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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Ainda a adopção por casais do mesmo sexo

Miguel Cardina, 28.02.12

Em Janeiro de 2010, quando o Parlamento aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, introduziu-se uma cláusula discriminatória na lei: os homossexuais podem casar mas não podem adoptar. Ou melhor, casando deixam de poder adoptar, uma vez que no longo processo que culmina na adopção de crianças institucionalizadas não consta que haja um teste à justeza heterossexual. Esta situação, além de anacrónica, mais não faz do que reforçar estereótipos fortemente homofóbicos, como o que associa a homossexualidade à pedofilia. E, exactamente ao contrário do que se diz, não está centrada no interesse da criança, que é em primeiro lugar o de receber amor, educação e acolhimento da parte de quem está comprometido a fazê-lo. Ou, em alguns casos, de ver reconhecida por inteiro a família que já é a sua. Foi para resolver esta situção que na semana passada se apresentaram as iniciativas legislativas do Bloco de Esquerda e de Os Verdes. Sem sucesso, como sabemos. A direita votou contra (com algumas excepções) e o PS dividiu-se entre os votos a favor (a maioria), as abstenções e os votos contra. O PCP votou contra, alegando que a sociedade não estava ainda preparada para essa aprovação. A este respeito, espero sinceramente que o PCP não abandone a política em detrimento da metereologia, sob pena da esquerda minguar ainda mais em alguns domínios. Entretanto, e para reflexão, aqui fica uma breve e clarificadora entrevista à psicóloga Conceição Nogueira para nos lembrarmos de como abdicámos na semana passada de ser uma sociedade um bocadinho mais decente.

 

 

PS - O Paulo Jorge Vieira remete muito oportunamente para um estudo de Conceição Nogueira sobre o tema.

4 comentários

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    xico 28.02.2012

    O problema, António Pereira, não é ter dúvidas ou fazer perguntas. Ou se é a favor, ou então são homofóbicos.
    Eu também tenho dúvidas e algumas (poucas certezas) A primeira certeza é que as crianças poderão estar muito melhor com alguns casais homossexuais do que com alguns casais heterossexuais ou do que em algumas instituições.
    A dúvida é se haverá ou não mais malefícios que benefícios, uma vez que estamos a criar uma nova norma que contraria a que nos foi dada pela natureza e adopatada por toda humanidade em todas as latitudes e em toda a história. Mas pôr simplesmente a pergunta já é sinónimo de homofobia...
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    antónio pedro pereira 29.02.2012

    Xico:

    O nosso estado económico-financeiro não resulta apenas do contexto internacional, das asneiras do Sócrates (e de todos os Sócrates anteriores a ele, e agora do posterior), resulta muito desta nossa maneira de pensar, desta nossa falta de cultura, de educação, de vivência democrática, enfim, do nosso atraso civilizacional.

    E o sintoma mais evidente disso é a forma definitiva como se fazem juízos de valor sobre os outros e sobre todas as coisas.

    Quase todos sabem tudo sobre todas as coisas, têm ideias definitivas, resolvem os problemas de uma penada.

    Depois, a realidade desmente tudo... mas não faz mal.

    Porque há-de valer mais a realidade do que a nossa afirmação pessoal?

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    Antonio Cunha 29.02.2012

    tu és como aqueles que decretam atrás de uma secretária mas não fazem patavina de ideia sobre o que estão a legislar.


    Sabes o que é uma criança que sendo orfã e tendo tido uma vida de merda, ser obrigada a conviver no meio de algo que a vai segregar ainda mais ???


    A verdade é que esta história da adopção por casais gay é apenas um capricho e uma birrinha de quem querendo ser diferente quer todos os direitos dos demais.


    Aqui os interesses da criança não são sequer tidos em conta. É um capricho, ponto.


    Mas neste momento a bicharada xuxalista das cancios e demais "aves raras" foi corrida do arco de influencia do poleiro. 
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