Sexta-feira, 24 de Fevereiro de 2012
por Daniel Oliveira

 

 

Só em Janeiro deste ano o Estado recolheu menos 222 milhões de euros em impostos. Quase menos 8% do que em Janeiro de 2011. Perdeu em IRS (4,5%) e em IRC (61,3%). A segunda perda deve-se, em parte, à antecipação da distribuição de dividendos. Se retirarmos estes casos, temos uma perda global de 4,8%. Isto quando houve umaumento generalizado da carga fiscal. As receitas do IVA (mais 5,7%) e dos impostos sobre bebidas, tabaco e circulação aumentaram. Não fossem elas e as perdas seriam ainda maiores. Mas quando a crise se fizer sentir ainda mais, é previsível que haja quedas no primeiro. Até porque a economia paralela tenderá a crescer. Em produtos mais dispensáveis, como a compra de carro, as receitas já caíram 43,8%.

 

Na segurança social passa-se o mesmo. Em Janeiro, menos 20,6 milhões (uma perda de 1,6%) de quotizações. Isto quando, apesar das reduções dos subsídios, aumentaram em 56,6 milhões as despesas em prestações sociais. O saldo caiu 26,2%.

 

É o b-á-bá da política orçamental. Ao contrário do que dizem as contas de merceeiro, o aumento de impostos associado a políticas de austeridade põe em causa o saneamento das contas públicas. Já aqui o tinha escrito e não fui, longe disso, o único. Mais fuga ao fisco, menos consumo, menos receitas, mais desemprego, mais despesas sociais. É uma espiral sem fim que, em nome da saúde das contas públicas, destrói a economia e as contas públicas. Quando é que óbvio vai entrar pelos olhos de quem governa?

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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23 comentários:

tinha uma secreta esperança de o ler quanto à sentença do caso rui pedro.

tenho curiosidade de saber a sua opinião.

mas admito que o assunto desta crónica é mais pertinente.

deixado a 24/2/12 às 11:27
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Carlos Marques
O pobre Rui Pedro não é o Carlos Cruz...

deixado a 24/2/12 às 17:59
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Nuno
Desculpe, mas as contas de merceeeiro tiram exactamente a mesma conclusão. 
Eu não sei se o merceeeiro da sua rua é daqueles que soma 2+2 e obtem 5 se for para receber ou 3 se for para pagar, mas o da minha rua sabe que, se aumentar o preço da batata para o dobro, as pessoas compram menos batatas, logo, dão-lhe menos dinheiro...

deixado a 24/2/12 às 11:33
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bico de lacre
As máquinas de calcular de certas pessoas, parecem só ter as operações de adição e multiplicação.

deixado a 24/2/12 às 12:16
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JgMenos
Que há idiotas e que se comportam numa espiral inexplicável estou plenamente de acordo.
Saber quem são é a questão!
O défice orçamental é um dos problemas; para além dele há o défice do país.
O primeiro resolve-se com menos Estado o segundo não se pode resolver com menos país; mas com um país mais austero; ou mais produtivo - mas nos últimos 10 anos, com dinheiro a rodos crescemos em média 1% ao ano!

 

deixado a 24/2/12 às 12:17
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José Peralta
Nos últimos dez anos ? 

E os dez anos de cavaquismo, foram assim há tanto tempo, que já os esqueceu ?

E os seguintes ?

Ou está a varrê-los para debaixo do tapete ?

deixado a 24/2/12 às 14:23
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Pela primeira vez em 15 anos a balança de bens e serviços é positiva. Detalhe, Daniel, que escapou ao "olho de lince" ou um post com o título "Como eu estou errado..." está em preparação?

deixado a 24/2/12 às 12:51
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Joe Strummer

Se a procura interna diminui...essa é a historia do burro do cigano.
Tenho uma ideia genial!!!
Porque é que o Governo não apoia os despedimentos em serie? Sem direito a subsidio claro. Assim tinhamos menos consumo e conseguiamos o milagre de ter um superavit ja este ano!! E se em vez de comermos duas refeições comessemos só uma por dia? Bem..isto é a brincar, ouviram? A BRINCAR!


  
O Tonibler a defender a dieta à base de casca de árvore, à moda da Coréia do Norte.

Quem diria...

deixado a 24/2/12 às 17:07
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Ajuda ao argumento contrapôr com alguma coisa relacionada.Por exemplo, se eu falar de futebol não responder com gaivotas...


