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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A troika faz mal às contas públicas

Daniel Oliveira, 28.06.12

 

O Governo previa que a receita fiscal do Estado crescesse 2,9%. A receita fiscal do Estado caiu 3,5% nos primeiros cinco meses deste ano por comparação com o mesmo período de 2011.Houve uma quebra de 5,9% nas receitas dos impostos indirectos. Até maio, as receitas fiscais tiveram uma redução de 480 milhões. Com estes resultados, é difícil continuar a insistir nos elogios à qualidade técnica de Vítor Gaspar. Está a falhar em toda a linha.

Muitas pessoas que, ao contrário dos "tecnocratas" de serviço, "não percebem nada de economia" e "não sabem fazer contas" avisaram: as medidas recessivas associadas ao aumento dos impostos (especialmente do IVA) resultariam num agravar da crise e numa perda fiscal. Ou seja, teriam o efeito oposto ao pretendido e criariam mais problemas ao cumprimento das metas do défice.

 

Infelizmente, os factos começam a tornar-se demasiado trágicos para que se continue a contrariar a evidência. E, tirando alguns indefectíveis, já ninguém, no seu perfeito juízo, acredita que este caminho resolva qualquer problema nas contas públicas. Já para não falat de tudo o resto, a começar pelo emprego.

 

Resta então o argumento de Paulo Portas: não há alternativas. Ou seja, já nem os que aplicam esta receita acreditam nela e limitam-se a dizer que, estando a fazer uma asneira, não se lembra de outra melhor. Mas há outros caminhos. Eles não passam é por o que está escrito no memorando da troika e obrigarão à negociação e reestruturação da dívida. Tudo o resto destruirá a nossa economia e aumentará o nosso défice público, obrigando a uma interminável espiral de endividamento. Uma espiral que, no fim, nos obrigará a incumprir, a renegociar e a, muito provavelmente, sair do euro quando já nada houver a fazer.

 

Sobre Portugal, ninguém pode usar o subterfúgio que se usa para explicar o desastre grego. Nós estamos a cumprir tudo. E é por isso mesmo que está a correr tão mal. Não basta continuar a tentar destruir ualquer alternativa que surja com o discurso preguiçoso da "inevitabilidade" e do "bom aluno" que tenta agradar à Alemanha e aos "mercados".É preciso aceitarmos, de uma vez por todas, que o que está a ser feito faz parte do problema e não da solução. Só depois de o compreendermos nos esforçaremos para, coletivamente, encontrarmos alternativas. Antes que seja tarde demais. Como é para a Grécia.

 

Publicado no Expreso Online

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