Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012
por Sérgio Lavos

 

Os augúrios começaram a soar com bastante antecedência. Paul Krugman passou por cá ontem para receber o doutoramento honoris causa, e os ventos de desgraça sopraram mais fortes. As posições de Krugman em relação à crise da dívida soberana são relativamente conhecidas num certo meio, mas o povo que sabe do mundo pelos telejornais não sabia o que este Prémio Nobel da Economia achava do que se passa em Portugal. Para mais, por ter passado por cá no período pós-evolucionário, teria mais autoridade para opinar sobre a crise que atravessamos. Não será necessário repisar as suas teorias - quem quiser que passe pelos Ladrões de Bicicletas e pesquise por Krugman. O que me interessa é o tratamento mediático que a visita dele teve. De tanta coisa que disse, entre a conferência que deu em Lisboa e a entrevista que deu ao Jornal de Negócios (e que passou na RTP Informação), o que acabaria por ser mais destacado seria a afirmação de que os salários dos portugueses teriam de ser desvalorizados entre 20 a 30%. Já não é a primeira vez que esta informação corre pelos jornais. Mas será verdade? No blogue Jugular, houve uma primeira versão desmontada. A tradução que o Jornal de Negócios publicou de uma entrevista dada pelo economista ao Le Monde estava errada. Krugman não tinha recomendado um corte de 20% nos salários portugueses. Tinha apenas sugerido um ajustamento salarial de Portugal em relação à Alemanha, fosse através da subida generalizada da taxa de inflação ou através de um aumento dos salários alemães muito acima de um aumento em Portugal. Trocado por números, como esclareceu na entrevista dada ontem, o ideal seria que, por exemplo, a Alemanha subisse os salários 5 ou 6% e Portugal apenas 1 ou 2%. Esta medida seria suficiente para esse ajustamento de 20% das tabelas salariais entre Portugal e a Alemanha, o que provavelmente tornaria o nosso país mais competitivo sem que fosse preciso cair na espiral recessiva para onde os países periféricos da UE estão a deslizar. É de resto esta a luta de Krugman, no seu blogue do New York Times e nas outras intervenções públicas que tem feito a propósito da crise do Euro: denunciar as políticas de austeridade impostas pelo directório germano-francês, as que estão a levar os países periféricos à bancarrota e ao fim da moeda única. 

 

No entanto, o que se foi ouvindo ao longo destes dias, a parangona mais repetida, é o tal suposto corte nos salários. Eu poderia achar que este é mais um caso de sensacionalismo, que aos jornalistas interessa mais o sangue e a desgraça do que a verdade bem explicada a quem pouco percebe de economia. Mas desconfio que as razões serão outras, bem mais graves. É que na Grécia acabou de ser aprovado o enésimo pacote de austeridade, e desta vez eles vão ser forçados a cortar o salário mínimo em 200 euros. O que se passa, sem rodeios, é muito simples: é preciso mentalizar os portugueses para o que aí vem - não esqueçamos que a Grécia é o futuro de Portugal, daqui a um ano - e o Governo, através do ministro da propaganda Relvas e dos seus assessores pagos a peso de ouro com o dinheiro dos nossos impostos, já meteu mãos à obra. Spinning e mau jornalismo, em todo o seu esplendor; e isto é apenas um exemplo do que vemos e lemos diariamente, o discurso único a que estamos submetidos desde que começaram a notar-se os primeiros sinais da crise. Habituem-se! 


por Sérgio Lavos
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36 comentários:
Caro Sérgio Lavos,

