Quarta-feira, 30 de Janeiro de 2013
por Daniel Oliveira

 

Usando a metáfora dos reis magos para se referir à troika, Arménio Carlos referiu-se, no seu discurso no final da manifestação dos professores, a Abebe Selassie como "o mais escurinho, o do FMI". Esta forma de falar do etíope representante do Fundo Monetário Internacional na troika causou natural incómodo a muita gente. A mim também. E por isso escrevi que "esta crise anda a fazer quase toda a gente perder o norte e o sul e coisas extraordinárias vêm de quem menos se espera". Outros foram os que, com mais ou menos veemência, se indignaram.

 

Em defesa de Arménio Carlos vieram muitas outras pessoas, mais e menos anónimas. Com argumentos variados. Uns, que nem deveriam merecer grandes comentários:criticar Arménio Carlos para defender o representante do FMI, nas circunstâncias em que o País vive, é dividir a oposição à troika e ajudar o inimigo. A ver se nos entendemos: considero a troika inimiga dos interesses do País e da justiça social. Mas isso não permite tudo. E não me permitirá a mim, com toda a certeza, esquecer outros valores e outros combates tão essenciais como os que agora se travam. O facto de ser dito pelo líder da CGTP, organização em que muitas vezes me revejo, torna a coisa mais grave para mim. Se não criticamos os nossos nunca teremos autoridade para criticar os outros.

 

Outro argumento foi um pouco mais sonso: então ele não é mesmo mais escurinho? Qual é o problema? A não ser que passe a ser normal responsáveis políticos referirem-se a adversários desta forma, tudo bem. Será, assim, natural ouvir em intervenções públicas falar do ministro das finanças alemão como o "aleijadinho" (ele, de facto, anda de cadeira de rodas, não anda?), a António Costa como o "monhé" (ele, de facto, tem origem indiana, não tem?), a Jaime Gama como o "badocha" (ele, de facto, tem uns quilos a mais, não tem?), a Ana Drago como a "pequenota" (ela, de facto, é baixa, não é?), a Mário Soares como o "velhadas" (ele, de facto, já não é jovem, pois não?), a Miguel Vale de Almeida como "larilas" (ele, de facto, assume publicamente a sua homossexualidade e faz da luta pelos direitos LGBT uma parte fundamental do seu combate político, não faz?). Espera-se, no entanto, que o debate público mantenha algumas regras de civilidade. E, sobretudo, que não alimente alguns preconceitos importantes. Arménio Carlos não disse o que disse num café, onde a conversa se pode aligeirar sem problemas. Disse o que disse numa intervenção pública oficial.

 

Por fim, porque não há oportunidade em que a expressão não seja usada a propósito ou a despropósito, veio a costumeira acusação do "politicamente correto". A ver se nos entendemos: o politicamente correto tem um sentido. E esse sentido resume-se assim: as palavras não são neutras e carregam consigo história, cultura e política. Por isso, devemos usá-las com correção. Não quer isto dizer que devemos ser bem comportados ou que devamos fazer de cada frase um manifesto político. Quer dizer que não devemos usar as palavras ao calhas. Pelo menos quando estamos a falar ou a escrever na arena pública e não conhecemos as convicções mais profundas dos nossos interlocutores. Há, claro, excessos de purismo no politicamente correto. Que me irritam, como me irritam todos os purismos. Mas o princípio está certo e não é preciso ser especialmente adepto dele para não gostar de ouvir falar de um responsável público como "escurinho".

 

Portugal é um país racista. Tem uma longa história de racismo. E uma longa história de negação desse racismo. É um racismo suave, sorrateiro, com diminuitivo (como "escurinho"), que não se exibe de forma descarada na praça pública. É, talvez, das formas mais insidiosas de racismo. E um homem que se enquadra numa corrente política com provas na luta contra o racismo e a discriminação, como Arménio Carlos, tem obrigação de saber isto. É por isso que o incómodo com esta afirmação deve ser maior por vir da sua boca. Não duvido, no entanto, que se a expressão tivesse sido dita por um homem de direita a indignação seria muito mais violenta. E mal. A direita tem, nesta matéria, menos responsabilidades. Não porque a direita seja, em geral, racista, mas porque acredita, em geral, que os portugueses não o são. É, por isso, menos vigilante consigo própria.

