu ataquei a "lógica predatória cumprida e incitada pelo empreendimento capitalista". 

deixado a 29/12/11 às 15:56
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LAM
O que é que uma coisa tem com a outra? Por essa lógica, teríamos então ficado pelo esclavagismo. Consta que já existiam empreendedores, máquinas agrícolas e outros bens.


Gentleman
Esclavagismo foi abolido antes do advento do socialismo. Aliás, foi o socialismo real que o viria no séc.XX a ressuscitar sob a forma de gulags...


O empreendedorismo é absolutamente vital para o progresso humano, económico e tecnológico.


LAM
Insisto: o que é que uma coisa tem a ver com a outra?
Empreendedorismo é uma atitude social, não é uma forma de organização social. Como tal não é exclusivo de nenhum regime político.  Difícil de entender? 


Gentleman
O empreendedorismo também pode existir numa sociedade socialista. Mas é muito mais difícil do que no capitalismo.

deixado a 29/12/11 às 19:59
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"Essas benesses todas que a maioria de nós nem valoriza devidamente foram possíveis devido ao capitalismo, não devido ao socialismo".


Que disparate!


Todas essas benesses são consequência do avanço do conhecimento científico e tecnológico. São um bem da humanidade em geral. 


O erro é permitir-se que tudo isso agora funcione em benefício de muito poucos que nada contribuiram para tais avanços. Num mundo com menos sangessugas, o avanço tecnológico não seria motivo para despedir em massa e aumentar o horário de trabalho, mas sim diminuir o horário de trabalho.


Aliás, parece-me que será esse o único caminho para atingir um verdadeiro equilíbrio social. Doutra forma, os supostos equilíbrios são falsos e temporários.


Gentleman
Esse avanço científico e tecnológico foi, muito dele, obra de empresas. Além disso, só se materializou em produtos práticos, fiáveis e avançados devido ao empreendedorismo capitalista. Julgo que não é preciso mencionar o atraso e a fraca qualidade dos produtos tecnológicos de consumo disponíveis nos antigos países socialistas para perceber isto.


Foi "obra de empresas", estados e uma enorme quantidade de gente bem pensante que, pelo seu discurso, provavelmente nem desconfia que existiram e continuam a existir!


Susan
É obra de muitas pessoas. Mas é ao empreendedor que cabem os louros maiores. É ele quem tem a visão, a coragem, a determinação e, na maior parte das vezes, quem corre os maiores riscos.

deixado a 29/12/11 às 19:03
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Gentleman
Na investigação científica fundamental os Estados têm um papel relevante. Já na investigação tecnológica, são as empresas as responsáveis por quase a totalidade do trabalho.


Anónimo
Para estar a comentar aqui é porque está a usar várias tecnologias desenvolvidas e/ou subsidiadas pelos estados. Assim de cabeça, o transístor, a internet, os contínuos subsídios/investimentos no melhoramento da cobertura, etc.
Mas pronto, vamos ver qual a nova fuga para a frente que vai inventar a seguir.


Gentleman
O transístor foi, por acaso, inventado por uma empresa privada (a AT&T). Mas isso é lateral para esta discussão. É o trabalho de empreendedores o que transforma as inovações que até podem, em alguns casos, ter tido origem num contexto académico em produtos úteis para o cidadão comum. Por exemplo, a Internet pode ter sido um projecto financiado pelo Estado, mas sem empresas com a Cisco ou a Netscape a Internet nunca se teria tornado algo acessível e massificada como é a agora. O mesmo se passou com o GPS: deve-se a empresas como a TomTom, a Garmin e os quase desconhecidos fabricantes de chipsets (SiRF, Broadcom, etc.) o facto de o GPS se ter tornado realmente útil e usável pelo cidadão comum.


O empreendedorismo é o espírito de aventureirismo empresarial que faz com que tudo isto seja possível. Claro que, por cada caso sucesso, há 10 insucessos. E é duro para quem falha. Sonhos desfeitos, dívidas, desemprego. Mas empreendedorismo é também isto: risco elevado.


