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Arrastão: Os suspeitos do costume.

De uma mundividência limitada para outra

Sérgio Lavos, 05.07.12

O deputado Michael Seufert, a quem eu me refiro nest post, decidiu esclarecer algumas das questões levantadas por mim e pelo Daniel também aqui no Arrastão.

 

Registo a correcção do texto, que contrasta vivamente com um texto repleto de indignação insultuosa de um seu colega de blogue. E registo sobretudo a vontade de acrescentar à sua biografia dados que estavam omissos na sua biografia oficial e que tornam parte do que eu escrevi injusto. Não é difícil admitir isto, dado que qualquer opinião é construída a partir dos dados disponíveis. E o que eu sabia do deputado Seufert era que o seu percurso profissional contrastava com o discurso moralizante sobre os desempregados. Não se trata, e aí continuo a não concordar com Seufert, de um ataque pessoal; trata-se de combater as ideias que ele defende expondo as contradições entre teoria e prática. Profissional, sublinhe-se, porque acho que quando falamos do foro privado esta táctica não é legítima. E é preciso reforçar esta ideia: a minha questão com Seufert não era a defesa do empreendedorismo por si só, mas sim esse discurso que pretende culpabilizar os desempregados pela situação em que se encontram. Digamos que esse tipo de argumento (presente na entrevista que Seufert dá ao P3) personaliza a questão, ao tratar os desempregados de uma forma paternalista e arrogante. A frase "sair da zona de conforto" é bastante ofensiva para a esmagadora maioria dos jovens desempregados e é inaceitável durante um período em que arranjar emprego é praticamente impossível. Para além do mais, falar de empreendedorismo quando as entidades bancárias não estão a conceder créditos às PME's é repetir um discurso governamental formatado que não colhe na realidade. Parece-me evidente que quem fala assim ou age de má fé ou não conhece realmente a área sobre a qual tem uma opinião tão forte. Como prefiro pensar que as pessoas (sejam ou não políticos) acham que sabem do que estão a falar quando têm um discurso vincado e acreditam naquilo que dizem, parti do princípio de que Seufert tinha pouco conhecimento empírico sobre o "empreendedorismo" e as dificuldades por que passa a economia real. Os acrescentos biográficos que ele faz no post são vagos, mas preenchem lacunas no meu, admito, preconceito.

 

Honra lhe seja feita: pode estar errado nas suas ideias, mas mostra uma louvável vontade de esclarecer e dialogar. Pena as considerações generalizantes sobre o BE e os juízos de valor sobre a minha mundividência. Mas enfim, não se pode ter tudo, e nem me posso queixar muito: também eu fiz um juízo de valor sem conhecer a totalidade da pessoa. Ninguém é perfeito.

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