 

Se repararmos, Abebe Selassie é o primeiro negro com algum poder real em Portugal. Ou seja, num país razoavelmente multiétnico, o primeiro negro com algum poder só o consegue ter porque esse poder não resultou da vontade dos portugueses. Há, que me lembre, apenas um deputado negro no parlamento - e é do CDS. Não há nenhum presidente de Câmara, nenhum ministro, nenhum secretário de Estado. Isto tem de querer dizer qualquer coisa. Ou quer dizer que os portugueses não votam em negros ou quer dizer que a generalidade dos negros não consegue ascender socialmente no nosso país para chegar a cargos públicos relevantes. Porque são geralmente discriminados ainda antes de chegarem à fase de poder ascender a estes cargos. São discriminados na distribuição do rendimento, dos empregos, das oportunidades. E é neste contexto, e não numa sociedade que dá a todos, independentemente da sua etnia, as mesmas oportunidades, que Arménio Carlos falou de um "escurinho".

 

Arménio Carlos não se referiu aos outros dois representantes da troika como "o carequinha" e o "loirinho". E é normal. Carecas e loiros há em muitos cargos semelhantes. Não chega a ser um elemento distintivo. "Escurinhos" é que há poucos. Ou melhor, não há nenhum. Só que essa característica física não é comparável a outras que aqui referi. Ela é causa de uma discriminação muitíssimo mais profunda. E foi isso que Arménio Carlos, sem o querer, acentuou: em vez do nome e do cargo, sobrou a Selassie (que eu aqui já critiquei violentamente sem me ocorrer falar da sua cor de pele) o facto de ser "escurinho".

 

Selassie não foi identificado como etíope, que é, como técnico do FMI, que também é, como alguém que usa óculos, que usa, que é careca, que também é, ou que é politicamente incompetente, que parece ser. É negro. Não pretendo que sejamos cegos perante a negritude. O que fica claro é que, mal surge um pessoa com algum poder no nosso país que seja negra passa a ser essa a forma mais evidente de a identificar. Com direito a dimunitivo. Que isso aconteça num café ou entre amigos não me choca. Que seja essa a forma como o secretário-geral da CGTP se refere a um adversário político - e o facto de ser um adversário político e da frase ter sido dita no contexto de um ataque político só torna a coisa mais grave - numa iniciativa pública é relevante.

 

Arménio Carlos é racista? Não me parece. Mas a indignação não resulta de uma qualquer avaliação do carácter ou das características políticas de Arménio Carlos. Resulta do que a frase que proferiu num contexto oficial acrescenta ao discurso político em Portugal. Mais grave: o que ela acrescenta ao combate a uma intervenção externa que está a deixar as pessoas desesperadas. A intervenção externa é condenável, mas nunca se pode passar a ideia que ela é condenável porque envolve um "boche" ou um "escurinho". Porque, mesmo que não seja essa a intenção de quem assim falou, isso transforma uma resistência em defesa da soberania democrática num ataque xenófobo. Repito: mesmo que não seja, e estou seguro de que não era, a vontade de Arménio Carlos. É que o sentido das palavras ditas na arena pública não depende da vontade de quem as diz. Dirigindo-se indistintamente a todos - e também a quem seja, e são muitos, racista -, é apropriável por todos. Por isso somos obrigados a especiais cuidados quando as dizemos no espaço público.

 

Arménio Carlos já veio dizer que não sabe de ninguém que tenha ficado pessoalmente incomodado. E que se alguém ficou, transmite as suas desculpas. Arménio Carlos é um político e tem obrigação de saber que a questão não é o incómodo pessoal de cada um. O confronto político permite o incómodo dos outros. Ele até poderia insultar Selassie. Mas deve pensar bem se o insulto que escolhe corresponde aos valores políticos que defende. A questão é o que a expressão, ainda mais com o diminutivo paternalista, revela. E se há coisa que um político tem de saber é que as palavras, sendo parte fundamental do seu ofício, são importantes. Um trabalhador pode ser um "colaborador"? Pode. Um despedimento colectivo pode ser uma "reestruturação" de uma empresa? Pode. E, como tão bem sabe Arménio Carlos, não é indiferente se usa umas ou outras expressões. Mesmo que ninguém fique pessoalmente incomodado por ser chamado de "colaborador". Porque, como gritava Nanni Moretti, "as palavras são importantes". E em política elas são muito importantes. Mesmo quando não se quer ofender ninguém.


Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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98 comentários:
antónimo
Tudo bem tirando 


"Não duvido, no entanto, que se a expressão tivesse sido dita por um homem de direita a indignação seria muito mais violenta. E mal. A direita tem, nesta matéria, menos responsabilidades. Não porque a direita seja, em geral, racista, mas porque acredita, em geral, que os portugueses não o são. É, por isso, menos vigilante consigo própria."


