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Arrastão: Os suspeitos do costume.

6 comentários

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    Carlos Faísca 06.01.2012

    Caro João,


    Não vou discutir aqui consigo se História é ou não uma Ciência, seria uma longa discussão em que provavelmente não chegaríamos a nenhuma conclusão. Porém, tendo em conta que é mestre e doutor em História de Arte, deve pelo menos achar que o seu trabalho tem alguma utilidade. 


    A minha área é História Económica, bastante mais objectiva que a História de Arte, no entanto, não considero que o meu estudo seja mais ou menor pertinente que o seu.


    Fui bolseiro de investigação durante 3 anos e não considero que o seu valor pecuniário (por actualizar há quase 10 anos), nem a sua falta de direitos (férias, subsídio de natal, etc.) seja algo que tenha que agradecer à FCT quando, contratualmente, tenho as mesmas obrigações de um trabalhador em funções públicas. O mesmo se aplica aos estágios profissionais onde, mais uma vez, já estive metido.


    Por último, resta-me dizer que do meu profundo conhecimento do meio académico (e já vou na 4ª universidade que conheço de perto) existe algum desprezo, por parte dos docentes que estão bem instalados no poleiro*, em relação a todos os trabalhadores não-docentes. Claro que existem muitas excepções e só tenho a agradecer ao coordenador do projecto em que fui bolseiro, Jaime Reis (por curiosidade o actual ministro da economia também faz parte da equipa).


    * Por vezes a melhor qualificação que têm é a idade, para não parecer presunçoso dou sempre o exemplo do meu primo que licenciado com 16 pelo IST/UTL, Doutorado pela mesma instituição e, actualmente, em pós-doutoramento pelo LIP, ser-lhe-à muito difícil chegar à carreira docente/investigação. E acreditem, há muitos docentes MUITO menos competentes que ele.
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    João Cerqueira 07.01.2012

    Caro Carlos,

    Toda a produção intelectual, tal como qualquer outro trabalho, tem valor.
    As Artes e as Letras são tão importantes para humanidade quanto as Ciências - não seria eu a afirmar o contrário. E a Arte tem até uma vantagem: a tecnologia e os escritos já serviram para começar muitas guerras - porém, que eu saiba, nunca a Arte serviu para tal.
    Penso todavia que seria mais importante estudar numa aula de História a cultura e a mentalidade medieval do que as oscilações do preço do trigo no séc. XII.

    Quanto à FCT , decerto tem razão nas suas críticas.
    Para mim, contudo, tendo sido a primeira bolsa que obtive fiquei tão radiante que nem sequer considerei que pudesse ter direito a algo mais.

    Por último, também concordo consigo que certas faculdades são autênticos feudos dominados à demasiado tempo por senhores - raras vezes senhoras - que reunem todas as qualidades que enumerou.

    Cumprimentos,
    João
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    Pedro 09.01.2012


    João Cerqueira,
    Só se percebe inteiramente a cultura medieval, se se tiver umas luzes de outras áreas do conhecimento, incluindo a economia, como pequenas coisas como a variação do preço do trigo, a sua escassez, etc.. As grandes fomes nessa época condicionaram muito a arte que então se produziu, a literatura, a forma como se vivia a religião, uma imensidade de coisas. Mas isso em todas as épocas da História.
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    João Cerqueira 09.01.2012

    Claro Pedro, isso nem se discute.
    Ninguém cria arte ou escreve com a barriga vazia (embora Miró, Picasso e outros até o tenham feito quando foram para Paris).
    E não fossem os grandes mecenas burgueses, ou a Igreja, não haveria parte das obras da História da Arte.
    Na verdade, a Arte deve quase tudo à Economia.
    O problema começa quando certas pessoas começam a investir na Arte como se investissem em ouro.
    Depois, Damien Hirst corta tubarões e vacas aos pedaços e aquilo vale milhões.
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    Carlos Faísca 09.01.2012

    Eu não costumo recuar a tempos medievais, o meu âmbito cronológico mais remoto termina no séc. XVII. Contudo, no projecto onde estou o medievalista vai tentar relacionar a construção de igrejas e outros monumentos de grande envergadura, com oferta monetária e conjuntura económica.
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