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Arrastão: Os suspeitos do costume.

António Costa no seu labirinto

Daniel Oliveira, 28.01.13

 

O cemitério da política está cheio de dons sebastiões. De homens desejados que esperam tanto pelo momento certo para avançar que, quando finalmente se decidem, o seu tempo já passou.

 

António Costa teve o seu momento: o último congresso do PS, quando o político sem carisma nem qualquer das qualidades de que um líder precisa foi eleito secretário-geral. Costa tinha a força, a experiência e o distanciamento de Sócrates necessários para preparar o eu partido para o regresso ao poder. Preferiu não o fazer e esperar por melhor momento. Na realidade, a sua situação não é, agora, pior do que era então. Estamos perante um dos governos mais impopulares da nossa democracia, o País está desesperado por uma alternativa e Seguro mostrou ser ainda mais fraco na oposição do que os mais pessimistas previam. O problema de Costa é outro: o calendário.

 

A oposição interna a Seguro quer acelerar a marcação do próximo congresso. Parece existir a convicção de que este, para apear Seguro da liderança, tem de acontecer antes das eleições autárquicas, que deverão dar à direção do PS um novo fôlego.

 

Se o congresso acontecer antes das autárquicas, não faço ideia como vai António Costa descalçar esta bota. Se, mais uma vez, não avança, a paciência dos que esperam por ele esgota-se. Se avança, não deverá ser candidato à Câmara de Lisboa. Não havendo um candidato óbvio para o substituir e estando já no terreno Fernando Seara, o PS pode bem conseguir o que parecia ser impossível: perder a câmara da capital. Ou seja, Costa ganha a liderança do Partido Socialista e estreia-se, como líder, com uma derrota. Pior: uma derrota que só a ele pode ser imputada. É que dificilmente os socialistas podem cantar vitória nas autárquicas perdendo a capital para o PSD. Ou seja, Costa começa o seu mandato como líder do PS numa posição mais frágil.

 

Claro que António Costa pode ganhar a liderança do PS e, ainda assim, concorrer a Lisboa. Mas não me parece que seja fácil fazer uma campanha em que toda a gente sabe que o candidato não pretende ocupar por muito tempo o lugar de presidente.

 

Na realidade, a única possibilidade que me parece restar a Costa é esperar por um congresso depois das eleições autárquicas. Uma possibilidade arriscada. Porque não é certo que o governo de Passos aguente até lá. E porque as autárquicas podem mesmo dar um novo fôlego a Seguro. Ainda assim, diga-se em abono da verdade, será um fôlego partilhado. Já que a vitória nas autárquicas, sem que o PS conquiste a câmara do Porto, terá como principal rosto António Costa.

 

Resumindo: se Costa não avança, as pessoas cansam-se de esperar, se avança cedo demais poderá oferecer uma derrota em Lisboa à sua própria liderança, se avança tarde demais pode perder a sua oportunidade. António Costa esperou pelo melhor momento. Acabou num labirinto, onde todos os momentos parecem ser maus.

 

Publicado no Expresso Online

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