Lá por ter o Hélder Amaral na bancada o CDS-PP nunca deixa de promover o preconceito contra o(s) outro(s). O discurso contra o RSI, contra a emigração e por aí fora tem sempre alvos claros. (E Jardim - possivelmente mais por estilo que por convicção - não falou já na proibição das lojas dos chineses?)

deixado a 30/1/13 às 10:09
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"Não porque a direita seja, EM GERAL, racista"


antónimo
Recentrar: "E mal", não. E bem.



Neste tipo de coisas a indignação com a direita é maior por se saber muito bem que há grupos e partidos inteiros que lucram com a promoção desse tipo de preconceito. Cascar no RSI, nos emigrantes tem consequências reais. Que são politicamente postas em acção, na legislação e por aí fora.


Já a esquerda só perde com isso. Ninguém à esquerda desculpa o Arménio Carlos, mesmo que haja quem relativize o que disse - embora ninguém o possa acusar de querer promover activamente o preconceito de modo a fazê-lo prevalecer em letra de lei. E ai dele se volta a repetir.


Fernando
Antónimo: "E bem?" Esta conversa da esquerda que são superiores moralmente é de tal modo ridícula que mete dó. É indiferente ser de direita ou ser de esquerda. O que interessa foi o que se disse.


Antónimo
Estou-me literalmente a F**** para o que lhe mete dó, Fernando, e para os apodos de "moralismos".


Interessa-me sim a distância que vai entre o que se diz e o que se faz, e nisso a direita bem pode declarar-se tolerante, simular discordâncias, etc.  que basta a acção do ministro Mota Soares para saber como o amor acrisolado pelos desfavorecidos é coisa que nunca  comoveu os CDS-PP.


até tu brutus
cada dia estão mai brutos
ou diz-se mais escurinhos?Image


antónimo
Não sendo um particular apreciador de Philip Roth (Saul Bellow fez o mesmo, consideravelmente antes e bem melhor), esse fantasminha do seu comentário numa peça sobre "escurinhos" lembrou-me instantaneamente um romance dele intitulado A Mancha Humana. A coisa está também passada a filme por Robert Benton (o realizador de Billy Bathgate, de Nadine, Um Amor à prova de Balas, ou de Na Calada da Noite) com Anthony Hopkins e com Nicole Kidman.


Numa daquelas universidades, daqueles meios em que Roth enfia as personagens, um professor, Coleman Silk, durante a chamada, pergunta por duas alunas que têm vindo a faltar. Como nunca as viu nas aulas, mas estão na lista de alunos, pergunta se serão assombrações. 


Só que a expressão que usa para assombração, Spooky, é também usada como substituto para designar pretos e as duas alunas (o que ele ignora) são negras. A coisa vale-lhe um processo disciplinar e muito mais. Pelo caminho envolve-se com uma empregada de limpeza e ainda se descobrem as suas escondidas origens rácicas.


Para os interessados em curiosidades internéticas, o romance anda também associado a uma tentativa feita por Philip Roth para corrigir aquilo que a wikipédia dizia ser a figura real e fonte de inspiração do autor. 


A enciclopédia online respondeu-lhe que eram necessárias outras fontes além da palavra do próprio Roth para proceder à alteração do texto. Resposta de Roth pode ser lida, em português, por exemplo, em http://blogs.estadao.com.br/link/prezada-wikipedia/

deixado a 31/1/13 às 11:43
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Anónimo

"O discurso contra o RSI, contra a emigração e por aí fora tem sempre alvos claros"
Que eu saiba, tanto lhes faz que os beneficiários do RSI ou esses emigrantes sejam pretos, amarelos ou brancos. Ao contrário do Arménio.


Antónimo
A bondade e certeza do "que sabe" colide com a conclusão de que o Arménio Carlos defende que se retire o RSI a alguém.


O que se critica bastas vezes a Arménio Carlos é que por ele não faltaria quem não tivesse acesso ao RSI. Mas, enfim, a imbecilidade do "escurinho" até pode alimentar todas as distorções intelectualmente desonestas, só que isso não as torna verdadeiras.


Quanto à direita querer retirar o RSI (no fundo querem acabar com ele), obviamente que sabem em quem se repercute mais a crítica. E nem por isso se contêm. 


À porta do Metro passo muitas vezes pelos vendedores ambulantes e uma das senhoras que lá vende, está sempre pegada com os emigrantes africanos a mandá-los para a terra deles, ela que é tão pobre e rota quanto eles.


