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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Vigaristas a soldo do capital

Sérgio Lavos, 27.03.12

 

E pela calada da noite lá se confirmou o indecente pagamento dos dividendos relativos a 2011 aos novos accionistas da REN e da EDP. Foi o "rigoroso" Vítor Gaspar, no sábado passado, enquanto as televisões se entretinham com o congresso do PSD e os blogues com as agressões da polícia a jornalistas, quem fez o anúncio: 180 milhões de euros - os 4,4 milhões que a Lusoponte ainda não devolveu ao Estado são uma ninharia perto disto - para o Estado chinês e para o sultanato de Omã relativos aos exercícios de um ano em que estes ainda não detinham acções das duas empresas nacionais. Mas é tudo perfeitamente normal: o português mastigado e drunfado de Gaspar explica: "se o efectivo pagamento dos dividendos ocorrer antes da efectiva transferência de titularidade das acções objecto de venda directa para o respectivo comprador, os dividendos são recebidos pela Parpública, sendo o montante deduzido ao preço final a entregar pelo comprador, e, se ocorrer após a efectiva transferência da titularidade das acções, o preço é pago integralmente e o novo accionista receberá o valor dos dividendos directamente da sociedade". Perceberam? Eu também queria não perceber, mas entendi simplesmente que o Estado português - isto é, todos nós - acabou por prescindir de um valor que é:

 

- Cerca de um quarto do valor arrecadado pelo fisco no Natal passado com o corte nos subsídios de Natal.

 

- Pouco mais de duas vezes o que se arrecadou o ano passado com os cortes no RSI.

 

- Mais de um décimo do que foi cortado em despesas com Saúde em 2011.

 

- Pouco menos de metade do valor que previsivelmente se irá arrecadar com o aumento das receitas do IVA em 2012.

 

- Cerca de um vigésimo do total recebido pelo Estado pela alienação da sua participação nestas empresas.

 

Esta venda a preço de saldo, altamente lesiva para o Estado português, é o exemplo perfeito da política de privatizações ao desbarato prosseguida pelo Governo PSD/CDS. E mais se seguirão. Vale-nos que as privatizações da EDP e da REN irão levar à liberalização do mercado de Energia e portanto a uma redução dos preços da electricidade...

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