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Arrastão: Os suspeitos do costume.

De Virgens ofendidas está o Inferno cheio

Sérgio Lavos, 24.02.12

Que exagero, caro Luís. Extrapolar sobre intenções não é racional. O tom do meu post é forte, e intolerável, se quiser, mas olhe que mesmo assim não se aproxima do nível do post do sr. Eurico de Barros. E ainda por cima o que ele faz é tiro ao morto, numa data que recorda o desaparecimento de um grande músico e poeta. E isso não pode ter desculpa.


E mais algumas coisas:

 

O post do sr. Eurico de Barros não tem dados factuais; tem interpretações de dados factuais e especulações sem fundamento. O que é completamente diferente. Eu explico:

 

- José Afonso era defensor da revolução armada? Onde, em que situação? Em Portugal, foi-o com certeza, mas julgo que todos aí no Forte defendem pelo menos uma revolução armada, o 25 de Abril. É a essa que o sr. Eurico se refere?

 

- José Afonso era defensor da ditadura do proletariado. Partindo do princípio que este é um dos fundamentos do comunismo, poder-se-á dizer isso, dado que ele foi apoiante do PCP. Mas era também o homem que se afastou do partido e dizia de si ser o "seu próprio Comité Central". As pessoas mudam ao longo da vida, como muitos antigos militantes do MRPP que agora se movimentam na esfera ideológica deste governo poderão explicar-lhe.

 

- Escrever "princípios perigosamente lunáticos da esquerda mais radical " é um facto em que sentido? Opinião, pura subjectividade. E ideologia.

 

- Gostaria de saber quais as acções violentas que ele glorificava nas suas canções. Aludir sem citar é fácil. Não é necessariamente certo. "Atirar aos fascistas de rajada" é o único exemplo. É censurável? É. Mas seria inqualificável se ele tivesse escrito, por exemplo, "atirar aos sociais-democratas de rajada".

 

- "Demenciais campanhas de dinamização cultural" é uma opinião, bastante simplista e parva, por sinal, não um facto. Nessas campanhas andaram centenas de pessoas, e eram sobretudo ingénuas e inofensivas. Não cresci nesse tempo mas conheço gente que cantou e tocou por todo o país. Recordam essa época com a nostalgia de quem olha para a inocência própria da juventude. E, para além do mais, foi um momento único, em que grandes artistas andaram a mostrar o que criavam a gente que apenas conhecia o nacional-canconetismo da rádio e da televisão a preto e branco. Demenciais porquê?

 

- Escrever que Zeca defendeu as arbitrariedades e ilegalidades da Reforma Agrária é uma opinião, não um facto. Se o sr. Eurico tivesse escrito "defendeu a Reforma Agrária", passaria a ser um facto.

 

- Do lado "errado" da barricada no 25 de Novembro esteve muita gente mais do que respeitável. E claro que é uma opinião achar que se esteve do lado errado ao apoiar Otelo e ter estado com os paraquedistas de Tancos no 25 de Novembro.

 

O meu texto ataca o homem? Sim, admito. Mas de um modo muito mais suave, "tolerável", do que o sr. Eurico o faz em relação a Zeca Afonso, um morto que não se pode defender.

 

Quanto ao resto, à caracterização que eu faço do Forte Apache, diga-me, a sério, está assim tão longe da realidade? Insultos, eu? Até acho que fui bastante brando, tendo em conta o despropósito da alarvidade escrita pelo sr. Eurico.

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