Basta ler as sempre inteligentes caixas de comentários dos jornais online ou ouvir as conversas na rua para ver quem são os sistemáticos sujeitos implícitos desse discurso dos Portas e dos Magalhães. 


Nesses discursos exemplares das vozes e sentimentos populares (não no sentido de pertença ao partido, mas de pertença ao povo), o que não falta são os ciganos e os pretos ao volante de mercedes comprados com o dinheiro da droga.


Anónimo
O que eu critico a esses Arménios todos (que igualmente partilham as caixas de comentários na net) é a hipocrisia de se acharem num qualquer patamar moral de superioridade.


Para esses Arménios, és "de cor" se fores dos nossos senão és um preto de merda. És homossexual se fores dos nossos senão és um paneleiro nojento. E por aí fora.
Basta estar atento aqui mesmo no Arrastão para ver como mandar alguém levar no cú é o insulto extremo. Até o Daniel e o Sérgio a isso já recorreram.


"A bondade e certeza do "que sabe" colide com a conclusão de que o Arménio Carlos defende que se retire o RSI a alguém."
Tem razão, pois a frase "Ao contrário do Arménio" assim solta pode levar a essa conclusão. Apenas quis dizer que, ao contrário do "discurso contra o RSI, contra a emigração e por aí fora" do CDS em que nunca ouvi qualquer referência depreciativa em relação a qualquer raça, o do Arménio revelou essa faceta. Usou a raça do homem como característica depreciativa. É um facto.
Agora podemos escolher interpretar aquilo como um mal-entendido sem intenção ou como ter-lhe sido descoberta a careca.


Em relação a esse discurso "anti-emigrantes" por parte do povo, é uma contradição com a qual o PCP (em particular) vive mal. O seu eleitorado são todos esses "vendedores ambulantes" e a maioria deve pensar desse modo. Assim como rejeitam e repudiam a homossexualidade e casamentos gay. Experimente ir ao "core" do eleitorado comunista (o interior envelhecido alentejano ou mesmo os operários fabris e industriais) e indagar o que pensam de ver um filho aparecer em casa aos beijos a um homem.
No entanto, são a sua base de sustento, esse eleitorado.


Depois, há uma coisa simples: se o governo anunciasse a criação de 200.000 postos de trabalho que seriam preenchidos por emigrantes, qual acha que seria a reação do eleitorado do BE/PCP? E sobretudo, o dos partidos? É que para eles, trata-se apenas de "empregos" e não fazem a distinção se são para Portugueses ou emigrantes, não é?


zapping
O Arménio tem tanto de racista como tu de honesto, esterqueira ambulante

deixado a 1/2/13 às 13:57
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antónimo
Sem perder grande tempo. 


A esquerda acha aviltante o tipo de sentimento que eventualmente esteja contido no tipo de declarações de Arménio Carlos. Mais, luta para que esse tipo de sentimento não prevaleça. E condena quando prevalece ou quando um deslize do género permite ou reforce esse sentimento.


Clarinho como água nos votos e acções do PS/PCP/PEV/BE. O eleitorado do PCP está longe de ser o dos vendedores ambulantes e haja muito dele que goste ou não goste de ter um filho homossexual, o PCP aprovou o casamento entres homossexuais (tal como tem defendido e votado e proposto e participado em todas as aberturas para a legalização de emigrantes.)


A direita aproveita e cavalga todas as ondas do prenconceito e ainda quer falar de hipocrisia. Como se fossem houvesse alguma superioridade em assumir marialvamente os seus preconceitos em vez de os condenarem e combater. E se nunca deu por declarações e leis racistas ou incentivadoras do racismo pela parte do CDS anda muito distraído.


Anónimo
Ouça, a igreja também acha aviltante o abuso de menores e a pedofilia.
A esquerda (a radical, ressalve-se) acha aviltante na oposição em democracia tudo o que praticou de livre vontade quando se apanhou a governar. Hipocrisia, falava você?


Entre hipócritas e aldrabões, não faço distinções entre esquerda e direita. Cada uns com as suas. Ninguém se safa por ser de esquerda ou direita.


"E se nunca deu por declarações e leis racistas ou incentivadoras do racismo pela parte do CDS anda muito distraído."
Agradeço então que me aponte algumas e elucide.


antónimo
Bem me parecia que tinha um demagogo à frente. Mistura esquerda com o que não é esquerda e não reconhece um discurso de incentivo ao racismo quando o ouve. 