Em primeiro lugar quero esclarecer que sou um acérrimo crítico das políticas de austeridade e acho que elas não não só destrutivas mas também criminosas. A austeridade destrói milhares senão milhões de vidas de uma assentada, empobrece todo um povo, aumenta as desigualdades sociais e destrói um país enquanto um cego esfrega um olho e a economia dos amanhãs que cantam não saí do ciclo vicioso da recessão austeritária o que impede que a dívida encolha. Totalmente de acordo com Krugman se é isto que ele pensa. Agora sobre a questão do abaixamento dos salários não estou convencido em nada de que Krugman não quer dizer aquilo que disse. E se ele disse mesmo aquilo que disse então disse mesmo que era necessário baixar em 30% os salários em relação à Alemanhã, o que para um país como Portugal com os salários dos mais baixos da UE a 17, muito mais baixos do que os Gregos pré 2º resgate em todo o caso, é suicidário. Não ponho de lado que Krugman criticando severamente as políticas austeritárias não perceba o paradoxo que é o austeritarismo do pior ao fazer uma sugestão dessa. E mais, revela ignorância em relação à estrutura salarial do nosso país. Mas eu não sou Nobel, nem sequer economista.

É sempre boa a discussão que este post alimenta. Deixar a discussão económica aos economistas, é, como o próprio Krugman implicitamente referiu é perigosíssimo para a vida de um povo.

João Martins

deixado a 29/2/12 às 02:44
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Atenção que ele defende para uma boa parte dos países periféricos, não só para Portugal, logo a comparação com os outros países (neste caso, os periféricos), não é bem como refere.

Sobre isto, "deixar a discussão económica aos economistas...", também já estou um bocado farto da menorização dos economistas pós-crises 2008. As palavras estão mal escolhidas ou são tão válidas como qualquer outra ciência.

Penso que a frase deve ser esta: "
Deixar a discussão POLÍTICA aos economistas, é perigosíssimo para a vida de um povo."


Caro J. Saro,

O problema é que a economia como nos ensinou o velho Marx é eminentemente uma construção social histórica e política. Essa é a questão...

João Martins

deixado a 2/3/12 às 04:43
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JC
É uma vergonha o que se tem ouvido e escrito a este respeito! Estou-me a lembrar da crónica do Camilo Lourenço no Jornal de Negócios com o título "Se Krugman diz, a Esquerda devia ouvir".

deixado a 29/2/12 às 10:01
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António Carlos
Na opinião de Krugman é necessária uma desvalorização entre 20 a 30% dos salários portugueses face à Alemanha. Isso parece-me claro e consensual (a posição de Krugman, não a medida).

Resta então discutir a forma de atingir esse "objectivo". E aí há uma divisão clara entre o "ideal" (que objectivamente não depende de nós) e o "possível".

"... o ideal seria que, por exemplo, a Alemanha subisse os salários 5 ou 6% e Portugal apenas 1 ou 2%." (seria suficiente?)

Sendo ideal (aceitando sem discussão), é claro e objectivo é uma medida que depende de não nós, assim como não depende de nós a subida generalizada da taxa de inflação através de emissão monetária do BCE (aliás a inflação estender-se ia a toda a zona Euro não criando o tal diferencial proposto por Krugman).
Logo, coloca-se a questão: como atingir o objectivo dentro das medidas possíveis para Portugal?

Essa é que é a questão difícil de resolver. Fácil é discorrer sobre acções "ideais" que ainda por cima não dependem de nós. Fácil e que roça a demagogia, diria eu.

deixado a 29/2/12 às 10:08
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PedroM
"Fácil é discorrer sobre acções "ideais" que ainda por cima não dependem de nós. Fácil e que roça a demagogia, diria eu"
É isso mesmo. Vêm com a conversa fiada da "alternativa" da renegociação; eurobonds ou lá o que se lembrarem mais, como se elas estivessem em cima da mesa quando entrámos em pré-bancarrota e precisávamos de dinheiro urgente.


Só falta aparecer um aldrabão ainda maior e que diga que renegociar a dívida é capitular; vamos é querer o perdão e dinheiro sem juros a fundo perdido. Alguém poderá dizer que não seria muito melhor se isso fosse verdade?

deixado a 29/2/12 às 12:41
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xuxu
Sendo um fiel leitor do blog do Krugman, parece-me que a tua interpretacao esta correcta.