Anónimo
Transístor foi um projecto militar dos EUA, assim como o GPS, assim como o embrião da internet (que sensivelmente ao mesmo tempo estava a ser desenvolvido no CERN, outra instituição apoiada por vários estados), assim como as milhentas tecnologias que hoje usamos que saíram de programas do género da NASA ou militares.
A maioria das tecnologias disruptivas saíram de projectos estatais que depois são exploradas por empresas privadas e, aí sim, chegam aos cidadãos comuns. Quer continuar a afirmar que  "investigação tecnológica, são as empresas as responsáveis por quase a totalidade do trabalho."? É que sem os projectos públicos iniciais não haveria empresa privada que nos valesse.
Quanto ao resto, não vou comentar porque, é uma área que estou involvido e daria pano para mangas, não é o tema original do post do Bruno (que é criticar o empreendedorismo predatório assente em na concepção negativa da palavra "exploração"). Estou sim a debater a falácia que apresenta de que foram os privados que fizeram o trabalhinho todo.

deixado a 30/12/11 às 16:19
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João Cerqueira
Prevendo já este post, o camarada Chavez denunciou uma nova, e letal, forma de empreendedorismo capitalista: os americanos conseguem provocar doenças à distância.
Obviamente que o Quim da Coreia foi vítima deste empreendedorismo.
Eu, que estou com uma tendinite no ombro, às tantas foi por ter falado mal do Pat Robertson... .

http://clix.visao.pt/chavez-sugere-que-eua-estao-por-detras-dos-casos-de-cancro-nos-lideres-sul-americanos=f640840

deixado a 29/12/11 às 19:23
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Slint
E também é o capitalismo que faz com que esses produtos sejam todos uma valente merda, não são feitos para durar, porque se fossem, todas essas empresas já teriam fechado portas. Prefiro eficiência, coisa que não existe, basta ver nas lixeiras a quantidade de teclados e monitores existentes Os telemoveis é outro exemplo, não são feitos para durar e estes usam minérios raros para poderem funcionar.
No fundo onde eu quero chegar é que deitamos um objecto fora quando podiamos apenas facilmente substituir algumas peças. Sustentabilidade é mau para os negócios, e enquanto essa mentalidade existir vou cuspir no capitalismo.


Gentleman
Pois claro. Feitos para durar eram os produtos fabricados nos países socialistas!...  (sigh)


(cada vez mais me convenço que há um claro déficit de racionalidade na Esquerda Radical)

deixado a 29/12/11 às 19:05
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vitor
Para não serem "uma merda", queria produtos nanotecnológicos feitos de quê, ferro? Aço? Sabe o que é um nanotecnológico? Conhece a mecânica quântica? Deixe de ser dizer imbecilidades.

deixado a 30/12/11 às 13:14
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Talvez o Sr. Gentleman possa explicar porque é que as melhores aplicações Web são open source? Linux? Open Office? Existe vida além do capitalismo e a Internet talvez seja o melhor exemplo de igualdade. O empreendedorismo é uma fantasia bonita que alimenta os bolsos dos bancos, por isso é que só se fala dos que vencem, nunca se fala dos que se endividam e depois vão à falência. Tudo retórica.


Gentleman
A maior parte do código do Linux e do OpenOffice é desenvolvido por empresas privadas. No caso do Linux a percentagem é superior a 80%. No caso do OpenOffice não conheço dados mas deve ser, seguramente, superior a 90%. 
Mas convém lembrar que software é um caso especial. Tente encontrar fabricantes de hardware ou de quaisquer outros bens de consumo e que sejam sem fins lucrativos e perceberá a singularidade do software.


Além disso, quem lhe diz que não é necessário espírito empreendedor para criar e manter projectos de software open-source? 


Como já escrevi, o empreendedorismo que envolve investimentos financeiros acarreta risco de falência. Elevado risco de falência. O empreendedorismo não é fácil. Mas é a ele que devemos grande parte do bem-estar de que actualmente usufruímos. Ao contrário do que muitos julgam, a melhoria registadas nos últimos 150 anos nas condições de vida do povo não se deve a politicos, sincalistas ou revolucionários. Deve-se a engenheiros, cientistas e empresários.


chapeleirolouco
"Ao contrário do que muitos julgam, a melhoria registadas nos últimos 150 anos nas condições de vida do povo não se deve a politicos, sincalistas ou revolucionários. Deve-se a engenheiros, cientistas e empresários."
 
acreditas mesmo nisto?