Anónimo
Vamos a ver se nos entendemos. Está então a dizer que todos esses regimes a que me refiri (que os bloquistas antes apoiavam abertamente e dos quais o PCP ainda hoje não se consegue demarcar) afinal não eram/são de esquerda???
Também já ouvi semelhantes criaturas à direita dizerem o mesmo do nazismo, fascismo e afins. Até tem o negacionismo em comum, veja lá. Não houve Auschwitz nem gulags.
Aliás, há uma Rata no parlamento que afirma, rindo das vítimas dessas barbáries, que "não se lembra de ter dado isso na escola"...


Mas pronto, sempre a aprender. Afinal nem uns eram de esquerda nem os outros de direita.


"e não reconhece um discurso de incentivo ao racismo quando o ouve"
Que conveniente... Agora vem com subtilezas. Facto: o Arménio chamou PRETO (áh, foi "escurinho", como quem chama apenas "ciganito" ou "mariconço". Nada de grave) ao homem, usando a raça dele de forma depreciativa (não foi como elogio, pois não?
São tantos afinal esses discursos "de incentivo ao racismo", aponte-me lá alguns deles, sff. De preferência com referências "à Arménio"...


Já agora, esqueci-me desta: "Como se fossem houvesse alguma superioridade em assumir marialvamente os seus preconceitos em vez de os condenarem e combater"
Dois erros. Primeiro, não falei em superioridade nenhuma em assumir preconceitos. Trata-se apenas de frontalidade, honestidade e coerência (quando coincidem com os actos).
Segundo, não os estava a comparar quem os condenam e combatem mas sim com quem os esconde hipocritamente. Entendido?


antónimo
Eu estou a falar da situação interna e de partidos portugueses que não apoiam criminosos escravocratas como o Selassié, não estou a discutir negócios Estrangeiros.


Esse tipo de desonestidade intelectual chama-se salvo erro falácia espantalho.

deixado a 1/2/13 às 19:20
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Lisboeta
"Que eu saiba, tanto lhes faz que os beneficiários do RSI ou esses emigrantes sejam pretos, amarelos ou brancos. Ao contrário do Arménio."
 
Pois, o que lhes interessa é que eles sejam pobres. Ao contrário do Arménio que, caso se estivesse a referir a um negro pobre - e não a um "rei mago de merda" que está cá só para nos lixar - teria  tido, concerteza, outro cuidado na linguagem.


Anónimo
Não arranje desculpas para o homem. Fugiu-lhe a boca para a verdade e revelou que tipo de pessoa é.
Foi catado; azar o dele.


Se mesmo com todo o cuidado em esconder do povo esse tipo de características pessoais comuns que têm esses "puros tolerantes democratas" eles se revelam assim, imagino o que deve ser o teor do discurso privado entre eles sobre estas matérias...

deixado a 31/1/13 às 11:52
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Rui F
Uma tirada destas no Brasil e o Arménio estava feito.

Mas o Arménio não está só.
Infelizmente, pode-se dizer que este tipo de racismo glicodoce é um estigma cultural Português. Foram muitos anos a virar frangos.

deixado a 30/1/13 às 10:26
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"Pirralha...eu?"

Primo Rui F


Tal como disse no post/cartoon do Pedro Vieira, Arménio Carlos devia demitir-se e acho que não é preciso explicar porquê.


Para aliviar um bocadinho a tensão, ninguém é insubstituível e na CGTP, onde até funciona um colectivo, poderia optar-se por uma solução tipo BE, por exemplo, Mário Nogueira + Ana Avoila…


Aquele grande abraço do cota


Beijocas do bando


Cristina



Rui F
Pirralha...tu

prima

Piadinha bicefala a tua :)
Pedir a demissão é exagerado!! acho eu.

Beijos e abraços ao bando

deixado a 30/1/13 às 21:56
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Anónimo
Dessas talvez mas se chamasse "gringo" a outro, tudo bem.

deixado a 30/1/13 às 13:25
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JD
Temos tido vários exemplos de não-brancos em funções publicas.


Narana Coissoró, Natalia Carrascalão, Roberto Carneiro, António Costa, o presidente da câmara de Torres Vedras que é cigano, o próprio João Cravinho é misto, enfim, vamos tendo.


Não é expectavel que um emigrante de primeira ou segunda geração apareça em funções publicas. A prioridade dele é prover o seu sustento e o de quem ficou no país de origem. Penso que dentro de uns anos isso poderá começar a mudar.