Enquanto sociedade estamos perdidos quando o debate serio se torna impossivel. Quando num discurso longo se tira uma frase, a descontextualiza e se a usa a dita frase como arma de arremesso, entao estamos conversados sobre a seriedade do debate e seus participantes.

Dito isto (e voltando a economia), o Krugman tambem sugere que temos poucas opcoes: se a Alemanha nao aceita inflacionar, so nos resta, a nos, deflaccionar. Donde a questao politica importante e: Europa (e Euro) para que?

deixado a 29/2/12 às 12:57
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sim, porque a malta aqui do blog, nomeadamente o Sérgio, não é nada useiro e vezeiro em descontextualizar aquilo que os outros dizem.


Deixa-me rir !

deixado a 29/2/12 às 17:49
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PedroM
"denunciar as políticas de austeridade impostas pelo directório germano-francês, as que estão a levar os países periféricos à bancarrota e ao fim da moeda única."
Sérgio, você mente. Não consigo dizer de outra forma mas você aldraba deliberada e conscientemente.


Está a querer dizer-nos que quando rebentou a crise Grega e Irlandesa, ela deveu-se "às políticas de austeridade impostas pelo directório germano-francês"? Foi por causa delas que a crise rebentou nesses países? Havia algumas políticas e medidas desse tipo nesses países antes de 2009? Tenha o mínimo de vergonha e seja mais sério e honesto.
Essas "políticas de austeridade impostas pelo directório germano-francês" são a consequência dessa pré-bancarrota e as condições impostas por eles (o directório germano-francês) para os resgatarem financeiramente. Elas apareceram com os pedidos de resgate que derivaram dessa situação de pré-bancarrota.
Pode discordar dessas condições e políticas e chamar-lhe "pacto de agressão" como o outro mas não distorça a realidade. 




deixado a 29/2/12 às 13:04
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pode espernear por onde quiser e chamar-me mentiroso. O que não poderá afimar é que as receitas da troka graga e portuguesa estejam a resultar. Havia um problema de endividamento nestes países? Havia. Esta é a melhor maneira de o resolver. Como a realidade diariamente mostra, não. Se antes havia um problema de défices elevados, agora há um problema de défices elevados (tanto na Grécia como em Portugal os défices não baixaram, apesar das medidas da troika) e brutais recessões económicas que tornam quase inevitável a bancarrota, o contágio sistémico e o fim do Euro. Não sou quem diz isto, éo Krugman e cada vez mais economistas, sejam de esquerda ou de direita. Passe os olhos pelos perigosos pasquins esquerdistas "The Economist" e "Financial Times" para saber do que eu falo e sobretudo para que as asneiras que diz sejam mais contidas.


PedroM

"O que não poderá afimar é que as receitas da troka graga e portuguesa estejam a resultar"
Onde é que foi buscar isso ao meu post? É a sua maneira de desconversar para não responder com argumentos aos factos que referi? Esperava um pouco melhor.


O que você afirma é simples: a causa da situação da Grécia é a troika. Então porque é que recorreram à troika, se estava tudo bem?
Dito de outro modo, o que o Sérgio diz é que se tivesse rejeitado a troika (e arcado com as consequências disso) a Grécia não estaria na bancarrota, uma vez que esse destino é apenas a consequência das medidas e políticas da troika.


"e sobretudo para que as asneiras que diz sejam mais contidas"
Não quer explicitar e ser concreto? Ou foi isso que precisamente quis evitar nesta resposta?


Constato que apagaram da foto da troika a Irlanda. Velhos hábitos.


Ele não vende soluções, vende culpados.  Não seja cruel...

deixado a 29/2/12 às 15:12
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pedrom: le a opinião de yanis varoufakis sobre a grécia.Pesquisa por ele e vê aquilo que ele tem a dizer sobre essa matéria.

deixado a 29/2/12 às 15:25
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ja agora, onde é que tu viste esses bons resultados da irlanda? o probelma deles é muito diferente, espero que tenhas isso em consideração.E que tal falares da islandia?


