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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A cilada dos relvistas para controlar a informação

Sérgio Lavos, 25.11.12

 

O ministro da propaganda, Miguel Relvas, e o golpe que levou à demissão de Nuno Santos, um director de informação que nunca deixou de mostrar independência face ao poder político. Por Eduardo Cintra Torres, um homem acima de qualquer suspeita, apoiante do Governo que chegou a fazer parte da comissão para avaliar o conceito de serviço público.

 

Todos os canais de poder começam a ser tomados. Relvas é o cancro que alastra na vida pública, controlando, manobrando, dispondo os seus homens de mão no terreno. A sua maior força? A imagem de idiota provinciano, de chico-esperto deslumbrado pelo poder, que leva a que a sua influência seja desvalorizada pela elite que formata a opinião pública e pelos adversários políticos. A cada piada ele fica mais fortalecido, a cada episódio degradante o seu poder se torna mais vincado. Ele apenas cairá quando o Governo cair, porque gente como ele sente-se bem a chafurdar na lama; gente como ele não tem um pingo de decência na cara nem uma réstia de ética no pensamento. Um perigo para a democracia:

 

"O segundo caso é este: Nuno Santos foi vítima de uma cilada para colocar a Direcção de Informação (DI) da RTP ao serviço do governo. O assunto ficara esclarecido com o Conselho de Redacção, a Comissão de Trabalhadores e o "director-geral" Luís Marinho (entre aspas porque o cargo continua ilegal), e, através deste, com a administração.

 

Apesar disso, o caso foi reavivado três dias depois pelo "director-geral" e pela administração. Porquê? A meu ver, o "director-geral", o ministro Relvas, e o seu homem na administração, Alberto da Ponte, aproveitaram o caso para desgastar Santos, que vinha a desenvolver uma informação mais independente do poder político, desagradando a Relvas e relvistas na RTP. Apesar de esclarecido o assunto, os relvistas, pensando melhor, concluíram que podiam explorar o caso. Santos, percebendo a cilada, demitiu-se. Foi uma cabala própria dos mais ruins regimes de propaganda, autoritarismo e desinformação. O resto é fumaça, como o inquérito sumário e pré-decidido, tipo pré-25 de Abril, que Ponte mandou fazer. Ponte, cuja capacidade de gestão ainda não se viu, politicamente provou a sua submissão ao ministro Relvas.

 

Resultado? A administração de Relvas indica Marinho para DI. É escandaloso, em termos institucionais, que um antigo administrador da RTP regresse à DI. Ainda por cima, ele, o principal responsável pela informação, não só ficou de fora das acusações da administração, como é nomeado para DI. Se for aceite pela ERC, será um dos mais graves atentados à ética do jornalismo e da informação em Portugal nos últimos anos. E, jornalisticamente, é ainda mais escandaloso, conhecendo-se o tipo de relacionamento de Marinho com os governos (Sócrates e Relvas).

 

A tomada do poder da informação pelo relvistas inscreve-se na história: o poder político considera a RTP como sua, não como do Estado para servir os portugueses. Não há meio de sair deste ciclo infernal criado por PS e PSD; a independência das DI é uma excepção na habitual submissão.

 

Para se defender os cidadãos, teria de começar-se pelos afastamentos de Relvas do governo, de Ponte da presidência da RTP, de Marinho de um cargo ilegal e do controle da informação. Que fará Passos Coelho com a RTP?"

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