A questão aqui prende-se com a percepção de uma diferença de tratamento. Ou seja, se tivesse sido alguem de direita a cometer esse lapsus linguae a sanção publica teria sido muito mais severa e assumiria-se que havia um proto-racista e proto-fascista naquela pessoa. 

deixado a 30/1/13 às 10:50
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antónimo
Essa é uma questão curiosa, mal interpretada por Daniel Oliveira. A escravatura esteve instalada em Portugal grande escala desde o século XV. O racismo existe por cá, claro, mas esse é um argumento flébil. Tem muito que se lhe diga.


E onde estão os descendentes dessa gente toda? Somos nós, obviamente. Misturados nos nossos avós de tal modo que nem deles temos memória a não ser que se tenham integrado na família há uma ou duas gerações e a sua memória, às vezes epidérmica, ainda não tenha sido diluída. 


Um dos modos de atacar o marquês de Pombal foi que ele teria uma avó preta, mas em tempos em que se falava de limpeza de sangue poderia ser apenas uma maneira de o tentar destruir. Nos meios retornados não se pôs a correr em 1975 que Rosa Coutinho seria filho da criada negra do almirante gago Coutinho e que raparia a cabeça para não se lhe ver a carapinha? 


E, no entanto, há também poetas portugueses do XVIII e XIX com origens africanas. No século XIX, Gonçalves Crespo, cujos traços subsarianos são evidentes em toda a iconografia, não casou com Maria Amália Vaz de Carvalho, a primeira mulher portuguesa a entrar na Academia das Ciências? 


Não é apenas pela ausência de gente de origem perceptível africana em lugares de poder que se pode concluir grande coisa. Aliás, Marcelo Rebelo de Sousa e Freitas do Amaral têm ou não sangue subsariano? E Guterres que descende de alguém cujo apelido era "Preto", primo afastado de Rolão Preto, expoente do integralismo lusitano?


operário
...João Cravinho nem precisa de afirmar que tem ascendentes negros

Os defensores da "raça" nunca terão grande futuro em Portugal


Antónimo
Nem falei no Cravinho, que em Portugal passa perfeitamente por não ter ascendentes subsarianos.


Caetano Veloso diz escreveu que é um mulato suficientemente  claro para se dizer que é branco e que Gilberto Gil é um mulato suficiente preto para se dizer que é negro.

deixado a 30/1/13 às 19:48
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ludy
Já começa a mudar... Em 2009 tivemos um cidadão de origem caboverdeana candidato à Câmara Municipal da Amadora. Temos muitos imigrantes de origem africana com capacidades para ocupar altos cargos, mas neste país é quase impossivel devido à pequenês da mentalidade portuguesa. Continuam a achar que o cidadão africano serve é para estar na cosntrução civil ou então nas limpezas.


JD
Não concordo.


Que se apresentem a eleições como candidatos, não como penduricalhos para mostrar, e vão ver como há uma agradavel surpresa. Agora sejam bons candidatos...


O Benfica do inicio dos anos 60 era capitaneado por um preto (Mário Coluna). Não por ser preto e com isso tentar provar o quer que seja, mas porque era sem duvida o melhor lider naquele balneário.


Sim somos racistas, mas (já) não somos violentos a manisfestá-lo. A tendência, se ninguém andar aí a levantar atroardas, é que o nosso racismo se transforme numa espécie de piadas de alentejanos.

deixado a 31/1/13 às 11:15
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Joe Strummer

No ponto.

Já agora...
http://wp.miguelvaledealmeida.net/2013/01/cronica-18/

deixado a 30/1/13 às 10:58
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Joe Strummer

E a proposito,

“Na pureza técnica, é uma reestruturação. Mas como a expressão ‘restruturação’ passou a ter uma conotação negativa, que implica perda para o investidor, é importante salientar que não é disso que se trata.”
 
Secretária de Estado do Tesouro, Maria Luís Albuquerque

As palavras são mesmo importantes.

deixado a 30/1/13 às 15:57
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Doutor Instantâneo Miguel Relvas
Daniel:
E aos seus argumentos, com os quais concordo a 100%,  acrescentaria mais um.
Há «branquinhos», e alguns com cabelos brancos para saber bem o que fazem, que nos lixam mais do que «escurinhos»:
http://youtu.be/Zakt1Ae2mYg

deixado a 30/1/13 às 11:21
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DJDRMIKE
Epá. Já estão a entrar no radicalismo tipo Spike Lee a dizer que não vai ver o último filme do Tarantino " Libertem Django" pois  a escravatura " não pode ser retratada como um Western Spaghetti do Sergio Leone";
A frase foi um pouco infeliz, reconheço, mas que o Etíope do FMI é um "Black Motherfuker" a tentar enrabar o contribuinte Tuga, lá isso ele é. E isso é o que nos devia estar a preocupar neste momento.