PedroM
As perspectivas para a Irlanda são de quase ±1% de crescimento este ano e 2% para o ano. Nada mau, com austeridade e troika.


"o probelma deles (rlanda) é muito diferente, espero que tenhas isso em consideração"
Tenho. Quando começou, disse o mesmo mas aqui ao Daniel e companhia dava-lhes jeito juntar tudo no mesmo saco, dizendo em voz alta que com "estas medidas da troika nunca (repito: NUNCA) haveria crescimento". Ou se enganaram ou mentiram - pouco importa. Entretanto agora já lhes dá jeito esconderem a Irlanda da situação.
Não é pois para discordar do que diz a este respeito (que concordo, como disse) que trago a Irlanda ao barulho mas para mostrar a incoerência do discurso e argumentos dos arrastões.


E que tal falares da islandia?
O caso da Islândia é muito parecido com o da Irlanda (foi "apenas" o sector financeiro a dar o berro) mas com algumas diferenças que explicam as decisões e caminho que seguiram.
Primeiro, não fazem parte da UE (nem hão-de fazer, pois a Inglaterra e Holanda certamente não o permitirão) nem do Euro. Logo aqui, têm outra liberdade de acção, pois não correm o risco da Irlanda nesse hipotético abandono.
Depois, são minúsculos. É muito mais simples uma solução desse tipo quanto menor for o país e a população. Uma restruturação numa micro ou pequena empresa é muito mais fácil de fazer do que numa grande empresa e os custos financeiros e sociais têm sempre um impacto menor.
Não esquecer também o que poderá vir da decisão do tribunal da EFTA sobre a dívida à Holanda e Inglaterra e que consequências trarão. A Islandia faz parte da Área Económica Europeia e beneficia do seu mercado e certamente não o quererá perder.


Não nos esqueçamos igualmente de alguns factores que eles têm em comum que permitem um desempenho diferente das suas economias e que PCP e BE abominam: baixos impostos. Não esquecer igualmente que houve desde o início dessa crise uma emigração enorme nesses dois países. Não sei se foi preciso o Passos Coelho de lá a aconselhar.


pedor, a irlanda nem sequer tinha um problema economico , tinha um problema com os seus banco,e torrou lá dinheiro publico que s efarta, e agoa os irlandeses estã a pagar bem caro essa opção.Não são as medidas da troika que estão a ajudar a irlanda, tal como não serão as medidas da troika no nosso caso. As mdidas da troika são um castigo qual chicote no rabo do outro que não significa ser a solução.Isto é uma peça de teatro, em que portugal no palco, toma as medidas, fingindo que~estas são as medidas que resolvem.É tipo a parte publica do caso.Mas isto no palco pedro. Poirque nos bastidores,ás escondidas, vai-se cozinhare implementar um alivio da nosa suteridade, ou reestruturação.o que o schauble dise ao gapasar, foi o seguinte.Resumindo: ao publio, motra-se uma coisa, e em privado mostra-se outras.
Quanto a islandia, de acordo mas perguno então, onde se encontram as tais godras do estado, que iam ser cortadas ,e que levariamn a que não se aumentasse a carga fiscal ou baixasse-a até.Infelizmnte pedro, este governo aumentou mais os impostos do que outro qualquer, sendo que ainda nem sequer explicou onde está o raio do tal desvio colossal.É que não se sabe dele.
Adenda. esqueceu-se de dizr que a islandia nao cortou as despesas sociais,isto é saude e gasto social, e já agora poderia-me dizer porque é que os paises escandinavos têm sim alta carga fiscal


PedroM
"a irlanda nem sequer tinha um problema economico , tinha um problema com os seus banco"
Exacto, tal como a Islândia. Tal como disse, o DO tentou de início misturar Irlanda e Grécia (e depois Portugal) para servir os seus argumentos anti-troika-austeridade. Agora que já não lhe serve, esconde a Irlanda da discussão. Eu seempre disse isso.

