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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Porque sim

Sérgio Lavos, 14.11.12

Se o Rodrigo Adão da Fonseca diz que recusa qualquer tipo de totalitarismo, quem sou eu para duvidar? Mas ao defender o fim do direito à greve assegurado constitucionalmente está a subscrever uma medida que todos os líderes fascistas tomaram quando chegaram ao poder. A supressão de direitos laborais, incluindo o direito à greve, faz parte da cartilha fascista. É especialmente comovente a referência aos elementos mais frágeis da população (a negrito e tudo), sobretudo porque as doutrinas políticas defendidas no Insurgente implicam a existência de uma espécie de darwinismo social, no qual os mais fracos não têm direitos e protecção assegurados pelo Estado. E o fumo lançado com a referência ao corporativismo dos regimes fascistas também é um autêntico achado - continuando assim, o Rodrigo ainda é contratado para produzir spin governamental. Imagino que esteja a referir-se às corporações de trabalhadores enquadradas pelo Estado Novo  - semelhantes, na sua natureza, aos sindicatos autorizados nos regimes totalitários de esquerda - e que serviam para enfraquecer os verdadeiros sindicatos, ligados inicialmente à esquerda republicana e depois ao PC. 

 

A greve não limita os direitos e as liberdades - e julgo que ninguém de bom senso defenderá piquetes violentos que impeçam o trabalho de quem não faça greve. A greve é um dos poucos instrumentos de luta que os trabalhadores têm, um dos poucos meios que possuem de reinvindicar direitos e promover a negociação junto dos patrões. Uma greve geral é uma forma de protesto apenas para ser usada quando estão em causa leis que afectam todos os trabalhadores - e se existe momento em que esse protesto é adequado, é este. O Rodrigo pode achar imoral o que bem entender. Mas quando afirma que este direito deveria deixar de ser legalmente protegido, arrisca-se a ser comparado com quem actuou desse modo ao longo da História. A não ser que prefira que as greves sejam selvagens, não enquadradas por regras e delimitadas pela lei - que indica claramente onde acabam os direitos do grevistas e começam os dos patrões. Talvez fosse de bom tom recordar ao Rodrigo que o direito à greve é uma conquista da social-democracia, não do marxismo. E que os EUA, berço do capitalismo, foram dos primeiros países a assegurar esse direito. Mas enfim, talvez estes factos interessem pouco a quem defende uma ideia de Estado radical e ultra-minoritária. Os extremismos são sempre avessos à racionalidade e à comprensão e aceitação dos mecanismos de equilíbrio entre os diversos poderes de que são compostas as sociedades.

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