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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Da série "A fenomenologia do Ser"

Sérgio Lavos, 28.12.12

 

"«Pedro» do Facebook e primeiro-ministro são a mesma pessoa.", afiança-nos o antigo candidato à liderança Pedro Passos Coelho, o tal que leu o livro desaparecido (ou nunca visto) de Jean-Paul Sartre. Já o antigo líder do PSD Pedro Passos Coelho afirmou em tempos que com ele os portugueses não iriam ficar sem o subsídio de Natal e também garantia que, se chegasse ao Governo, não iria aumentar mais os impostos. Também houve um primeiro-ministro chamado Pedro Passos Coelho que disse que os portugueses andaram a viver acima das possibilidades e eram piegas, e que deveriam olhar para o desemprego como uma oportunidade. Certamente que esse primeiro-ministro Pedro Passos Coelho nada tem a ver com o actual primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que disse na sua mensagem de Natal que o pior da crise estava ultrapassado, poucas semanas depois de ter sido aprovado um orçamento criminoso. E certamente que este primeiro-ministro não é o Pedro do Facebook, o marido da Laura, o piegas que lamenta que os portugueses tenham passado um Natal igual ao de outros tempos, não deixando de os criticar uma vez mais por terem em tempos mais recentes vivido com mais abundância do que vivem agora. Não é o mesmo Pedro, mas afinal são a mesma pessoa. O Pedro primeiro-ministro é o Pedro cidadão, e é também o Pedro candidato, afinal o Pedro é todas estas personagens, e estamos em pleno território da psicopatologia da vida política, esquizofrénica.

 

Toda a gente já se teria apercebido de que estamos a viver um tempo de desequilíbrios. Talvez poucos imaginassem que alguém como o Pedro cidadão (ou será o Pedro primeiro-ministro?) fosse o timoneiro desta nau de loucos. Mas afinal, que fizemos nós, portugueses, para merecer isto?

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