"não as medidas da troika que estão a ajudar a irlanda, tal como não serão as medidas da troika no nosso caso"
makarana, a ver se percebe o que eu quero dizer: as medidas da troika são a contrapartida deles para o resgate. Repito: resgate! Ajudas eram os milhões incotáveis que a UE nos foi dando durante décadas. Agora é um resgate.

"Poirque nos bastidores,ás escondidas, vai-se cozinhare implementar um alivio da nosa suteridade, ou reestruturação"
É óbvio! Só gente populista, oportunista ou completamente imbecil dentro de partidos da assembleia reclamam que isso devia ser feito à "luz do dia". Vamos lá a ver: para os investidores e credores externos, um pedido de renegocição é o equivalente a uma declaração de pré-falência ou bancarrota. As consequências imediatas só pioram a situação. O que o alemão disse é o que acho que querem todos ver na Grécia: que comecem verdadeiramente a mudar a situação que mantiveram durante décadas e que os trouxe aqui. Depois de verem que estão empenhados, ajudarão (como disse ao Gaspar) caso seja necessário e vão fazendo as necessárias compensações.
O que me parece claro é que não estão mais dispostos a financiar para que tudo fique igual. Neste caso, ponho-lhe a pergunta: qual é para si o limite de pacotes a que uma Grécia terá direito? Ou que seja economicamente possível? 3, 4, 10, 20? 

"esqueceu-se de dizr que a islandia nao cortou as despesas sociais"
A situação deles é "simples"; ou seja, o problema foi o colapso bancário e as suas dívidas. Se decidiram não as pagar, "deixou" de haver para já problema (logo se verá o que decidirá o tribunal da EFTA).
OS países escandinavos têm essa carga fiscal (exceptuando a Islândia) porque são sérios, honestos e têm um forte sentido de comunidade e bem-comum. Repartem bem a riqueza gerada e não a desperdiçam nem se dela apropriam para si mesmos. Isto vale tanto para o peixe graúdo como para o miúdo.
Porquê que não cospem ou deitam lixo para o chão? Porque razão cumprem as leis e regras, sejam elas de trânsito ou outras? Para nós, Portugueses "chicos-espertos", porque são "tótós"...


ok
1: paragrafo: das prspectivas á realidade vai um distancia gande ,e na minha opiniao a irlanda ainda vai a meio do rio da troika
2ª: é um astigo sádico, que está a levar a europ para a recessão.Os gajos a troika que acreditem no que quiserem mas nao erao aquelas medidas que vao pernitir-nos sair da crise,e isto conduz-nos ao 3º paragrafo: é um peça de teatro, porque não serão as medidas da troika nem os cortes que nos vão permitir air da recessão, nem qu haja lguma mudança.Porque as meddas causam recessão,logo menos riqueza logo menos dinheiro para pagar dividas e até os alemães sabem disso.Os alemães estão mais concentrados em castigarem os outors, e já nãon se lembram decomo foram ajudados na II guerramundial.Recomendo-lhe vivamente pedro, ir ver o discurso zdo helmut schmidt no cngresso do spd.Até o kohl já deitou abaixo a merkel.Não sei, se calhar este foi o ultimo resgate para eles, mas o melhor seria ser uma saida ordenada.
por ultimo:Sim eles sao isso.E nóe temos é que combater a corrupção e repartir as riqueza.Mas se me permite, o seu discurso é um pouco estereotipiado e clichético.
Pedrom, nunase devia ter camado o pec iv, e ãcima de tudo nunca mas nunca deviamso terentrado no euro.Já agora: o que pensa voce dos governos de cavaco silva er de durao brroso?

