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Arrastão: Os suspeitos do costume.

O bando dos quatro

Andrea Peniche, 29.05.12

 

No passado dia 6 de março uma delinquente foi identificada e constituída arguida sob a acusação de crime de desobediência. O hediondo crime ocorreu à porta do Centro de Emprego do Conde Redondo, em Lisboa, e foi, segundo reportou a polícia, uma manifestação organizada por um perigoso bando de quatro pífias pessoas.  

 

Para a polícia, e bem, um grupo de quatro pessoas que distribui panfletos e contacta com desempregados, exatamente no Dia Mundial do Desempregado, constitui uma manifestação não autorizada e representa um enorme perigo para a manutenção da ordem pública. Na verdade, estas não eram umas quatro pessoas quaisquer, eram desordeiros de um movimento social, o Movimento Sem Emprego.

 

À primeira vista esta situação poderia configurar um torpe ataque à liberdade e uma (mais uma) demonstração do poder autoritário na tentativa de normalizar a perseguição e criminalização dos movimentos sociais. Mas nem tudo o que parece é.

 

Precisamente ontem, estes tratantes juntaram-se novamente à porta do mesmo Centro de Emprego para fazerem precisamente a mesma coisa: distribuir panfletos e contactar com desempregados. Desta vez a polícia já não teve o mesmo entendimento, o que é perfeitamente justificável: é que, contra o bando dos quatro de 6 de março, desta vez juntaram-se cerca de 20 arruaceiros. E isto, bem vistas as coisas, pode e deve ser entendido como prelúdio de uma outra qualquer coisa que pode estar no horizonte.

 

Myriam Zaluar, a marginal identificada a 6 de março, recebeu ontem, quando se preparava para ir causar mais distúrbios para o Centro de Emprego, a notificação do tribunal que a convida a pagar uma multa de 125 euros ou a cumprir 240 dias de trabalho comunitário.

 

Parece é que esta tratante tem pelo na venta, pois não só foi novamente para a porta do Centro de Emprego como já veio dizer que se recusa a pagar a multa e está disposta a ir a tribunal para que se faça justiça.

 

Estes fogachos poderão não ficar por aqui. O que me tranquiliza é saber que temos um governo com pulso, uma polícia instruída e um ministério da administração interna que não sofreu cortes, pelo contrário, no seu orçamento.

 

Nota: como tudo isto se passou no dia 28 de maio, este post foi um exercício do que poderia ter sido escrito se tudo isto se tivesse passado no ano da graça de 1926 (ou nos 48 anos que se lhe seguiram).

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