deixado a 30/1/13 às 11:21
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Carlos Marques
Estando de acordo com as conclusões, mas há que fazer algumas chamadas de atenção, dada a importância das palavras:

"e coisas extraordinárias vêm de quem menos se espera" - conhece pessoalmente o Sr. Arménio Carlos ou acha que os comunistas e extrema-esquerdistas em geral por definição não são racistas? Na URSS havia racismo e na Rússia há racismo, tal como na Polónia e no Leste em geral... Tal como no mundo inteiro, se formos pensar nisso a sério...

"Portugal é um país racista." A sério? E Espanha? e Marrocos? E Angola? E a África do Sul? E o Reino Unido? E, até, a Suécia ou a Noruega? Há algum país que não seja racista ou que o seja menos do que Portugal?


"apenas um deputado negro no parlamento - e é do CDS" Ou seja, por ser do CDS é menos negro? Percebi mal? O que é certo é que o CDS é um partido que com menos deputados do que outros consegue ter um deputado negro e partidos como o BE não têm nenhum... Essa é que é essa.

Para terminar: a SOS Racismo é antirracista dependendo dos protagonistas? Disseram alguma coisa sobre as palavras do Sr. Arménio Carlos?





 

deixado a 30/1/13 às 11:22
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"conhece pessoalmente o Sr. Arménio Carlos ou acha que os comunistas e extrema-esquerdistas em geral por definição não são racistas? "


Conheço pessoalmente Arménio Carlos. Por isso escrevi o que cita.


""apenas um deputado negro no parlamento - e é do CDS" Ou seja, por ser do CDS é menos negro? Percebi mal?" 


Nem sequer chego a perceber o que percebeu.


"Portugal é um país racista." A sério? E Espanha? e Marrocos? E Angola? E a África do Sul? E o Reino Unido? E, até, a Suécia ou a Noruega? Há algum país que não seja racista ou que o seja menos do que Portugal? "


Há países que são mais racistas que Portugal e há países que são menos racistas que Portugal. Como em tudo.


Carlos Marques
Ok... É verdade que os portugueses são mais racistas do que outros povos e menos do que outros... Só não percebo ainda a parte do "e é do CDS"... Foi um elogio ao CDS? Se foi, acho justo... Não se compreende como partidos como o PS e o PSD, que têm carradas de deputados, não têm um único negro, ou asiático ou seja lá de onde for a ascendência... Mais uma vez: os círculos uninominais eram capazes de refrescar a coisa... Assim, os lugares já passam de pais para filhos e entre primos e por isso é que isto está como está.

deixado a 30/1/13 às 12:51
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Pedro
Caro Daniel,

Não vou comentar a crónica, apenas esta última afirmação:
"Há países que são mais racistas que Portugal e há países que são menos racistas que Portugal. "

Permita-me achar que é uma afirmação descabida.
Se o que afirma pode ser verdade também pode ser falso, pelo simples facto de que "o racismo" não pode ser medido ou quantificado.
É mais racista o que verbaliza ou o que o sente calado? o que mata ou o que desdenha? etc.

Voltando ao Moretti "as palavras são importantes".

deixado a 30/1/13 às 14:15
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Bento
Excelente! Daniel Oliveira além de se  arvorar no notário linguistico do que é politicamente correcto, também tem um aparelho que mede por país o nível de racismo. Notável e brilhante. Espero que tenha patenteado o racismómetro. Pois eu daqui digo que o chefe da troika é para quem não sabe aquele que é preto e careca. Sem ponta de racismo nisto. Como também digo que o Daniel Oliveira do Bloco é aquele de tez escura e barba que escreve no expresso.