deixado a 2/3/12 às 14:06
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ollhe lá, e a crise internacional de 2008 nao existia? já te esqueceste que a ue recomendou politicas de gasto para a crise de 2008,e  que foi isso que todos os governos fizeram? lembras-te do passo coelho ter dito frase como havia demasiada austeridade em portugal no tempo do socrates? lembras-te quando ele chumbou o pec IV pensando so no pote e sacrificando o interesse do pais?


ja agora tou a responder ao pedrom

deixado a 29/2/12 às 14:18
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PedroM

"ollhe lá, e a crise internacional de 2008 nao existia?"
Já, era a chamada "crise do subprime", que tinha contornos e características diferentes.
Depois, as políticas da UE não existem; são uma anedota, como são as nossas e os nossos políticos. Claro que lembro essa frase, como lembro "há vida para além do défice" para que se pudesse eleger outro governo. Lembro-me também no início dessa crise do subprime que as soluções do PCP e BE eram exactamente as dos mais ferozes ultra-conservadores-neo-liberais-capitalistas-ferozes americanos: deixar cair os bancos que fossem precisos e não meter um cêntimo lá do dinheiro público. Fizeram isso com o Lehman Brothers e começou a catástrofe dos mercados, tipo dominó.


"lembras-te quando ele chumbou o pec IV pensando so no pote e sacrificando o interesse do pais?"
Lembro, com a ajuda e conivência do BE e PCP. Foram eles todos que sacrificaram o país. O PSD a pensar no pote. E o PCPe BE, não tendo pote contentavam-se com o penico?


pois pedro, mas a verdade é esta: todos os governos da europ e do mundo, incluindo sarkozys e merkels, umentaram o defice e apostaram no investimnto publico, e foi ai que anossa divida aumentou, para ajudar as empresas e as familias.Qunto aos bncos de facto nao posso opinar muito, sei qu o lhman brothers foi o detonador d crise, mas ´preciso nõ esquecer o buraco do bpn que aumentou estes anos, mesmo estando nacionalizado.Por ultimo,sim, o psd e o cds pensaram no pote.O cas do be e pcp, parece-me que o governo do psd devia ter negociado o pacote com eles., coisa que nao fez, embora reconheceno ele, que seria muito melho do que um intervensão externa


PedroM

"os governos da europ e do mundo, incluindo sarkozys e merkels, umentaram o defice e apostaram no investimnto publico, e foi ai que anossa divida aumentou, para ajudar as empresas e as familias."
Para além das políticas erráticas da UE, os verdadeiros problemas de Portugal são dois: primeiro, uma economia que não cresce há décadas.
Depois - e que conta mais que a dívida pública - é o facto de termos vivido acima das nossas possibilidades. Os arrastões querem a todo custo negar esta evidência mas este é o principal problema.
Mesmo com uma economia manhosa, a nossa situação podia neste momento não ser tão grave se as famílias não se tivessem endividado em média mais de 100% em relação ao que ganhavam (sem falar no endividamento das empresas). A DECO alerta para isto aos anos. Para o Daniel isto não é viver acima das possibilidades. Se calhar ele pensa "como havia essa possibilidade de endividamento, viviam dentro das possibilidades"...
Eu também gostava de ter plasmas, playstations, iphones, carros e férias no Brasil e na neve mas nunca me endividaria para isso. A casa já bastava e sobrava. Vejo gente na Seg Social e Centro de Emprego com centenas de euros em roupa e acessórios em cima. Só um telemóvel, que supostamente serve para fazer chamadas, vale mais que um salário! Só lhes servia o melhor, como se fôssemos os melhores.


Se não tivéssemos este grau de endividamento, certamente que esta crise agora tinha tido um impacto bem menor nas famílias. Têm culpa nisto os governantes que promoveram estas políticas; os partidos da oposição (que por eles, ainda seria um regabofe maior, pois achavam isso pouco); os bancos que se deixaram levar na onda e as próprias pessoas, que não podem ser ilibadas dum grau de endividamento absurdo. Neste quadro, quando a coisa apertasse, só podia rebentar.


