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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Emigração

Miguel Cardina, 28.01.13

Todas as mensagens buscam um efeito, mas às vezes a vontade de afirmá-lo faz esquecer o conteúdo. O Prós e Contras desta noite, dedicado à emigração, teve vários momentos desses, com a tónica a transferir-se das condições estruturais que determinam os fluxos migratórios para o sermão sobre "estados de alma": falta-nos arrojo, optimismo, esperança, olhar os bons exemplos, confiar em nós próprios e mais uma série de lugares-comuns de natureza onanista. O reitor da Universidade Técnica, um antigo gestor de fortunas do BPP e um empresário dinâmico alinharam por esse diapasão. Felizmente, o painel contou com a presença de José Soeiro e de Jorge Malheiros, que trouxeram alguma informação e um olhar crítico e contextualizado sobre a situação que vivemos. Ambos recordaram, por exemplo - num momento em que a coisa resvalava para um misto de "fuga de cérebros" e "busca do sucesso" - que boa parte da emigração hoje ainda não é de gente hiper-qualificada que vai para fora após a licenciatura ou o doutoramento. Se essa é já uma realidade muito significativa, os níveis de escolaridade ainda baixos da população portuguesa e o reconhecimento dos sectores mais atingidos pela crise (como a construção civil, por exemplo) dão-nos um retrato menos "cool" (retrato esse onde se inserem, obviamente, essas fatias da população qualificada que não saem propriamente para ir trabalhar para a City de Londres). Mas essas - ontem como hoje - são as vozes silenciadas da emigração portuguesa.

 

(E já que vem a propósito, é de começar a seguir estas Cartas de Londres, registos pessoais de quem está emigrado naquelas terras).

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