Gentleman
Para mim é óbvio.
A revolução industrial e tecnológica melhorou drasticamente as condições de vida dos povos.


chapeleirolouco
a tecnologia ajuda, é verdade, mas já antes da revolução industrial a europa era tecnologicamente avançada na arte de matar, por exemplo, e as pessoas eram miseráveis. até mesmo com o advento da revolução industrial, prova disso são os inúmeros livros de história, relatos e literatura que ainda hoje temos o prazer de ler. ou acha que foi com a revolução indutrial que se passou a trabalhar 8 horas, que se acabou com o trabalho infantil, etc etc etc... foi só e apenas depois das pessoas lutarem pelos seus direitos laborais e civis que as sociedades se tornaram verdadeiramente civilizadas e progressistas, isto é com a democratização da saude, do ensino, etc. caso contrário não haviam metade dos engenheiros ou fisicos que existem actualmente.

o que eu quero dizer com isto é muito simples, a tecnologia pode tornar uma pastilha elástica mais barata, ou como lhe chamam "democratizar a pastilha", mas não é isso que torna uma sociedade democratica, em que os individuos sejam livres.

só desconhecendo os factos e o impacto que cada evento tem ou teve é que se pode fazer a afirmação que tu fizeste.

deixado a 30/12/11 às 16:53
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a_preferida_do_piotr
Caro Gentleman quando ao "codigo?" do linux ser desenvolvido por empresas privadas, isto só é possível
devido ao senhor Linus Torvald tê-lo registado sob uma licença GNU - Licença Pública Geral que dá especificamente o direito a VOCÊ de utiliza-la para qualquer fim, ou seja, seu código não está encriptado é dado a si e qualquer um o direito de utilizá-lo para qualquer fim, inclusivé o comercial, isto é liberdade, como já foi dito o conhceimento é um património da humanidade. Os percentuais que advoga são imprecisos e irrelevantes uma vez que a comunidade mundial é que desenvolve-o e como utilizadora do Open Source
possibilita sua melhoria contínua e não as "empresas" exploradoras.

deixado a 30/12/11 às 23:09
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Portanto, a única forma de não achar que o "gentleman" está de má fé... é pensar que não sabe interpretar aquilo que lê.

deixado a 30/12/11 às 00:03
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CausasPerdidas
Não fosse o "empreendedorismo capitalista", o fogo, a roda, e muito menos o arado, teriam sido inventados!
Não foi a fome que ditou o engenho foram os ardis resultantes do desejo de acumulação em relação aos demais. Safavas-te no clã, safavas-te...
Até o "génio humano", o tal que Karl Marx dizia não ter Classe, é um produto do desejo de acumulação. Nasceu gémeo, siamês do capitalismo. Toma lá Bruno Sena Martins!

Pois...
Nenhum computador teria sido inventado não fosse o desejo de ficar rico. Nada de curiosidade, nada de desafio, nada de fascínio de pegar num pau com uma ponta a arder, de dominar o desconhecido. De ver o que "se consegue fazer com isto".
O que motivou os irmãos norte-americanos não foi a inveja da sobranceria alada dos pássaros mas a perspectiva de erigirem uma companhia aérea e ganharem muito dinheiro a fazer voar quem não tinha asas. Nem uma pinga de desejo de ver o mundo lá de cima animou os Wright. Até Gagarin, o cosmonauta soviético cujos olhos foram os primeiros da espécie humana a verem a cor do planeta foi motivado por uma "Datcha" com melhor vista e mais assoalhadas... ou se calhar foi obrigado.
Até a Florence Nightingale olhava o sofrimento dos desamparados imaginando todo aquele desespero transformado num balanço positivo das contas de uma companhia de seguros!

Nada de aventura como aquela de velejar para chegar a algum lado onde nunca ninguém chegou correndo o risco de não chegar a lado nenhum. Tal como Lenine que dançava de alegria quando a "sua" revolução contava mais um dia que a "Comuna de Paris". Conseguimos mais um dia!
Não, o navegador é apenas animado pela pimenta, e a mulher pelo dinheiro que o homem faz com a venda da especiaria.
A paixão que nos move é o dinheiro, tudo o mais, arte, subjectividade, sonho, inovação, descoberta, comunidade, destino colectivo, o que for!, não funciona se não for vendável ou comprável. Nada de aventura, nada de amor, cada mulher uma incubadora, cada filho um investimento.

Foi só o desejo da acumulação fez o mundo andar? Não só, mas também. O "também" explica porque a alavanca se transformou em catapulta, o estudo do átomo em bomba atómica e o avião num caça-bombardeiro. Não acredito que sejamos herdeiros de um gene filho-da-puta que nos condenará à extinção.