Em relação ao BPN, acho que devia ter sido nacionalizado mas quem tinha que arcar primeiro com as consequências seria a SNL. O estado deve manter e suportar o sistema financeiro; não tem é que amparar e suportar os accionistas. Se apostaram no cavalo errado (os gestores que lá colocaram), perdem e saltam fora. Venham outros mas o banco em si (juntamente com os seus negócios, operações e clientes) mantém-se; apenas mudam os donos. Assim qualquer investidor ficaria assegurado que não haveria qualquer sobressalto no sector financeiro; apenas os accionistas passaria a assumir os riscos, tal como assumem os lucros.


wrong PDRO.Nós até a crise tinhamos uma divida publica denro dos parametros da uniaon europeia, e o governo do socrates até 2008 baixou o deficit até n2%, repito 2%, vindo dos 6,8 por cento que foi deixado pelo governo da direita.E conra essa visão eviesada que é dita pelos hipocritas de dieita, qu se armam em moralistas, mas depois mamam no estado, é que a crise de 2008 não aumentou as dfepsesas,que estavam no nivel normal da ue, mas foi sim a receita que desceu.E o aumento da pobreza nos ultimos ao.Quem gastou demasiado nao foram os portugueses, mas sim o estado.Nos nao precisavamos de euo2004 nem expo nem nde auto estradas nem de submarinos PARA NADA

deixado a 2/3/12 às 14:25
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"ideal seria que, por exemplo, a Alemanha subisse os salários 5 ou 6% e Portugal apenas 1 ou 2%. Esta medida seria suficiente para esse ajustamento de 20% das tabelas salariais entre Portugal e a Alemanha" LOL!!!!!!!!!!!!!!!! O Krugman é de partir a moca de tanta asneira, mas os comentários que lhe seguem são fantásticos.

deixado a 29/2/12 às 14:38
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António Carlos
"É que na Grécia acabou de ser aprovado o enésimo pacote de austeridade, e desta vez eles vão ser forçados a cortar o salário mínimo em 200 euros"
Já agora podia contextualizar. O salário mínimo grego vai ficar igual ao Chinês? Não, vai ficar aproximado (ligeiramente superior) ao Português. É pouco? A questão é saber se o diferencial actual (aprox. 500€ o Português e aprox. 750€ o Grego) é sustentável quando comparamos a situação das duas economias.
Também nós gostaríamos de ter um salário mínimo de 750€ (ou mais) mas até as centrais sindicais (CGTP incluída) reconhecem que não seria sustentável no contexto da economia portuguesa: por isso, antes da crise, havia um acordo para o seu aumento progressivo até 500€ (mais ou menos) nos próximos anos. Agora, até esse aumento parece irrealista e pouco consentâneo com a desvalorização salarial preconizada por Krugman (ainda que por outros meios) e contrariada por si (discordando apenas do método).
Coloco-lhe portanto 2 questões:
- Defende que o salário mínimo Português devia aumentar já para 750€ (igualando assim o Grego)?
- Considera que a economia Grega está melhor que a Portuguesa de forma a justificar um salário mínimo Grego superior em 50% ao Português?
Já agora, por favor, sem demagogia.

deixado a 29/2/12 às 14:40
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Alexandre Carvalho da Silveira
Por acaso vi a conferencia de imprensa do Krugmann, e ele disse taxativamente " que era desejavel que os salarios em Portugal baixassem 30%", e não se referiu à Alemanha. Acredito que mais tarde tivesse corrigido o tiro, mas na altura foi o que disse.
A esquerda em geral está contra a austeridade. Em  83 tambem esteve, mas foi a austeridade e um ministro das finanças que nunca transigiu, Ernani Lopes, que levou o país fazer em dois anos o que estava previsto para 4 ou 5. Em 1986 a economia já começou a crescer, e em 2013 vai acontecer o mesmo.  Toda a gente sabe que austeridade leva fatalmente a mais desemprego; mas de 2007 para cá, quando não havia austeridade o desemprego não subia a olhos vistos todos os anos?
É facil dizer que determinado tipo de medidas não resolvem os problemas da economia portuguesa. Mas se estas medidas não resolvem, então quais é que resolvem, e de caminho expliquem lá onde é que se vai buscar o dinheiro para pagar as despesas do estado. Não adianta falar de mais austeridade, quando não está prevista.

