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Arrastão: Os suspeitos do costume.

O Dr. Miguel Relvas já pode pedir uma equivalência à Universidade de Palermo

Sérgio Lavos, 24.08.12

Estrela Serrano explica:

"A estratégia é conhecida por “balão de ensaio” e tem vários níveis de sofisticação. É delineada nas altas esferas e é geralmente aplicada através de “fugas” de informação dirigidas a certos jornais “próximos” por intermédio de  jornalistas “de confiança”.

 

Esta estratégia, tudo o indica,  foi agora utilizada pelo Governo, a propósito da RTP, com algum grau de sofisticação. Mas há sempre alguma coisa que escapa ao controle e ajuda a perceber  mais do que aquilo que se diz.

 

Neste caso, importa analisar todos os pormenores do que veio a público e do que é possível perceber do que não veio,  porque eles fornecem sinais sobre o que verdadeiramente se prepara para a RTP. Vejamos:

 

- A notícia sobre a “hipótese em cima da mesa”, de concessão do serviço público a um privado e encerramento da RTP2, foi dada em primeira mão ao jornal Sol que a anunciou na sua edição electrónica ao fim do dia de ontem, antes de ser divulgada pela TVI no Jornal das 8 e hoje pela edição papel do jornal. 

 

- O Sol é  detido em 96,96% pela Newshold, grupo angolano cuja estrutura accionista é constituída por Pineview Overseas, S.A. (Sociedade Anónima sedeada na República do Panamá) e em 5% pela TWK – SGPS, Lda. (Sociedade por Quotas).

 

- A Newshold, dona do SOL, segundo notícias vindas a público  está a preparar a sua candidatura à privatização de uma frequência da RTP, tendo para isso criado uma nova empresa e começado a contratar colaboradores para a elaboração do projecto.  

 

- A notícia do SOL é assinada exclusivamente pelo vogal do conselho de administração do jornal, José António Lima, e não por  jornalistas que geralmente cobrem os temas televisão e media, o que sugere ter o assunto sido tratado apenas ao mais alto nível no seio do jornal por alguém em posição de deter e poder controlar a divulgação da informação conveniente.

 

- Do lado do Governo, o escolhido para a execução da estratégia não foi, desta vez, um assessor ou um dos comentadores televisivos a quem o Governo costuma dar “cachas”- Marcelo ou Marques Mendes. O governo subiu a parada e entregou o serviço ao seu conselheiro e ministro-sombra com o pelouro das privatizações, António Borges, que nada tem a perder e tudo tem a ganhar em fazer o papel do “balão” que não se importa de ser desmentido se o “ensaio” não der o resultado esperado.

 

- E é aqui que entra a TVI. Seria coincidência a mais que a TVI se lembrasse de entrevistar António Borges no dia em que a notícia do dia  era o buraco orçamental. Mas era preciso que António Borges – o escolhido pelo Governo para dar a cara - fosse a uma televisão fazer o spin, prevenindo a eventualidade de a notícia do Sol não corresponder ao que o Governo queria que fosse dito. A RTP estava fora de questão, a SIC ainda mais pelos motivos conhecidos: Balsemão é frontalmente contra a estratégia do Governo para a RTP. Então, quem melhor do que Judite de Sousa para conseguir entrevistar  em cima da hora uma figura de proa ligada ao Governo como António Borges?

 

E assim o “balão de ensaio” fez o seu caminho…

 

Veremos se o serviço público de televisão acaba concessionado a uma entidade de seu nome Pineview Overseas, S.A., com sede na cidade do Panamá, República do Panamá… de cujos “testas de ferro” não foi até hoje possível conhecer os nomes."

4 comentários

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    António Pedro Pereira 24.08.2012

    Senhor Pedro Santos:

    Não vou discutir consigo nem contestar a sua legítima posição de defesa da extinção (ou venda ou dação) da RTP.

    Mas, por favor, defenda o que quiser sem nos manipular com a «canga pesadíssima dos 300/400 milhões» (ou outro número qualquer, de acordo com a imaginação do autor do número).

    E isto porquê?

    Porque dá a ideia de que, se a coisa for privada já não custa nada a ninguém e funciona muito melhor é a maior mistificação ideológica que se pode imaginar (além de revelar pouco sentido crítico e inteligência na análise).

    Tudo tem um custo, portanto, o senhor e eu (todos nós) é que pagamos esse custo, tantas vezes da forma mais indirecta e subtil que nem nos apercebemos.

    Se for pela via da publicidade dos produtos pagamos através do aumento dos custos desses produtos. Ex. a publicidade das televisões privada é paga directamente pelos anunciantes que incorporam esse custo nos produtos que vendem.

    Se for através de monopólios ou oligopólios pagamos através de preços impostos por esses monopólios sem possibilidade de defesa. Ex. os combustíveis e a electricidade.

    Vejo que comprar batatas ou detergentes mais caros por causa da publicidade dos Pingos Doces e Continentes já não o aflige.

    Ou comprar a 6.ª gasolina mais cara na UE a 27 ANTES DOS IMPOSTOS ou o 9.ª mais cara DEPOIS DOS IMPOSTOS, para permitir chorudos lucros aos monopólios BP, Repsol, etc. ou ao oligopólio GALP também não o aflige.

    Fica aflito apenas com os 300/400 milhões da RTP.

    É o que se pode chamar uma aflição selectiva (idelogicamente).

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    fado alexandrino 24.08.2012

    Não me quero meter nesta saudável discussão, gostaria apenas de dizer que vem nos livros de economia que a publicidade embaratece um produto.
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    Anónimo 25.08.2012

    Entao va fazendo publicidade ate ficar de borla
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