O que leva a...
Interessante essa da "capacidade de correr riscos"... Pena a antítese nacional, em que os "capitalistas" se apropria(ra)m de tudo o que não dá riscos e é garantido. Uma espécie de rendimento garantido mas para gente de bem.
E com a vantagem de nunca terem as contas bancárias vigiadas, ao contrário dos "beneficiários" de divisões tão baixas cujos rendimentos não dão para dividir com ninguém mas que não podem senão ser divididos.
Dividir. Foi assim que conseguimos sobreviver e chegar até aqui, muitos anos e filhos-da-puta depois.
Perceberam "gentlemans"?

deixado a 30/12/11 às 01:58
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Um estudo feito por uma entidade independente sobre a situação de Portugal. Deixo um excerto...

As I write, Portugal stands on the precipice of default. Contrary to much of the
conventional wisdom, it has not come to this pass simply because of its inclusion in
the euro group. Its troubles go back further, to the immediate aftermath of the
country’s 1974 revolution. At that time, the fateful constitutional decision was
made to install a social democracy amid the remnants of the preceding dictatorship
known as the “Estado Novo.” In the ensuing three and a half decades, the Estado
Social would grow to nearly half the size of Portugal’s economy. The intervention
in the marketplace entailed in this growth has undermined capital investment,
leaving the economy in a moribund condition. To make matters worse, Portugal’s
democracy has succumbed to the regime’s vulnerability to political parties’ shortsighted
rent seeking. The costs of the Estado Social consequently have never been
fully paid by its current beneficiaries and instead have been passed on to future
generations through the buildup of public debt. That future bill has now become a
present reality.
Portugal’s plight is a warning to other Western industrialized nations, all
of which have welfare states of one extent or another to finance. The graying of
the population, portending relatively fewer workers to pay escalating pension and
health-care benefits, combined with the additional debt amassed by governments in
dealing with the recent financial crisis, poses a monumental challenge to governments
faced with the expenses of maintaining their respective welfare states. Portugal is
among the first to succumb to this challenge only because it expanded its social
democracy relatively quickly and had a smaller capital accumulation from which to
draw resources for the delivery of public services.

http://www.independent.org/pdf/tir/tir_16_03_1_bragues.pdf

deixado a 29/12/11 às 16:19
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Texto típico de think tank conservador...


"Contrary to much of the conventional wisdom, it has not come to this pass simply because of its inclusion in the euro group. "


O que é que poderá levar alguém a escrever isto? TODO o discurso "oficial" do ultimo ano sobre a nossa crise tem sido feito em volta da questão da dívida.  Só meia dúzia de vozes colocaram a questao do euro e são sistematicamente abafadas por uma comunicação social manipulada ou impreparada.


É rídículo. mas a verdade é que foi com truques destes que a cartilha neo-liberal passou a cartilha oficial do Ocidente...


Mas quem disse que o problema de Portugal é, ou está ligado ao problema da divida ?

O estoiro da divida foi apenas a consequência de 30 e muitos anos de asneiras que começaram logo a seguir ao 25 de Abril.

Um casa não se constrói pelo telhado, e pelo telhado entenda-se o welfare state.


obelisco instavel
Caro Cunha


A Grécia. a Irlanda. a Espanha e a Itália também tiveram um 25 de Abril? Ou isso são só saudades do botas?


epah ó Peralta, essa das saudades do botas deve ser piada.


Já vi que tu também és daqueles que chama facho a tudo o que está pra lá do pcp.


obelisco instavel
Caro Cunha 


Primeiro não me chamo Peralta, segundo a palavra "facho" está perfeitamente datada, evidenciando algum trauma do período em causa, terceiro acho que há tanto fachos no pcp como no cds, quarto não me importo que me tratem por tu, até gosto, foi um progresso que os espanhois fizeram, ao contrário de nós, que gostamos muito de salamaleques, fruto, quiçá, da herança árabe, mas já te vi (li)ofendido por outros te tratarem por tu.


Por último, quanto à questão da dívida, o problema não foi do 25 de Abril, em pleno prec a dívida era de 12% do pib (leu bem, 12%) depois de terminar o prec, em 1980, andava pelos 30%, valores invejáveis para a situação que vivemos hoje, como pode concluir a culpa foi dos governos que se sucederam, ps e psd, não é pois por eu achar que sejam "fachos", são apenas incompetentes,e, sobre isso, nada a fazer.


obelisco as minhas desculpa pela troca do nome.

em relação ao pib as tuas palavras são musica para os meus ouvidos.

e sim, o prec foi o inicio das asneiras que depois ninguem teve coragem para desfazer.

