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Arrastão: Os suspeitos do costume.

De 1962 a 2012

Miguel Cardina, 24.03.12

Os participantes hoje na comemoração dos cinquenta anos do início em Lisboa da "crise de 62" aprovaram um texto onde manifestam preocupação sobre a actuação desproporcionada da polícia na passada quinta-feira. Como se diz no texto, disponibilizado pela Joana Lopes, «os jovens de 1962 não podem tolerar em democracia o que repudiavam em ditadura.» Segue a moção na íntegra:

 

MOÇÃO
Há 50 anos, a indignação perante uma carga policial sobre estudantes que pretendiam comemorar o Dia do Estudante deu origem ao luto académico que hoje aqui evocamos. 
Há dois dias, vimos nas televisões as imagens de polícias carregando de novo sobre jovens, com uma violência desmedida e desproporcionada. Mais vimos o espancamento de jornalistas, pondo em risco a isenta cobertura da carga policial. 
Os jovens de 1962 não podem tolerar em democracia o que repudiavam em ditadura. Assim, os participantes na Crise Académica de 1962, reunidos na Cantina da Cidade Universitária em 24 de Março de 2012, decidem: 
- Manifestar o seu repúdio pelos actos de violência policial verificados em Lisboa e no Porto a 22 de Março de 2012; 
- Dar conhecimento desse repúdio a Suas Excelências o Presidente da República, a Presidente da Assembleia da República, o Primeiro-Ministro; o Ministro da Administração Interna, o Inspector-Geral da Administração Interno e o Sr. Provedor de Justiça, assim como aos órgãos de Comunicação Social. 
Cantina da Cidade Universitária 
24 de Março de 2012

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