deixado a 29/2/12 às 16:31
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Alexandre Carvalho da Silveira
Rectificação: Krugmann disse na conferencia de imprensa que seria desejavel que os salarios em Portugal baixassem 30% em relação aos salarios na Alemanha, mas não referiu que para isso os alemão terião que subir 6 ou 7% e os portugueses apenas 1 ou 2%.

deixado a 29/2/12 às 17:05
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em 86 estavamos na uniao europeia, e desvalorizámos o escudo, ao contrario de agora.


Alexandre Carvalho da Silveira

Em 86 tinhamos acabado de entrar na CEE. A desvalorização do escudo ajudou, nomeadamente nas exportações, mas não foi o factor principal. Foi o rigor de Ernani Lopes, e a austeridade a que o FMI nos obrigou que nos permitiram sair do buraco. E a economia portuguesa estava praticamente toda estatizada, o que foi um handicap.


e talvez umas conjuntura economica exterior favoravel não?

deixado a 29/2/12 às 18:51
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Joe Strummer
Com efeito o que Krugman disse foi que na evolução da massa salarial a nossa deveria decrescer 30% em relação à Alemã. A diferença potenciaria a competitividade da nossa economia.

Se fosse em relação aos salarios de per si e na habitual perspectiva ignorante (?) com que são referidos, chegar-se-ia à conclusão que para ficarmos em média 30% abaixo do salario médio alemão teríamos que aumentar o nosso em vez de o cortar:))

 

deixado a 29/2/12 às 18:29
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Rafael Ortega
"o ideal seria que, por exemplo, a Alemanha subisse os salários 5 ou 6% e Portugal apenas 1 ou 2%. Esta medida seria suficiente para esse ajustamento de 20% das tabelas salariais entre Portugal e a Alemanha"

O salário médio português é cerca de 800€. O alemão é cerca de 2500€.
Percebe-se que o português ganha 0,32 salários alemães. Para uma desvalorização de 20% o português tem que passar a receber 0,256 do alemão.
(0,32*0,2=0,064   0,32-0,064=0,256)

Assim sendo, e com os números que o Sérgio apresenta,

O português com aumento de 1% passa a ganhar 808€. O alemão com aumento de 6% passa a ganhar 2650€.
Dividindo um pelo outro dá 0,3049 o que representa uma desvalorização inferior a 5%.

Se as minhas contas estão erradas gostaria que me mostrasse porquê (com contas também).

Se estiver certo então, mantendo o salário português (porque muitas empresas já têm dificuldade para pagar o que pagam quanto mais aumentos), o alemão teria que subir para 3125€, ou seja, um aumento de 25%.

deixado a 29/2/12 às 23:00
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Alexandre Carvalho da Silveira
Tem toda a razão na analise que faz.
 A esquerda estava de facas afiadas à espera que o Krugmann viesse arrasar as politicas seguidas em Portugal por imposição do memorando de ajuda que o PS negociou e assinou. Mas o premio Nobel chegou cá e arrefeceu-lhes os animos com esta historia da diminuição dos salarios em 30%. Então inventaram esta, e nem se deram ao trabalho de fazer as contas. Houve tvs,  talvez atordoadas, que chegaram a dizer que ele tinha falado em 20%, outras em 15%. Um enorme rigor informativo como se viu.


o psd quis foi pote.Poder, dinheiro e tachos.E para atingir esse fim não hesitaram em sacrificar o interesse do pais, chumbando um plano que até ideologicamente tinha muitas opções politicas do psd.

deixado a 1/3/12 às 01:19
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