Como dizia o medina carreira e muito bem, em portugal não há politico com tomates para fazer o que é preciso, é preciso vir o fmi. E veio mesmo. E é o que se vê !

bom ano !


obelisco instavel
Caro Cunha


Não querendo dar música, o que pretendi dizer foi que o prec não condicionou o estado das contas publicas para o futuro, quando o prec terminou, ao contrário do que se costuma dizer, a situação não estava descontrolada, estamos hoje bem pior do qu estávamos na altura. Poderá dizer-se que, por exemplo, a banca nacionalizada afundaria o país por falta de concorrência, mas vemos hoje que depois de termos pago indemnizações principescamente aos antigos donos da banca, esta conduziu o país à falência, poderá dizer-se que a industria em auto-gestão não era viável, hoje não temos industria, a reforma agrária conduziria o país à fome, hoje o Alentejo não produz senão vinho, e o resto a produção está na mão dos estrangeiros, etc, etc.


Perante estes factos uns estarão a favor, outros contra, o que é natural, mas devíamos todos reflectir sobre estas questões sem palas politicas ou ideológicas, muito menos partidárias.


Não penses que sou um defensor da estatização, mas o estado tem que intervir na economia, porque o estado somos todos nós, vou te dar um exemplo, na Holanda um cidadão quando tem um problema de saúde vai a um médico particular, que depois receberá do estado o pagamento dos seus serviços, evitando-se assim o custo dos centros de saúde e toda a burocracia a eles inerentes, ou seja, o estado deve intervir, mas racionalmente.


Bom ano de 2012, dentro do possível.


Mas claro que o estado deve intervir, mas de um modo regulador com mão de ferro e castigadora. Não como um elemento passivo que tudo deixa acontecer.

Remember Banco de Portugal e o caso BPN.

A Espanha fez uma transição do fascismo muito mais pacifica que a nossa, e com muitos melhores resultados.

Nós por pouco não passamos de fascismo para comunismo, e então teria sido o bom e o bonito.

O que aconteceu, no meu ponto de vista, é que demos um passo maior que a perna e depois ninguém teve coragem para o emendar.

Eu sou 100% defensor do estado social. Mas tem que ser um estado social sustentável, e não como aquele que temos.

deixado a 31/12/11 às 12:48
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Ah e um excelente ano para ti e para todos os que gostam de liberdade.

deixado a 31/12/11 às 12:49
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antónio pedro pereira

António Cunha:

O Walfare State não começou com o 25 de Abril, expandiu-se paulatinamente a partir daí.

Foi iniciado, de forma generalizada, com a pensão dada aos rurais (NÃO CONTRIBUTIVOS), criada na 2.ª metade dos anos 60 por Marcelo Caetano e no valor de 300 escudos.

Mas nessa altura a economia crescia, hoje não, por causa da destruição da capacidade produtiva com a entrada na CEE e, depois, por causa da entrada na moeda forte euro, que nos está a matar.

Tão mau como esbanjar é não produzir.

Por isso, ou sairemos do euro a bem ou a mal, isto é, expulsos. Uma conselheira de Merkl fala disso abertamente, da expulsão dos pobrezinhos (Grécia, Portugal, outros logo se verá).


deixado a 30/12/11 às 08:34
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Rui F
Eu até entendo o Bruno,

Porque Empreendedorismo a sério - implica haver capital disponibilizado a juro justo, e demonstração de confiança de cima para baixo - nada tem a ver com o empreendedorismo "salvador" que nos andam a impingir.

Mas quando nos convidam a emigrar e nos dizem que não há capital (ou se há, é a juro elevadíssimo que agarram um gajo para a vida toda) o empreendedorismo possível, é montar umas carroças nas esquinas e vender uns cachorros ou tremoços.

deixado a 29/12/11 às 16:20
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Lúcio
"Empreendedorismo"?
Tratar-se-á, por certo, de uma escola de pensamento, de uma religião, de um movimento político...
Ou será que se pretende dizer "empreendimento"? Talvez seja isso; mas não percebo por que não se usa. Efeito da moda, por certo.

deixado a 29/12/11 às 16:29
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José Silva

Governo tão empreendedor, como este, eu nunca vi, até parece estarmos a ser governados por putos que já deviam ter emigrado. Em tempos estudei gestão financeira e mais umas tralhas para ser doutor, verifiquei que a malta mais nova só copiava e até chegava a ir à casa de banho buscar cábulas que amigos lá tinham deixado. Assim são os ministros deste Governo que tudo o que fazem parece ser copiado de alguém que nunca aprendeu a matéria:

AS RENDAS

não se sabe percentagem

a que será a do aumento

e o senhorio é a imagem

de um burro ou jumento?