Saudações revolucionarias e como diz Tarantino i do not have time to discuss bulshit


PS de vez em quando sabe bem destilar um pouco de veneno anticomunista , não é ? fica sempre bem no "meio"

deixado a 31/1/13 às 00:07
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João Cerqueira
No imaginário progressista o racismo só existe na Europa e nos EUA, e, obviamente, as pessoas de direita são, geralmente, racistas.
O sistema de castas na Índia, o tribalismo africano e a atitude dos islâmicos perante os negros são assuntos tabu para muitos.
Eis alguns exemplos de como os negros são tratados em África e nos países árabes :
Iémen
http:/ www.youtube.com /watch?feature=player_embedded&v=Nt-oFJzbbTc

Árabes a comprar escravas que abanam o traseiro (seria hilariante se não fosse verdade)
http:/ www.youtube.com /watch?v=N-k5gH9u_Rc

Crianças acorrentadas e chicoteadas por clérigo muçulmano
http:/ www.youtube.com /watch?v=9PiFwkA70Xk

 Escravos negros no Sudão islâmico
http:/ www.youtube.com /watch?v=l1j8D1j9mEc

Escravatura infantil na Arábia
''When investigating in the 1990s the enslavement of hundreds of thousands
of black Africans in Mauritania by Arab-Berber masters,
African-American author Samuel Cotton was stunned to discover that
African children were still being kidnapped by Arabs traveling with
camels carrying big baskets.''
http://frontpagemag.com/2011/stephenbrown/the-dark-world-of-the-arab-child-slave-trade/

deixado a 30/1/13 às 15:07
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Daniel, como já era de esperar você não me desiludiu e esteve muito bem.


Manteve a sua coerência  e elevou certos valores que nunca devemos por de lado.


Mas mais uma vez lhe digo, a Troika não é nossa inimiga pelo simples facto de que fomos nós que a chamamos, e  eles vieram em nosso auxilio !

deixado a 30/1/13 às 11:36
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auxiliar-nos no que? A diminuir défices com malabarismos orçamentais? Só se for isso.
A troika veio porque o psd e cds quiseram o poder e tinham fome.. essa é que é a verdade ,, e não tens coragem/tomates para admitir

deixado a 30/1/13 às 13:19
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Doutor Instantâneo Miguel Relvas
Cunha:
Se eu tiver um furo na estrada e pedir ajuda a um bandido que aproveita a situação para me roubar, não só não o posso criticar como ainda tenho que lhe ficar grato.
Tu nunca desiludes, Cunha.
Sempre igual a ti próprio.


pois, esse é que é o problema.


tu chamas bandido a quem te estende a mão !


este bandido alem de te trocar o pneu até te ensina a andares mais de vagar e a fazer melhor as curvas. Alem disso, recomendou que para ires ao café o melhor é ires a pé.


no fim ele vai embora, tu ficas com o carro arranjado por um preço razoável,  mas ficas todo ofendido porque ele te chamou de condutor irresponsável.


aiai
É ter modos, Cunha, esse bandido não passa de um lacaio, para mais. E tu curvas-te, fazes cunha ao salafrário luzidio, gordo que nem parece vir da Etiópia, lá vá fazer circo ao hawai .

deixado a 31/1/13 às 14:52
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este bandido alem de te trocar o pneu até te ensina a andares mais de vagar e a fazer melhor as curvas. Alem disso, recomendou que para ires ao café o melhor é ires a pé.
no fim ele vai embora, tu ficas com o carro arranjado por um preço razoável,  mas ficas todo ofendido porque ele te chamou de condutor irresponsável."


Ai que mentiroso que és.Epá, eu nao sei o que significa para ti andar mais devagar ,trocar-te o pneu e fazeres melhor as curvas,mas o que a realidade nos mostra, é que ele furou os pneus todos,e o veiculo vai ainda mais desgovernado,e só não se partiu ainda todo por sorte, porque o individuo é um incomnpetente. 
Felizmente o vento existe para levar as tuas palavras como se de pó se tratasse






deixado a 31/1/13 às 15:04
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DSilva

Isto vindo do fulano que não tem problemas em chamar autista ao Gaspar ou caricaturar a fala do ministro. Muito bom.

deixado a 30/1/13 às 11:51
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Caro fulano, ao comparar as expressões, ou não leu o texto ou não percebeu nada do que lá estava. Eu até escrevi que se podia insultar o senhor, mas que se deve ter atenção ao conteúdo político dos insultos que se escolhem. Apenas isso.

deixado a 30/1/13 às 11:58
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FernandoFreitas
Bom tiro!



Um outro exemplo consonante com a sua chalaçada, Daniel: utiliza o termo "negro" para se referir à pessoa de cor negra que representa o FMI em Portugal, assim salientando a negritude dele como característica mais importante.

deixado a 30/1/13 às 19:22
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renegade
Daniel a surfar a onda. Mais um a fazer barulho, ali onde não interessa nada. Cada um escolhe as lutas que escolhe, e saberá por que o faz e se valem a pena. Esta não vale.

deixado a 30/1/13 às 12:30
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