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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Entregava o seu património a Miguel Relvas?

Daniel Oliveira, 27.07.12

 

Miguel Relvas é, mesmo que muitos acreditem que tudo passará, um ministro a prazo. Já todos os jornalistas, todos os políticos da oposição e até todos os humoristas perceberam que a sua vida é um poço sem fundo de escândalos.Mas ele tem uma função: privatizar a RTP. E privatizar com uma agenda. Mudando o panorama mediático português e, com ele, o panorama político. Dando, provavelmente, espaço mediático a uma direita trauliteira e radical. E, no meio, tratando, da forma expedita que já lhe conhecemos, de negócios.

 

Acontece que Miguel Relvas, o político mais desprezado pelos portugueses, não tem legitimidade moral para vender nada que seja do Estado. Que seja património nosso. Com um outro ministro, eu, como cidadão, discutirei o disparate que é esta privatização. O disparate para o Serviço Público de Televisão e o disparate para o mercado publicitário e, por efeito, para televisões, rádios e jornais, levando a falências em catadupa e diminuindo, em vez de aumentar, o pluralismo da informação no nosso País. Valor que, já se percebeu, preocupa pouco este governo e os que o antecederam. Mas não é nada disto que se discute com Relvas. Com Relvas estamos sempre à espera de esquemas e negociatas. Nenhum negócio que tenha Miguel Relvas como ministro da tutela pode estar fora de suspeitas. Seria como pôr Dias Loureiro a tratar da privatização de parte da Caixa Geral de Depósitos.

 

Muitos têm dito que os ataques a Miguel Relvas resultam do processo de privatização da RTP. As teorias da conspiração valem o que valem. Mas aceitando que seja verdade, ficam as perguntas: não é importante sabermos da honestidade de quem vai tratar da venda do nosso património? Não é o respeito pela liberdade de imprensa fundamental num ministro que trata de assunto tão sensível para a saúde da nossa comunicação social? Serei, até ao último segundo, contra a privatização de um canal da RTP. Sempre foi e sempre será esta a minha posição. Mas neste momento é uma coisa mais comezinha que me faz escrever: serei contra a venda de um lápis que seja se o vendedor do que é meu for Miguel Relvas. E nem preciso de explicar porquê. Todos sabem o que lhe falta. Até ele.

 

Publicado no Expresso Online

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