-

se tem uma renda de cem

e passa a cento cinquenta

vem o inquilino que tem

cinco anos e se alimenta!

-

e não a passa a oitocentos

deve ser livre a sua renda

e limites põem a jumentos

p'ra que o senhorio venda?

-

os ilustres querem nivelar

rendas antigas e modernas

é como pedir para mostrar

ai às velhas as suas pernas!

-

e nessas casas carunchosas

como pernas de velhas são

ai não se podem ver rosas

quando novas rosadas, são!

-

e eles têm até ao fim d'ano

que encontrar uma solução

é como um burro do cigano

que nunca manca, pois não!

-

não quer tramar inquilinos

o Coelho com o seu Gaspar

gere de senhorios destinos

e manda as casas arranjar?

-

o homem, o burro e o neto

quando iam numa viagem

vão como eles sem ter tecto

num cérebro de miudagem!

-

vem depois um que comenta

como eu nestes meus versos

vê-se que é o oito ou oitenta

nestes governantes preversos!

-

eu que não queria dizer mal

duns pigmeus de democracia

eu digo simplesmente, afinal

que melhor que eles eu faria!

-

em tempos estudei as rendas

e disse à minha professora

não as explique às prendas

eles nada irão saber na hora!

-

e neste circo que nunca vi

que mais parece uma tenda

é tal que eu pago de I.M.I.

Mais que inquilino de renda?

-

Eugénio dos Santos




deixado a 29/12/11 às 18:04
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Telmo
Quando num país se começa a falar muito de "empreendedorismo", "confiança", "iniciativa", "optimismo", "oportunidades" é o melhor indicador que esse país se encaminha pra m.....

deixado a 29/12/11 às 18:08
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Bo, dizer que o empreendedorismo melhora a nossa vida pode nem sempre ser assim. O empreendedorismo criou fábricas de armas, exploração,  fabrico e   distribuição de dogra, mas que eu saiba a  única coisa que essas coisas deram foi morte e destruição.
Quanto à crise, não vale a pena   falar mais nela é um dado adquirido para as nossas vida. Os próximos anos irão marcar os finais desta civilização europeia e Portugal, talvez seja do que mais sofra. O que se deveria de pensar era na organização social e económica sucedânia da atual.
Todas as civilizações antigas e modernas tiveram o seu apogeu e depois  faliram: Roma, Grécia, Fenícia, Egito, Alemanha de Hitler, União Soviética, etc. por isso é normal a queda do capitalismo que terá o mesmo destino que o socialismo,o mercantlismo, o esclavagismo, etc. tiveram. 
É normal.

deixado a 29/12/11 às 18:48
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Slint
Mas o problema é que se o capitalismo não acabar agora, o planeta acaba primeiro.

deixado a 29/12/11 às 18:59
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Bruno,


Tem razão. Incentivos ao empreededorismo à Hugo Stines (He leveraged his access to hard foreign currency during the period of inflation in the Weimar Republic by borrowing vast sums in Reichmarks, and repaying the loans with nearly worthless currency later. This earned him the title of “Inflationskönig” (Inflation King).) ou à Milo Minderbinder, mais do mesmo portanto..


Atenção, porém, a crise nunca é uma oportunidade. Esta crise já destruiu demasiadas vidas para ser vista por um qualquer prisma positivo, qualquer que seja o seu desfecho...

deixado a 29/12/11 às 19:47
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CRG,

Eu diria mais o desfecho vai ser calamitoso e irrversivel.

Um exemplo, fecharam a Sorefame, fabricante de material circulante e a Cometna a unica fundição portuguesa.
Nenhuma destas empresas terá hipoteses de retomar a produção.

deixado a 29/12/11 às 21:24
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Anónimo
A crise chateia, mas a Blogsfera passa. Isto sem ela, era do caraças. 
Ela até dá para tornar um comentador empreendedor de qualquer coisa.

Agora dava jeito era um comentador género Remexido, bom no empreendorismo revolucionário, que não gramasse os capitalistas, porque se isto se resolve e permanecendo o modelo, os gajos vão sair mais fortes.

E porque não uma relvolucionária?

deixado a 29/12/11 às 20:46
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