Joe Strummer

Tonibler, Oops! esqueci-me que tu falas sempre com desenvoltura sobre assuntos que desconheces.
E não são gaivotas, é um burro...

deixado a 24/2/12 às 20:47
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Anónimo
hahaha. acabas sempre entalado, ó toni.

deixado a 24/2/12 às 22:59
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Sérgio Pinto
O saldo da balança comercial é positivo? É um facto que me pode ter escapado, mas olhando para aqui (http://www.tradingeconomics.com/portugal/balance-of-trade) continua tão negativa como sempre nos últimos 19 anos. Onde viste isso?


http://www.bportugal.pt/en-US/Estatisticas/PublicacoesEstatisticas/BolEstatistico/Pages/BoletimEstatistico.aspx

Não "é". Quanto muito "foi"...não é uma posição. é uma derivada da posição :)

deixado a 25/2/12 às 17:41
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António Carlos
"Em produtos mais dispensáveis, como a compra de carro, as receitas já caíram 43,8%."
Esta frase é um exemplo da quase "esquizofrenia" deste post. Senão vejamos:
- O Daniel considera que os carros são "quase dispensáveis";
- As receitas já caíram 43,8% porque, naturalmente, as vendas diminuíram drasticamente;
- A grande maioria dos carros vendidos em Portugal é importado;
- O transporte (individual) é responsável por uma parte significativa das importações de energia e das emissões de CO2;
- Qualquer incentivo à utilização de transporte individual é um desincentivo à utilização de transportes públicos;

Fica portanto a questão. Considera a quebra de 43,8% das receitas um sinal correcto na correcção de todos os pontos que enumerei, ou prefere que as receitas se mantenham à custa de incentivos à compra de automóveis?

deixado a 24/2/12 às 14:14
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leitor
Não estou a ver onde está o problema no que o Daniel Oliveira disse...

A redução do consumo de automóveis não é propriamente negativo, pelos pontos que enumerou, mas nem o Daniel disse que era (diz que é um consumo "dispensável"), apenas referiu como a carga fiscal reflete-se numa quebra drástica do consumo.


António Carlos
"A redução do consumo de automóveis não é propriamente negativo, pelos pontos que enumerou, ..."
Se a redução do consumo de automóveis não é negativa, uma vez que essa redução implica necessariamente uma quebra nos impostos cobrados pelo Estado, então essa quebra de impostos (48,5%) também não pode ser negativa. Ou seja, não se pode "desejar" uma quebra de consumo de automóveis e simultaneamente um aumento das receitas fiscais relativas à sua venda (ou lamentar a sua redução). É só esta a contradição.


Anónimo
Em Cuba andam com carros dos anos 50

deixado a 24/2/12 às 22:15
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Joe Strummer
E ainda só estamos em Fevereiro...

deixado a 24/2/12 às 15:17
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Carlos Marques
A teoria dos extrema-esquerdistas é que o Estado devia pagar 1.000 milhões em funcionários públicos e rendimentos mínimos para receber 350 milhões de impostos...

Se um dia chegam ao poder fazem como em Cuba e despedem logo 15.000 de uma só vez...

deixado a 24/2/12 às 18:02
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Baptista
Só não vê quem é parvo caro Daniel! E eu que até me considero um nabo em economia, mas quando oiço esses eruditos da praça a falar fico com o ego cheio..

deixado a 24/2/12 às 19:11
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José Silva

Até o nosso Pai Celestial está contra as políticas deste governo, que só desgoverna, com uns ministros mal preparados para a árdua tarefa, que é a de caminhar numa União Europeia desunida, onde Sarkosy armado em salvador da França, procura ser reeleito e onde Merkel na Alemanha, de tanta asneira, que tem feito, como a guerras das hortaliças devia ter ido à vida. O Presidente Alemão por dá cá aquela palha, já se demitiu, porque não se demite Merkel e os incapazes que temos a governar-nos, como a Cristas que não distingue um olival de um cafezal:

O RETRATO

-

como um pobre pintor

com a tela e aguarela

eu vi tudo em redor

vi toda erva amarela!

-

vou-vos fazer retrato

sem um pincel na mão

e que vejo eu de facto

um improdutivo chão!

-

e quero dar nas vistas

não isso não quero não

como o quer a Cristas

da nossa governação!

-

e do Algarve ao Minho

eu vejo a cada passada

ai num triste caminho

uns estragos da geada!

-

e vejo as alfarrobeiras

que o frio secou ramos

vejo umas amendoeiras

sem botão, mal vamos!

-

vejo minhas goiabeiras

qu'eu tenho lá na horta

e as pobres laranjeiras

tudo é natureza morta!

-

e os arbustos do bardo

que tinham os vizinhos

parece que um petardo

os destruiu, sequinhos!

-

vejo de trigo as cearas

sem se erguer do chão

vejo as tropicais raras

queimadas p'lo geadão!

-

como vejo o Alentejo

a terra d'antepassados

vejo o chão no desejo

de ser tempos passados!

-

províncias de Portugal

e onde vai faltar o pão

só nosso Pai Celestial

ai vos trará a salvação!

-

e de todos os temores

vendo terra queimada

eu vejo os agricultores

como eu sem ter nada!

-

Eugénio dos Santos






deixado a 25/2/12 às 11:52
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